André Braga

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Quinta-feira, 28 de Agosto de 2008

Ligadas pelo desejo (de consumo)

Coisa. Para mim a (ou o) Coisa sempre foi um super-herói, aquele, dos Quatro Fantásticos. Pelo menos era esse o nome deles, quando eu era criança. Hoje, acho, que os Quatro viraram Quarteto. E herói sempre foi para mim uma referência: Pai Herói, a novela da Rede Globo. André Cajarana, era o nome da personagem interpretada por Tony Ramos, que, segundo meus pais, foi a fonte de inspiração para a origem do meu nome. É ai que a coisa começa a ficar estranha. Bem, segundo os meus registros, nasci em São Paulo, bairro da Aclimação, no sexto dia do primeiro mês do ano de mil novecentos e setenta e cinco (século passado). A novela referida foi ao ar no ano de mil novecentos e setenta e nove! Nove? Isso mesmo, nove (Nº 9; para não ter dúvida). Caso meus pais não possuam uma máquina de viajar no tempo, não sei como explicar esse desencontro de datas. O pior é que nem eles sabem o por que desse desencontro. Talvez o tal Cajarana tenha provocado algum impacto na vida deles dois, sei lá... Também, mais de trinta anos vendo novelas é normal que já não saibam o que vem antes do que. Por falar em novela, faz tempo que não acompanho nada na televisão. Principalmente as novelas. Todas iguais.


Vendo TV outro dia, me chamou atenção uma reportagem sobre uma cantora brasileira radicada em Cuba, que não lembro o nome agora (e nem depois também), mas lembro que ela falava sobre música cubana, mostrou um DVD e fez um comentário. Quis adquiri-lo na hora, pois já tinha visto aquele num Sebo aqui próximo. Sabe come é, estou desempregado, tempo ocioso é farto (dinheiro + ócio = consumo), corri para loja. Procurei, mas não estava mais lá. Alguém já havia comprado. Mas ai, sabe como é, a besta-fera do consumo entra em cena! Não tinha o que eu queria, mas havia vários outros que eu queria, mas não sabia que estavam lá. O que era para ser uma compra de, no máximo, doze reais, virou uma de quarenta e cinco. Dois DVDs e dois livros. Cultura nunca é demais, segundo meu senso moral. Sem problemas também, logo estarei empregado, esse dinheiro não vai fazer falta agora.


Produto adquirido, mesmo não sendo o desejado, volto ansioso para ver algum dos filmes. Durante essa volta uma imagem me chamou atenção: um senhor, desses que aprendemos a chamar de catador-de-papelão, com roupas humildes, chinelos velhos e óculos escuros da... Coco Chanel!? Tudo bem, é falsificado, mas e daí! A sensação de beleza, importância, de fazer parte de algo não era falsa, era bem real. Quem diria em Gabrielle, que sua criação um dia estaria no rosto de um trabalhador negro como as lentes, de um dito país subdesenvolvido. A pirataria é a redemocratização da cultura, pois falso é o produto em si, não o sentimento com relação a ele, ou que ele proporciona.


Realidade. A realidade é só um recorte. Nem lembrava mais como a rua era movimentada assim. Também, só passava por aqui pela manhã, para chegar ao trabalho. Será que todo esse povo mora aqui? Ou só trabalham aqui? Ou estão passeando aqui? Eu moro, eles, não sei. Quantos ônibus lotados. Não sei se existe, na língua portuguesa, o coletivo de solidão, mas uma definição contemporânea de coletivo para esse substantivo seria: transporte público. Fico imaginando, milhões de pessoas indo e vindo, sem trocarem uma palavra! Quantos pensamentos passam por essas cabeças. Quantos sonhos, desejos, etc... Parecem zumbis; são apenas corpos, a mente, essa, ta longe... O Coletivo é uma espécie de mosaico de realidades, cada um com a sua. Arthur tem razão, a existência em si é um tédio, um vazio (chega logo ao seu destino ônibus...). Esse vazio justifica um outro pensamento filosófico (só não lembro o autor) que diz: o homem é o único animal que nega ser o que é; pretensiosamente completo: o homem é o único animal que nega ser o que é, e que só se reconhece no consumo, sua maior característica; anda, se alimenta, fala, pensa, etc., mas o que realmente o diferencia, até dos da mesma espécie, é o consumo, e é nesse último que ele se realiza.


A realidade não é em si a matéria, o trabalho e nem o outro, são as sensações que deles provem, entendida de forma subjetiva; como os padrões e entendimentos sociais se renovam, a realidade também é renovável. Como já dizia aquela letra do Raul: “que o mel é doce, é coisa que me nego afirmar, mas que parece doce, isso eu afirmo plenamente”.
Chega de observações do mundo exterior, vou ao que interessa, ver um dos filmes. O Escolhido foi um que mostra a vida do artista plástico estadunidense Jackson Pollock. O outro é um filme chamado Amnésia, muito interessante, mas como já havia visto, esse fica para outro dia.


Terminado o filme, vem a ansiedade. A ânsia de falá-lo a alguém é grande... Enquanto não encontro ninguém, fico com a angustia de ter consumido algo, mas como ninguém ainda esta sabendo disso, não considero ainda o consumo consumado.

 

 

Para entender melhor, algumas definições definidas por mim:

 

Desempregado: Estigma ruim; classificação dada à pessoa que não tem emprego.

Empregado: Estigma do Bem; classificação dada à pessoa que tem uma ocupação com registro em carteira de trabalho, e que dedica todo seu tempo à ascensão de outra da mesma espécie.
Catador-de-papelão: Estigma; classificação dada ao trabalhador que coleta materiais recicláveis pelas ruas, praças, avenidas, etc; filantropia.
Gabrielle Bonheur “Coco” Chanel (1883 – 1971), idealizadora.

Trabalhador: Estigma bom; classificação dada à pessoa que aplica sua ação (força) em algo, a fim de obter algum retorno financeiro; ocupação sem registro em carteira de trabalho; autônomo.
Pirataria: Ato de copiar e comercializar algum produto sem autorização de seus idealizadores; tendência neoliberal.
Redemocratização da cultura:Segundo Walter Benjamin e Siegfreid Kracauer (pensadores da escola de Frankfurt) as sociedades capitalistas avançadas criaram, sem querer, condições para uma democratização da cultura (processo de industrialização da cultura). A pirataria surge como renovação desse processo, pois mesmo com a cultura industrializada muitos ainda não tem acesso; acesso esse que é proporcionado através da pirataria.
Arthur Schopenhauer (1788 – 1860).
Faça, fuce, force– Raul Seixas.
Raul dos Santos Seixas (1945 – 1989).
Pollock(EUA, 2002).
Amnésia(EUA, 2000).

 

11/06/08 

 

Texto acadêmico que fala sobre reificação, fetichismo, realidade, hiper-realidade, alienação e outras cositas filosóficas mas.
 

Baixe para ler:

O vazio da existência - Arthur Schopenhauer

Filosofando. Introdução à filosofia - Maria Lucia de Arruda Aranha

 

Para ouvir:

Raul Seixas - Faça, Force, Fuce

Publicado por AB Poeta às 18:49
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1 comentário:
De Tatiana (ex prof) a 29 de Agosto de 2008 às 03:09
É isso ai! Que bom!
bjão!

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