Minhas poesias.

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A riqueza amazônica

Triturados

Manhãs bragantinas

Aquífero paulistano II

Aquífero paulistano

(O)Culto

Um minuto de silêncio

Moluscos

a rua e o rio

chuvas de verão

Sol(o)

Tietê - II

poesia do primogênito

forma

crime perfeito

(des)amanhecer

fenece

trombada

Big Bang

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Domingo, 1 de Setembro de 2019

A riqueza amazônica

 

A riqueza amazônica

é a sua biodiversidade

Sem educação e ciência

não desfrutaremos dessa realidade

 

Nosso líder passa o dia relinchando

olha à floresta e só enxerga pasto

Por isso sigo falando:

“passarinho que segue asno

amanhece pastando”

E na Amazônia tem bastante espaço

 

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Publicado por AB Poeta às 17:46
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Sexta-feira, 28 de Junho de 2019

Triturados

 

O animal morto

velado sobre a mesa

feito ao ritual do fogo

fatiado ao molho sangue

é servido à minha boca

 

Vegetais sem raízes

guisados na gordura

harmonizados ao vinho

ao som do violino

são servidos à minha boca

 

Enlatados e embutidos

sobras e restos que servem

à pressa do dia a dia

ao ritmo dos insossos

são servidos à minha boca

 

Flora, fauna, fábrica

e tudo que pode ser vida

ou servir à minha carne faminta

ainda que seja um desejo falso

podem ser triturados pela minha boca

 

A fome e a sede humana

já transcenderam o estado animal

e toda essa ânsia que não alimenta

nem corpo nem alma, caminha para o dia

em que seremos o prato principal

 

 

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Publicado por AB Poeta às 02:23
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Sábado, 23 de Março de 2019

Manhãs bragantinas

 

As maritacas, o bem-te-vi, o sabiá

a orquestra reunida

todos juntos a cantar

 

É tanta nota musical

em horário matinal

que o galo nem arrisca cacarejar

 

A platéia ainda na cama

aprecia o concerto

mais um tranquilo despertar

 

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Quinta-feira, 7 de Fevereiro de 2019

Aquífero paulistano II

 

Cada gota que cai de chuva

tece a enxurrada que desce a rua

e forma o lençol d’água

onde a cidade afunda

 

São Paulo para toda

ninguém aqui mais anda

Fica o recado da natureza

mostrando quem é que manda

 

Sob o asfalto bruto

um fio de vida ainda existe

tratado como subproduto

o rio que ainda resiste

 

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Quinta-feira, 6 de Dezembro de 2018

Aquífero paulistano

 

Límpida cai a chuva

na rua

e corre suja

ao rio invisível

 

Água viva

corrente ativa

um fio de vida

ainda possível

 

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Publicado por AB Poeta às 20:45
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Quinta-feira, 9 de Agosto de 2018

(O)Culto

 

Nunca via graça na lua

 

E o eclipse

secular

alterna entre lua e sol

o que há de novo nisso?

 

O que me impressiona

é que ainda há quem veja

significado

era após era

nos movimentos repetitivos

dos astros

 

O ser humano é um cão uivando ao nada

 

O ser humano é um cão uivando a

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Quinta-feira, 9 de Novembro de 2017

Um minuto de silêncio

 

A rosa agora muda

ante ao dedo em riste

descansa despetalada

Tristeza de quem assiste

 

Humano vilipêndio

em palavra pedra bruta

fez crescer o silêncio

no peso da lágrima purpura

 

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Publicado por AB Poeta às 21:49
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Segunda-feira, 28 de Agosto de 2017

Moluscos

 

O corpo sem casa, sem casca

de movimento lento...

E vida veloz!

 

O risco que deixa por onde passa:

brilho que fica pelo caminho

 

Num breve choro, se acaba

Sal lacrimal que a liquida

 

A lesma, de vida besta

consegue ser ela mesma

 

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Publicado por AB Poeta às 23:41
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Domingo, 8 de Março de 2015

a rua e o rio

 

a rua ria do rio que ia

do curso que ele seguia

pois sabia não conseguiria

progredir conforme ela progredia

 

cobrir a Terra ela poderia

ser mais útil ela seria

servir sempre ela serviria

só crescer era o que fazia

e isso ela nunca pararia

 

até que percebeu um dia

que o rio é que da rua ria

porque parada ela não saía

e apesar de crescer à revelia 

para nenhum lugar a via ia

 

quando entendeu a diferença que havia

a rua imponente que antes ria

parada no lugar pôs-se a chorar

porque diferente do rio que ia

seu curso seguia para algum lugar

e a rua que antes não via

viu que nunca encontraria

o mar

 

agora é tarde demais para desaguar

 

Publicado por AB Poeta às 15:02
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Sexta-feira, 23 de Janeiro de 2015

chuvas de verão

I

 

chuva de verão

casamento de espanhol

enclave de sol

 

II

 

chuva de verão

asfalto impermeável

a rã está morta

 

III

 

chuva de verão

a árvore cai morta

luz que se apaga

 

IV

 

chuva de verão

o ônibus lotado

vidro embaçado

 

V

 

chuva de verão

a gravata a forca

algodão molhado

 

VI

 

chuva de verão

batuque no telhado

chão de granizo

 

VII

 

chuva na estação

trem lento caramujo

todos verão

 

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Quarta-feira, 17 de Dezembro de 2014

Sol(o)

 

Sol

imponente Sol

arde, em riste

no céu a brilhar

 

Sol

impotente Sol

sempre triste

nunca verá o luar

 

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Publicado por AB Poeta às 01:49
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Sexta-feira, 25 de Julho de 2014

Tietê - II

 

Tietê quem

te viu não quer

te ver

 

à margem

sem ramagem

sem ramais

marginais nada

fluviais

 

no leito

sem porto

sem jeito

rio quase morto

 

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Publicado por AB Poeta às 02:42
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Domingo, 11 de Maio de 2014

poesia do primogênito

 

na primeira cria

a nova trindade:

o novo pai

o novo filho

a nova mãe

 

de um ventre

a gestação de três nascimentos

do dom materno

o surgimento de novos mundos

 

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Publicado por AB Poeta às 17:25
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Quinta-feira, 6 de Março de 2014

forma

 

a norma

deforma

 

de forma alguma

a gente se conforma

 

de alguma forma

a mente

reforma

e o olhar transforma

 

 

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Publicado por AB Poeta às 22:18
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Segunda-feira, 24 de Fevereiro de 2014

crime perfeito

 

toma minha alma

Deus

meu querido assassino

a qualquer hora a morte

tua cúmplice

vem ocultar meu corpo

completar teu crime perfeito

 

 

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Publicado por AB Poeta às 23:45
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Domingo, 23 de Fevereiro de 2014

(des)amanhecer

 

quando o sol sobe

assim subindo

sob o céu o sabiá sabido

avisa num assovio

e voa assim sumindo

 

no arranha-céu sob o sol

o ser some 

 

 

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Publicado por AB Poeta às 01:43
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Segunda-feira, 17 de Fevereiro de 2014

fenece

 

a esfera

esfria a fúria

da ex-fera

 

 

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Publicado por AB Poeta às 23:32
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Domingo, 9 de Fevereiro de 2014

trombada

 

mais elegante

que o elefante

é o rinoceronte

que de fronte

não tromba

 

 

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Publicado por AB Poeta às 14:50
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Segunda-feira, 14 de Outubro de 2013

Big Bang

 

corpos celestes em orbita

giram gravitam colidem

a química aquece a matéria

que explode etérea num beijo

 

nossos astros se equilibram

e surge algo infinito

 

nasce mais um universo

eternamente em expansão

 

 

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Publicado por AB Poeta às 00:13
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Quarta-feira, 18 de Setembro de 2013

Horário de verão

 

todos verão:

 

o galo não cantará

às duas manhãs

 

o lobo não uivará

às duas meias-noites

 

será que só eu é que sinto

que com o tempo brinco?

 

 

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Publicado por AB Poeta às 02:36
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