Minhas poesias.

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Sexta-feira, 24 de Abril de 2020

É bolsodória!

 

É bolsodória, a dupla na cabeça!

Casamento arranjado, grande plano!

Finda lua de mel, discussões à beça

ambos são frutos do mesmo ânus

 

 

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Publicado por AB Poeta às 00:48
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Terça-feira, 21 de Abril de 2020

Labirinto

 

Me abraça

que caio no sono

e sonho

caindo em teus braços

 

Cercado entre

braços e abraços

sono e sonhos

a cama se consolida

como um labirinto

que não quero encontrar a saída

 

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Publicado por AB Poeta às 18:14
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Quarta-feira, 8 de Abril de 2020

O capitão chupeta

 

O capitão chupeta

pirado da cachola

de inveja do Mandetta

tacou-lhe a corneta

sem sucesso...

 

Enfiou a caneta

no bolso da gandola

guardou a vendetta

calou a lingüeta

enfim um progresso

 

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Publicado por AB Poeta às 21:00
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Terça-feira, 7 de Abril de 2020

A canetada saiu pela culatra

 

Egolatria?

“Pau-pequenismo”?

Ou falta de noção?

 

A competência do Mandetta

brilhou mais que as estrelas do capitão!

Há quem diga que é tudo “conspiração”

mas é pura paranoia, usada como muleta

 

Mesmo o decrépito “possuindo a caneta”

o bom trabalho superou a força do “destino”

e se a estrela do ministro “subiu à cabeça”

a do capitão desceu para o intestino

 

 

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Publicado por AB Poeta às 01:00
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Domingo, 5 de Abril de 2020

Aleluia no país do carnaval

 

Diga-me com quem andas

que digo quem tu és!

Infinita bandalheira

fascismo à brasileira que

rima “goebbels” com “god bless”

 

Publicado por AB Poeta às 17:57
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Sexta-feira, 3 de Abril de 2020

A verdadeira história de um brasileiro

 

Lá vai ele, o brasileiro
com seu livreto na mão
largando a ciência no bueiro
crendo ter fé na sua oração

Pandemia é coisa do estrangeiro
“a gente não pega isso aqui não”
Nadando no esgoto, meio ao lameiro
bichos escrotos “garantem” imunização

Na quarentena fez esperneio
“a economia não pode parar não!”
É a saudade de bater um pandeiro
apertado em meio à multidão

“Mas como ganharemos (mais) dinheiro?
Voltem ao trabalho!”, lhe disse o patrão
“Morrerá somente meio milheiro
e qualquer coisa, fujo daqui de avião”

"Orientações da OMS? Sou 'corneteiro'!
Comunistas, aqui nunca passarão!”
Quem sabe arrume emprego de coveiro?
O mercado muda conforme a ocasião

Fome, ele passa o ano inteiro
só agora isso virou preocupação
Oportunismo, demagogia, “marqueteiro”
cada hora aparece um com a “solução”

No embate político, está no meio
de um lado o civil, do outro o capitão
Independente do voto, ele está alheio
é o que mais sofrerá com a infecção

Parece que ele não percebe o entrevero:
doença, morte, dor, falta de consideração
A desgraça anunciada pelo jornaleiro
"teremos que usar os trens como rabecão"

Ricos ou pobres, todos são hospedeiros
os segundos são os que mais sofrerão
Segue a vida na esperança, o brasileiro
sem muita consciência da atual situação

 

Publicado por AB Poeta às 18:49
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Terça-feira, 31 de Março de 2020

Amor nos tempos de coronavírus

 

Sem toque, abraço ou amasso

separados por força maior

cada um em seu espaço

 

Mande-me um nude, um vídeo

dê à minha boca qualquer sabor

Alimento em tempo escasso

 

Viajando pelo ciberespaço

a imagem vai suprindo o desejo

até o encontro, o próximo beijo

 

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Publicado por AB Poeta às 18:44
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Quarentena

 

Todo mundo isolado

para que ninguém morra

Ela, princesa linda na torre

eu, desolado na masmorra

 

Um microscópico vírus

não infecta uma grande paixão

Logo tudo isso passa e nossos

suspiros aos ouvidos voltarão

 

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Publicado por AB Poeta às 18:40
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Da natureza

 

Na natureza, canta a cigarra:

“o tempo vai mudar”

E canta até explodir

só para os animais avisar

 

Mas há um burro no pasto

que se põe a relinchar:

“isso tudo é histeria”

Relincha assim até babar

 

E os bois a lhe ouvir

mugem sem parar:

“essa cigarra é de esquerda

tem mais é que estourar!”

 

O recado já está dado

a quem possa interessar

Crendo nele ou não

todos irão pastar

 

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Publicado por AB Poeta às 18:36
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Quinta-feira, 12 de Março de 2020

Flatulência mental

 

Cultura? No Brasil tem pro gasto:

vai da farda mal passada no cabide

ao risível talco anal do palhaço

 

A educação caminha ladeira a baixo

E o culto à burrice, que não tem idade

virou regra, para acelerar nosso fracasso

 

A quem torça ou creia no nosso sucesso

e são tão bobos esses, reis da banalidade

não veem que não há nada de concreto

 

Esse governo é inepto, fadado ao fiasco

e a boiada que ele tange, com habilidade

o defende, aumentando o descompasso

 

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Publicado por AB Poeta às 13:17
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Quinta-feira, 23 de Janeiro de 2020

Do amor que er[r]a

 

Seis poemas inspirados pelo livro “Do amor que não er[r]a”, da poeta Valéria Tarelho

 

I

 

não sei se é livro

ou pílula

 

um alívio

que pulula na pupila

 

leitura distinta

visão que me abrase

amor a primeira frase

 

II

 

não era amor

mas era Verso

 

Valsa ou reverso

princípio de ritmo

tão divino

feito Verbo

 

III

 

o papo era de anjo

as ideias, diabólicas!

 

baba de moça

curando minha cólica

 

tão doce conversa

que versa

rum com coca-cola

 

IV

 

não era amor

era silicone

 

ciclone

de encher olhos e língua

um toque mágico

 

silício

excesso de química

ilusão de plástico

 

V

 

não era amor

era pigarro

 

vício de nicotina

lançado fora num escarro!

 

guimba sem filtro

brasa sem luz

poema ruim que confunde

Cruz e Sousa

com Souza Cruz

 

VI

 

não era amor

era contágio

 

poesia que contamina

não de qualquer esquina

dessas que cobram ágio

 

simulacro de doença

puro plágio

 

 

 

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Publicado por AB Poeta às 01:10
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Quarta-feira, 22 de Janeiro de 2020

Canção do Exausto

 

Minha terra tem problemas

que sabia até o sabiá

As aves que aqui gorjeiam

são os mais podres carcarás

 

Nossas ruas, mais buracos

Nossas várzeas, mais horrores

Nas esquinas, mais chacinas

Nossas vidas, mais temores

 

Nessa terra paulistana

quase nada que se planta dá:

a grama aqui não verdeja

o lixo sempre há de aumentar

os sujos rios não têm correnteza

e o ar cinzento o sufocará

 

Nossas aves, revoada de rapina

alimentam-se de propina

Nossos trens, mais descarrila

aqui nunca prosperará

Minha terra tem problemas

que sabia até o sabiá

 

Não permita Deus que eu morra

sem que me revolte contra lá:

do Matarazzo ao Bandeirantes

Câmara e Assembleia

parasita classe deletéria

que eu a ponha a debandar

 

Minha terra tem picaretas

que sabia até o sabiá

Carcará que aqui gorjeia

do povo bovino se alimentará

Em cismar – sozinho - à noite

não dormi... Já é hora de levantar

 

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Publicado por AB Poeta às 01:47
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Quarta-feira, 18 de Dezembro de 2019

Mineral

 

O mar sopra em minha carcaça

sua densa maresia

Construo com sal e corais

feito onda que se choca contra pedra

minha arenosa poesia

 

Sopro ela, grão no tempo

encho a orla com a minha grafia

Deixo minhas palavras na sua eternidade

para que alguém as leia um dia

 

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Publicado por AB Poeta às 00:06
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Quarta-feira, 9 de Outubro de 2019

Joker

 

Em cada esquina um coringa

Só mais uma vida desgraçada

Cansado da sorte que não vinga

espera pela próxima cartada

 

Contra a sociedade que o humilha

traz na manga sua última jogada

Sorriso histérico, a arma engatilha

agora quero ver quem dá risada

 

A gargalhada ecoa na cidade

e o terror domina a face pálida

O caos se espalha, brutalidade

é o fim de mais uma piada

 

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Publicado por AB Poeta às 02:11
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Torcedores FC

 

Futebol e seus fanáticos

sofrimento e glória

O amor começa com um gol

e consolida com a vitória

 

A derrota traz o dissabor

à boca dos alucinados

“Competir é onde está o valor”

isso é o hino dos derrotados

 

Ninguém torce por esporte

seja qual for a situação

Mesmo sobre política ou religião

com paixão defende sua equipe

 

Trocar de camisa, jamais!

Essa seria a maior traição

Ganhando ou perdendo

vivemos mesmo e da ilusão

 

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Publicado por AB Poeta às 02:07
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Sexta-feira, 4 de Outubro de 2019

O alcoólatra

 

O alcoólatra sedento

na rua é um anônimo

Perdido na vida, caído

é só mais um esquecido

 

Ás vezes alguém lhe “ajuda”:

comida, roupa, palavra amiga

conselhos, algo que lhe acuda

Porém parece que nada o muda

 

Mesmo que a realidade o desiluda

se entregar ao acaso não resolve

e nem evita qualquer sofrimento

 

Muito pior: câncer, pancreatite aguda

neuropatias, outros males que o envolve

trará o seu fim, sozinho ao relento

 

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Publicado por AB Poeta às 00:46
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Domingo, 29 de Setembro de 2019

Animais e refeições

 

Servem-se os porcos da marmelada

e a nós bovinos não sobra quase nada

Nos dão uma merreca, um farelo, fiapo

Certeza é só o nabo no rabo até o talo

 

Entre famintos e glutões famigerados

a divisão é simples: aos primeiros pão

e circo; os outros à vontade se servirão

Assim segue a maioria feliz no pasto

 

Para abrandar a ilusão do povo, latente

futebol, festa e um copo de água ardente

Aos políticos, farra melhor eu nunca vi:

saborosas pizzas e bolsos cheios de catupiri

 

Dizem que um dia tudo isso vai mudar

e um prato belo e cheio à mesa todos terão

Mas até lá, tangidos sem revolta ou rebelião

seguirá o dito: “uma andorinha não faz verão”

 

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Publicado por AB Poeta às 02:00
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Remoenda

 

A noite vem e lhe cobre

com seu denso manto escuro

clareando dentro de seus olhos

os pensamentos mais obscuros

 

Difícil suportar tamanho peso

de coisas que ao dia não se fala

E o verbo duro que na boca cala

na garganta preso fica enfezo

 

Expelir esse mal é de certo

algo que precisa ser feito

para que naturalmente a mente

em paz siga seu concerto

 

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Publicado por AB Poeta às 00:51
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Terça-feira, 17 de Setembro de 2019

Joinha

 

Meu like

é tão fake

quanto a sua face

perfeita na foto

 

De fato

gestos, filtros, formas

tudo é falso

 

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Publicado por AB Poeta às 00:03
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Domingo, 1 de Setembro de 2019

A riqueza amazônica

 

A riqueza amazônica

é a sua biodiversidade

Sem educação e ciência

não desfrutaremos dessa realidade

 

Nosso líder passa o dia relinchando

olha à floresta e só enxerga pasto

Por isso sigo falando:

“passarinho que segue asno

amanhece pastando”

E na Amazônia tem bastante espaço

 

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Publicado por AB Poeta às 17:46
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