Minhas poesias.

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Quarentena

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Remoenda

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Quarta-feira, 13 de Maio de 2020

Próxima cena

 

Já perdi as contas

de quantos beijos vou te dar

Esse déficit de amor

você há de me pagar

 

E vou te cobrar juros

fazer juras e cenas

e quero receber em beijos

beijos desses de cinema

 

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Publicado por AB Poeta às 22:58
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Sexta-feira, 1 de Maio de 2020

A costureira

 

Tece a dedicada costureira

fino bordado em pano nobre

para o pequeno rei déspota

dar luxo à sua vida esnobe

 

Permeia a pontiaguda agulha

vara o linho, passa a linha

perfura a pele e alinha

sutura as mãos à máquina

 

Terminada a trama da lida

em casa, já na cama, pensativa

ela cose uma outra fantasia:

retalhos de sonhos e alegrias

 

Imagina que ela liga, cada luz

cada estrela, cada ponto que brilha

no infinito tecido do céu noturno

e faz surgir a noite e seus astros

 

E nesse delírio soturno traça

uma fina linha no tempo

juntando o que lhe agrada

No fim arremata o contratempo

 

Já é dia e ela acorda

e mais um sonho se desfaz

Preparada para a jornada

a rendeira rende-se ao capataz

 

 

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Publicado por AB Poeta às 14:42
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Terça-feira, 21 de Abril de 2020

Labirinto

 

Me abraça

que caio no sono

e sonho

caindo em teus braços

 

Cercado entre

braços e abraços

sono e sonhos

a cama se consolida

como um labirinto

que não quero encontrar a saída

 

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Publicado por AB Poeta às 18:14
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Terça-feira, 31 de Março de 2020

Amor nos tempos de coronavírus

 

Sem toque, abraço ou amasso

separados por força maior

cada um em seu espaço

 

Mande-me um nude, um vídeo

dê à minha boca qualquer sabor

Alimento em tempo escasso

 

Viajando pelo ciberespaço

a imagem vai suprindo o desejo

até o encontro, o próximo beijo

 

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Publicado por AB Poeta às 18:44
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Quarentena

 

Todo mundo isolado

para que ninguém morra

Ela, princesa linda na torre

eu, desolado na masmorra

 

Um microscópico vírus

não infecta uma grande paixão

Logo tudo isso passa e nossos

suspiros aos ouvidos voltarão

 

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Publicado por AB Poeta às 18:40
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Quinta-feira, 23 de Janeiro de 2020

Do amor que er[r]a

 

Seis poemas inspirados pelo livro “Do amor que não er[r]a”, da poeta Valéria Tarelho

 

I

 

não sei se é livro

ou pílula

 

um alívio

que pulula na pupila

 

leitura distinta

visão que me abrase

amor a primeira frase

 

II

 

não era amor

mas era Verso

 

Valsa ou reverso

princípio de ritmo

tão divino

feito Verbo

 

III

 

o papo era de anjo

as ideias, diabólicas!

 

baba de moça

curando minha cólica

 

tão doce conversa

que versa

rum com coca-cola

 

IV

 

não era amor

era silicone

 

ciclone

de encher olhos e língua

um toque mágico

 

silício

excesso de química

ilusão de plástico

 

V

 

não era amor

era pigarro

 

vício de nicotina

lançado fora num escarro!

 

guimba sem filtro

brasa sem luz

poema ruim que confunde

Cruz e Sousa

com Souza Cruz

 

VI

 

não era amor

era contágio

 

poesia que contamina

não de qualquer esquina

dessas que cobram ágio

 

simulacro de doença

puro plágio

 

 

 

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Domingo, 29 de Setembro de 2019

Remoenda

 

A noite vem e lhe cobre

com seu denso manto escuro

clareando dentro de seus olhos

os pensamentos mais obscuros

 

Difícil suportar tamanho peso

de coisas que ao dia não se fala

E o verbo duro que na boca cala

na garganta preso fica enfezo

 

Expelir esse mal é de certo

algo que precisa ser feito

para que naturalmente a mente

em paz siga seu concerto

 

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Sábado, 23 de Março de 2019

Manhãs bragantinas

 

As maritacas, o bem-te-vi, o sabiá

a orquestra reunida

todos juntos a cantar

 

É tanta nota musical

em horário matinal

que o galo nem arrisca cacarejar

 

A platéia ainda na cama

aprecia o concerto

mais um tranquilo despertar

 

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Terça-feira, 26 de Fevereiro de 2019

A gaiola

 

Na mente que não para

o temor se multiplica

A insônia te faz companhia

 

A pressão do peito

as veias comprimidas

é o tempo engolindo a vida

 

A lágrima tange o rosto

salga o lábio, assombra

e o olhar se perde no escuro

 

A voz, na garganta, reclusa

que se encontra contrita

guarda a palavra amiga

 

Aquela que, ensurdecedora

ao teu surdo ouvido grita:

“há um pássaro onde a morte habita

 

liberte-o!”

 

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Quarta-feira, 17 de Janeiro de 2018

Mão amiga

 

Não há tristeza que não acabe

Não há amor que não a depure

A mão estendida sempre amiga

tem a dose certa do que a cure

 

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Quinta-feira, 28 de Julho de 2016

Viagem

 

Não há mar

e nem há monte

Nessa estrada

longa e sinuosa

a barreira é superada

Travessia pela ponte

 

Não há mar

e nem há monte

Mas há amar

que nessa viagem

onde estamos de passagem

é o melhor horizonte

 

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Publicado por AB Poeta às 00:42
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Quinta-feira, 2 de Junho de 2016

Encontros

 

Um encontro aceito

de um com o outro

E foi tudo feito fora

das zonas de conforto

 

O que parecia não ter jeito

aconteceu de peito aberto

e um com outro deu certo

Virou belo concerto

 

Naquele leito vazio

hoje já não deito

E o mundo que era torto

agora é o nosso porto

 

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Sexta-feira, 29 de Abril de 2016

Ombrax

 

O choro solitário

esmagado pela noite escura

Para aquela dor que adoece

há o amor que depura

 

Para as lágrimas salgadas

como um tipo de cura

ofereço muitas doses

do meu ombro doce

 

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Publicado por AB Poeta às 02:49
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Quarta-feira, 13 de Janeiro de 2016

Coração violento

 

Dentro do meu

peito tem um

negócio que é

teu

 

E ele bate em

mim

porque está afim

de você

 

Violento

coração querendo

nossa relação

tem essa reação

 

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Quinta-feira, 12 de Novembro de 2015

O que não passa?

 

Eu passo o dia contando

Ela passa o dia cosendo

O tempo que passa correndo

justo hoje, passa lento...

 

Caminho a passos largos

Passo a praça do pássaro

que passa voando

assim como a massa

que atravessa na faixa

e os carros em marcha

que passam por cima de tudo

 

Daí eu paro, mudo

Observo o mundo

que passa assim

passando apressado

e vira passado

 

E apesar de tudo passando

como coisa que não se protela

percebo que algo não passa:

a vontade de vê-la

 

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Quinta-feira, 10 de Setembro de 2015

Paraíso

 

Olhos se fecham, outros se abrem

Uma folha cai, a outra cresce

Na troca da vida, nossos corações batem

juntos. Jardim do Éden que floresce

 

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Noites de Verão

 

Tão bom o cheiro da minha amada

seu gosto doce, na pele salgada

O suor... Corpos quentes sobre a cama

Chama que aquece a noite gelada

 

Nas madrugas de Inverno

nossos abraços de Verão

De estação em estação

que esse calor se mantenha eterno

 

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Sexta-feira, 28 de Agosto de 2015

O relógio da vovó

 

Ah, se o mundo fosse

como o relógio da vovó

seria bem melhor:

acordar e não dar corda

ao que acontece lá fora

e do seu lado

ver o tempo parado

 

Não existiria o tempo passando

nem o tempo passado

nem os dias corridos

Só o instante sendo

eternamente vivido

 

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Sábado, 8 de Agosto de 2015

Conto de Fadas

 

Acordei a Bela Dorminhoca

com um beijo na boca

profundo e envenenado

Entorpecidos, na cama

comemos a maçã do pecado

 

Amanheceu, ela foi embora

e me deixou um recado:

esqueceu os chinelos dourados

pra dizer que ainda volta

 

Espero que volte, para pegá-los

Vou me ajoelhar e calça-los

em seus pés; percorrer as pernas

até o meio delas; atingir os pelos

 

Entre meus lábios, os seus, tê-los

e novamente enlouquecidos

fazer a estória acontecer

Reescrevê-la, com prazer

 

Eu, gato sem botas

e você, nas maravilhas

fazendo um conto de fadas

virar um conto de fodas

 

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Publicado por AB Poeta às 03:01
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Quarta-feira, 29 de Julho de 2015

A fonte

 

O meu passarinho

bebe em sua fonte

 

Mergulha a cabeça

até o fundo

na nascente

Molha as assas

em água corrente

Cisca a terra

planta a semente

pra colher o fruto

 

Mira o horizonte

canta ao poente

esperando a noite

que vem

para se aninhar

entre a maçã e a serpente

e pecar

 

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Publicado por AB Poeta às 01:29
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