André Braga

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Quinta-feira, 13 de Janeiro de 2011

Flor

 

Quando a flor é uma flor

E não há nada o que dizer sobre ela

A gente senta de frente

E contempla:

O tempo que passa e te deixa

O vento que sopra e a pende

A estação que a nasce

O instante somente

 

Não quero dormir

A flor pode não aparecer

Em mim na noite

 

A erva daninha diz que me ama

Que me acolhe

Mas na verdade me finda lento

Natureza sombria

Que quer sombra em minha natureza

Erva não minha

 

O regador é uma arma

Que arma sobre mim

Que sou a flor também

Que tenho que florescer

Para preencher o jardim

Que orna a vida tola

Do humano que me água

 

Me água e diz que me ama

Mas isso não tem importância

Porque floresço mesmo sem saber o que é amor

Porque mesmo antes do amor

Eu já era flor

Já florescia

 

Já nascia

Mesmo sem jardim

Mesmo sem odor

Sem estações do ano

Sem qualquer utopia

 

O orvalho é oportunista

Deita frio em meu colo

Ganha forma em minha forma

Forma um manto prata

Que não me aquece

 

Sou cercada de oportunistas

 

O inseto quer meu mel

Meu pólen

O tempo quer meu verde

Minhas pétalas

A utopia da minha beleza

O vento precisa do meu odor para ser percebido

A certeza do amor se dá em minha forma

 

O amor me quer mal ou bem me quer

Me quer aos pedaços

Despetalada pelo desejo de outra flor que não eu

Depois me deixa só

Só um caule verde morte de espinhos

Todos pontiagudos que só ferem a mim

 

Ligação entre amores fabricados pela história

Um buquê que arranca suspiros

E desejos de eternidade

O meu coletivo produto

Vermelho de volume e perfume

Eu despedaçado sobre o leito

Morto pelo amor

 

Eu sou a flor do jardim

Carregada de utopias

Cercada de oportunistas

Resistente ao tempo que insiste

Em me ver morrer e nascer

Florescer

E encantar

Essa idiotice toda

Chamada vida

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Publicado por AB Poeta às 15:43
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6 comentários:
De Nina a 13 de Janeiro de 2011 às 18:31
Isso foi forte pra cacete. Uma porrada!
De AB Poeta a 13 de Janeiro de 2011 às 18:51
rsrs é nada, é só uma flor num jardim.
De Mara Farias a 17 de Janeiro de 2011 às 15:04
Oi!Gostei muito da sua poesia.
É simples,fácil de entender e muito lindas!
Parabéns pelo trabalho!

A cara da Poesia
De AB Poeta a 17 de Janeiro de 2011 às 17:30
obrigado, mara, pelo comentário!

fique à vontade para opinar em outras, ok!

Bjos
De luiz e caminha a 21 de Janeiro de 2011 às 21:50
Belo poema. Muito ritmo. Flor que nasce e desabrocha em versos, poema. Mensagem de vida infinda.

Valeu,

Caminha
De AB Poeta a 22 de Janeiro de 2011 às 01:06
Vlw pelo comentário!

Fique à vontade para comentar em outros, ok!

Abrçss

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