André Braga

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Domingo, 26 de Dezembro de 2010

Noites

 

Em minhas noites de nada

Arregalo os olhos na escuridão

Para olhar em paz

Não enxergando objetos que me lembram coisas

Que não tenho mais próximas

 

Meio ao álcool, à solidão e demônios

Durmo um sono que não é meu

É só do corpo

Sentindo-me velado por olhares imaginários

Carpideiras ácidas que choram o lixo do homem e me beijam sorrindo

 

Os pregos da minha cama de pregos

Já não têm mais pontas

Rolei tanto sobre elas que gastaram

 

Sinto falta das ranhuras que me faziam no âmago

Sentia dó de mim quando via meu sangue

Gotejado pelo lençol

Pelo chão frio

Em restos de roupas que nem uso mais

E essa dó me fazia parecer humano

 

A noite é algo que existe em mim

Porque mesmo de dia ela me aparece.

 

Em silêncio

Na noite

Eu bicho estranho e selvagem

Luto contra o nada

Um nada gigantesco que carrego

Que parece que vai me esmagar

Mas que venço sempre

Pois só isto a fazer:

Lutar

Vencer

Viver.

 

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Publicado por AB Poeta às 15:12
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2 comentários:
De Nina a 27 de Dezembro de 2010 às 21:17
Bichos estranhos, selvagens e cheios de ranhuras... Somos assim, não é? Os animais se reconhecem pelo cheiro.
[isso foi um elogio...]
De AB Poeta a 27 de Dezembro de 2010 às 21:34
sim, o cheiro denuncia nossas intenções!

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