André Braga

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Quinta-feira, 23 de Setembro de 2010

Pombas

 

A pombinha banca da paz

Que bebe água de esgoto

Que come restos da cidade

E migalhas de bondade

Mal sabe que seu vôo

É metáfora terrestre

 

A pomba indigente

Foco de doenças

Vive junto aos seus

Defeca nos heróis

Nos casais e nos Santos

Gorjeia em fios elétricos

Aninha-se em luminárias

E em tetos comerciais

Que quase tocam o céu

 

A pomba não sabe o que é paz

Nem o que é guerra

Nem o que é herói

Nem o que é doença

Nem indigência

Não sabe nem o que é voar

 

Rato alado hoje

A pomba sofre

As conseqüências

Boas e más

Da minha utopia

 

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Publicado por AB Poeta às 20:21
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