André Braga

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Sexta-feira, 1 de Maio de 2020

A costureira

 

Tece a dedicada costureira

fino bordado em pano nobre

para o pequeno rei déspota

dar luxo à sua vida esnobe

 

Permeia a pontiaguda agulha

vara o linho, passa a linha

perfura a pele e alinha

sutura as mãos à máquina

 

Terminada a trama da lida

em casa, já na cama, pensativa

ela cose uma outra fantasia:

retalhos de sonhos e alegrias

 

Imagina que ela liga, cada luz

cada estrela, cada ponto que brilha

no infinito tecido do céu noturno

e faz surgir a noite e seus astros

 

E nesse delírio soturno traça

uma fina linha no tempo

juntando o que lhe agrada

No fim arremata o contratempo

 

Já é dia e ela acorda

e mais um sonho se desfaz

Preparada para a jornada

a rendeira rende-se ao capataz

 

 

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Publicado por AB Poeta às 14:42
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