André Braga

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Quarta-feira, 8 de Setembro de 2021

Criacionismo

 

Quem construiu o mundo?
A minha imaginação
Quando eu deixar de existir
muitas coisas também deixarão
As mudanças que ocorreram
foram frutos da minha criação
e continuarão mudando
a cada nova geração
Entre o sol e a lua
a tudo dou uma razão
Quando isso vai acabar?
Quando o último ser parar
de respirar e deixar de viver

 

Publicado por AB Poeta às 23:01
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Domingo, 29 de Agosto de 2021

Rega-bofe

 

Ao lado do camping de mendigos
inaugurou um fast food novo
Comemoram os famintos maltrapilhos
“o lixo dessa rede é mais gostoso”

Sob os seus arcos dourados
quem sabe consigam uma esmola
porque o lanche que é jogado fora
dividem com cães, gatos e ratos

O palhaço que sorri na entrada
tem a alegria como suprassumo
provoca engasgos e gargalhadas
e mata muitas sedes de consumo

 

Publicado por AB Poeta às 18:19
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Terça-feira, 1 de Junho de 2021

Por um fio

 

Da certeza à incerteza
um mero instante
De repente, tudo errado
péssima surpresa

O peito cheio de vida
fica por um fio de ar
Num breve piscar
de olhos, esvazia

Carpo e mente, sinergia
lutam em defesa
fé, força, energia
e a incerteza volta à certeza

 

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Publicado por AB Poeta às 19:34
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Recordações

 

Entre conhas e coxas
produtos industriais
Produtos do meio
meio aos poucos animais

A natureza que resta
é oferecida em pacotes
doses caras, homeopáticas
viram selfies e nada mais

Um sistema a menos
uma foto a mais, tanto faz
um dia, as belezas naturais
só existirão em redes sociais

 

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Publicado por AB Poeta às 19:20
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Quarta-feira, 23 de Setembro de 2020

Seres do pântano

 

O cenário é pantanoso

para a alegria do curral

Mais um ato criminoso

atearam fogo no pantanal

 

Que presidente mentiroso

intencionalmente mau

Fez um discurso vergonhoso

em escala mundial

 

Chega a ser espantoso

tamanha cara de pau

Mas o que é mais curioso

é que ainda apóiam esse boçal

 

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Publicado por AB Poeta às 17:41
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Segunda-feira, 21 de Setembro de 2020

Curupira pirofágico

 

Fogo, fatos e fotos

mas há quem negue a incineração

Diversos animais mortos

fauna e flora cheirando a carvão

Aquele que nega o horror

ao horror lhe dá a mão

 

Mito, mentira, maquiagem

um povo que falha como nação

Alienados pela própria camuflagem:

o mito do bom selvagem

o mito do bom cidadão

 

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Publicado por AB Poeta às 20:37
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Quinta-feira, 27 de Agosto de 2020

Chapada

 

entre luz e sombra

belos contrastes

 

entre verso e prosa

a palavra que fale

 

entre asfalto e terra

um quê de saudade

 

 

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Publicado por AB Poeta às 23:39
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Quarta-feira, 22 de Janeiro de 2020

Canção do Exausto

 

Minha terra tem problemas

que sabia até o sabiá

As aves que aqui gorjeiam

são os mais podres carcarás

 

Nossas ruas, mais buracos

Nossas várzeas, mais horrores

Nas esquinas, mais chacinas

Nossas vidas, mais temores

 

Nessa terra paulistana

quase nada que se planta dá:

a grama aqui não verdeja

o lixo sempre há de aumentar

os sujos rios não têm correnteza

e o ar cinzento o sufocará

 

Nossas aves, revoada de rapina

alimentam-se de propina

Nossos trens, mais descarrila

aqui nunca prosperará

Minha terra tem problemas

que sabia até o sabiá

 

Não permita Deus que eu morra

sem que me revolte contra lá:

do Matarazzo ao Bandeirantes

Câmara e Assembleia

parasita classe deletéria

que eu a ponha a debandar

 

Minha terra tem picaretas

que sabia até o sabiá

Carcará que aqui gorjeia

do povo bovino se alimentará

Em cismar – sozinho - à noite

não dormi... Já é hora de levantar

 

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Publicado por AB Poeta às 01:47
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Domingo, 1 de Setembro de 2019

A riqueza amazônica

 

A riqueza amazônica

é a sua biodiversidade

Sem educação e ciência

não desfrutaremos dessa realidade

 

Nosso líder passa o dia relinchando

olha à floresta e só enxerga pasto

Por isso sigo falando:

“passarinho que segue asno

amanhece pastando”

E na Amazônia tem bastante espaço

 

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Publicado por AB Poeta às 17:46
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Sexta-feira, 28 de Junho de 2019

Triturados

 

O animal morto

velado sobre a mesa

feito ao ritual do fogo

fatiado ao molho sangue

é servido à minha boca

 

Vegetais sem raízes

guisados na gordura

harmonizados ao vinho

ao som do violino

são servidos à minha boca

 

Enlatados e embutidos

sobras e restos que servem

à pressa do dia a dia

ao ritmo dos insossos

são servidos à minha boca

 

Flora, fauna, fábrica

e tudo que pode ser vida

ou servir à minha carne faminta

ainda que seja um desejo falso

podem ser triturados pela minha boca

 

A fome e a sede humana

já transcenderam o estado animal

e toda essa ânsia que não alimenta

nem corpo nem alma, caminha para o dia

em que seremos o prato principal

 

 

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Publicado por AB Poeta às 02:23
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Sábado, 23 de Março de 2019

Manhãs bragantinas

 

As maritacas, o bem-te-vi, o sabiá

a orquestra reunida

todos juntos a cantar

 

É tanta nota musical

em horário matinal

que o galo nem arrisca cacarejar

 

A platéia ainda na cama

aprecia o concerto

mais um tranquilo despertar

 

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Publicado por AB Poeta às 23:12
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Quinta-feira, 7 de Fevereiro de 2019

Aquífero paulistano II

 

Cada gota que cai de chuva

tece a enxurrada que desce a rua

e forma o lençol d’água

onde a cidade afunda

 

São Paulo para toda

ninguém aqui mais anda

Fica o recado da natureza

mostrando quem é que manda

 

Sob o asfalto bruto

um fio de vida ainda existe

tratado como subproduto

o rio que ainda resiste

 

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Publicado por AB Poeta às 01:10
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Quinta-feira, 6 de Dezembro de 2018

Aquífero paulistano

 

Límpida cai a chuva

na rua

e corre suja

ao rio invisível

 

Água viva

corrente ativa

um fio de vida

ainda possível

 

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Publicado por AB Poeta às 20:45
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Quinta-feira, 9 de Agosto de 2018

(O)Culto

 

Nunca via graça na lua

 

E o eclipse

secular

alterna entre lua e sol

o que há de novo nisso?

 

O que me impressiona

é que ainda há quem veja

significado

era após era

nos movimentos repetitivos

dos astros

 

O ser humano é um cão uivando ao nada

 

O ser humano é um cão uivando a

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Publicado por AB Poeta às 00:35
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Quinta-feira, 9 de Novembro de 2017

Um minuto de silêncio

 

A rosa agora muda

ante ao dedo em riste

descansa despetalada

Tristeza de quem assiste

 

Humano vilipêndio

em palavra pedra bruta

fez crescer o silêncio

no peso da lágrima purpura

 

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Publicado por AB Poeta às 21:49
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Segunda-feira, 28 de Agosto de 2017

Moluscos

 

O corpo sem casa, sem casca

de movimento lento...

E vida veloz!

 

O risco que deixa por onde passa:

brilho que fica pelo caminho

 

Num breve choro, se acaba

Sal lacrimal que a liquida

 

A lesma, de vida besta

consegue ser ela mesma

 

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Publicado por AB Poeta às 23:41
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Domingo, 8 de Março de 2015

a rua e o rio

 

a rua ria do rio que ia

do curso que ele seguia

pois sabia não conseguiria

progredir conforme ela progredia

 

cobrir a Terra ela poderia

ser mais útil ela seria

servir sempre ela serviria

só crescer era o que fazia

e isso ela nunca pararia

 

até que percebeu um dia

que o rio é que da rua ria

porque parada ela não saía

e apesar de crescer à revelia 

para nenhum lugar a via ia

 

quando entendeu a diferença que havia

a rua imponente que antes ria

parada no lugar pôs-se a chorar

porque diferente do rio que ia

seu curso seguia para algum lugar

e a rua que antes não via

viu que nunca encontraria

o mar

 

agora é tarde demais para desaguar

 

Publicado por AB Poeta às 15:02
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Sexta-feira, 23 de Janeiro de 2015

chuvas de verão

I

 

chuva de verão

casamento de espanhol

enclave de sol

 

II

 

chuva de verão

asfalto impermeável

a rã está morta

 

III

 

chuva de verão

a árvore cai morta

luz que se apaga

 

IV

 

chuva de verão

o ônibus lotado

vidro embaçado

 

V

 

chuva de verão

a gravata a forca

algodão molhado

 

VI

 

chuva de verão

batuque no telhado

chão de granizo

 

VII

 

chuva na estação

trem lento caramujo

todos verão

 

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Publicado por AB Poeta às 00:12
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Quarta-feira, 17 de Dezembro de 2014

Sol(o)

 

Sol

imponente Sol

arde, em riste

no céu a brilhar

 

Sol

impotente Sol

sempre triste

nunca verá o luar

 

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Publicado por AB Poeta às 01:49
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Sexta-feira, 25 de Julho de 2014

Tietê - II

 

Tietê quem

te viu não quer

te ver

 

à margem

sem ramagem

sem ramais

marginais nada

fluviais

 

no leito

sem porto

sem jeito

rio quase morto

 

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Publicado por AB Poeta às 02:42
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