Minhas poesias.

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Domingo, 13 de Junho de 2010

Sampacaosmopolitana

 

Santo São Saulo

De Tarso, rico em cultura

Das alturas, herança deixou

E edificou a cidade assim:

 

Parques, Vilas e Jardins

Pinheiros, Maria e Mariana

Negra, rubra e ariana

Sampacaosmopolitana

 

De punhos cerrados

Recebe os afilhados

Com olhos de assombro

Em seu tapete negro

 

Retirantes, imigrantes, viajantes

Romarias, passeatas, procissões

Revoluções, campanhas, companhias

 

Aglomerações em suas vias

Devastações de suas ramas

Amálgama, é estrela tramontana

Sampacaosmopolitana

 

Reza às alturas, aos deuses

Por meses, em línguas, novenas

Terços, penitências, por horas

Ora as sagradas escrituras

 

Judia, Cristã, Protestante

Católica, Espírita, Testemunha

Umbandista, Budista, Ateia

Quadrangular, Pentecostal, Muçulmana

Cética, Política, Maometana

 

Ortodoxo só seu ecumenismo

Cigana, Agnóstica, Anglicana

A mistura é o seu absolutismo

Sampacaosmopolitana

 

Seus sons são somas

Gritos grunhidos das gargantas

Buzinas, balbúrdia, Babel

Ritmos retumbantes radiofônicos

 

Rock, Sertanejo, Baião

Reggae, Punk, Samba

Eletrônica, Rap, Clássica

Inglesa, Hispânica, Americana

 

Suas tribos se multiplicam

Na selva de pedra urbana

Aqui todos se coisificam

Sampacaosmopolitana

 

Grande centro financeiro

Do trem é a locomotiva

Boas são as perspectivas

Que vive o ano inteiro

 

Os subúrbios desditosos

As periferias populosas

Casarões de muros grandiosos

Desigualdades escrabosas

 

Todos querem o montante

Da equação: trabalho x salário

E nisso não há nada de hilário

Pois o chicote estrala constante

 

Agora, o dinheiro é o seu fruto

Brota das mãos, das cabeças

Dos negócios, do tributo

Espessa nasce sua grama

Sampacaosmopolitana

 

Nas esquinas as meninas

Pintadas, pouco vestidas

Boca naquilo na Boca do Lixo

Aqui sexo não é pecado, é nicho

 

O bicho pega, a bicha

Que disputa pelo ponto: rixa

A polícia coerciva, ficha

E a Santa Hipocrisia, lincha

 

Prostituida por qualquer troco

O cafetão sempre nos engana

O prazer muitas vezes dura pouco

Sampacaosmopolitana

 

A solidão aqui é coletiva

O dia a dia gera ansiedade

A lágrima escorre corrosiva

Tamanha é a brutalidade

 

Parece até que é covardia

Mas é assim que ela ama

Nunca afaga sua cria

Sampacaosmopolitana

 

Viver aqui é uma arte

Arte que se vê em marquises

Prédios, pontes, grafites

Nos passos da porta-estandarte

 

Baluarte dos escritores, poetas

Pintores, antropófagos das letras

Modernistas das palavras

Pau-Brasil que o artista lavra

 

No cotidiano se forma o léxico

Reflexo da língua provinciana

Parnasiano agora disléxico

Sampacaosmopolitana

 

Assim ela se faz, refaz e desfaz

E nós vivemos meio a essa metamorfose

Simbiose que muito nos cansa

Dificilmente aqui se tem paz

Mas, quem não ama essa criança?

 

Sampa cosmopolita

Caótica, metropolitana

Agora é a bendita

Entre todas, a mais bonita

Sampacaosmopolitana

 

A minha cidade.

 

 

Esse poema foi publicado no site Catraca Livre, clique e deixe um comentário.

 

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Publicado por AB Poeta às 19:59
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2 comentários:
De CaramgueJunior a 26 de Janeiro de 2013 às 13:26
Ducaralho Poeta!
Muito bom!

Elétrica, ácida, isana
Sampacosmopolitana!


Abrax!
De AB Poeta a 26 de Janeiro de 2013 às 14:19
Fala poeta, blz?

Cara, vlw pelo comentário!


Abrçs

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