André Braga

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Domingo, 14 de Dezembro de 2008

Mais um ou menos um?

 

I

 

Contagem maluca. O tempo, o de vida, é contado progressivamente, mas o corpo, que é quem suporta (acumula) toda essa carga temporal, vive uma vida regressiva. Envelhecer é amadurecer gradativamente para a morte.
Todo velho é uma criança velha. Como para criança tudo é novo, tudo na velhice do velho é novo. A criança, esse ser puro, que os pais insistem em tratar como uma miniatura de adulto, aprende (chamam esse aprendizado de “educação”) a ser velho, e o velho, na sua velhice, tem que aprender a ser velho de novo. Mas o estranho é que, apesar de tudo isso, nunca aprendemos a envelhecer. Talvez por isso destratamos os dois, velhos e crianças. São iguais, precisam dos mesmos cuidados. Todo cuidado é pouco, e o pouco cuidado que se tem, não é nada.

 

II

 

Ao final de cada dia, na fila da chapeira para bater o cartão, sempre eu ouvia alguém dizer “é, mais um dia”, e eu sempre dizia “é, MENOS um dia”. Deste instante para traz, já era, não volta. Talvez esta frase “mais um dia” seja uma forma de aliviar o fardo diário dessa vida rotineira que aprendemos a chamar de cotidiano; proferir essa frase é uma forma de deixar a vida mais leve, fazer com que passe mais leve. Sutil.
Será que se todos tivessem a consciência de que cada dia vivido (ou sobrevivido) é “menos um” e não “mais um”, as coisas tomariam um rumo diferente? Essa contagem progressiva não passa de uma regra social. E essa regra nos ensina a tratar cada dia vivido, quando chegado ao seu final, como se fosse uma vitória... Vitória do que? Foi apenas mais um dia sucumbido as regras, sem muitos prazeres, realizações, sem muito de diferente. E ainda se agradece a Deus por isso. Mas ai, para aliviar ainda mais, vem o grande super-herói, o grande defensor de todos: o “sonho”. Ter um “sonho” é ter um objetivo, e, a cada “mais um dia” esse “sonho-objetivo” fica mais perto de ser realizado. É uma pena que a ilusória contagem progressiva é na verdade regressiva, e o tal “sonho” nasceu para nunca ser. Serve apenas de muleta.

 

III

 

Já ia me esquecendo: Feliz aniversário!

 

Downloads:

IRA! - Envelheço na cidade

Raul Seixas - Quando você crescer

Lulu Santos - Já é!

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Publicado por AB Poeta às 02:39
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1 comentário:
De Michel Carvalho. a 19 de Janeiro de 2009 às 23:00
Crise de meia idade? Ahahahahhahahhah ... considerações interessantes. Me fez lembrar este trecho: "Primeiro o choro, depois mocidade, mais um piparote de tempo e vamos parar na madureza e por fim o puf , que em nada desabona o começo..." Acho uma baita sacanagem esse negócio de asilo "Cantinho Feliz" e creche "Coração de Mãe", como dizem os ingleses: "Deveria ter uma lei contra isso"

Esse trecho aqui de Ballad of a Thin Man - Bob Dylan - poderia ser a fala do filho na hora de "hospedar" um dos pais numa "Casa de Repouso"

Agora você vê este anão caolho
Gritando a palavra “AGORA”
E você diz, “Porque razão?”
E ele diz, “Como?”
E você diz, “O que isto quer dizer?”
E ele berra de volta, “Você é uma vaca
Me dê seu leite ou vá para casa”
Porque algo está acontecendo aqui
Mas você não sabe do que se trata
Sabe, Mr . Jones ?

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