Minhas poesias.

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Joinha

A riqueza amazônica

Astros ilícitos

Estrela submersa

Triturados

Manhãs bragantinas

A gaiola

Aquífero paulistano II

O laranjal

Black Friday

Aquífero paulistano

Embate público

Efêmeros

O mortiço

O rato roeu o rei

(O)Culto

Em ruínas

Long live Café Piu-Piu

Mão amiga

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Terça-feira, 17 de Setembro de 2019

Joinha

 

Meu like

é tão fake

quanto a sua face

perfeita na foto

 

De fato

gestos, filtros, formas

tudo é falso

 

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Publicado por AB Poeta às 00:03
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Domingo, 1 de Setembro de 2019

A riqueza amazônica

 

A riqueza amazônica

é a sua biodiversidade

Sem educação e ciência

não desfrutaremos dessa realidade

 

Nosso líder passa o dia relinchando

olha à floresta e só enxerga pasto

Por isso sigo falando:

“passarinho que segue asno

amanhece pastando”

E na Amazônia tem bastante espaço

 

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Publicado por AB Poeta às 17:46
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Sábado, 29 de Junho de 2019

Astros ilícitos

 

Nossos corpos celestes sem rumo

orbitando o mesmo espaço

velozes entrarão em atrito

cometas com o mesmo traçado

 

E ao seu corpo de Vênus

roubarei os anéis de Saturno

e desse delito noturno

faremos nosso segredo

 

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Publicado por AB Poeta às 03:08
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Estrela submersa

 

Estrelinha d'água

que brilha no fundo do mar

Azul como o céu

seu brilho está em meu olhar

 

Saia desse fundo salgado

você vai se afogar

Deixe de lado esse luto

e vem para a beira brilhar

 

Esse mar que lhe cobre

é muito pequeno para seu brilho

Abandone essa vida marinha

e seja uma estrela no espaço infinito

 

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Publicado por AB Poeta às 03:01
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Sexta-feira, 28 de Junho de 2019

Triturados

 

O animal morto

velado sobre a mesa

feito ao ritual do fogo

fatiado ao molho sangue

é servido à minha boca

 

Vegetais sem raízes

guisados na gordura

harmonizados ao vinho

ao som do violino

são servidos à minha boca

 

Enlatados e embutidos

sobras e restos que servem

à pressa do dia a dia

ao ritmo dos insossos

são servidos à minha boca

 

Flora, fauna, fábrica

e tudo que pode ser vida

ou servir à minha carne faminta

ainda que seja um desejo falso

podem ser triturados pela minha boca

 

A fome e a sede humana

já transcenderam o estado animal

e toda essa ânsia que não alimenta

nem corpo nem alma, caminha para o dia

em que seremos o prato principal

 

 

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Publicado por AB Poeta às 02:23
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Sábado, 23 de Março de 2019

Manhãs bragantinas

 

As maritacas, o bem-te-vi, o sabiá

a orquestra reunida

todos juntos a cantar

 

É tanta nota musical

em horário matinal

que o galo nem arrisca cacarejar

 

A platéia ainda na cama

aprecia o concerto

mais um tranquilo despertar

 

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Publicado por AB Poeta às 23:12
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Terça-feira, 26 de Fevereiro de 2019

A gaiola

 

Na mente que não para

o temor se multiplica

A insônia te faz companhia

 

A pressão do peito

as veias comprimidas

é o tempo engolindo a vida

 

A lágrima tange o rosto

salga o lábio, assombra

e o olhar se perde no escuro

 

A voz, na garganta, reclusa

que se encontra contrita

guarda a palavra amiga

 

Aquela que, ensurdecedora

ao teu surdo ouvido grita:

“há um pássaro onde a morte habita

 

liberte-o!”

 

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Publicado por AB Poeta às 22:19
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Quinta-feira, 7 de Fevereiro de 2019

Aquífero paulistano II

 

Cada gota que cai de chuva

tece a enxurrada que desce a rua

e forma o lençol d’água

onde a cidade afunda

 

São Paulo para toda

ninguém aqui mais anda

Fica o recado da natureza

mostrando quem é que manda

 

Sob o asfalto bruto

um fio de vida ainda existe

tratado como subproduto

o rio que ainda resiste

 

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Publicado por AB Poeta às 01:10
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O laranjal

 

A família se afunda na sujeira

bandalheira à brasileira

 

E o filho da pátria

lava o dinheiro em laranjeiras

e limpa o catarro na bandeira

 

Há quem ladre a seu favor

sem vergonha do ocorrido

De joelhos e em louvor

brasileiro gosta de bandido

 

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Publicado por AB Poeta às 01:02
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Quinta-feira, 6 de Dezembro de 2018

Black Friday

 

Começou a #BlackFriday

vende-se, compre

e pague o preço, meu caro

 

Mais um produto barato

consumido pela multidão

Tudo foi liquidado

 

A Graça perdeu a promoção

sozinha no balcão

Amostra grátis de solidão

 

#AloneSaturday

 

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Publicado por AB Poeta às 20:51
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Aquífero paulistano

 

Límpida cai a chuva

na rua

e corre suja

ao rio invisível

 

Água viva

corrente ativa

um fio de vida

ainda possível

 

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Publicado por AB Poeta às 20:45
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Terça-feira, 9 de Outubro de 2018

Embate público

 

Os dois candidatos

mais votados

são os mais odiados

 

O que há com a nação?

Digo desamparado:

o Brasil é uma negação

 

Um país polarizado

pela limitação

Caso de despolitização

 

Democracia dá trabalho

ir atrás de informação

E brasileiro quer é churrasco

futebol, “descendo até o chão”

 

No país do rebolado

independente do resultado

vejo a pior previsão:

mais 4 anos de esperança

e de pura ilusão...

 

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Publicado por AB Poeta às 02:35
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Quarta-feira, 3 de Outubro de 2018

Efêmeros

 

A cidade diminui na noite

que escura se funde à fuligem

Céu e asfalto se unem

formando uma outra miragem

 

Que a cada passo se amplia

nos ecos dos passos passados

Personagens que somem ao dia

se avultam a novos pecados

 

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Publicado por AB Poeta às 02:42
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O mortiço

 

Quando será que a vida acaba?

Com a morte? Não creio

Tanta gente maltrapilha vaga

sem saber para que aqui veio

 

Carregar a própria existência

nos ombros, há quem não suporte

O peso do “ter que ser”, consorte

transcende qualquer essência

 

Sobreviver como indigente

na selva de pedra é penoso

A esmola, um prato, entorpecentes

ajudam amenizar o desgosto

 

Mas uma hora isso cansa

Abreviar o sofrimento é a opção

Quem vai lembrar daquela criança?

Era só mais uma, largada no chão

 

Seu nome? Rogério, Roberto... Enfim

o viaduto da santa foi o trampolim

Num voo curto e fatal, no paraíso

mais um precipitou o seu fim

 

Espatifou no asfalto da 23 de maio

Por um instante pararam em atenção...

Olharam e foi como naquela canção:

“morreu na contramão atrapalhando o sábado”

 

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Publicado por AB Poeta às 01:59
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Quarta-feira, 19 de Setembro de 2018

O rato roeu o rei

 

O tribunal pegou mais um

em sua ratoeira sem mola

Proferiu o juiz: “essa não cola”

“soltem o rato e o soltem no ato!”

 

Aqui tudo é premeditado

aliança, conchavo, propina

e quem morre nessa armadilha

travestida de justiça, é o gato

 

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Publicado por AB Poeta às 00:07
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Quinta-feira, 9 de Agosto de 2018

(O)Culto

 

Nunca via graça na lua

 

E o eclipse

secular

alterna entre lua e sol

o que há de novo nisso?

 

O que me impressiona

é que ainda há quem veja

significado

era após era

nos movimentos repetitivos

dos astros

 

O ser humano é um cão uivando ao nada

 

O ser humano é um cão uivando a

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Publicado por AB Poeta às 00:35
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Sexta-feira, 4 de Maio de 2018

Em ruínas

 

O prédio incendiou

desabou, caiu

Apagou a vida

que nunca existiu

 

Sem dinheiro para consumo

só serviu de insumo

para aproveitadores, políticos

e muitos movimentos

 

A miséria é a base do poder

e quem o tem, apodrece

Coitado dos desamparados no Paiçandu

que não é tão largo quanto parece

 

E a eterna ama de leite

na periferia da praça

ainda serve à casa grande

para o deleite da elite

 

O ranha céu, que já foi moderno

teve seu fim como “inferno”:

do luxo ao lixo

do lixo ao esquecimento...

 

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Publicado por AB Poeta às 23:20
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Long live Café Piu-Piu

 

O Rock’n’Roll está na veia!

No palco, muitas vertentes musicais

Expressão artística diversificada:

guitarra, sanfona, violinos, metais

 

No coração do bairro do Bixiga

um dos mais tradicionais

Café Piu-Piu, a sua marca

não saiu (nem sairá) de lá jamais

 

Clássico atrás de clássico

a plateia sempre clama

por mais um riff, um refrão

que acorde a noite paulistana

 

Tantos músicos aí tocaram

e muitos outros tocarão

Que suas portas permaneçam abertas

para quem tem a música como paixão

 

Long live Café Piu-Piu!

 

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Publicado por AB Poeta às 23:18
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Quarta-feira, 17 de Janeiro de 2018

Mão amiga

 

Não há tristeza que não acabe

Não há amor que não a depure

A mão estendida sempre amiga

tem a dose certa do que a cure

 

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Publicado por AB Poeta às 21:04
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Sexta-feira, 12 de Janeiro de 2018

O xis da questão

 

Entre o exótico e o erótico

está o xis da questão:

um tipo que diferencia

a extravagância do tesão

 

 

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Publicado por AB Poeta às 21:49
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