André Braga

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Terça-feira, 4 de Janeiro de 2022

deus ex machina

 

A inteligência é artificial
assim como muitos sorrisos
Não se ensina “humanidade”
                        a um androide
mas há humanos que também
               não aprendem isso
Ninguém nasce sabendo
       e apesar de saber disso
de aprender se perdeu o costume
só nos sobra mesmo é o “instinto”
Quem sabe um dia
                         a máquina acerte
e tudo isso mude

Publicado por AB Poeta às 21:47
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Estatística de natal

 

No seio da miséria
a fome só cresce
Na fila da ceia
a fila da fome só cresce
e quem cresce com fome
cresce como?
Como menino Jesus
com data marcada para morrer

Publicado por AB Poeta às 21:41
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Sobre a desigualdade social

                         a fome de justiça
          aguça a sede de vingança
          como nenhuma
                                    se alcança
   quem agoniza é a esperança
                     de barriga vazia

Publicado por AB Poeta às 21:35
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só os ossos

IMG_20211217_132430_465.jpg

 

Publicado por AB Poeta às 21:30
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Quinta-feira, 9 de Dezembro de 2021

...

 
  de cada nó que se desata
 brota uma lágrima que cai
algo fica,          parte se vai
 ninguém termina contente
 
         mas desse desenlaço
inevitável depuro
           se abre um presente
  contendo um novo futuro

 

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Publicado por AB Poeta às 23:34
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Sobre a união

 

  das coisas que unem um casal
       o amor é o seu maior abrigo
nem sempre ele será carnal
              mas sempre será amigo

 

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Publicado por AB Poeta às 23:29
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Merdonça no ventilador

 

uma passo para um homem
um salto para os evangélicos
um assalto a nação
um atraso da humanidade

 

Publicado por AB Poeta às 23:24
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Reino animal

 

No capitalismo selvagem

o bode expiatório do Estado

serviu de desculpa ao touro

que com o rabo entre as pernas

saiu de mansinho, evitando latidos

 

Quem acabou latindo foi o gado

que cego de febre, não viu

comprou gato por lebre

 
Publicado por AB Poeta às 23:19
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Terça-feira, 23 de Novembro de 2021

Tauromaquia

 

No centro da fome

e do desemprego

o touro dourado

não puxa arado

 

Esse fica pro povo

que atordoado

enriquece o toureiro

por um mero trocado

 

E os emolumentos

enchem a bolsa dos donos

e os sorrisos dos tolos

que do touro de ouro

só lhe sobram os excrementos

 
Publicado por AB Poeta às 22:48
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É promoção, quem vai querer?

 
A crueldade do Estado
na ilegalidade do ambulante
faz desse desempregado
um criminoso constante
 
Nesse país de desabrigados
e da meritocracia fajuta
tentar sobreviver é um fardo
todo dia uma nova luta
 
Aqueles que seriam os obrigados
a tornar nossa vida mais justa
são os verdadeiros bandidos
já passou da hora de dar um “basta!”
 

 

Publicado por AB Poeta às 22:43
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Ensejo

 

Os touros engordam
as vacas emagrecem
o pasto mal dividido
desiquilibra os dividendos
e quem tange a boiada
nem liga pro contraste
e o desastre vira ensejo:
o touro foi ao varejo
a vaca foi pro brejo

 

Publicado por AB Poeta às 22:41
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Terça-feira, 16 de Novembro de 2021

Até quando

 

Não para a ciência
à máscara e à vacina
o capitão e seu quartel
seguem a mesma sina
agravam a situação
e assim como Pilatos
lavam suas mãos
A consequência de seus atos
mais mortos e sequelados
mais pobres e miseráveis
Pagarão os responsáveis?
Certeza é que lhes reservam a inglória
de ocupar a lata de lixo da história

 

Publicado por AB Poeta às 20:26
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Em praça pública

 

Aos montes na cidade

cabanas, abrigos, barracos

um campo de refugiados?

Não, é o largo da matriz

 

Nessa coletividade

toda sorte de azarados

o brasileiro é um exilado

em seu próprio país

 
Publicado por AB Poeta às 20:23
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Quinta-feira, 4 de Novembro de 2021

Guilhotina

 
Fé demais não cheira bem:
a plebe de joelhos
entre pedidos e apelos
só alivia a culpa do rei
 
ou se vive melhor agora
cobrando os “homens-da-lei”
ou se chora a agonia:
espírito cheio, barriga vazia
 

 

Publicado por AB Poeta às 00:30
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Perto do fogo

 
Lá vem o caminhão
acotovelam-se na caçamba
   entre a fome e a infecção
a mãe, o filho, o rato, o cão
 
Quem não pegar essa rabeira
                          de lixo, dança
de estomago vazio
Melhor é ter uma indigestão
 
Indigesto mesmo é o capitão
                        que foi a Roma
aprender com Augustus Nero
como atear fogo numa nação

 

Publicado por AB Poeta às 00:23
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Fezes de cada dia

 
O país está um ânus
o bolsonaro a bosta pura
você rebola na privada
mas o dejeto não desgruda
 
O tempo passa e só piora
só fede mais, passou da hora
dessa merda bater na água
pois a água já bateu na bunda
 

 

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Publicado por AB Poeta às 00:17
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Passageiro

 
A vida segue de trem
de estação em estação
embarco na Paraíso
desço na Consolação
 
Entre santos e santas
as homenagens são tantas
que até Judas tem sua vaidade
 
Se me perco na cidade
vou à Luz, que me conduz
para a Liberdade
 

 

Publicado por AB Poeta às 00:13
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...

o xis da questao.jpg

 

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Publicado por AB Poeta às 00:09
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Armadilha

 
mais um sujeito
                       sem leito
que à rua se sujeita
                      e se ajeita
na suja sarjeta
 
um rejeito que o estado
          pegou na ratoeira
isso é o resultado
                       da sujeira
de um país sem jeito
 

 

Publicado por AB Poeta às 00:06
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Quarta-feira, 3 de Novembro de 2021

Caiu na rede

 

Ontem recebi um “joia”

hoje foi um “coração”

a “amizade” em rede

nos traz a ilusão

de uma “proximidade”

pelo clique de um botão

 

Entre sedas e farpas

mantemos uma “relação”

entre aspas

 
Publicado por AB Poeta às 23:58
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