“Tudo é tudo e nada é nada”
Sebastião Rodrigues Maia – Filosofia Tim
Nascido em 1942 no Rio de Janeiro, Sebastião Rodrigues Maia, mais conhecido como Tim Maia, teve toda sua trajetória artística e pessoal contada na biografia Vale Tudo (Ed. Objetiva 2007) escrita pelo produtor musical, jornalista e amigo pessoal Nelson Motta.
Criado no bairro da Tijuca, o autor conta como foi a infância do menino entregador de marmita, a amizade com Erasmo Carlos, os primeiros contatos com a música, na adolescência, e a formação do primeiro grupo, que se deu na Igreja dos Capuchinhos, e que integrou como baterista, os Tijucanos do Ritmo. Nos anos em que morou em Tarrytown (EUA), Tim teve contato com o estilo musical que o marcaria como sendo a sua característica principal: a soul music. No retorno (deportado) ao Brasil, gravou em dueto com Elis Regina These Are The Songs, em 1969. Gravou seu primeiro disco, intitulado Tim Maia, em 1970.
No ano de 75 teve contato com a Cultura Racional (Racional Superior), lançando dois discos únicos na música brasileira, e venerados por fãs e músicos, Tim Maia Racional Vol. I e II. Quando descobriu que toda a ideologia Racional não passava de marmelada, Tim mandou recolher todos os discos que estavam nas lojas, fazendo desse um álbum raríssimo, e considerado por muitos os melhores (musicalmente) de sua carreira.
Nas décadas posteriores, sucessos como Me dê Motivo e Do Leme ao Pontal, fizeram-no um dos mais queridos pela opinião pública, dentre os artistas nacionais. Paralamas do Sucesso, Marisa Monte, Lulu Santos e vários outros regravaram suas músicas, emplacando-as nas paradas de sucessos.
Brigas com gravadoras, músicos, emissoras de TV, empresários, visinhos, problemas com a justiça, de saúde, com drogas, amores mal resolvidos, não tiraram o brilho e a força de sua música e nem de sua pessoa. Autodefinido como: “preto, gordo e cafajeste, formado em cornologia, sofrência e deficiências capilares”, Tim Maia ainda é pai, filho e espírito santo da soul music verde-amarela. Para Tim valeu viver tudo exageradamente de forma intensa e excessiva. Só não valeu foi dançar homem com homem, já mulher com mulher...
"Este país não pode dar certo. Aqui prostituta se apaixona, cafetão tem ciúme, traficante se vicia e pobre é de direita"
Tim Maia
MOTTA, Nelson. Vale Tudo. O som e a fúria de Tim maia. Rio de Janeiro. Objetiva. 2007.
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