André Braga

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Segunda-feira, 30 de Março de 2009

Poliglotas semi-alfabetizados

Qual será o primeiro idioma que aprendemos a falar? Bem, se a primeira palavra que grunhimos quando criança for “gugu-dádá”, então não falamos nenhum. A não ser que “gugu-dádá” seja uma palavra originária de algum país por ai. Caso a primeira palavra seja “papai” ou “mamãe”, já começamos proferindo o bom e velho português. Mas se você foi uma criança dessas que não saia da frente da TV, a chance de ter começado já falando alguma palavra estrangeira, tipo Mc Donald’s, Volkswagen..., é muito grande, já que somos bombardeados pelos mais variados veículos de comunicação com palavras provindas de todo o mundo. Isso pode ser um reflexo de nossa origem, um povo multi-étnico, um catadão do mundo inteiro ao qual deram o nome de Brasil... Ou não, simplesmente aceitamos essa invasão léxica na boa.


Quando ingressamos na vida colegial, a proximidade com outro idioma aumenta, por que as aulas de língua inglesa fazem parte da grade curricular de qualquer escola de segundo grau brasileira. Apesar de estarmos cercados de países que falam Espanhol, a distância cultural se mantém gigante, e o máximo que aprendemos do idioma de nossos hermanos é através das letras de músicas de artistas como Menudo, Julio Iglesisas, Rick Martin... Que merda né! Para piorar ainda mais tem alguns artistas latinos, tipo Cristina Aguilera, Shakira, que colaboram para aumentar a hegemonia da língua inglesa (americana, pois na verdade ninguém quer ser inglês). Ah! Já ia me esquecendo de colocar a banda tupiniquim Sepultura nessa lista dos colaboradores.


Hoje, neste nosso mundo globalizado, muitas empresas exigem de seus candidatos, no mínimo, que o indivíduo fale, nem que seja de forma intermediária (um pouquinho mais que meia-boca), a língua inglesa. Vi um caso uma vez de uma empresa que perguntava para o candidato se ele também sabia gírias em inglês... Acho que o indivíduo que formulou essa pergunta nunca ouviu falar em regionalidade, ou pensa que as gírias são comuns em qualquer parte do país.

 

Com as multinacionais se instalando por aqui, a procura por pessoas que falem outra língua, além do manjado Inglês, é muito grande. Cursos de Mandarim, Francês, Alemão, Italiano, Russo, e sei lá mais o que, pipocam por toda parte. E pessoas em busca deles aumentam de forma proporcional. Legal isto, ver que o pião-de-luxo demonstra interesse em melhorar seu currículo afim de arrumar uma boquinha numa multinacional. Mas e o português, nossa língua pátria, como fica? O interesse em aprender o próprio idioma é minúsculo, chega a ser ridículo o número de pessoas a procura por um curso de português. Fica com o que aprendeu no colégio e já era. E isso é um problema grave, porque reflete direto na vida profissional. Algumas empresas chegam a contratar consultorias para fazer reciclagem no “portuga” de seus funcionários, pois a escrita errada prejudica muito a comunicação interna. Entender um simples e-mail mal redigido está se tornado uma dura tarefa. 

 

Queixas de candidatos que apresentam um currículo impecável e na hora de fazer uma entrevista deslizam na linguagem e escrita são muito freqüentes. Universitários formados, e até pós-graduados, também têm grandes dificuldades em se comunicar de maneira correta.
O interessante (cômico se não fosse trágico) de tudo isso é que hoje a maioria dessas pessoas (candidatos, universitários, pós-graduados...) tem em seu currículo algum curso de língua estrangeira. Alguns até com mais de um. O pior disso é que, além do português limitado, também não falam de maneira correta o outro idioma que dizem que falam.


O Brasil está se tornando uma nação de poliglotas semi-alfabetizados. Terrível.

 

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Publicado por AB Poeta às 02:11
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