Minhas poesias.

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Sábado, 25 de Fevereiro de 2012

Veto voto

 

Em meu veto vive um feto

gerado pelo desafeto

do atual ato político

 

Crítico critico porque

meu veto feto

do bem devoto

quer vivar voto!

 

Mas nesse cenário escroto

meu veto feto

futuro voto

continuará aborto

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Publicado por AB Poeta às 19:07
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Sexta-feira, 25 de Novembro de 2011

Patriotismo

 

Por que deita-se em tantas camas

e a mim se mostra tão hostil?

 

De quem te explora, é eterna mucama

e ainda canta “longe vá temor servil”

 

Eu que levo a bandeira com flama

sucumbo à vontade do covil

 

Tem que mudar esse panorama

porque ser patriota no Brasil

é amar a quem não te ama

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Publicado por AB Poeta às 21:08
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Terça-feira, 6 de Setembro de 2011

Tapa na cara

 

Um milhão virou troco de bala

parece que nada abala a nação

que vê sua plantação encher a mala

da galinha que, de milhão em milhão

não se engasga, papa um bilhão!

 

Descaso pleno no plenário

da câmara que perdoou a ladra

que ladrou: “todos aqui são como eu!”

deputados, fariseu por fariseu

todos de rabo preso, pelo voto secreto

garantido imoralmente por decreto

a ave de rapina absolveu

 

Um horror que nos diz:

é culpada, é!

E chora, a atriz

afia a navalha

degola o país

ganha a batalha

sorri, a meretriz

invencível, Jaqueline Roriz

 

Será que um dia isso pára?

Corrupção, mensalão, absolvição

acho que já se acostumou a nação

a tomar tapa na cara

e ficar quieta, olhando pela televisão...

 

(E agora, José?)

 

 

 

 

 

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Publicado por AB Poeta às 14:21
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Quarta-feira, 13 de Abril de 2011

Siameses antagônicos

 

Comunismo

Consumismo

 

Como isso?

Anagrama.

 

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Publicado por AB Poeta às 20:33
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Quinta-feira, 2 de Setembro de 2010

Tiriricando

 

Tiririca: pior do que está não fica?

Claro que fica! Isso não se aplica

Na vida real de quem não tem um real

 

Quem vota em Tiririca

Abdica da mudança

Depositando a esperança

No que nada frutifica

 

Se continuar assim, logo mais

Aparece aquele rapaz

Do Adocica, meu amor, Adocica...

Rebolando em nome da paz

 

Política é coisa séria

E seria melhor sem essa cantoria

Prejudicial e sem graça

Que promete tudo de graça

A quem tem pouco na vida...

 

Tiririca, sem essa

Não vote em promessa

Senão ai sim complica

Fica aqui a dica!

 

PS: A Mulher Pêra, caso eleita, se transformará num Abacaxi que levará 4 anos para ser digerido...

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Publicado por AB Poeta às 16:29
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Sexta-feira, 23 de Abril de 2010

Pão com manteiga

 

- Sai da frente, caramba! – apressado, pensou sobre uma senhora que atrapalhava a passagem na escada rolante. Sem paciência alguma, driblou a “vovó” e saiu da estação. Na Praça da Sé deu de cara com um senhor vendendo a sorte:

 

 – Vaca, galo, porco; vaca, galo, porco, olha o bilhete premiado! – o rapaz se aproximou e perguntou.

 

- É, por favor, aonde fica o Poupa Tempo?

 

- É logo ali, só atravessar a rua. – apontou com a mão.

 

- Obrigado. – Saiu com passos rápidos.

 

Chegando, ficou irritado ao ver o número enorme de pessoas no local, e com o excesso de informações sinalizadas nas placas, que mais atrapalhavam do que ajudavam. Foi ao balcão de informações:

 

- É, com licença, bom dia.

 

- Bom dia! O que posso estar fazendo para ajudar o senhor? – disse a moça.

 

- Como faço para renovar minha habilitação, para onde me dirijo aqui?

 

- É muito fácil – disse a garota com um sorriso maravilhoso nos lábios - o senhor segue pelo corredor A, vai ao posto B e retira a senha, preenche o formulário C, pega a guia D e paga no banco E, depois faz o exame médico no posto F, volta para o posto A e aguarda a sua senha ser chamada no painel G referente ao balcão H. É muito rápido e simples.

 

- Ok! Vou lá então. Muito obrigado. - respondeu pensando: puta que pariu, é hoje que não saio daqui. - Foi até o primeiro local indicado.

 

Depois de todo o procedimento feito, sua senha foi chamada, no balcão entregou o comprovante para a atendente:

 

- Hummm... o senhor fez o CFC?

 

- CFC? Não. O que é isso?

 

- É o curso de formação de condutores. Todas as habilitações emitidas de 1999 para trás terão que estar fazendo o CFC.

 

- Caramba... E como faço isso.

 

- O senhor vai até o Detran, no Ibirapuera, e pode fazer lá, depois volta até aqui e retira a habilitação.

 

- Ir até o Detran! Isso vai levar mais de um dia, não tenho todo esse tempo disponível!

 

- Ou então... o senhor pode estar fazendo numa auto-escola, que tem logo ali, do outro lado da rua.

 

- Certo. Obrigado.

 

Saindo do Poupa Tempo viu um cara de chinelo e bermudão falando sobre exames relacionados à carteira de motorista:

 

- Opa grande, aonde é que faço esses exames?

 

- Opa chefia, é logo ali, leva meu cartão aqui ó, é rapidinho lá.

 

- E quanto custa esse “exame”?

 

- Cem conto dotô, é o mais barato aqui da região.

 

- Certo! Obrigado. - foi até o local indicado no cartão.

 

Chegando, estranhou o local, era nitidamente uma garagem adaptada para escritório, feito com algumas divisórias. Haviam três “salas”: na primeira, falou com o proprietário do negócio e acertou o pagamento. A segunda estava vazia. Na terceira fez o teste:

 

- O senhor, por favor, desliga o celular, esvazia os bolsos e coloca tudo sobre esta mesa. Depois sente-se nesta cadeira, com as mãos sobre os joelhos. A câmera estará lhe filmando o tempo todo. – o rapaz ficou assustado com tamanhos cuidados tomados por parte do contratado.

 

Após todo o ritual feito, o contratado respondeu às questões da prova para o contratante e disse – aguarde aqui uns 20mim, eu já volto. O rapaz obedeceu apreensivo, já que estava só, numa sala esquisita e sendo filmado. Pensou tudo quanto era desgraça – vão me pegar aqui, estou ferrado! Vou aparecer no Fantástico, Datena, no Ratinho... – até que o cara voltou:

 

- Pronto! Aqui está seu certificado.

 

- Já! Que bom! Rápido né.

 

- Rapidinho!

 

Correndo voltou para retirar o documento:

 

- Aqui está o certificado – a atendente conferiu, anexou ao resto da papelada e entregou a habilitação.

 

- Obrigado! – respondeu.

 

Ao sair, correndo, para voltar ao trabalho, já no horário da tarde, olhou para o documento e pensou – caramba, deveria ter trocado essa foto.

 

Esse texto foi feito para a oficina Escrevivendo, e teve como tema "corrupção".

 

Publicado por AB Poeta às 02:50
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Segunda-feira, 19 de Abril de 2010

Puta parteira

 

A puta que pariu

O filho da puta

Era mãe solteira

Neta de avó solteira

E filha de terra solteira

 

Nesse puta país

Sem pais

Os filhos que brotam

Nascem órfãos

Pela própria natureza

 

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Publicado por AB Poeta às 14:26
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Domingo, 11 de Abril de 2010

Patriotismo sazonal

 

Corre, corre, correee

Toca, toca, toca

Vai, vai, vaaai

Chuta, chuta, chuta

Goooooooooooooool

 

É campeããão

É campeããão

É campeããão

 

Fome verde

Sorriso amarelo

 

Publicado por AB Poeta às 01:56
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Sábado, 3 de Abril de 2010

Navalha na carne

 

Minha carne navalhada

Cirurgicamente fatiada

Brilha vermelho vivo

Depois dos golpes

 

Bruta peca

Quando penetra

A rosa

 

Exposta

Dilacerada

Minha carne navalhada

Já não sangra mais como antes

 

O levante subcutâneo

Reformulou minha massa

Desnavalhou minha carne

Rejuntou meu ser

 

A navalha que atinge a maioria

Corta rente meu olho que

Sangra lágrimas raivosas e

Insiste, encarando olho no olho

 

A navalha que nunca cega

Do cirurgião de

594 cabeças

1.188 mãos

5.346 bolsos (sem contar cuecas e meias)

Tem que ser controlada

 

O corte

Precisa ser estancado

Urgente

Antes que o gigante

Morra

Hemorrágico

 

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Publicado por AB Poeta às 14:52
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Domingo, 21 de Fevereiro de 2010

Zélia

Zélia
Zeladora
Zelai por nós


Zélia zelou
Zape!
Zélia zerou


Mas Zélia!
Zangaram-se
Zambos e zargos


Zélia és zebra
Zébrula!
Zombaram
Ainda zonzos


Zélia ziguezagueou
Zinzilulou
Mas não agüentou a zoada
O zunzunzum


Zurzida
Zélia zarpou
Zummm...
Antes da zorra.


Não deixou saudades
Zélia zeladora
Deixou mazelas


Nessa piada
Só mesmo Chico
Para ver graça

 

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Publicado por AB Poeta às 17:45
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Domingo, 31 de Janeiro de 2010

Campo

- Quem eram as pessoas no trem?


- Não sei... negociantes de ouro, pequenas felicidades, rezas sem amém, talvez...


- Era o trem sem janelas, apenas com um recorte. Vi nele um rosto, com expressão de morte.


- Então eram futuras cinzas que repousarão leve sobre a neve, e que o tempo não conseguirá congelar...


Final da linha
Listras sem alegria
Começo da história

 

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Publicado por AB Poeta às 00:19
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Sexta-feira, 29 de Janeiro de 2010

Impressões de São Paulo - Liberdade

 

É difícil escolher e falar de um lugar de São Paulo, já que sou paulistano, sempre morei aqui e ando por toda a cidade, ou pelo menos por boa parte dela, desde sempre. Fica então mais fácil começar pelo começo da minha relação com Sampa.


Essa paixão, ou amor, ou dependência, não sei mais qual desses é que sinto, ou se sinto todos ao mesmo tempo... É, acho que é tudo ao mesmo tempo. Aqui tem que ser tudo ao mesmo tempo, senão não vai. Essa relação começou a ficar mais intensa quando entrei para o mercado de trabalho, em 89. Iniciei na vida corporativa como todo garoto da minha época e idade (14) começava, como Office-boy. Foi um ano de muitas mudanças: para mim, que a partir de então teria mais responsabilidades, para o Brasil, que depois de um período de ditadura estava prestes a realizar eleições diretas para presidente, e para o mundo, que assistia a bancarrota de boa parte dos camaradas vermelhos, iniciada com a queda do muro de Berlin.


Bem, mudanças geopolíticas a parte, uma alteração significativa na minha “georotina” era o fato de que eu concluiria o ensino médio num colégio próximo ao centro, mais exatamente na Av. Liberdade. Os amigos da escola de bairro ficariam para o final de semana. Nada mais de, ao término do expediente, correr e pegar o metrô lotado na República, baldear na Sé, ir enlatado até o Carandiru e depois ir pendurado no ônibus até o Jardim Brasil. Tudo isso para, tentar, chegar a tempo de assistir a primeira aula.


A minha rotina alterou-se. Saia do trabalho, um escritório que tratava de imóveis e seguros localizado na 24 de Maio, caminhava tranquilamente por toda extensão da rua sentido Conselheiro Crispiniano, o tempo agora sobrava. Às vezes parava na Galeria do Rock para admirar as capas de discos e estampas de camisetas, que em sua maioria retratava algum rockstar morto por overdose, ou algum outro motivo. As figuras que lá freqüentavam também eram bem curiosas. Punks, metaleiros, góticos e mais uma porção de outras tribos que eu não fazia idéia de como se chamavam ou se denominavam.


Passava pela Praça Ramos de Azevedo que era habitada por figuras quase que circenses: os homens-sanduíche, que divulgavam vagas de emprego, logo a sua frente ficava o mágico que entre tantos números o que melhor executava era tirar luz, feijão e morada de dentro da mínima cartola. Havia também os piratas negociadores de ouro e documentos falsificados... A mais interessante dessas personas era o malabarista: de um lado um aro 20 velho de bicicleta circundado de facas e do outro lado o grande protagonista, vestido com uma calça de capoeirista e sem camisa, exibindo seu físico parcialmente definido (definido mais pela fome do que pela prática de exercícios) e em sua volta a multidão de espectadores curiosos, ansiosos para vê-lo mergulhando através do arco da morte, o que nunca acontecia. Ele ensaiava um salto, recuava, contava uma lorota, ameaçava pular, recuava... E de repente oferecia ao público uma pomadinha milagrosa, feita sei lá do que, que curava de dor de cotovelo a reumatismo. Observando tudo isso, em cada lateral havia um gigante. Na esquerda o erudito e histórico Teatro Municipal, e na direita a impávida e colossal loja de departamentos Mappin, elefante que divertiu muita gente, mas virou zebra e acabou morrendo.


Passado à praça, atravessava a Xavier de Toledo, seguia pelo Viaduto do Chá, onde o show continuava. O homem-bala confesso que não era uma figura querida, era só surrupiar uma bolsa ou carteira para vê-lo voar, e caso precisasse usar o canhão, a experiência tornava-se mais desagradável ainda para o (in)voluntário da platéia. As ciganas, as coloridas cartomantes, com o seu sexto sentido apurado de charlatãs, eram capazes de ler o futuro até nas tampinhas de garrafa, uma maravilha. Os camelôs faziam o papel dos pipoqueiros, vendendo suas bugigangas paraguaias. Os macacos adestrados e de uniforme chegavam todos de carro, estacionavam, desciam e ficavam observando o movimento. Mas é melhor não trata-los como macacos, Virgulino perdeu a cabeça por causa disso. No final do viaduto a visão não era agradável. Pedintes exibindo suas pernas podres passavam o dia ali, com o braço esticado na esperança de um trocado. Era uma ferida sobre a outra: gangrena ou trombose tornando o mendigo enfermo a pior feriada produzida pela sociedade. Havia um que não tinha os olhos, seus braços e dedos eram ossudos, vivia sentado todo torto, era uma figura impactante. Olha-lo era uma mistura de dó, indignação e escárnio. Talvez fosse mais digno que o farrapo se jogasse no vale do diabo, se estatelasse tingindo o chão de sangue e desigualdade. Quem sabe até estrelasse as primeiras páginas do Notícias Populares e alguém sentisse apenas dó dele. Mas ele era tão magrelo que era capaz de nem sangrar muito e não ser percebido. As feridas expostas incomodam e, querendo ou não, nos deixam um pouco frios.


Saia do viaduto, atravessava a Praça do Patriarca, seguia pela Rua Direita e prestava atenção em outras pernas. Na passarela calças pretas apertadas, saias azul-marinho, saltos altos, pernas torneadas, tudo aquilo era um colírio para os meu olhos juvenis. Às vezes parava em alguma loja em que havia uma pilha de fitas K7 em promoção e entre uma fita e outra admirava uma modelo. Na pilha nunca havia algo que prestasse, mas era bom sempre dar uma conferida.


Subia a Quintino Bocaiúva, dava uma olhada nas lojas de instrumentos musicais, chegava no Largo São Francisco e parava no Sebo do Messias. Praticamente eu batia cartão lá, sempre conferindo os vinis. O único lugar onde o cheiro de mofo não atacava minha renite alérgica era no Sebo.


Saia e em fim chegava na Av. Liberdade, me deparando com as últimas personagens da minha jornada. No começo da avenida tem um trecho que apelidei de “paredão das putas”. No final do horário comercial as lojas de Cine & Foto baixavam suas portas, e as meninas iniciavam a profissão. Ficavam enfileiradas ali de 15 a 20 mulheres. A que mais chamava atenção era uma grávida, com o barrigão enorme, na maioria das vezes de vestidinho agarrado de cor azul bebê (Freud explica). Eu passava entre chamadas - psiu, ei gato, ta afim?; oi... vamô lá? - e pensava - mal sabem elas que meu misero salário fica quase todo com a instituição da família Álvares Penteado... o que sobra dá para, no máximo, um hot dog no final do dia.


Chegando ao colégio encontrava os novos amigos, às vezes comia o dito hot dog, às vezes não, às vezes era uma “canoa na chapa”, com catchup e guaraná, às vezes não...


No final da noite era pegar o metrô o ônibus voltar para casa e tentar dormir antes que o dia seguinte chegasse, para acordar pela manhã junto com o galo e me preparar para viver mais um dia de responsabilidades e impressões lúdicas dessa cidade, que apesar dos pesares, ainda muito me encanta.

 

Publicado por AB Poeta às 14:51
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Terça-feira, 1 de Dezembro de 2009

Se eu acredito no Brasil?

"Não sei se acredito... Um povo que não se preocupa em educar-se, não se preocupa com política, vive vendo televisão e discutindo futebol, temos um governo que em sua maioria legisla em causa própria e vive encobrindo escândalos e trocando favores... O País do jeitinho... Do carnaval... Acreditar nisso? Não sei... Prefiro não desacreditar que um dia isso possa mudar. "

 

André Al. Braga, vendedor, São Paulo (SP)

 

Publicado na revista Brasileiros - Nº 28 Nov/2009

 

E você, acreita no Brasil? Clique aqui e dê sua opinião.

 

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Publicado por AB Poeta às 13:41
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Quinta-feira, 29 de Outubro de 2009

Clamor

Quando alguém reclama
É porque a alma clama

Levante, grite, saia da cama!

 

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Publicado por AB Poeta às 17:11
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Domingo, 25 de Outubro de 2009

O Soldado

Cambaleante alvejado
Mais a frente cai o soldado
Ofegante, ensangüentado
Vendo a morte ao seu lado


Pensando, encurralado
“Só tenho a Deus como aliado”
O pobre rapaz, agoniado
Findou ali, deitado


Seu corpo, nunca encontrado
Deve ter sido amontoado
Junto com outros, e queimado
Ou apodreceu jogado


Seu enterro aconteceu
Mesmo sem o corpo teu
Honrarias, salvas, apogeu
Para o bravo que combateu


Depois o dia alvoreceu
E a história assim se deu
Do garoto que à guerra compareceu
E nunca soube por que morreu...
Só sua mãe não o esqueceu.

 

Publicado por AB Poeta às 02:58
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Terça-feira, 20 de Outubro de 2009

Levante

Luto só, nunca de luto
Caboclo, mameluco ou cafuzo
Brasileiro no Brasil: intruso
Sempre arguto e resoluto


Político é corrupto, enquanto labuto
Mas um dia esse astuto, por enquanto soluto
Chorará pelo indulto e não fará mais usufruto
Do nosso tributo. Maldito dissoluto!


Chega de ser prostituto
A todos incuto, sejam ausculto
Sem tumulto e nem estulto
Nosso produto será dissolúvel
Em todo reduto em absoluto
Pois nosso perscruto será o percurso
Para o desfruto de nosso fruto

 

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Publicado por AB Poeta às 14:15
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Sábado, 17 de Outubro de 2009

Mito

Ai de endurecer sem perder a ternura

Ai de acreditar com fervor e bravura

Ai de agradecer o guerrilheiro linha dura

Ai de anoitecer e descansar a armadura

Ai de amanhecer a noite taciturna

Ai de alvorecer sem perder a brancura

Ai de prevalecer no povo à mistura

Ai de erradicar toda incultura

Ai de esquecer os métodos de tortura

Ai de morrer a idéia obscura

Ai de encontrar para os males a cura

Ai de nascer esplendor e fulgura

Ai de romper o silêncio e censura

Ai de falecer a maldita ditadura


 

Foto de Eric Neumann - Clique fotolog

 

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Publicado por AB Poeta às 02:27
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Sábado, 10 de Outubro de 2009

Estado crítico

Minhas dores... Ah, minhas dores. O que elas não me fazem passar. Fui novamente ao hospital público para mais uma vez tentar fazer minhas repentinas e aceleradas palpitações cardíacas decorrentes do stress (o mal do homem pós-moderno) diminuírem. Fui atendido até que rápido (e com direito a eletrocardiograma), fiquei aproximadamente 1h, o que para os padrões públicos e Standard de atendimento é pouco tempo.


Enquanto aguardava minha vez de ser atendido, uma pergunta me veio à cabeça: quem é que manda na saúde pública brasileira? Será que é o ministro da saúde? O governador? O prefeito, ou a sub-prefeitura? Senadores, deputados, vereadores...? O presidente? A população? Quem será, ou quem são esses indivíduos responsáveis pelo funcionamento do sistema de saúde? Nessa minha paciente espera pelo atendimento descobri quem é que manda, quem é que da as ordens, quem são os bam-bam-bans, os reis da cocada preta, responsáveis por esses órgãos: são os diretores dos hospitais, dos postos de saúde ou de qualquer outro tipo de repartição pública desse mesmo gênero (ou de qualquer outro também). Bem, você deve estar se perguntando: como esse cara chegou a essa conclusão? Vamos a ela, a explicação:


Sentado esperando no confortável banco de madeira, em meio aos outros sem convênio médico que pacientemente também esperavam sua vez, uma placa fixada numa das portas dentro do ambulatório me chamou a atenção, nela estava (ou está ainda) escrito – ATENÇÃO SR. USUÁRIO, NÃO FORNECEMOS ATESTADO MÉDICO, FAVOR NÃO INSISTIR, ATENCIOSAMENTE, A CHEFIA DO PRONTO SOCORRO ADULTO. De primeiro momento não dei muita bola, mas como nosso cérebro nunca para de processar as informações adquiridas, comecei a desconfiar que havia algo de errado naqueles dizeres. Segundo ela, a placa, o hospital não fornece atestado médico, e imagino que essa atitude foi tomada pelo número excessivo de pessoas que pedem o mesmo, o que não quer dizer nada também, já que é notório que todas as repartições de saúde públicas são lotadas, então todos os serviços solicitados nelas sofrerão uma demanda muito grande. Fotografei a placa utilizando meu ultra-moderno celular, sai de lá e segui a caminho de casa. Chegando fui direto perguntar ao oráculo do século XXI, o Google, sobre o fornecimento de atestado médico e averigüei o que já desconfiava: o hospital estava (ou ainda está) infringindo a lei. Segundo a resolução nº 1.658/2002 do CFM (Conselho Federal de Medicina),
“o atestado médico é parte integrante do ato médico, sendo seu fornecimento direito inalienável do paciente, não podendo importar em qualquer majoração de honorários.”


Fiquei me perguntando: para que são feitas as leis, já que cada um faz o que quer? Se você for analisar quem é que manda no Brasil, vai ver que são os chefes das repartições públicas, porque são eles quem fazem à máquina estatal “funcionar”. Hospitais, escolas e as demais repartições estão todas a mercê de seus diretores. As leis que as regem parecem que nem existem, que não tem utilidade.


O CFM se reuni e define que o fornecimento do atestado médico é obrigatório, é um direito do paciente, mas o chefe do departamento do pronto socorro, que é quem faz o serviço “andar”, acha que não, tem muita gente “pedindo” a toa, então não vamos mais fornece-lo. Isso é no mínimo absurdo. Se eles acham que tem muita gente “pedindo” sem ter nenhum tipo de enfermidade, que estão solicitando o atestado só para conseguir matar um dia de trabalho, que atestem somente as horas em que o indivíduo esteve no local, agora fazer uma placa dizendo que não vão mais fornecer a ninguém, e ainda pedem para não insistir! Ai é brincadeira! O pior não é só a direção do hospital tomar essa atitude, é também a omissão da classe médica que se auto-infringe. Será que não teve um médico que indignado com essa decisão pôs-se contra a direção? Eu não estava lá para saber se teve ou não, mas pelo jeito... A placa estava lá (ou ainda está).

 

O que será que leva alguém a querer ser médico hoje? Amor à profissão ou glamour? Aquele médico que tem como princípios salvar vidas, acho que está ficando raro. Se é que ele existiu um dia. O que a maioria quer mesmo é o glamour, o status que a prática médica tem em nossa sociedade pós-moderna. Eles devem ter achado foi é bom, esse lance de não dar mais atestado. Eles vivem reclamando que ganham pouco. Se estão descontentes com o ordenado, então caiam fora! O médico que trabalha com má vontade prejudica muita gente.


Fora que não consigo entender como alguém que estuda tanto para ser médico pode ter uma letra tão, mais tão horrível. Deveria ser exigido do médico que ele escrevesse de forma legível. Geralmente ficamos sabendo qual remédio foi receitado somente na hora da compra, porque o farmacêutico é o único que consegue decifrar os garranchos. Deve ter um ou outro por ai que se preocupa em escrever de maneira legível, mas se for ver pela maioria...


Pensando bem, acho que o pior mesmo é saber que a população que paga imposto e usa o serviço público nem faz idéia de que aquela placa é um sinal, ou mais um sinal, do desrespeito com que os órgãos públicos tratam seus usuários. Se a população soubesse dos seus direitos, de que nós é que somos os “patrões” do estado, placas como essa não durariam muito.


A saúde brasileira segue entubada na UTI, seu estado é crítico e os médicos responsáveis pela sua recuperação estão mais preocupados em receberem o soldo e em exibirem seus diplomas, pendurados nas paredes de seus frios consultórios. Os populares que precisam desses serviços seguem ajoelhados, rezando para que tudo melhore em suas vidas. A fé ajuda, é fundamental em nossa existência, mas as coisas só vão mudar de verdade quando substituirmos as bíblias, livros de auto-ajuda ou qualquer outra coisa do tipo, pela constituição da república federativa do Brasil, que é o livro que rege nossa coletividade.
Minhas dores... Ah, minhas dores.

 

Hosp. São Luiz Gonzaga - SP/Capital - 25/09/09

 

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Publicado por AB Poeta às 21:33
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Sexta-feira, 3 de Julho de 2009

Pirataria

Pirataria. Na época do “bolachão” (o saudoso vinil) esse termo tinha outro significado: quando uma banda realizava algum show, e o mesmo era gravado, às vezes esse era lançado como um disco “pirata”, um álbum “não oficial”, lançado, mas não através da gravadora que essa mesma banda era contratada.


Hoje o termo pirataria tem outra conotação: copiar, vender, distribuir qualquer produto sem pagar os direitos autorais de marca, propriedade intelectual e de indústria. E é uma prática criminosa, prevista na Lei 10.695 de 01 de Julho de 2003. Roupas, relógios, CDs, DVDs, tudo o que você possa imaginar, hoje é copiado. Na China, nome que é quase um sinônimo de produto pirata, até carros são copiados, como mostra uma matéria feita pelo Portal Exame.


O mercado musical começou a sofrer com essa prática ilegal a partir do final da década de 80. Os lançamentos em K7 foram simplesmente dizimados pelas falsificações. Quase 100% das fitas vendidas no Brasil eram cópias ilegais.


Antigamente para um “artista” ganhar um disco de ouro ele tinha que vender cem mil cópias de um álbum. Devido ao comercio ilegal, esse número de cópias caiu para cinqüenta mil.


As grandes gravadoras reclamam e pressionam muito para que a pirataria seja contida. Mas será que as campanhas anti-pirataria são feitas (direcionadas) de maneira correta? Por exemplo: se você alugar um filme em DVD, vai ver uma campanha onde aparece um camelô dando balas de revolver como troco, a uma pessoa que acaba de comprar um produto falsificado. A campanha associa a pirataria ao crime organizado, o que não está errado, mas tratar o camelô, que não passa de mais um brasileiro fudido, como um mafioso!? Bem, isso mostra como são as coisas no Brasil: o peixe grande nunca é, e nunca será, pescado. As mídias de CD e DVD, quem as fabrica? Como elas entram em nosso país? Assim como os grandes traficantes nunca são pegos, os grandes esquemas nunca são denunciados, e quando são as investigações acabam em pizza, os grandes pirateiros continuarão navegando, à vontade, nos mais diversos mares mercadológicos.


Toda revolução tecnologia traz facilidades a nossa vida cotidiana. Da revolução industrial para cá, o homem vem desenvolvendo cada vez mais tecnologia, o que sempre causa perdas e ganhos nos mercados e na economia. Um grande exemplo disso é a própria pirataria.


Empresas (multinacionais) como Olivetti ou Remington, fabricantes de maquinas de escrever, simplesmente sumiram da noite para o dia, depois que os PCs foram popularizados. Acredito que as grandes gravadoras estão seguindo no mesmo caminho. Além da pirataria, agora eles tem outro grande inimigo: o download; estão fazendo de tudo para que esse seja considerado uma prática ilegal. No reino unido o governo está preparando um projeto de lei para que, quando algum usuário baixar um arquivo de música ou filme, o provedor, como forma de penalizá-lo, desconecte-o da internet. Acredito que estão tentando frear um futuro que será inevitável: o fim das gravadoras.


Antigamente uma banda, para mostrar seu trabalho a um grande público, tinha que gravar uma fita demo, bater de porta em porta atrás de uma gravadora que o acolhesse e o lançasse. Caso essa banda fosse um produto fácil para se vender, a gravadora a contrataria na hora. Hoje o quadro é bem diferente. Qualquer um pode adquirir um programa de gravação, plugar seu instrumento ao PC e gravar uma música. Com uma simples câmera digital, e um programa de edição de vídeo, baixado de graça, é possível produzir um videoclipe e exibi-lo em diversos sites, como o YouTube. Atualmente essa independência proporcionada pela tecnologia, produziu um fenômeno pop: a garota prodígio Malu Magalhães. Imaginem se essa menina fosse pegar seu violão, mostrar sua folk music para as gravadoras a fim de lançar um álbum. Qual a resposta que ela receberia? Acredito que um sonoro NÃO. Sozinha ela consegui atingir um altíssimo público, e tudo através da net. Parabéns menina.


O download possibilitou que álbuns ou filmes já fora de catálogo pudessem ser facilmente adquiridos, garantindo assim a sobrevivência da vida musical de muitos, que há tempos caíram no esquecimento. Artistas que nunca seriam ouvidos por um grande público, agora tem como divulgar seu trabalho. E sem precisar do aval de um produtor ou, pior, de um diretor de gravadora.


Comparar o download com a pirataria é ridículo. Baixar um arquivo para uso próprio não pode ser considerado crime, assim como, antigamente, pegar um disco emprestado e gravá-lo em K7 nunca foi uma prática mal vista. A Inglaterra, que se diz ser um país desenvolvido, esta dando um passo para trás com essa nova lei.


Não adianta, o mercado fonográfico mudou graças ao advento tecnológico, e as gravadoras não estão acompanhando essa evolução e, pior, estão tentando frear algo que não tem como parar. O download veio para ficar.


Adeus, grandes gravadoras!

 

 

 

Clique e leia:

Manifesto Movimento Música para Baixar

 

http://musicaparabaixar.org.br/

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Publicado por AB Poeta às 19:17
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Quinta-feira, 30 de Abril de 2009

Feriados

Corrupção, evasão fiscal, inadimplência, tributos excessivos, dólar na cueca, mensalão, mensalinho, anões do orçamento, informalidade, pirataria, tráfico de drogas, tráfico de influência, crimes políticos, vinte anos de ditadura, privatizações duvidosas, deputados, vereadores, senadores, todos prevaricadores, estatais que funcionam como cabide de emprego, baixo IDH, miséria, mortalidade infantil, crime, propina, lobby, bancadas políticas, jeitinho brasileiro, lei de Gerson, infra-estrutura péssima, logística mal aproveitada, falta de planejamento, doença da vaca louca, gripe aviária, agora a tal da gripe suína, turismo mal divulgado, prostituição infantil, filho de presidente ficando rico da noite pro dia, legislativo que não legisla, executivo que não executa, justiça que não é feita, desvios e mais desvios de dinheiro, deputados construindo castelos, licitações ilícitas, parentes de políticos viajando a nossas custas, nepotismo, quebra se sigilo, grampo, CPIs que não chegam em nada, pizzas e mais pizzas, escândalos, valerioduto, Opportunity, Banco Santos, Marcos Valério, sanguessugas, bispo e bispa, dossiês, crise aérea, aeroportos limitados, concessões, Sarneys, Malufs, Collor, Ranan Calheiros, MSI, cartões corporativos, metida de mão no BuNaDS, máfias, PAC que não sai do papel, metrô que desaba, operação furacão, falta de saneamento básico, saúde pública adoecida, planos de saúde obscuros, dinheiro enviado a paraísos fiscais, fiscais que não fiscalizam em troca de um faz-me-rir, funcionários públicos fantasmas, leis que mão pegam, falta de educação, desigualdade social...

 

Esses são só alguns dos problemas que lembrei.

 

E, depois de tudo isso, ainda tem gente que acha que são os feriados que atrapalham nossa economia!

 

 

Dança da Pizza

 

Ângela Guadagnin, deputada federal pelo PT, comemorando, em plena sessão da Assembléia, a absolvição de um colega político acusado de corrupção.

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Publicado por AB Poeta às 15:26
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