Minhas poesias.

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Terça-feira, 17 de Julho de 2012

Falo

 

I

 

A sociedade civil

machista sucumbiu ao

feminismo

isso é fato

e a mutação que a redefiniu

transformou clitóris

em falos!

 

 

II

 

Falo, fera, fuzil

a falocêntrica sociedade civil

brochou de vez 

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Publicado por AB Poeta às 01:50
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Terça-feira, 3 de Abril de 2012

Rodoviária

 

Partir

Chegar

 

Partir os olhares

algo que fica

 

Um beijo jogado

no ar

por bocas distantes

 

O amor me fez olhar para trás

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Publicado por AB Poeta às 13:39
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Sábado, 17 de Dezembro de 2011

Vila das Belezas

 

De cada lado um monte:

cada casa uma janela

cada janela uma visão

cada visão um horizonte

cada horizonte uma ilusão

 

Nas cores dos varais

a ilusão escala

em notas musicais

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Publicado por AB Poeta às 02:31
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Quinta-feira, 1 de Dezembro de 2011

Canibalismo capital

 

A mulher-homem

devora entre as engrenagens

o macho-alpha

que delira na dúvida

enquanto as crias

embriagadas no chiqueiro

criam asas de anjo

decaído

 

Na selva dos símbolos

pagãos

crias, caças e caçadores

confundem-se

e todos morrem

famintos

 

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Publicado por AB Poeta às 19:25
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Domingo, 27 de Novembro de 2011

Espera

 

O nome de um morto na placa dá nome à praça

enquanto espero de costas

para o mundo

 

Afinada a garoa soa como orvalho noturno

em meus cabelos serenos

enquanto a multidão passa

como um rio de vontades frustradas

que segue para lugares

aonde o mar não está

 

A sinfonia das coisas

embala o berço dos pedintes

vigiados pela dó

pelas pombas sujas

pela coerção

 

A mesmice das cores se espalha

pelos becos dos olhos

e não te enxergo na imensidão

da cidade difusa

 

Por onde você anda...?

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Publicado por AB Poeta às 01:58
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Sexta-feira, 25 de Novembro de 2011

Anunciação

 

No céu de São Paulo

nuvens chumbo prenunciam

a queda

que arrasta tudo alaga:

esgotos gastos

coletivos esgotados

casas ocas poços

restos fossas pastos

fossos poças

paços largos

logradouros

lugares comuns

 

Lago imenso lodo

onde Tristeza e Tragédia nadam nuas

sincronizadas

entre ratos-golfinhos

dejetos restos

e rostos

 

O trovão grita

rasga o ar:

Corre! A água é suja

imunda inunda

tua hora vai chegar

 

A sinfonia continua

no mesmo (des)compasso

até que a última gota

caia

 

 

Publicado por AB Poeta às 13:01
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Terça-feira, 15 de Novembro de 2011

Poesia prum dia chuvoso

 

Lá fora

na depressão da rua

só a chuva

fraca fina esfria

Relento

 

Aqui dentro

a solidão

afia a faca fria

na alma fraca

Que logo abra

o tempo

 

A subida do sol

é íngreme

saída

Contento

 

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Publicado por AB Poeta às 14:04
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Sábado, 22 de Outubro de 2011

Sobvive

 

Um barraco

pegou fogo

muitos morreram

 

Só a

Miséria

continua viva

 

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Publicado por AB Poeta às 14:49
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Propriedade e produto

 

Nas esquinas da minha pátria

camelôs vendem

o dropes da amargura

por uma módica quantia:

a vida

 

O doce

produto

que se dissolve

na boca

limitasse a

um fechar de olhos

um pacote a prestação

um auto

um instante

 

E o sabor

extra-forte

da bala

não abala

a estrutura

 

Adquirir a própria vida

custa

(meu) caro

 

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Publicado por AB Poeta às 01:39
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Sexta-feira, 9 de Setembro de 2011

Barulho dos Inocentes

 

Rebeldia Punk

grito suburbano

 

A cidade não pára

ambiente desumano

 

Ao que me parece

o pânico prevalece em SP

onde anoitece e aparece

a face de deus na rotina

da pátria amada

do desequilíbrio

 

Devoro estilhaços calado

o expresso oriente descarrila

Eu ignorado, faminto

um ninguém em chamas

sem medo de morrer, sem valor

 

Inimigo, homem negro

que bebe demais, sujo

estranho de sangue ruim

um verme, resto de nada

 

Que tem nojo

que aprendeu a odiar

um homem em fúria

sem nada a perder

pesadelo contra o mal

 

A noite dome lá fora

amanha será tarde demais

 

Só a raiva vai nos salvar!

 

 

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Publicado por AB Poeta às 20:44
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Domingo, 10 de Julho de 2011

Noturnos

 

Na pulsação dos sons

no sangue que se espalha por veias de luzes

minha vida corre

entre teus movimentos e

deságua

em teus beijos de nicotina

Publicado por AB Poeta às 18:22
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Sábado, 16 de Abril de 2011

Resgate

 

Um vagão sem trem

e vazio

 

Chão baldio

 

Fora dos trilhos

janelas abertas e esquecidas

sem horizonte

terminam no tempo

 

Só a arte salva

 


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Publicado por AB Poeta às 03:58
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Sexta-feira, 25 de Março de 2011

Sinal vermelho

 

Atenção!

Amarelo fome

 

O sinal fecha e abrem-se as cortinas

 

Equilibrado num corpo seco sujo

malabarisa-se

come pouco e cospe fogo

a atração que nunca foi a principal.

 

O homem bala (de hortelã)

voa por entre o aço industrializado

Todos olham, acompanham e fingem indiferença

carregando no íntimo espanto, medo e pessimismo.

Correndo, na velocidade estridente dos sons

ele volta à posição inicial

alçando mais alto um próximo vôo

 

Flores espirram água

pedintes rodam as rodas ralas entre as rodas negras

O picadeiro urbano fervilha

enquanto a tristeza do palhaço transita

na orla pavimentada.

 

Um sinal verdeja

a platéia sem graça segue sagaz

em passo apressado

Acelera a carroça e sopra fumaça na moça insossa que passa

enquanto feroz

a fera faminta fenece no asfalto

frio

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Publicado por AB Poeta às 21:24
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Sábado, 12 de Março de 2011

A praça morta

 

uma praça sem coreto

não tem esperança de música

nunca atrairá nada de puro.

 

por detrás das ogivas sacras

não há mais santos

mitos

pecadores em confissão

carolas

divindades

não há nada que não seja humano

 

seu herói

eternizado pela verdade que voa pelas bocas

no tempo

enriquecido pelo bronze

descalço pela humildade

é só mais um estranho

que anda sem destino

e disputa espaço

com palmeiras poluídas

camelôs falastrões

policiais famintos

com a podridão alada que come

migalhas

 

seus anjos

foram devorados pela pressa

pressa em passar

em crescer

em ser

em ser percebido

percebido pela multidão

multidão que passa quieta

quieta e rápida

rápida e sem fim

sem um fim

 

a beleza das putas

a sem-graçisse dos funcionários numerosos

o cão coitado

que é mais amado que as coitadas

das crianças sujas

 

o pastor apocalíptico

vagabundos

desempregados

golpistas

o progresso escondido debaixo da terra...

 

marco zero

marcas do progresso

zero a esquerda

 

céus

que inferno é esse?

 

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Publicado por AB Poeta às 03:49
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Quinta-feira, 9 de Dezembro de 2010

Itinerário

 

Uma música adoça pelo ouvido

Um corpo morto que viaja contra o tempo

 

Um filme passa em seus olhos

Fechados ou abertos

(ou até sem olhos)

 

Um mesmo mesmo

Passa pela mesma situação

Acomodado igual na poltrona igual

No lado oposto

 

São vários mesmos

Talvez não iguais

Mas parecidos

Que correm

Para aonde? Não sei.

Não faz diferença

 

Um sonho nasce a cada sonho

E o que se sonha neles é realizar

Pelo menos um que seja

 

No itinerário diário

Todos os caminhos levam

Do sonho à morte

 

Estrela polar no norte

Cruzeiro do sul no sul

Uma terrestre é necessária

Já que ninguém enxerga mais o céu

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Publicado por AB Poeta às 15:24
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Domingo, 5 de Dezembro de 2010

Fuga

 

Quanto tempo ainda tenho

Para perder jogando meu olhar

Pela janela coletiva e percebê-lo

Freado no cinza-sujo?

 

Quanto de mim ainda perderei

Na multidão só e petrificada

Que se preocupa apenas em morrer bem?

 

Quanto ainda irá crescer

Cidades, procissões, artérias podres

E vias duras que não chega a lugar nenhum?

 

O relógio rege rígido o rumor rancoroso

E rupestre da ror romântica e ridícula

 

O nada produzido às máquinas

Enche as nada-vidas em dias de nada

 

Acho no chão um metal

Levo-o ao ouvido

Escuto o mar que há em mim...

Ondas quebram

Sinto a areia sob meus pés nus

Um sol eterno me faz rir

Envolto a um calor de satisfação

 

Passa uma garota que não me olha

Porque não tem mais olhos

Mas sinto seus olhos negros

Infinitos de ternura

Que fogem de uma espécie de burca

 

Sinto sua pulsação de samba

Sua seda, mesmo perdida em trapos mentirosos

Sinto-a leve

 

Um beijo quer escapar, sinto...

Quente seu desejo quente, sinto...

 

Ela passa e o homem morto no bar

Estirado sobre vidros

Sente-a também

Acho

 

Ela se vai...

 

Leio gritos nas pedras

Que estão tatuadas no chão do cotidiano

Que está tatuado no tempo agora

Que não está tatuado em lugar algum

Mas foi marcado a ferro

Em minha lembrança

 

Um cachorro semi-vivo rasga meus restos

Na esquina dos heróis

Jogo a ele mais um pedaço meu

Ele cheira e vai embora, não quer

 

Crianças semi-mortas entoam

Cantigas de roleta-russa

Já brinquei com elas assim

E perdi...

Faz tempo, só não lembro quanto

 

O tempo faz tempo que passa

E de tempos em tempos

Me pergunto: quanto tempo já isso?

 

Não me vem respostas

Porque não quero mais respostas

Elas são nada mais que a morte

E preciso da dúvida, que é vida

Que impulsiona

 

Sou cercado de platonismos

Que me sepultam

Em mármore grego sagrado

E mitos mais humanos

Que os próprios humanos

 

Entre as verdades

Idealismos e utopias doentes

Sou só fuga

Desse horizonte cinza-sujo

Que freia meu olhar

De esperança

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Publicado por AB Poeta às 15:48
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Quinta-feira, 28 de Outubro de 2010

Esmola

 

Pelo ar voa o cobre

Nobre cuia aguarda o metal

Fatal a fome do pobre

Morre no tilintar final

 

Sorri-me banguelo

Magrelo

O flagelo

Sobrevivendo a farelo

 

O resto que me resta

Jogo ao resto que resta

Rastejando nas ruas

 

A dó me faz ser caridoso

Torna meu dolo culposo

E meu coração bondoso

Seus nós desaperta

Acreditando ter feito a coisa certa

Para que a paz seja alcançada

 

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Publicado por AB Poeta às 13:52
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Quinta-feira, 23 de Setembro de 2010

Pombas

 

A pombinha banca da paz

Que bebe água de esgoto

Que come restos da cidade

E migalhas de bondade

Mal sabe que seu vôo

É metáfora terrestre

 

A pomba indigente

Foco de doenças

Vive junto aos seus

Defeca nos heróis

Nos casais e nos Santos

Gorjeia em fios elétricos

Aninha-se em luminárias

E em tetos comerciais

Que quase tocam o céu

 

A pomba não sabe o que é paz

Nem o que é guerra

Nem o que é herói

Nem o que é doença

Nem indigência

Não sabe nem o que é voar

 

Rato alado hoje

A pomba sofre

As conseqüências

Boas e más

Da minha utopia

 

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Publicado por AB Poeta às 20:21
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Quarta-feira, 22 de Setembro de 2010

Minha rua

 

Minha rua negra já foi de terra, pedras e diversões

Na época em que os carneiros eram coloridos

e podíamos montá-los e guardar essa lembrança

para o resto de nossas vidas

 

O Gigante é uma lembrança alegre

A casa da Flora nunca teve árvores

O homem da tapioca não tinha relógio

e sabia a hora certa. Acho que nos tapeava

As gêmeas, nunca achei elas parecidas, mas

agora estão ficando (que estranho...)

 

Alguns vizinhos detestavam os inofensivos

restos de couro que insistíamos em chutar

entre os chinelos que ficavam nas laterais da rua

 

Acho que éramos uma gangue de crianças

criminosas que com alegria pura e ilícita

perturbavam a moral adulta

 

O céu da minha rua sempre foi de nuvens e pipas

Poucos fios e postes ainda

Nas noites ele era mais celeste

Tinha mais e maiores pontos brancos

Salpicados, densos, formavam manchas

 

Hoje minha rua é silêncio

Que às vezes é quebrado por algum vendedor

Alguém pedindo um punhado

Leitores autárquicos...

 

Às vezes passa uma criança correndo

Dá um grito e some veloz rindo

Mas não sei se é menino do vizinho

Se é de outra rua

Ou se é uma impressão saudosa

Que ainda insiste em brincar

E pregar peças nesse adulto clandestino que me transformei

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Publicado por AB Poeta às 01:28
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Sábado, 4 de Setembro de 2010

Pipa de papel

 

Lá vai longe lá em cima no céu

A pipa colorida de papel

Limitada pela branca linha

Que fica embolada numa latinha

 

Também chamada de Papagaio

Peixinho, Raia, Maranhão

Ou Quadrado, alimenta a ilusão

Do garoto pobre e esguio

 

Quantas coisas não voam junto com ela

Nem lembramos de Morros ou Favelas

Nesse momento infantil e alado

Todas as mazelas ficam de lado

 

Só existem a brisa e as cores

Das nuvens beija-flores

As pipas fazem seu papel voando

Desbicando, aparando e habitando

Um universo paralelo e infinito

Que torna o nosso pesado finito

Mais leve e um tanto mais bonito

 

Finda o dia com a pipa brincado

Volta a branca linha para a latinha

E o sonho que antes era alado

Num canto da casa pernoita quietinha

 

No outro canto da casa pequena

Depois de tornar a dor amena

Repousa feliz o garoto sonhador

Imaginando que algum dia na vida

Todos os homens deixem a lida

Desenrolem suas negras linhas

De suas surradas latinas

E pintem de colorido o azul do céu

Com suas pipas de papel...

 

(Até as negras linhas se confundirem com as nuvens)

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Publicado por AB Poeta às 17:23
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