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Sábado, 18 de Julho de 2009

O show não pode parar!

I

 

Dia 25 de junho deste ano Michel Jackson faleceu aos 50 anos da idade, decorrente de uma parada cardíaca. Considerado o rei da música pop em todo o mundo, a notícia de sua morte tomou conta de todos os meios e veículos de comunicação. Prestes a realizar uma maratona de 50 shows pela Inglaterra, e já ensaiando as coreografias dessas apresentações, a morte do ídolo pegou todos de surpresa. As vendas de seus álbuns dispararam no reino unido, deixando 14 de seus trabalhos entre a lista dos 20 mais vendidos. As visualizações de seus vídeos no YOUTUBE bateram recordes. Michael Jackson se foi, mas deixou vivo o mito pop.

 

II

 

Michael Jackson sempre foi envolvido com causas beneficentes. Em janeiro de 1985 ele, junto com o cantor americano e amigo Lionel Richie, escreveram a canção We are the world, que foi gravada por uma reunião de artistas que ficou conhecida como Band Aid. Esse single arrecadou cerca de 55 milhões de dólares para o fundo USA for África, ajudando milhares de famílias no continente africano. A campanha desencadeou vários outras, nesse mesmo formato, pelo mundo todo. No Brasil, uma dessas campanhas ficou conhecida como Nordeste Já.


No Parque São José, bairro pobre de Fortaleza (CE), inspirado no ídolo pop, o cearense Gleidson Rodrigues, conhecido na região como Michael Jackson Cover, formou o grupo de dança Dangerous, que reuni jovens entre 12 e 22 anos. Dentro de um minúsculo apartamento eles ensaiam as coreografias dos vídeos de Michael. O que chama a atenção na liderança de Gleidson é a exigência que ele faz aos jovens, para que possam continuar participando desse grupo: freqüentar e tirar boas notas na escola; e deixa bem claro que o grupo não garante futuro a ninguém. Mais do que passos ensaiados, Glaidson mostra a esses jovens a importância que é educar-se, e ajuda o país a formar cidadãos. Michael Jackson influenciou pessoas não só com a música, mas também com suas atitudes filantrópicas; e Gladison, com a música e a dança de Jackson, ajuda o Brasil a dar passos na direção correta.

 

III

 

Dizem que é melhor ouvir “certas coisas” (merda) do que ser surdo. Mas ficar calado diante de certas “coisas” ditas, não dá. O congressista americano Peter King (rei só de sobrenome) fez um comentário, no mínimo infeliz, sobre a cobertura da morte de Michael. Disse que não entende o “por que” de tanta glorificação, já que, segundo sua opinião, o falecido era um “pervertido... molestador de crianças” – “ele tinha algum talento, era um bom cantor e fez algumas danças, mas você deixaria seu filho ou seu neto com ele?” – palavras de Peter King.


Bem, vamos a uma rápida história: A MTV (Music Television) foi pela primeira vez ao ar em 01 de agosto de 1981, e logo a emissora virou uma febre entre os adolescentes estadunidenses, o que viria revolucionar a indústria musical. Em 1983 um fato inédito aconteceria. Depois do lançamento do álbum Thriller, o videoclipe do single “Billie Jean” estourou na audiência da emissora, fazendo de Michael Jackson o primeiro artista negro a aparecer na MTV. O álbum além de firmar Michael como ícone pop, difundiu mais ainda a cultura negra no segregado país norte americano. Vinte e cinco anos depois dessa barreira cultural rompida, os americanos quebrariam uma barreira maior ainda, elegendo o primeiro presidente negro da maior potência econômica do mundo, Barack Obama.


O que Michael Jackson fez com seu moonwalker, Peter King não fez, e nunca fará, com seu cargo congressista. As palavras do político não passaram de um infeliz comentário de tom racista.

 

IV

 

Ver os vídeos dos Jackson Five, com Michael ainda criança, é uma satisfação plena aos olhos e ouvidos. Numa atitude contemplativa, eles fixam atenção sobre a alegria transmitida pelo menino, vendo-o cantar com tanta emoção e dançar com tanta energia.


É mais que notório que o Jackson pai obrigava os filhos a treinar exaustivamente, e a cada erro que acontecia, a surra já era algo esperado. Michael sempre falou que seu pai nunca deixava-o brincar com outras crianças... Talvez o sensível menino Michael tenha encontrado na arte (sua arte) uma forma de botar para fora toda a angústia contida dentro de seu ser. Ser que ao crescer não quis ser o que todos geralmente se tornam: adulto. Recusou-se.


Desfigurado pela paranóia, neuroticamente procurando reconhecer-se no espelho, mas nunca conseguindo, Michael se cortou e recortou fazendo dezenas de cirurgias plásticas. Em Neverland, o Michael de corpo adulto encontrava seu arquétipo dominante e, junto com outras crianças, fazia algazarras faraônicas, homéricas brincadeiras, tomou dionisíacos porres com coca-cola, transformava suas reprimidas vontades da sofrida e pobre não-infância em realidade, lá na terra do nunca, onde o patriarcal opressor “não” não existia. A mudança de tom da sua pele foi algo simplesmente fantástico! Ele foi o único ser humano na face, e na história, do planeta Terra que mudou de cor! Triste. Não obteve resultado algum. Agrediu o corpo, agrediu a raça, agrediu-se... Para nada. Continuou sendo o que não queria, e longe de ser o que desejava. Sua morte foi pré-matura, mas não por ter morrido aos 50 anos, e sim por que Michael já nasceu morto. Michael nunca foi criança... Nunca foi adulto... Nunca foi Michael Joseph Jackson. Michael sempre foi mito, sempre foi Michael Jackson!

 

V

 

Com o estádio lotado, e escoltado pelos irmãos, o caixão de bronze e ouro, ornado de flores entrou silenciando a todos. A tampa lacrada deixava uma dúvida no ar: será que o corpo está lá dentro? Essa certa dúvida logo se desfez quando a cerimônia começou, pois, mesmo o amortalhado corpo selado em urna fúnebre, Michael nunca foi corpo. Sempre foi alma. Seria impossível cantar daquele jeito, aos oito anos, sendo um corpo. Michael mito estava em todos os lugares, não caberia nunca dentro dum caixão.


VI

 

Através da TV o mundo atentava com lacrimosos olhares ao rito:
Como numa cerimônia nordestina, os pares formaram-se alvoroçados, o sanfoneiro entrou no palco, abriu a garrafa de caninha “da braba” com a boca, cuspiu a rolha, encheu o copo americano e, em homenagem ao defunto, virou sem engasgo. Bateu no púlpito, limpou os lábios na manga da camisa e disse:

 

- O show não pode parar!

 

E a sanfona comeu solto a noite toda.

 

 

Pra ver: 

IN MEMORIAN

 

Download - álbuns pra ouvir:

Jackson Five (melhores)

Off The Wall

Thriller

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Publicado por AB Poeta às 05:21
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