De Anna Voig a 16 de Fevereiro de 2011 às 20:59
Lembrei-me de

Traduzir-se

Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.

Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.

Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.

Uma parte de mim
almoça e janta:
outra parte
se espanta.

Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.

Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.

Traduzir uma parte
na outra parte
— que é uma questão
de vida ou morte —
será arte?

Ferreira Gullar

Bjusss
De AB Poeta a 17 de Fevereiro de 2011 às 00:51
pô, que ligação de poemas em!

Obrigado pelo comentário, e fique à vontade para opinar nos outros poemas!

Bjos
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