André Braga

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Sábado, 3 de Abril de 2010

Navalha na carne

 

Minha carne navalhada

Cirurgicamente fatiada

Brilha vermelho vivo

Depois dos golpes

 

Bruta peca

Quando penetra

A rosa

 

Exposta

Dilacerada

Minha carne navalhada

Já não sangra mais como antes

 

O levante subcutâneo

Reformulou minha massa

Desnavalhou minha carne

Rejuntou meu ser

 

A navalha que atinge a maioria

Corta rente meu olho que

Sangra lágrimas raivosas e

Insiste, encarando olho no olho

 

A navalha que nunca cega

Do cirurgião de

594 cabeças

1.188 mãos

5.346 bolsos (sem contar cuecas e meias)

Tem que ser controlada

 

O corte

Precisa ser estancado

Urgente

Antes que o gigante

Morra

Hemorrágico

 

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Publicado por AB Poeta às 14:52
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