André Braga

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O rei, o servo, o sonho

I did it my way…

Sempre presente

O relógio de areia

só os ossos

Clara escuridão

Criacionismo

Medidas

o pulso ainda pulsa...

Espelho meu

Aquários

Estorinha

A história do Homem de Na...

Sábios pensamentos

Aos meus anjos dourados

O teatro e a vida

Ter Estilo

Jean-Jacques Rousseau (17...

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Sexta-feira, 20 de Maio de 2022

O rei, o servo, o sonho

 

Sonhei um dia em ser rei
Por sonhar que ganhava a guerra
acordei, guerreei e venci!
Escrevi meu nome numa era
Não importa quem matei
nem quantas vezes nessa terra
fiz guerras quem nem lutei
pois eu sonho e outro esmera
dá o sangue, luta feito fera
pelo simples sonho que sonhei
Mas um dia não mais acordarei
e esse povo que nunca desperta
dará o sangue, fará a guerra
e morrerá pelo sonho de outro rei

 

Publicado por AB Poeta às 01:14
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Sexta-feira, 15 de Abril de 2022

I did it my way…

 

erro sobre a Terra

                            e nela

tudo se encerra, muda

 

                    pé ante pé

a vida não espera                      

         agregue ou    exclua

 

sob a lua

       tudo o que não for

é rua

 
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Publicado por AB Poeta às 18:08
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Quarta-feira, 2 de Março de 2022

Sempre presente

 

Quando eu era criança

e morava longe do mar

eu usava uma concha

para ouvir seu soar

 

Agora que cresci

e moro à beira mar

para ouvir a sua voz

utilizo o celular

 

Estar perto ou longe

do que se possa amar

pode ser suprido

há formas de se aproximar

 

Mas só a saudade

do que quero buscar

é uma ausência no peito

que nunca deixo de carregar

 
Publicado por AB Poeta às 23:09
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Quarta-feira, 9 de Fevereiro de 2022

O relógio de areia

 

os grãos de areia
                      se movem ao vento
e formam as dunas      do tempo
a ampulheta
                          e seu movimento
brinca com as dunas
                   giro lento
de âmbula a âmbula    pelo fino
vértice
               com coragem ou medo
passa cada partícula
                                           de vida
não a deixa escorrer
                                   pelos dedos

 

Publicado por AB Poeta às 22:23
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Terça-feira, 4 de Janeiro de 2022

só os ossos

IMG_20211217_132430_465.jpg

 

Publicado por AB Poeta às 21:30
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Quarta-feira, 6 de Outubro de 2021

Clara escuridão

 

Nas horas claras me disfarço
um operário em causa alheia
escorre na ampulheta a areia
do tempo que desfaz escasso

e no escuro das horas, farto
talvez as melhores do dia
me deito no cansaço
me reconstruo na poesia

 

Publicado por AB Poeta às 01:26
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Quarta-feira, 8 de Setembro de 2021

Criacionismo

 

Quem construiu o mundo?
A minha imaginação
Quando eu deixar de existir
muitas coisas também deixarão
As mudanças que ocorreram
foram frutos da minha criação
e continuarão mudando
a cada nova geração
Entre o sol e a lua
a tudo dou uma razão
Quando isso vai acabar?
Quando o último ser parar
de respirar e deixar de viver

 

Publicado por AB Poeta às 23:01
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Domingo, 29 de Agosto de 2021

Medidas

 

Carrego sobre os ombros
a dor que me pesa
isso todo mundo faz

De rir sou capaz
mas logo se encerra:
a alegria nunca pesa

 

Publicado por AB Poeta às 18:17
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o pulso ainda pulsa...

 

esse lugar imaginário
chamado coração
que bate, às vezes erra
pula pela garganta
ou desce até o porão
entre o amor e o ódio
alguma dor carrega
pulsa no peito
desanda, emperra
conserta
e segue batendo
com maestria
por mais uma breve
alegria

 

Publicado por AB Poeta às 18:11
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Espelho meu

 

O que está no espelho?
Um reflexo desconexo?
Uma reflexão?
O avesso ou um reverso?
Uma reversão?
Uma imagem sem ação...
Uma imaginação
O que está no espelho
nunca é o que espero:
espero uma conexão

 

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Publicado por AB Poeta às 18:03
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Terça-feira, 22 de Junho de 2021

Aquários

 

IMG_20210622_163525_856.jpg

 

Publicado por AB Poeta às 22:30
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Sexta-feira, 14 de Junho de 2013

Estorinha

 

o verbo

o déspota

o filósofo

o mártir

o rei

o desbravador

o burguês

o clérigo

o amor

o alienado

o intelectual

o sonho...

 

a utopia criou ideais e

em seu nome

mataram pessoas

 

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Publicado por AB Poeta às 02:46
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Domingo, 23 de Agosto de 2009

A história do Homem de Nada

Quando tudo era nada e a existência se resumia na solidão divina, um conceptivo sopro rompeu o tédio, ressoando em criação, transformando o silêncio em verbo a escuridão em luz e o nada em tudo.


Dentre todas as galáxias originadas há uma um tanto diferente, é a galáxia de nada. Nesse pedacinho de universo de nada existe um astro de nada especial, o planeta de nada. Esse planeta de nada, que também é chamado de mundo de nada, é divido geopoliticamente em continentes, países, estados, cidades, bairros... Todos de nada. E é num desses locais de nada que nasceu a personagem dessa história de nada: o Homem de Nada.

 

Era uma vez o Homem de Nada. O Homem de Nada nasceu num hospital que não tinha nome relevante e ficava num bairro que ninguém nunca ouviu falar, de uma cidade desconhecida, situada num estado de peso econômico que não vale a pena ser citado. O horário ninguém sabia qual era, pois os relógios não marcavam tempo algum. Era um dia de nada de um mês sem comemorações, nenhuma data especial. O Homem de Nada foi abandonado antes de completar vinte e quatro horas de nada de nascido, mas logo foi acolhido por uma família riquíssima de nada, a família de Nada, que foi onde ele recebeu o nobre sobrenome.


Sua interiorana infância de nada foi maravilhosa. Cresceu cercado de livros cheios de estórias e conhecimentos de nada. Quando entrou no colégio de nada, já sabia ler muitas coisas de nada, o que o fez ser o primeiro aluno de nada da classe de nada. A professora de nada vivia lhe fazendo desimportantes perguntas:


- Senhor de Nada.


- Sim professora de nada.


- Me responda: quem descobriu nosso país de nada? – Sem pensar em nada o pequeno menino de nada respondeu.


- Ninguém professora!


- Muito bem! Está vendo classe de nada, vocês tem que ser de nada assim também! – O pequeno de nada abriu um sorriso brilhoso de orelha a orelha espalhando pela sala seu majestoso feliz semblante de nada.


Na adolescência as meninas de nada o adoravam pela sua inteligência de nada, o que o ajudou a ter algumas namoradas de nada. Prestou o vestibular de nada para Ciências de Nada na Faculdade Federal de Nada e foi aprovado em primeiro lugar de nada, o que o fez mudar da pequena cidadezinha de nada e partir para a grande megalópole, a capital de nada. Morou, junto com outros alunos de nada, numa república estudantil de nada onde, entre festas e estudos de nada, passou agitados dias de nada, memoráveis. Ainda cursando nada conseguiu um estagio de nada numa das maiores multinacionais de nada, a Indústria Nothing S/A. Determinado como era na vida acadêmica de nada, assim também foi no trabalho de nada e logo efetivou-se, e em sua carreira profissional de nada galgou muitos cargos de nada. Ascendeu ao nada muito rápido. Através de uma de suas amizades de nada, conheceu uma garota maravilhosa de nada, a Garota de Nada. Logo começaram um namoro de nada, que resultou em um casamento de nada. Quando terminaram a faculdade de nada (a Garota de Nada cursava Psicologia de Nada na Uninada, e diplomaram-se no mesmo ano de nada) mudaram-se para o interior de nada, queriam que seus futuros filhos de nada, que logo vieram em escadinha (Menina de Nada, Menino de Nada e Caçula de Nada), fossem criados longe da violência de nada que na grande cidade de nada tinha com fartura. Abriram um comercio de nada, que gradativamente prosperou. Suas crias de nada logo cresceram e seguiram os mesmos passos de nada do pai de nada, e foram estudar nada em outra cidade de nada numa das melhores instituições acadêmicas de nada. O casal de nada envelhecera sem perceber, e quando menos esperavam já eram avós de nada: nos finais de semana de nada os sete netos de nada enchiam a casa de nada de alegria nenhuma. Era uma grande felicidade de nada. Num dia de nada o Homem de nada, já aposentado de nada, acordou bem cedo e foi até a banca de nada comprar a Gazeta de Nada, voltou para casa de nada encheu sua canequinha de nada preferida com café de nada puro, sintonizou na Rádio de Nada que tocava suas modas de nada que tanto adorava, sentou-se como nunca na cadeira de balanço de nada, abriu o jornal de nada e morreu...


A família de nada juntou-se para o velório de nada no velho casarão de nada. Praticamente todos os moradores de nada da cidadezinha de nada seguiram pelas ruas de nada, cadenciados ao som do bumbo de nada, o florido cortejo de nada. Por fim, o defunto de nada foi sepultado.

 

Até hoje nessa cidadezinha de nada quem vai ao cemitério de nada e escuta o coveiro de nada contar essa história de nada, impressionasse, e fica mais curioso de nada quando lê o epitáfio de nada esculpido no marmoroso jazigo de nada: “Aqui jaz o Homem de Nada: um ser humano que representou tudo o que alguém pode ser na vida.”

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Publicado por AB Poeta às 20:28
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Segunda-feira, 3 de Agosto de 2009

Sábios pensamentos

“Tem coisas que são tão eternas que parecem que nunca vão acabar...”


“A dentadura é a peruca da boca.”


“Dobrar a esquina é a maior forma de provar que você é forte!”


“A privada é uma ilusão, não creia nela.”


“Darwin desenvolveu a ‘Teoria da Evolução das Espécies’ onde diz que o mais forte sobrevive na cadeia evolutiva. Os políticos, para provarem o contrário, criaram o nepotismo.”


“Nem tudo que reluz é luz.”

 

"Se todos fossem vencedores, não haveriam perdores. Da cara de quem que iriamos rir então?"


Autor: Arquétipo desconhecido

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Publicado por AB Poeta às 14:59
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Domingo, 28 de Junho de 2009

Aos meus anjos dourados

Perdido num vale escuro
Onde o que se olha é miragem
“O que será que há após o muro?”
Pois dali só via sombra, não imagem


Desencorajado e acorrentado
Levantar e ir além já não podia
Mas os anjos, vendo o pobre coitado
Aos ouvidos lhe sopravam:
“Desespera a alegria”


Contaminado de euforia
Saiu em busca do saber
No caminho, conheceu Filosofia
E ao invés de olhar, aprendeu a ver


Viu que seu trabalho era alienado
Sua farra, Dionisíaca
O tempo: inventado
Mas algo estava errado!
E o amor que ele sentia?


Desconsolado, sentou-se e escreveu:
“Anjo, o que faço com o amor meu?”
Sem demora, em resposta recebeu:
“Emprega-o todo, em algo teu!”


Encorajado, ao anjo obedeceu
Passou a escrever noite e dia
Para atingir a maestria
Bebeu, fartou-se, em fontes a reveria

Agora sabia o que queria!


Seguiu errante pela escrita
Devorou tudo que lhe apareceu
E em seu árduo caminho logo conheceu
A doce e amante Poesia
Que em seus braços o acolheu...


Hoje ele escreve aos montes
Tudo lhe inspira: mares
Lugares, olhares, Mulheres
Quer ir além dos horizontes.

 

Toda essa história aconteceu
Graças ao incentivo dado
Por um anjo dourado
E grato lhe digo: obrigado!


Cavalheiro que sou
Agradeço também a outro anjo
Que aqui pousou
E rápido me encantou


Sem ser exagerado
Sei que de vocês a beleza emana
Muito obrigado, meus anjos alados
De cachos dourados
Taísa e Tatiana.

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Publicado por AB Poeta às 05:50
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Quinta-feira, 28 de Maio de 2009

O teatro e a vida

"nós somos muito mais o que os outros acham que somos, do que aquilo que pensamos ser" 

Bruna Nehring

 

Dizem que a vida imita a arte... ou é a arte que imita a vida? Dizem... Ou será que vida e arte são coisas que se completam, contemplam-se e fundem-se, paralelas que passam a infinidade se cruzando, imitando-se? Vida, arte e teatro: sinônimos, não legalizados pela burocrática língua.

 

Acordo Eu, levanto filho, embarco passageiro, caminho transeunte, atravesso na faixa, sigo colaborador, atento estudante, pai, amigo, irmão, namorado, ator social que protagoniza e coadjuva ao mesmo tempo diversos papéis ao lado duma infinidade de outros. Genuflexório mudo atento me faz cristão. No carnaval, desfilando entre outros tantos outros, sou pierrô pagão. Tributo pago no balcão, duplicata em caixa, sou cidadão. Jungnianas personas que eclodem em meio a pensativos monólogos shakespearianos, sou pessoa, sou-me. Frente ao machadiano espelho, só, sou ninguém. Nada. Meu teatro é a vida encenada sem ensaio, sem roteiro, sem frases prontas e, pior, sem deixas, sem saber a hora certa de entrar em cena. Subjetivado réu, frente à platéia social, sou muitos, entre culpado e inocente.

 

O teatro é o oxigênio. É o oxigênio contido na água. É o oxigênio contido na água contida no aquário. É o oxigênio contido na água contida no aquário onde vive o peixe, que é dourado. É o oxigênio da água que mantém o dourado peixe vivo. O peixe vivo que vive no seu aquário-palco uma representação de ser: ser peixe dourado de estimação. O estimado peixe-ator, que desfila dourado em seu palco-aquário, repleto de pedrinhas coloridas e outros objetos de cena, representando para outro ser, enche de alegria e sentido a tola existência tediosa cotidiana de seu dono-platéia. Cercado de água contida de oxigênio-teatro, respira, alimenta-se, vive e representa o peixe-ator, dando sentido a feliz razão de ser ao seu dono-platéia, contemplando-o, com a arte de ser dourado.

 

O teatro é a mentira ensaiada. É a mentira que não fere. É a mentira gostosa de se ver e viver. E viver uma mentira que se gosta é viver uma verdade. O teatro é a verdade, que não passa de uma mentira ensaiada. Mentira que não fere. Que é gostosa de se ver e viver, porque ver e viver a verdade é bom, faz bem.


O teatro-vida é complicado. O choro sem ensaio dói. É um choro que punge verdadeiro, e que às vezes torcemos para que essa verdade seja uma mentira ensaiada. A mentira sem ensaio dói, fere. No teatro-vida, os aplausos são minguados, há mais apupos que tudo, decorrentes de sentimentos esmigalhados e poluídos no dia-a-dia pela ausência de amor... e ausência essa que, na maioria das vezes, erroneamente, é preenchida de matéria. As vezes é preciso deixar o teatro-vida de lado, descer do palco-mundo, despir-se do ator social que somos e sentar-se junto a platéia do teatro-arte, deixar o sonho fluir com a mentira ensaiada, cheia de calorosa verdade verdadeira, que transforma o choro-verdade que fere, em riso alegre que acolhe, meio a real sensação coletiva de felicidade. Na platéia do teatro-arte todos atuam com o papel de olhar e sentir. E eu, ator social destituído, quando desço do palco-mundo para ver atento o teatro-arte, que não só imita a vida, mas vai além dela, sinto uma alegria transcendente, que transborda o ser, e torço para que meu teatro-vida caminhe no mesmo sentido verdadeiro da representação que não fere. Vivendo esse coletivo momento feliz, farei de tudo para que no decorrer da minha peça, atuada no palco-mundo do teatro-vida, conquiste o doce beijo molhado infinito da suave e aveludada feminina boca desejada. E após o ato final, ao fecharem-se as cortinas e as luzes se acenderem, e ascenderem-me, eu receba e sinta os calorosos, acolhedores e recompensadores aplausos da platéia.

 

 

 

Texto publicado no blog Teatraria e no site do Itaú Cultural.

 

Publicado por AB Poeta às 18:45
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Quarta-feira, 4 de Março de 2009

Ter Estilo

Tribo: essa dissílaba, de origem latina (tribus: divisão política Romana), serve para designar grupos de povos primitivos, grupos pré-estado, indígenas, ou qualquer outra espécie de formação social que não seja ocidental. Num sentido mais contemporâneo, designa pequenos grupos urbanos que reúnem-se em torno dos mesmos interesses culturais: música, linguagens, vestes, idéias, etc... E dentro desta nossa solidariedade orgânica, várias tribos, dos mais variados estilos, convivem pacificamente... ou pelo menos a maioria. E dentro das tribos urbanas os adeptos reconhecem-se, aceitam-se, mutuamente. E saindo do macro organismo e inserindo-se num micro, esses seres tribais, de alguma forma, reconhecendo-se, descoisificam-se.


Ter um estilo: é o que hoje a maioria das pessoas procuram, em matéria de comportamento. Querem ter uma característica própria, algo que as destaquem em meio à multidão. E ter estilo é muito mais que estar na moda. Estar na moda é querer ser igual à maioria. É seguir uma tendência. E ter estilo não, ter estilo é querer ser diferente.


Ai é que vem a contradição: a maioria procura ter algum tipo de estilo, ter uma característica que a diferencie da massa, e quando ela tem isso, o que ela faz? Freqüenta os lugares, locais, onde todos seguem o mesmo estilo. O extremo desse tipo de comportamento estão nas chamadas tribos (no sentido contemporâneo). O individuo se veste diferente, faz um corte de cabelo diferente, usa roupas diferentes, consegue, ou pelo menos acha que consegue, ter seu estilo e, depois de tudo isso, junta-se aos seus iguais. Reifica-se na multidão e, sentido só, mas com estilo, desreifica-se junto à tribo.


Não adianta, punks, emos, metaleiros, pagodeiros, funkeiros, forroseiros, intelectuais, nerds, patricinhas, mauricinhos, todos querem ser diferentes, mas correm para os iguais para serem aceitos... mas, claro, sem perderem o estilo.


O que quero dizer, afinal, com tudo isso, é que, se você quer realmente ter estilo, não pareça com nada e não lembre ninguém!

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Publicado por AB Poeta às 18:45
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Quarta-feira, 11 de Fevereiro de 2009

Jean-Jacques Rousseau (1712-78)

- As vezes sonho em ser apenas um bom-selvagem rousseauniano...

 

"O homem nasce livre, porém em todos lados está acorrentado"


"A maioria de nossos males é obra nossa e os evitaríamos, quase todos, conservando uma forma de viver simples, uniforme e solitária que nos era prescrita pela natureza"


"O verdadeiro fundador da sociedade civil foi o primeiro que, tendo cercado um terreno, lembrou-se de dizer 'isto é meu' e encontrou pessoas suficientemente simples para acreditá-lo. Quantos crimes, guerras, assassínios, misérias e horrores não pouparia ao gênero humano aquele que, arrancando as estacas ou enchendo o fosso, tivesse gritado a seus semelhantes: 'Defendei-vos de ouvir esse impostor; estareis perdidos se esquecerdes que os frutos são de todos e que a terra não pertence a ninguém'"


"E quais poderiam ser as correntes da dependência entre homens que nada possuem? Se me expulsam de uma árvore, sou livre para ir a uma outra"

 

Pra ler:

O Contrato Social - Jean-Jacques Rousseau

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Publicado por AB Poeta às 15:56
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Segunda-feira, 29 de Dezembro de 2008

Desejar o bem sem olhar a quem

Acho que todos nós aprendemos isto desde criança: nunca deseje aos outros o que você não quer que lhe aconteça. Ou, pelo menos, algo parecido com isso... Ou nessa mesma linha. Mas uma coisa é certa: o bem é algo a ser ensinado; a virtude é algo a ser ensinada. E muitas vezes quem nos ensina isso é a experiência.


Segundo psicanalistas (Jung é pai desta teoria), todos nós carregamos em nosso inconsciente um arquétipo chamado sombra, que é responsável pelos nossos atos (pensamentos) violentos e, socialmente, inaceitáveis. A sombra é o lado “primitivo” do homem, que foi gradativamente, durante todo seu processo de “evolução”, sendo reprimida no inconsciente através dum processo social de “educação” (adestramento) que sofremos durante todo o decorrer de nossa história. De vez em quando ela da às caras. Nos momentos em que explodimos numa fúria cega, é ela, nossa amiguinha, que bota lenha na fogueira. O Self, arquétipo responsável pelo “equilíbrio” do inconsciente, é quem da uma “segurada de onda”, canalizando essa violenta energia para outros arquétipos, aliviando-nos, e afundando no sub, cada vez mais, a sombra.


Somos naturalmente violentos, mas, ainda bem, que inventamos o Bem, que nunca é absoluto, mas que faz com que pensamos que há algo sublime a alcançar, e isso nos ajuda a esquecer que temos esse tipo “ruim” de natureza. Mas, tudo bem, não é para falar sobre isso que escrevi este, e sim para contar uma história que vivi e que tem tudo a ver com o título deste acima.


Amigo secreto, essa brincadeira (pé no saco) que se faz, geralmente, em final de ano, onde um grupo de pessoas escreve seus nomes em pedacinhos de papel e depois sorteiam os papelotes (no bom sentido) entre si, não participei de muitas, mas fiz parte de uma que me deu uma boa lição.


Participei duma dessas brincadeiras na época de colégio. O combinado foi que, ao invés de comprarmos presentes mais tradicionais, como roupas, discos (na época), essas coisas assim, presentear-nos-íamos com chocolate. Poderia ser em barra, caixa de bombom, etc.. Não me recordo do nome na menina que tirei no sorteio, mas lembro que beleza não era sua maior virtude... Para ela, comprei uma barra dessas grandonas, recheada com pedacinhos de amendoim. Não lembro o nome, nem marca, de tal guloseima, recordo somente que vinha numa embalagem de papel de cor amarela e tinha um nome curto escrito em vermelho. Cursava no horário vespertino, e entrava na aula próximo ás 13hs. Sai naquela tarde, visualmente corriqueira: ônibus passando, os botecos abertos, grupos de pré-adolescentes uniformizados com avental branco, seguindo em direção a instituição de ensino estatal... Tarde que era diferenciada somente por ter como data o final da brincadeira. Segui pela rua e, ao dobrar a esquina, encontrei com um amigo meu de sala (amigo próximo meu até hoje), e logo iniciamos uma conversa sobre o acontecimento que estava por vir. Perguntou-me se já havia comprado o presente para meu secreto amigo, respondi que sim, o que era, mas não revelei seu nome. Ele comentou que ainda não havia comprado seu presente, e que passaria, antes da aula, no mercadinho que ficava (ainda fica) na esquina posterior a do colégio. Fomos juntos. Chegando lá havia muitas opções de presente, o que gerou certa dúvida do que comprar. Pediu minha ajuda (opinião), e acabou decidindo por uma entre duas caixas de bombons. Uma das caixas continha um número maior de unidades, acho que trinta, ou algo perto disso, mas por isso tinha preço mais alto. A outra, a escolhida, tinha um número menor de unidades, dezesseis bombons, mas o principal atrativo, segundo meu ponto de vista, era que o preço acompanhava essa redução quantitativa.

 

Então perguntou para mim:

 

- E ai André, qual das duas você acha que devo comprar?


- A mais barata, claro! – Respondi “na lata”.

 

- Mas a outra não está tão mais cara assim. E, pela quantidade de bombons que vem na caixa, acho que o preço compensa. – Disse com visível empatia pelo amigo que seria futuramente presenteado.

 

- Tanto faz. O que importa é que você entregará o presente. E, melhor ainda, vai lhe sobrar uma grana! E o cara, esse, nem vai saber mesmo... – Respondi com total indiferença.

 

- Ah, então vai essa mesmo. – Seguimos para o colégio.

 

Chegamos à sala, todos já eufóricos para saber quem foi quem que tirou quem, quem que ganhou o que, quem ganhou o que de quem... E assim foi até a professora chegar e dar início ao final do jogo misterioso. No começo é sempre o mesmo suspense: um vai até a frente da sala e começa a descrever seu amigo secreto, até descobrirem quem é, e nesse espaço de tempo todo mundo fica, é fulano, é cicrano... E, quase nunca, ninguém acerta. Chegou à vez desse meu amigo, e minha ansiedade aumentou, pois como eu instantes antes havia ajudado a decidir na escolha do presente, queria saber quem era o indivíduo a ser contemplado. Ele começou a descrevê-lo, dando risada. Ai a classe ria junto, e eu ria junto com a classe. Descrevia... Dava risada... A classe ria... E eu, ria junto com a classe... Com a caixa na mão, chegada à hora de falar o nome do agraciado, olhou para mim e riu...
Adivinhem quem ele tirou!

 


 

Downloads:

 

IRA! - XV Anos

 

Álbum completo:

 

IRA! - Vivendo e não aprendendo

 

Para ler:

 

André Comte-Sponville - O pequeno tratado das grandes virtudes

Publicado por AB Poeta às 22:04
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Segunda-feira, 15 de Dezembro de 2008

Galeria Photo Art Barata

Segundo Walter Benjamin (1892-1940), pensador da escola de Frankfurt, o processo de industrialização da cultura, desencadeado pelo advento da revolução industrial, possibilitou que a arte, antes em poder de meia dúzia de autocratas contempladores do ócio, passasse por um processo de democratização. O que antes era único passou a ser reproduzido em série, possibilitando que diversas pessoas de classes sociais diferentes tivessem acesso as mais diversas formas de arte. Benjamin cita a fotografia como exemplo. Partindo de um único negativo, a foto pode ser diversas vezes reproduzida. Mesmo contestadas, pois mesmo a arte sendo reproduzida, a peça original não perderia sua característica de peça única, suas teorias foram fundamentais para um novo conceito que surgia, o conceito de indústria cultural.


Numa brincadeira entre amigos surgiu um dos conceitos que abalaria a concepção de obra de arte: o Ready Made. O artista plástico Marcel Duchamp (1887-1968) passou a incorporar elementos do dia-a-dia em suas obras, transportando objetos industrializados, não concebidos antes como arte, descontextualizando-os assim, e expondo-os como obras já prontas, sem aplicar sobre esses objetos nenhuma técnica artística. A mais famosa dentre elas é A Fonte, que é simplesmente um urinol branco e esmaltado comprado numa loja de materiais para construção. Correntes artísticas posteriores, como Dadaísmo, foram fortemente influenciadas por esse conceito.


Na metade do século XX, surge nos EUA e Inglaterra um outro movimento que modificaria a forma de se pensar a arte, surge então a Pop Art. Alguns artistas, entre eles Andy Warhol (1928-87), passaram a estudar símbolos e produtos das propagandas, principalmente os produtos americanos, e passaram a utilizá-los como temas de suas obras. Em cores vibrantes e berrantes, imagens de objetos, produtos ou ícones da cultura popular ocidental de massa, eram reproduzidas em tamanhos consideravelmente grandes, transformando o real em hiper-real. Utilizando dessas imagens ultra-pop, a Pop Art aproximou as artes da massa, transformando o que, antes era brega e considerado de mau gosto, em algo refinado.
Em 1987 os irmãos Thomas e John Knoll começaram a desenvolver um dos softwares mais utilizados no mundo para o tratamento e edição de imagens, o Photoshop, que teve sua primeira versão lançada pela Adobe Systems no início da década de 90. Dentre todas as ferramentas que esse aplicativo tem para oferecer, uma que se destaca é a Filter. Com ela é possível aplicar técnicas de pintura sobre qualquer imagem. Afrescos, mosaicos, pinturas a óleo, vitrais, etc., são produzidos sem esforço algum e, melhor ainda, podem ser facilmente mesclados criando assim uma “nova” técnica.


A tecnologia possibilitou uma democratização de algumas técnicas artísticas, e, graças a isso, eu inauguro aqui, incentivado pela minha amiga pretensão, que é quem me faz produzir este, a corrente artística Photo Art Barata.


O nome dessa nova corrente se deu desta maneira: Photo = nome do aplicativo que possibilita a criação desse tipo de arte; Art = palavra da lingua inglesa que significa Arte; Barata = de baixo preço. Com um custo baixíssimo você pode produzir um afresco, imprimi-lo num papel da boa qualidade, emoldura-lo e vende-lo!


Com apenas um clique, as grandes técnicas da arte estão agora a sua disposição.


Assim como eu, seja você também um Photo Artista Barato.

 

Segue abaixo algumas obras de minha autoria, e que inauguram a primeira galeria (virtual) da Photo Art Barata:

 

Frequentando-se

 

Mosaico Du Quem?

 

Stage The Hell

 

A mais paulista avenida: construida por migrantes, comandada por imigrantes.

 

Trash Food Army

 

O Elixir

 

Mata Boi

 

Posto Nº5

 

AllBlack Nite

 

Fly By Night

 

Body Doll

 

TatooDuBeem

 

Downloads:

Livro:Walter Benjamin - A obra de arte na era de sua reprodutibilidade técnica

+Benjamin

Obras:

Marcel Duchamp

Andy Warhol

 

Clique - Mais Photo Art Barata

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Publicado por AB Poeta às 22:21
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