Manifestações consciente do inconsciente. Contos e poesia crônica.

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Quarta-feira, 3 de Outubro de 2018

Efêmeros

 

A cidade diminui na noite

que escura se funde à fuligem

Céu e asfalto se unem

formando uma outra miragem

 

Que a cada passo se amplia

nos ecos dos passos passados

Personagens que somem ao dia

se avultam a novos pecados

 

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O mortiço

 

Quando será que a vida acaba?

Com a morte? Não creio

Tanta gente maltrapilha vaga

sem saber para que aqui veio

 

Carregar a própria existência

nos ombros, há quem não suporte

O peso do “ter que ser”, consorte

transcende qualquer essência

 

Sobreviver como indigente

na selva de pedra é penoso

A esmola, um prato, entorpecentes

ajudam amenizar o desgosto

 

Mas uma hora isso cansa

Abreviar o sofrimento é a opção

Quem vai lembrar daquela criança?

Era só mais uma, largada no chão

 

Seu nome? Rogério, Roberto... Enfim

o viaduto da santa foi o trampolim

Num voo curto e fatal, no paraíso

mais um precipitou o seu fim

 

Espatifou no asfalto da 23 de maio

Por um instante pararam em atenção...

Olharam e foi como naquela canção:

“morreu na contramão atrapalhando o sábado”

 

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Sábado, 8 de Outubro de 2016

Modelo

 

O mendigo fotografado

ficou bonito

 

Homem oriundo do descarte

no fotograma agora é arte

 

Da rua à galeria de fotolitos

o mendigo virou mito

 

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Quinta-feira, 6 de Outubro de 2016

Encalço

 

Signos seguidos

persigo na cidade

Acidade sanguínea

fluxo, rotatividade

 

A rapidez do tempo

age no aço, edificante

E eu lento, nesse espaço

agonizo, insignificante

 

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Domingo, 8 de Março de 2015

a rua e o rio

 

a rua ria do rio que ia

do curso que ele seguia

pois sabia não conseguiria

progredir conforme ela progredia

 

cobrir a Terra ela poderia

ser mais útil ela seria

servir sempre ela serviria

só crescer era o que fazia

e isso ela nunca pararia

 

até que percebeu um dia

que o rio é que da rua ria

porque parada ela não saía

e apesar de crescer à revelia 

para nenhum lugar a via ia

 

quando entendeu a diferença que havia

a rua imponente que antes ria

parada no lugar pôs-se a chorar

porque diferente do rio que ia

seu curso seguia para algum lugar

e a rua que antes não via

viu que nunca encontraria

o mar

 

agora é tarde demais para desaguar

 

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Quarta-feira, 25 de Fevereiro de 2015

Black SP

 

algo irá acontecer

na cidade intensidade

o céu ficará negro

e o dia irá escurecer

 

a água irá cair

as ruas irão encher

a noite será escura

não haverá amanhecer

 

a torneira irá secar

só sobrará o Tietê

o trânsito irá parar

não haverá pra onde correr

 

o estresse se espalhará

e atingirá você

seu coração explodirá

e você irá morrer

 

no meio da multidão

ninguém irá querer saber

de mais um corpo pelo chão

atrapalhando o entardecer

 

você irá apodrecer

a enxurrada o levará

ratos irão te roer

não há nada o que fazer

 

porque aqui é a Black SP!

 

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publicado por AB Poeta às 23:31
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Sexta-feira, 30 de Janeiro de 2015

X haikais à vida em SP

 

I

 

céu sem nuvens

o fundo da represa

ar na torneira

 

II

 

o vento forte

a árvore que cai

luz que se apaga

 

III

 

lagoa seca

tucanos bebericando

há vinte anos

 

IV

 

água cai do céu

asfalto impermeável

Clara boia

 

V

 

o céu cinza

a multidão que corre

edifício

 

VI

 

o sol a pino

multidão amontoada

espera no ponto

 

VII

 

a chuva forte

correria na praça

o banco vazio

 

VIII

 

fome de inverno

o sal sobre a mesa

mosca na sopa

 

IX

 

gramado verde

passe preciso, o gol

ver de amar, elo

 

X

 

chove lá fora

batem palmas no portão

melhor na cama

 

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publicado por AB Poeta às 22:17
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Sexta-feira, 23 de Janeiro de 2015

chuvas de verão

I

 

chuva de verão

casamento de espanhol

enclave de sol

 

II

 

chuva de verão

asfalto impermeável

a rã está morta

 

III

 

chuva de verão

a árvore cai morta

luz que se apaga

 

IV

 

chuva de verão

o ônibus lotado

vidro embaçado

 

V

 

chuva de verão

a gravata a forca

algodão molhado

 

VI

 

chuva de verão

batuque no telhado

chão de granizo

 

VII

 

chuva na estação

trem lento caramujo

todos verão

 

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Sábado, 6 de Dezembro de 2014

dessigno

 

pelos signos da cidade

perdido errante

o ser social segue

insignificante

 

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publicado por AB Poeta às 13:43
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Terça-feira, 29 de Julho de 2014

cida de

 

viver cidade

violenta velocidade

 

ver a cidade aparente

ser o vírus e a semente

fugaz ser

a serpente

gás do caos corrente

 

lentamente

trânsito em transe

carros tragados

transeuntes

cigarros lábios lentes

 

lenta mente ácida

árida

fragmenta mente

 

cor rente

de mente

fuga cidade

lá tente

 

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publicado por AB Poeta às 03:44
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Sexta-feira, 25 de Julho de 2014

Tietê - II

 

Tietê quem

te viu não quer

te ver

 

à margem

sem ramagem

sem ramais

marginais nada

fluviais

 

no leito

sem porto

sem jeito

rio quase morto

 

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Sábado, 5 de Abril de 2014

amizade universitária

amizade de faculdade

entidade

Unisant’anna

 

o tempo passa, zuni

e a afinidade mantem-se imune

espírito, nirvana

pois algo ainda nos uni

em bares de Santana

 

para Eli, Bia, Betão e VB

 

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Domingo, 19 de Janeiro de 2014

levante

 

ódio raiva rancor

toda dor da humanidade

 

a infelicidade faz o corpo

social se mexer

mover-se com indignidade

 

a favor da igualdade? talvez

mas de vez pela mudança

no mundinho pobre da esperança

não espere nada da felicidade

 

a raiva é que vai nos salvar

(levante ante o Leviatã)

 

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Sexta-feira, 6 de Setembro de 2013

prédio e praça

 

entre um prédio e

outro um tédio e

outro prédio e

outro tédio e

um outro

rumo

 

entre uma praça e

outra uma graça e

outra praça e

outra graça e

uma outra

rima

 

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publicado por AB Poeta às 02:59
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Quarta-feira, 1 de Maio de 2013

Na Luz não há luz

 

Constelação faminta

Há de luzir

de lá as estrelas

todas

 

A deusa nua

banha-se amoral

em pleno esgoto a céu

aberto chafariz sem anjos

 

Um punhado maltrapilho

come um punhado dado

graças à graça

do olhar de desgraça

sob o desgraçado

 

A estação é sempre

a mesma

seca fria suja

sem luz

sem esperança

 

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Domingo, 24 de Fevereiro de 2013

Abandono

 

Criança sem casa

não cria asas

tem perna torta

e bate palmas

de porta em porta

 

 

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Domingo, 27 de Janeiro de 2013

Viaduto

 

Um homem sobe

o viaduto

O carro sobe

o viaduto

A velha sobe

o viaduto

O progresso sobe

o viaduto

O viaduto sobe viaduto

 

O adulto via

viaduto

sobe

mas não alcança o céu

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Domingo, 21 de Outubro de 2012

O mendigo-gato

 

Do lixo ao luxo

o mendigo-gato

não é negro

Traz sorte

 

Olhos de céu solitário

cabelos de campos de trigo

o pequeno príncipe

de um planeta podre

 

Entre tantos esquecidos

foi o escolhido:

o mendigo-gato-borralheiro

é tão belo

que a miséria

não o merece

 

 

Clique e leia sobre o "mendigo-gato"

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Terça-feira, 17 de Julho de 2012

Falo

 

I

 

A sociedade civil

machista sucumbiu ao

feminismo

isso é fato

e a mutação que a redefiniu

transformou clitóris

em falos!

 

 

II

 

Falo, fera, fuzil

a falocêntrica sociedade civil

brochou de vez 

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Terça-feira, 3 de Abril de 2012

Rodoviária

 

Partir

Chegar

 

Partir os olhares

algo que fica

 

Um beijo jogado

no ar

por bocas distantes

 

O amor me fez olhar para trás

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publicado por AB Poeta às 13:39
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