André Braga

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Terça-feira, 23 de Novembro de 2021

Tauromaquia

 

No centro da fome

e do desemprego

o touro dourado

não puxa arado

 

Esse fica pro povo

que atordoado

enriquece o toureiro

por um mero trocado

 

E os emolumentos

enchem a bolsa dos donos

e os sorrisos dos tolos

que do touro de ouro

só lhe sobram os excrementos

 
Publicado por AB Poeta às 22:48
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É promoção, quem vai querer?

 
A crueldade do Estado
na ilegalidade do ambulante
faz desse desempregado
um criminoso constante
 
Nesse país de desabrigados
e da meritocracia fajuta
tentar sobreviver é um fardo
todo dia uma nova luta
 
Aqueles que seriam os obrigados
a tornar nossa vida mais justa
são os verdadeiros bandidos
já passou da hora de dar um “basta!”
 

 

Publicado por AB Poeta às 22:43
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Ensejo

 

Os touros engordam
as vacas emagrecem
o pasto mal dividido
desiquilibra os dividendos
e quem tange a boiada
nem liga pro contraste
e o desastre vira ensejo:
o touro foi ao varejo
a vaca foi pro brejo

 

Publicado por AB Poeta às 22:41
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Quinta-feira, 4 de Novembro de 2021

Passageiro

 
A vida segue de trem
de estação em estação
embarco na Paraíso
desço na Consolação
 
Entre santos e santas
as homenagens são tantas
que até Judas tem sua vaidade
 
Se me perco na cidade
vou à Luz, que me conduz
para a Liberdade
 

 

Publicado por AB Poeta às 00:13
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Armadilha

 
mais um sujeito
                       sem leito
que à rua se sujeita
                      e se ajeita
na suja sarjeta
 
um rejeito que o estado
          pegou na ratoeira
isso é o resultado
                       da sujeira
de um país sem jeito
 

 

Publicado por AB Poeta às 00:06
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Domingo, 29 de Agosto de 2021

Sextou!

 

Sexta-feira é dia de beber
algo que deixou de ser pecado
O consumo já não o faz desmerecer
temos até monja ao nosso lado

Dizem que devo ser moderado
o que soa diferente da propaganda
mas a embaixadora nos faz criança
deixe-me beber e não encha o sacro

 

Publicado por AB Poeta às 18:40
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Rega-bofe

 

Ao lado do camping de mendigos
inaugurou um fast food novo
Comemoram os famintos maltrapilhos
“o lixo dessa rede é mais gostoso”

Sob os seus arcos dourados
quem sabe consigam uma esmola
porque o lanche que é jogado fora
dividem com cães, gatos e ratos

O palhaço que sorri na entrada
tem a alegria como suprassumo
provoca engasgos e gargalhadas
e mata muitas sedes de consumo

 

Publicado por AB Poeta às 18:19
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Frio

 

O frio do tempo
O frio do chão
O aquecimento é global
mas não aquece o coração

O olhar gelado
sobre o desvalido
lhe cobre o corpo
de desilusão

No fio da navalha
nada o agasalha
No frio da navalha
mais uma mortalha

 

Publicado por AB Poeta às 18:01
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Sexta-feira, 16 de Julho de 2021

Nas ruas

 

Nem esquerda, nem direita
apenas a insatisfação
de quem não aguenta mais
esse messias de rabecão

O povo nas ruas correndo o risco
de pegar o vírus, uma infecção
pior é manter no poder esse lixo
a bolsoquadrilha em ação

Manifestar indignação é preciso
vamos chutar a bunda do capitão
tirar o que nunca deveria ter sido
nunca é tarde para dizer “ele não”

 

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Publicado por AB Poeta às 23:07
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Sábado, 31 de Outubro de 2020

Eterno halloween

 

Mais um cadáver na sarjeta

“ah, mas estava só a caveira”

nem assusta mais a multidão

 

Em meio à sujeira, mais um zumbi

lhe estende a mão: “doce ou travessura”:

lhe pegam a carteira, lhe pedem pão

 

As bruxas e suas crias, pagãos

vivem a pior das fantasias

sob o horror da inquisição

 

Ratos, baratas e víboras políticas

dão o toque de terror no dia a dia

mantendo no caos a população

 

No centro de SP é assim

todo dia é halloween

 

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Publicado por AB Poeta às 12:33
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Sexta-feira, 8 de Maio de 2020

João, o fanfarrão

 

O joão trabalhador

já foi gari, pedreiro, pintor

Liberal à brasileira

é o joão impostor

 

Desde o nascimento

está grudado ao estado

Sanguessuga disfarçado

ímprobo condenado

 

Ainda há o eleitorado

que crê no joão empresário

a mais pura enganação

que já surgiu no plenário

 

Será que muda no próximo pleito

essa parca e distorcida visão?

Será que verão que o eleito

não foi o empresário e sim o fanfarrão?

 

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Publicado por AB Poeta às 20:26
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Quinta-feira, 6 de Dezembro de 2018

Aquífero paulistano

 

Límpida cai a chuva

na rua

e corre suja

ao rio invisível

 

Água viva

corrente ativa

um fio de vida

ainda possível

 

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Publicado por AB Poeta às 20:45
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Quarta-feira, 3 de Outubro de 2018

Efêmeros

 

A cidade diminui na noite

que escura se funde à fuligem

Céu e asfalto se unem

formando uma outra miragem

 

Que a cada passo se amplia

nos ecos dos passos passados

Personagens que somem ao dia

se avultam a novos pecados

 

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Publicado por AB Poeta às 02:42
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O mortiço

 

Quando será que a vida acaba?

Com a morte? Não creio

Tanta gente maltrapilha vaga

sem saber para que aqui veio

 

Carregar a própria existência

nos ombros, há quem não suporte

O peso do “ter que ser”, consorte

transcende qualquer essência

 

Sobreviver como indigente

na selva de pedra é penoso

A esmola, um prato, entorpecentes

ajudam amenizar o desgosto

 

Mas uma hora isso cansa

Abreviar o sofrimento é a opção

Quem vai lembrar daquela criança?

Era só mais uma, largada no chão

 

Seu nome? Rogério, Roberto... Enfim

o viaduto da santa foi o trampolim

Num voo curto e fatal, no paraíso

mais um precipitou o seu fim

 

Espatifou no asfalto da 23 de maio

Por um instante pararam em atenção...

Olharam e foi como naquela canção:

“morreu na contramão atrapalhando o sábado”

 

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Publicado por AB Poeta às 01:59
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Sábado, 8 de Outubro de 2016

Modelo

 

O mendigo fotografado

ficou bonito

 

Homem oriundo do descarte

no fotograma agora é arte

 

Da rua à galeria de fotolitos

o mendigo virou mito

 

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Publicado por AB Poeta às 15:45
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Quinta-feira, 6 de Outubro de 2016

Encalço

 

Signos seguidos

persigo na cidade

Acidade sanguínea

fluxo, rotatividade

 

A rapidez do tempo

age no aço, edificante

E eu lento, nesse espaço

agonizo, insignificante

 

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Publicado por AB Poeta às 03:53
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Domingo, 8 de Março de 2015

a rua e o rio

 

a rua ria do rio que ia

do curso que ele seguia

pois sabia não conseguiria

progredir conforme ela progredia

 

cobrir a Terra ela poderia

ser mais útil ela seria

servir sempre ela serviria

só crescer era o que fazia

e isso ela nunca pararia

 

até que percebeu um dia

que o rio é que da rua ria

porque parada ela não saía

e apesar de crescer à revelia 

para nenhum lugar a via ia

 

quando entendeu a diferença que havia

a rua imponente que antes ria

parada no lugar pôs-se a chorar

porque diferente do rio que ia

seu curso seguia para algum lugar

e a rua que antes não via

viu que nunca encontraria

o mar

 

agora é tarde demais para desaguar

 

Publicado por AB Poeta às 15:02
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Quarta-feira, 25 de Fevereiro de 2015

Black SP

 

algo irá acontecer

na cidade intensidade

o céu ficará negro

e o dia irá escurecer

 

a água irá cair

as ruas irão encher

a noite será escura

não haverá amanhecer

 

a torneira irá secar

só sobrará o Tietê

o trânsito irá parar

não haverá pra onde correr

 

o estresse se espalhará

e atingirá você

seu coração explodirá

e você irá morrer

 

no meio da multidão

ninguém irá querer saber

de mais um corpo pelo chão

atrapalhando o entardecer

 

você irá apodrecer

a enxurrada o levará

ratos irão te roer

não há nada o que fazer

 

porque aqui é a Black SP!

 

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Publicado por AB Poeta às 23:31
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Sexta-feira, 30 de Janeiro de 2015

X haikais à vida em SP

 

I

 

céu sem nuvens

o fundo da represa

ar na torneira

 

II

 

o vento forte

a árvore que cai

luz que se apaga

 

III

 

lagoa seca

tucanos bebericando

há vinte anos

 

IV

 

água cai do céu

asfalto impermeável

Clara boia

 

V

 

o céu cinza

a multidão que corre

edifício

 

VI

 

o sol a pino

multidão amontoada

espera no ponto

 

VII

 

a chuva forte

correria na praça

o banco vazio

 

VIII

 

fome de inverno

o sal sobre a mesa

mosca na sopa

 

IX

 

gramado verde

passe preciso, o gol

ver de amar, elo

 

X

 

chove lá fora

batem palmas no portão

melhor na cama

 

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Publicado por AB Poeta às 22:17
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Sexta-feira, 23 de Janeiro de 2015

chuvas de verão

I

 

chuva de verão

casamento de espanhol

enclave de sol

 

II

 

chuva de verão

asfalto impermeável

a rã está morta

 

III

 

chuva de verão

a árvore cai morta

luz que se apaga

 

IV

 

chuva de verão

o ônibus lotado

vidro embaçado

 

V

 

chuva de verão

a gravata a forca

algodão molhado

 

VI

 

chuva de verão

batuque no telhado

chão de granizo

 

VII

 

chuva na estação

trem lento caramujo

todos verão

 

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Publicado por AB Poeta às 00:12
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