André Braga

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Quarta-feira, 5 de Janeiro de 2011

Atemporal

 

O tempo... passa

Tento agarrá-lo

Prendo-o no pulso

 

Conto-o

 

Gira a terra em torno de algo

Morrem estrelas

Alinham-se planetas

E o zodíaco me sugere

 

O pedaço de papel em minhas paredes

(como uma foto que não posso esquecer)

Empurra o que gira em torno de mim

Que me empurra junto (“pra frente”)

 

O tempo marcado

Marcando meu rosto

Movendo o mercado

Mercador do destino

Corre (apesar de não passar)

 

E teu olhar me arranca dele...

Ele que, inútil diante: pára para o beijo

Finda quieto num abraço longo

Sega numa troca de olhares sinceros

 

Não existe o tempo dentro do desejo

O Esperar não o conta

Não perde tempo com isso

 

E de tudo hoje desejo tudo

Porque desejando

Vou enganando o tempo

Correndo amando sofrendo

Fazendo falando sendo

Vivendo no gerúndio

 

O verbo em andamento

Ação que não se completa em um fim

Que no passar do tempo não se acaba

 

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Publicado por AB Poeta às 02:27
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2 comentários:
De Nina a 5 de Janeiro de 2011 às 03:47
"Que no passar do tempo não se acaba."

Que não se acabe, então... e permaneça... pelo tempo, através dele, além dele. E faça moradia onde lhe for conveniente... e se transforme... e floresça...
De AB Poeta a 5 de Janeiro de 2011 às 12:11
que floresça então, e que perdure no tempo, poético...

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