André Braga

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Quarta-feira, 4 de Maio de 2011

Trindade

 

De que me serve esse amontoado de carne, se sou apenas alma que caminha no tempo atrás de um

                    [negócio que chamam de evolução?

 

Sou ferro forjado a força em fogo negligente

Meu sangue corre contra o Sol

Rico de minerais, não dissolve pelos esgotos

não esgota pela orla

e enche de sal a imensidão azul cadáver que chamam de mar

(o desgosto do mar é ter o gosto que tenho na pele)

 

A escuridão é feita de medo e mito

Como detesto todos eles

 

Vai Lua, corre logo pelo céu

some

percorre toda essa idiotice infinita e sem sentido

 

A Noite não me interessa mais

cansei de disputar espaço com outros derrotados

bichos trôpegos que perambulam bebem cantam e...

Quero que definhem a sós, sob a poesia manjada e gasta que o luar inventa e projeta em coisas breves

 

Quero Dia

luz intensa e agonizante

que suporta a acidez da minha saliva lançada em forma de flecha-letra

chama que corta meus olhos com lucidez incomoda afiada e enferrujada

e racha a pele da minha boca seca pela não realização de pequenos desejos humanos

 

O animal quase morto que me habita, me mostra os dentes

rosna, urra ensurdecedor em meus ouvidos a dentro

assusta o pessimismo a coragem e aumenta o pânico de meu sistema nervoso e (a)cerebral

já cansado...

 

Diante do absurdo que é a Vida

a Morte é medíocre

e não me interessa

 

Regurgito o que acredito ser bom

me acabo com a gula à flor-da-pele em banquetes de nostalgia e solidão

servidos em minhas vísceras pulsando fomes

enquanto passeio pela sombra das pedras erguidas em nome do capital

 

O capital é uma forca que acaricia meu pescoço bobo sedento de amanhãs

das manhãs de procissões em que cada um é seu mártir

e a ladainha murmurada suplica o perdão dos vícios mundanos

Rezam da boca pra fora; sabem que o amém é um perigo iminente

 

A faca está no pulso

caminhando febril sobre a veia exposta aos urubus

esperando para ser a única coisa que é

ser faca

e fazer a única coisa que sabe

cortar

e executar súbito a pena capital

no capital

que fez de si seu próprio fim

 

Penaremos ou brindaremos à distância das tecnologias?

 

É mais fácil correr a infinidade do tempo que vem

do que dar um passo no minuto que passou

Nada é mais longe e presente do que a lembrança

 

Um amontoado de lembranças

é isso que a alma é

e  o corpo insuportável é o pára-raios que as suporta

 

Suporta para lembrar que somos trindade

corpo mente alma

(o corpo mente à mente

que mente à alma

e a alma não mente

ela sente

e divide esse sentir com o corpo

que mente à mente

que tudo está...)

 

Só estou porque penso peno e persisto

insisto em ser

e choro

porque é a única coisa que aprendemos de berço

 

A lágrima não é o choro

e o choro não é a tristeza

 

O choro é um soluço corporal

um tipo estranho de vômito

a tristeza é um prego que me mantém crucificado

e a lágrima é uma idiotice que se repete em poemas

 

O que escorre pelo rosto

é a indignação de estar ali

mergulhado

num lugar onde se detesta

até o pescoço

marcado pela forca

 

A inquisição começa a partir do momento em que eu Quero

e eu trindade

tento sobreviver a fogueira

que há ao pé da minha cruz

jogando minhas migalhas aos corvos

cantando músicas de cortejo

e expondo minhas intranqüilidades

em versos

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Publicado por AB Poeta às 21:04
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2 comentários:
De William a 6 de Maio de 2011 às 16:48
olá..encontrei no 4shared.com um arquivo postado por vc - "Introdução a filosofia parte 1 - audiobook audio book livro - palestra.rar". Mas, não encontrei a Parte 2. Vc tem notícias dela?.r.s.r.s
Abração.
De AB Poeta a 6 de Maio de 2011 às 17:47
Fala cara, blz!

Eu peguei, gratuito, esse palestra nesse site: http://www.universidadefalada.com.br/

acho que lá tem a parte dois.


Vlw pelo comentário.

Abrçss

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