André Braga

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Terça-feira, 19 de Outubro de 2010

Infinito em expansão

 

Somática a sensação ruim

que meus músculos recebem como resposta cerebral

 

Não há livros que me prendam (ou me roubem)

Nem imagens que fixem meus olhares sobre

A música destoa em meus ouvidos e em minha boca

 

Sou dispersão pura

um nada em dor que pensa só

no escuro de tudo

 

A noite nem chegou e já sei

que será longa...

Densa, escura e longa...

 

A luz que há é morta

O céu noturno é um velório

 

A Lua viúva

pálida

cercada de luto

vela estrelas

 

Estrelas que só existem em mim

porque na verdade são apenas brilhos mortos

que correm no negro infinito do infinito

do nada para o nada

 

O peso do universo é insuportável

bambeio as pernas

paro, respiro

e sigo insuportavelmente carregando-o

 

Penso que a Lua é uma viúva carpideira

que me olha

me vela

míngua

finge que chora

por mim

deitado

corpo esperando o bisturi na pele

(Mas já estou oco há anos)

 

Depois ela me amortalha no lençol

podre de tão branco que é

e me deita num colchão de mármore

me coroa

tampa

desce

sepulta.

 

Fecho os olhos

mas a noite existe dentro deles

Então penso em nada

mas o nada é carregado de universo

e o universo é um luto infinito

e ainda em expansão

 

O ar me sufoca

Quero sangue

Preciso esfaquear meu coração!

 

É, preciso esfaquear meu coração

Expor as artérias

Vasos venosos pulsando

pulsando e expulsando todo meu vermelho

 

Preciso do vermelho do sangue

jogá-lo na noite

na Lua minguada

no universo

para que ele expanda junto

meu vermelho sangue pulsando e expandindo

 

Virando vinho ou vinagre

vivendo vadio

vulnerável vulcão

vontade vascular vingando

várias variações variando

veneno e vitória

 

Vitória... é, vitória!

(O que é a vitória?)

(Penso que a vitória seja um misto de reconhecimento e glória originados do emprego de nossa força em alguma coisa que resulta em outra coisa... mas para ter reconhecimento e glória, o que para muitos é essencial para sentir-se vitorioso, vencedor, é preciso que outro me conceda essa alegria, pois ela para existir, mesmo não existindo, é preciso da aprovação alheia. Minha vitória, ou minhas vitórias, todas elas, sinto-as só, sem o olhar julgador do outro, sem a contemplação dos demais, sem os aplausos dos meus semelhantes, que muitas vezes soam por educação e indiferentes; vitória sem medalhas de honra ao mérito ou diplomas enquadrados, sem os louvores das massas, sem fama, troféu, sem nada, meu êxito existe por si só, meus ouvidos são surdos aos aplausos, minhas paredes são límpidas das obrigações subservientes, minha pele não tem broches brilhosos e coloridos, minha vitória é sem pódio e não tem o beijo da menina que segura o guarda-chuva... não preciso da ilusão alheia, crio minha vitória com minhas ilusões. Mesmo sendo minhas, não deixam de ser passageiras...)

 

Eu também sou o outro

Sou o outro da Lua

e sendo o outro da Lua

transformo a lua em Luar

E viro a vitória do Luar sobre a lua

 

O Luar vitorioso brilha através dos meus olhos

Olhos negros como o universo

infinito em expansão como o nada do nada que corre pelo tempo e forma o negro que nos cobre, nos inquieta e nos faz querer mais do que amar

 

Nos meus olhos há um universo que brilha

que carrega a vitória alheia

que é cercado de um branco contrário ao das estrelas mortas

que quer mais querer que amar

que acende o Luar da lua

que luta contra o luto do universo (que está em expansão)

 

O universo está nos meus olhos

Então o vermelho venoso está lá também

porque o coração é matéria e metáfora

utopia pulsando no peito dos olhos

 

Nos olhos da cabeça que pensa tudo

E faz dos olhos uma outra matéria e metáfora

Utopia que olha para ver

Ver até enxergar

que tudo parte dum ponto único

 

Eqüidistante sou o universo de tudo

O sangue do coração e tão banal quanto o luar

E não adianta esfaqueá-lo

as veias

o universo

a lua

o brilho que vai do nada ao nada

as dores somáticas

a noite densa, longa e escura

tudo

parte de mim que sou a outra parte de tudo

 

O universo

infinito em expansão

sou Eu

 

Preciso expandir

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Publicado por AB Poeta às 14:28
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2 comentários:
De Naty a 19 de Outubro de 2010 às 16:35
é obvio que é o melhor poeta da atualidade, tem duvida disso ainda?
De AB Poeta a 19 de Outubro de 2010 às 16:59
sim, ainda tenho... rs rs rs

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