Manifestações consciente do inconsciente. Contos e poesia crônica.

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Quinta-feira, 6 de Dezembro de 2018

Black Friday

 

Começou a #BlackFriday

vende-se, compre

e pague o preço, meu caro

 

Mais um produto barato

consumido pela multidão

Tudo foi liquidado

 

A Graça perdeu a promoção

sozinha no balcão

Amostra grátis de solidão

 

#AloneSaturday

 

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Aquífero paulistano

 

Límpida cai a chuva

na rua

e corre suja

ao rio invisível

 

Água viva

corrente ativa

um fio de vida

ainda possível

 

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publicado por AB Poeta às 20:45
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Terça-feira, 9 de Outubro de 2018

Embate público

 

Os dois candidatos

mais votados

são os mais odiados

 

O que há com a nação?

Digo desamparado:

o Brasil é uma negação

 

Um país polarizado

pela limitação

Caso de despolitização

 

Democracia dá trabalho

ir atrás de informação

E brasileiro quer é churrasco

futebol, “descendo até o chão”

 

No país do rebolado

independente do resultado

vejo a pior previsão:

mais 4 anos de esperança

e de pura ilusão...

 

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Quarta-feira, 3 de Outubro de 2018

Efêmeros

 

A cidade diminui na noite

que escura se funde à fuligem

Céu e asfalto se unem

formando uma outra miragem

 

Que a cada passo se amplia

nos ecos dos passos passados

Personagens que somem ao dia

se avultam a novos pecados

 

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publicado por AB Poeta às 02:42
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O mortiço

 

Quando será que a vida acaba?

Com a morte? Não creio

Tanta gente maltrapilha vaga

sem saber para que aqui veio

 

Carregar a própria existência

nos ombros, há quem não suporte

O peso do “ter que ser”, consorte

transcende qualquer essência

 

Sobreviver como indigente

na selva de pedra é penoso

A esmola, um prato, entorpecentes

ajudam amenizar o desgosto

 

Mas uma hora isso cansa

Abreviar o sofrimento é a opção

Quem vai lembrar daquela criança?

Era só mais uma, largada no chão

 

Seu nome? Rogério, Roberto... Enfim

o viaduto da santa foi o trampolim

Num voo curto e fatal, no paraíso

mais um precipitou o seu fim

 

Espatifou no asfalto da 23 de maio

Por um instante pararam em atenção...

Olharam e foi como naquela canção:

“morreu na contramão atrapalhando o sábado”

 

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Quarta-feira, 19 de Setembro de 2018

O rato roeu o rei

 

O tribunal pegou mais um

em sua ratoeira sem mola

Proferiu o juiz: “essa não cola”

“soltem o rato e o soltem no ato!”

 

Aqui tudo é premeditado

aliança, conchavo, propina

e quem morre nessa armadilha

travestida de justiça, é o gato

 

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Quinta-feira, 9 de Agosto de 2018

(O)Culto

 

Nunca via graça na lua

 

E o eclipse

secular

alterna entre lua e sol

o que há de novo nisso?

 

O que me impressiona

é que ainda há quem veja

significado

era após era

nos movimentos repetitivos

dos astros

 

O ser humano é um cão uivando ao nada

 

O ser humano é um cão uivando a

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publicado por AB Poeta às 00:35
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Sexta-feira, 4 de Maio de 2018

Em ruínas

 

O prédio incendiou

desabou, caiu

Apagou a vida

que nunca existiu

 

Sem dinheiro para consumo

só serviu de insumo

para aproveitadores, políticos

e muitos movimentos

 

A miséria é a base do poder

e quem o tem, apodrece

Coitado dos desamparados no Paiçandu

que não é tão largo quanto parece

 

E a eterna ama de leite

na periferia da praça

ainda serve à casa grande

para o deleite da elite

 

O ranha céu, que já foi moderno

teve seu fim como “inferno”:

do luxo ao lixo

do lixo ao esquecimento...

 

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Long live Café Piu-Piu

 

O Rock’n’Roll está na veia!

No palco, muitas vertentes musicais

Expressão artística diversificada:

guitarra, sanfona, violinos, metais

 

No coração do bairro do Bixiga

um dos mais tradicionais

Café Piu-Piu, a sua marca

não saiu (nem sairá) de lá jamais

 

Clássico atrás de clássico

a plateia sempre clama

por mais um riff, um refrão

que acorde a noite paulistana

 

Tantos músicos aí tocaram

e muitos outros tocarão

Que suas portas permaneçam abertas

para quem tem a música como paixão

 

Long live Café Piu-Piu!

 

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publicado por AB Poeta às 23:18
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Quarta-feira, 17 de Janeiro de 2018

Mão amiga

 

Não há tristeza que não acabe

Não há amor que não a depure

A mão estendida sempre amiga

tem a dose certa do que a cure

 

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publicado por AB Poeta às 21:04
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Sexta-feira, 12 de Janeiro de 2018

O xis da questão

 

Entre o exótico e o erótico

está o xis da questão:

um tipo que diferencia

a extravagância do tesão

 

 

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Quinta-feira, 9 de Novembro de 2017

Um minuto de silêncio

 

A rosa agora muda

ante ao dedo em riste

descansa despetalada

Tristeza de quem assiste

 

Humano vilipêndio

em palavra pedra bruta

fez crescer o silêncio

no peso da lágrima purpura

 

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Segunda-feira, 28 de Agosto de 2017

Moluscos

 

O corpo sem casa, sem casca

de movimento lento...

E vida veloz!

 

O risco que deixa por onde passa:

brilho que fica pelo caminho

 

Num breve choro, se acaba

Sal lacrimal que a liquida

 

A lesma, de vida besta

consegue ser ela mesma

 

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Segunda-feira, 8 de Maio de 2017

Banquete

 

Observo na calçada o mendigo

que come feito um cão;

mas hoje o cão como feito um rei;

rei que ainda come feito um porco;

porco que come feito um mendigo

 

Em meio a esse banquete indigno

cheio de defeitos

perco a fome

 

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Segunda-feira, 23 de Janeiro de 2017

PEC(ados)

 

Dentro do pecado

há uma PEC

Dentre os deputados

há vários pecados

 

Abaixo dos pecadores

tem o povo, no calvário

que nunca aprendeu

e que pagará pelos pecados

que ele mesmo elegeu

 

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Quarta-feira, 9 de Novembro de 2016

Lavrador

 

Eu, sem teto

sem terra para plantação

com foice, marmelo e verso

invadi seu coração

totalmente abandonado

 

Nele fiz aceiro, fiz cercado

Arei terra , ergui barraco

Plantei semente, contente

e colhi um bocado

de coisas boas

 

Improdutivo, antes, em luto

agora ele pulsa, dá fruto

E meu alicerce cravado

na carne, legaliza minha condição

de invasor a namorado

 

Sem ter quem peça reintegração

de posse, desse loteado

criemos nossas crias, que brotam

e crescem livres, abençoados

Que aproveitem nosso legado

 

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Terça-feira, 25 de Outubro de 2016

Declaração

 

Não te amo perdidamente

Isso é coisa de novela

Gostar é algo que se revela

no ato de quem preserva

algo bom que se sente

 

Entre a maçã e a serpente

prefiro preservar o respeito

porque sou amante ciente

daquilo que guardo no peito

 

Esse amor barato, que se jura

da boca pra fora, eloquente

não tem corpo, ternura

não tem nada que o sustente

 

Gosto como quem cuida

Semeio o bem, sem disfarce

É assim que a relação perdura

Semente que nasce e renasce

 

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publicado por AB Poeta às 00:34
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Sábado, 8 de Outubro de 2016

Modelo

 

O mendigo fotografado

ficou bonito

 

Homem oriundo do descarte

no fotograma agora é arte

 

Da rua à galeria de fotolitos

o mendigo virou mito

 

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Quinta-feira, 6 de Outubro de 2016

Encalço

 

Signos seguidos

persigo na cidade

Acidade sanguínea

fluxo, rotatividade

 

A rapidez do tempo

age no aço, edificante

E eu lento, nesse espaço

agonizo, insignificante

 

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publicado por AB Poeta às 03:53
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Quarta-feira, 14 de Setembro de 2016

Haicai V

 

I

 

Quarto de inverno

O calor está na cama

Roupas pelo chão

 

II

 

Noite de verão

Lua no espelho d’àgua

Mar de estrelas

 

III

 

Estações do ano

Na feira colorida

Florescem frutíferas

 

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