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Segunda-feira, 30 de Março de 2009

Legalização do aborto

Um dos assuntos mais polêmicos, e que é pouco discutido pela sociedade, é a questão sobre a legalização do aborto no Brasil. Em países ditos desenvolvidos essa questão já está em outros patamares. Nos EUA, por exemplo, o aborto é uma prática legalizada, o que não deixa de ser polêmico também, já que seus fervorosos opositores, na sua maioria religiosos, não deixam o assunto dado como encerrado.


Essa questão deixa exposta a grande diferença que há entre liberdade e democracia. Essas duas palavras meio que são entendidas como derivadas, mas na realidade, quando aplicadas, seus efeitos são geralmente contrários. A mulher que estiver grávida e desejar fazer um aborto, no Brasil, ela não o pode, pois existem leis que a proíbem de tomar tal atitude. Entende-se então que essa mulher não tem total direito sobre seu próprio corpo, não é “livre” para tomar decisões que afetam diretamente seu estado físico, sua vida social e particular. E o que gerou essa proibição? Uma lei que foi elaborada partindo de princípios democráticos! Mas, espera ai: a democracia é o regime que garante liberdade para seus regidos, mas essa mulher que quer abortar não tem liberdade para agir sobre seu corpo. Contraditório não? Não! A democracia faz valer a “vontade da maioria”, e quando você vota, você abre mão de sua liberdade, de seu direito individual e privado, para fazer valer a vontade da maioria. E como a vontade do povão, que é a maioria (mas ainda não percebeu isso), é a não legalização do aborto, então... Liberdade e democracia são idéias quase antagônicas. São paralelas: só se cruzam num distante e inatingível infinito.


Um grande problema, e acredito que seja o mais grave e longinquamente insolúvel deles, é que nossa sociedade não tem base cultural, nem informação suficiente para discutir essa questão. A maioria da população é semi-alfabetizada (estou sendo otimista), mal conseguem entender um misero parágrafo e articular uma frase com sujeito e predicado. Somos uma nação semi-alfabetizada do Gari ao Presidente da República, o que torna ainda mais distante qualquer tipo de entendimento sobre essa ou qualquer outra questão.


Algumas semanas atrás a questão da legalização do aborto foi levantada em sala de aula, o que gerou certa discussão. Metade acha que o aborto não deve ser legalizado, outra metade acha que não, que tem que legalizar. No meio do sim e do não apareceu somente eu com esta opinião: acredito que o homem (sexo masculino) não tem o direito de opinar sobre a questão do aborto, acredito que seja um assunto que tem que ser resolvido totalmente pelas mulheres. Fui questionado, por acreditar que não tenho o direito de opinar. Disseram-me até que estava tirando o corpo fora, correndo do assunto. Mas não é nada disso. Vou tentar esclarecer o por que dessa minha visão não opinatória sobre o aborto.


Vamos imaginar a seguinte situação: um cara qualquer sai com três mulheres, uma de cada vezes, e acaba engravidando-as. Esse cara será pai de três filhos ao mesmo tempo, e a única coisa que a lei o obrigará a fazer é pagar uma pensão alimentícia para seus futuros filhos. Suponhamos que esse futuro pai ganhe dois salários mínimos por mês e colabore na criação dessas crianças com um terço do salário. Todo mês ta lá: sua contribuição esta depositadinha, certinha, e esse nosso amigo livre de qualquer obrigação além pensão, e bem longe de ser preso. A lei está feita, seguida e cumprida! Mas me respondam: com essa quantia que é paga como pensão dá para criar um filho? Claro que não. E todo o peso da criação, responsabilidade, vai ficar a cargo de quem? Da mãe, claro! A lei obriga o pai a pagar a pensão, mas não o obriga a criar o filho, a dar amor ao filho, a dar atenção ao filho. Não o obriga nem a sequer a olhar para o filho. E qual é o peso social, a estigma, que um homem desse carrega? Nenhuma! No máximo vão chamá-lo de pai ausente, e mais nada...


A mulher carrega toda a estigma de ser mãe solteira, carrega todo o peso da criação, da formação, da educação da criança. Além de, claro, ter que dar amor, atenção, carinho, afeto, estar presente, coisas que a legislação não a obriga fazer, mas que as invisíveis leis sociais, que são as piores, cobram-na de maneira desumana.


Existem casos de mães que entregam (abandonam) seus filhos em orfanatos, igrejas, associações, e outras acabam indo muito além disso (acho que não preciso entrar em detalhes). Não defendo isso, mas pensem na estigma que uma mulher dessa carrega. Uma mãe que toma essa atitude será marginalizada para o resto de sua vida. Mesmo se for atrás do filho depois, arrependida. A sociedade não absolve uma mãe dessa, ela esta para sempre condenada a ser uma “desgraçada”... Mas e o pai? Cadê ele? Ninguém o cobra de nada? Não! A sociedade é tão machista que joga toda a carga ruim nas costas da mulher. A mãe solteira, por mais amor que dê ao filho, sempre será vista pela sociedade como uma “mãe solteira”, no sentido mais pejorativo possível da palavra.


Partindo dessa visão, acredito que o homem não tem nenhum direito de opinar sobre a questão da legalização do aborto, esse assunto tem que ser discutido, de forma séria, única e total pelas mulheres. São elas que tem que tomar as rédeas dessa discussão.


Outro lado ruim dessa questão é que muitas mulheres, que não tem condições de pagar para fazer um aborto mais seguro, em clinicas clandestinas, morrem de complicações (hemorragias) após abortarem. Um estudo realizado pela Federação Internacional de Planejamento Familiar mostra que setenta mil mulheres morrem por ano decorrentes de complicações pós-aborto, e todas em paises onde a pratica não é legalizada. No Brasil 63,8% das mortes maternais são registradas no nordeste e 9,5% dessas são de complicações pós-aborto.


O jornalista Gilberto Dimenstein, no livro Cidadão de Papel, mostra o relato da advogada Ana Vasconcelos, que realizou um trabalho social junto a meninas prostitutas no nordeste. Segue abaixo o estarrecedor relato:

 

MENINAS PROSTITUTAS

 

Quando começou a cuidar de meninas prostitutas em Recife, a advogada Ana Vasconcelos ficou intrigada ao ouvir uma expressão desconhecida e usada como sinônimo de aborto. De fato, é uma palavra estranha: "pezada".


Ela acompanhava uma descontraída conversa entre duas meninas. Uma delas contou que há dias tinha feito um aborto e, enfim, estava livre da gravidez que lhe tirava clientes da rua:


- Como tirou? - quis saber a menina que ouvia o relato.
- Foi com "pezada" - respondeu.
Ana se aproximou, curiosa. E perguntou:
- O que é "pezada"?


A advogada ficou estarrecida com a explicação. "Pezada" era levar um chute forte na barriga. Era um meio, segundo a menina, fácil e certeiro de fazer aborto. E, ainda por cima, barato - não necessitava de médico. Bastava a ajuda de alguém que se dispusesse a dar uma "pezada", o que não era difícil.


- Passei algumas noites sem dormir direito quando me contaram essa história de "pezada" - relembra Ana Vasconcelos, que, em Recife, trabalha há vários anos com meninas prostitutas, tentando recuperá-las para o mercado de trabalho.


Ela fez pelo menos três descobertas sobre o aborto estilo "pezada". Com os médicos que atendem em prontos-socorros públicos, soube que uma grande quantidade de meninas que se submetia a chutes no estômago era internada com infecções e hemorragias. Soube também com outras meninas que esse método era difundido entre prostitutas do Recife por ser barato.


A descoberta que mais a espantou, entretanto, foi como muitas delas se submeteram á "pezada". Ela entrevistou prostitutas e acabou descobrindo que os policiais do Recife provocavam muitos abortos com "pezadas", quando, por acaso, brigavam com meninas prostitutas grávidas.

 

A guerra dos meninos, Gilberto Dimenstein


Depois de ler tudo isso, você (homem) ainda acha que tem o direito de opinar sobre a questão da legalização do aborto no Brasil?
Nem ciência nem religião, essa questão tem ser posta a mesa e resolvida por vocês mulheres. Diante de vocês, sinto-me na obrigação de agir da única maneira que acredito que seja útil: ficando de boca calada!

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Publicado por AB Poeta às 19:05
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12 comentários:
De Rivaldo Cardoso a 15 de Setembro de 2011 às 12:53
Que merda!
Como é que vc quer proibir o homem de debater isso se é terminantemente impossível uma mulher gerar um filho sozinha? Já ouviu falar de alguém que engravidou sem levar uma pica?? Impossível. Como parte da geração da pessoa, os homens devem sim discutir isso, sem falar que também temos Direito à Opinião e Expressão.


Além disso, não seja ingênuo: EXISTEM VÁRIOS MOTIVOS NÃO-RELIGIOSOS PRA SER CONTRA O ABORTO. Procure pelo google o meu blog, onde há duas versões para o texto "Contra-Abortismo Além da Religião", de minha autoria.
Homens e Mulheres estão ligados a inúmeros grupos, dentre eles, o grupo de Cidadãos do Brasil e do Mundo.
Crianças, que um dia todos nós fomos, passaram pelo ventre antes de gerar despezas, motivos de fúria maior entre os abortistas.

TODOS NÓS FOMOS CRIANÇAS
De AB Poeta a 15 de Setembro de 2011 às 23:12
aiaiai... cara, com essa linguagem chula, seus argumentos perder força.

Acredito que a questão da LEGALIZAÇÃO deve ser discutida pelas mulheres, pois elas carregam todos as estigmas, caso tenham que criar esse filho sozinha.

Agora, fazer ou não fazer o aborto é outra história. Isso sim tem que ser discutido pelo "casal" (com aspas, porque se uma mulher decide fazer um aborto, provavelmente ela está sozinha) e pelas famílias.

A discussão sobre fazer ou não é uma coisa, a LEGALIZAÇÃO é outra.

O que argumento no texto é sobre a LEGALIZAÇÃO, que realmente acredito que são as mulheres quem tem que decidir sobre.

Sugiro que você melhore seu texto, você transmite nele mais raiva do que razão.

Obrigado pelo comentário.

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