Manifestações consciente do inconsciente. Contos e poesia crônica.

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Sábado, 10 de Outubro de 2009

Estado crítico

Minhas dores... Ah, minhas dores. O que elas não me fazem passar. Fui novamente ao hospital público para mais uma vez tentar fazer minhas repentinas e aceleradas palpitações cardíacas decorrentes do stress (o mal do homem pós-moderno) diminuírem. Fui atendido até que rápido (e com direito a eletrocardiograma), fiquei aproximadamente 1h, o que para os padrões públicos e Standard de atendimento é pouco tempo.


Enquanto aguardava minha vez de ser atendido, uma pergunta me veio à cabeça: quem é que manda na saúde pública brasileira? Será que é o ministro da saúde? O governador? O prefeito, ou a sub-prefeitura? Senadores, deputados, vereadores...? O presidente? A população? Quem será, ou quem são esses indivíduos responsáveis pelo funcionamento do sistema de saúde? Nessa minha paciente espera pelo atendimento descobri quem é que manda, quem é que da as ordens, quem são os bam-bam-bans, os reis da cocada preta, responsáveis por esses órgãos: são os diretores dos hospitais, dos postos de saúde ou de qualquer outro tipo de repartição pública desse mesmo gênero (ou de qualquer outro também). Bem, você deve estar se perguntando: como esse cara chegou a essa conclusão? Vamos a ela, a explicação:


Sentado esperando no confortável banco de madeira, em meio aos outros sem convênio médico que pacientemente também esperavam sua vez, uma placa fixada numa das portas dentro do ambulatório me chamou a atenção, nela estava (ou está ainda) escrito – ATENÇÃO SR. USUÁRIO, NÃO FORNECEMOS ATESTADO MÉDICO, FAVOR NÃO INSISTIR, ATENCIOSAMENTE, A CHEFIA DO PRONTO SOCORRO ADULTO. De primeiro momento não dei muita bola, mas como nosso cérebro nunca para de processar as informações adquiridas, comecei a desconfiar que havia algo de errado naqueles dizeres. Segundo ela, a placa, o hospital não fornece atestado médico, e imagino que essa atitude foi tomada pelo número excessivo de pessoas que pedem o mesmo, o que não quer dizer nada também, já que é notório que todas as repartições de saúde públicas são lotadas, então todos os serviços solicitados nelas sofrerão uma demanda muito grande. Fotografei a placa utilizando meu ultra-moderno celular, sai de lá e segui a caminho de casa. Chegando fui direto perguntar ao oráculo do século XXI, o Google, sobre o fornecimento de atestado médico e averigüei o que já desconfiava: o hospital estava (ou ainda está) infringindo a lei. Segundo a resolução nº 1.658/2002 do CFM (Conselho Federal de Medicina),
“o atestado médico é parte integrante do ato médico, sendo seu fornecimento direito inalienável do paciente, não podendo importar em qualquer majoração de honorários.”


Fiquei me perguntando: para que são feitas as leis, já que cada um faz o que quer? Se você for analisar quem é que manda no Brasil, vai ver que são os chefes das repartições públicas, porque são eles quem fazem à máquina estatal “funcionar”. Hospitais, escolas e as demais repartições estão todas a mercê de seus diretores. As leis que as regem parecem que nem existem, que não tem utilidade.


O CFM se reuni e define que o fornecimento do atestado médico é obrigatório, é um direito do paciente, mas o chefe do departamento do pronto socorro, que é quem faz o serviço “andar”, acha que não, tem muita gente “pedindo” a toa, então não vamos mais fornece-lo. Isso é no mínimo absurdo. Se eles acham que tem muita gente “pedindo” sem ter nenhum tipo de enfermidade, que estão solicitando o atestado só para conseguir matar um dia de trabalho, que atestem somente as horas em que o indivíduo esteve no local, agora fazer uma placa dizendo que não vão mais fornecer a ninguém, e ainda pedem para não insistir! Ai é brincadeira! O pior não é só a direção do hospital tomar essa atitude, é também a omissão da classe médica que se auto-infringe. Será que não teve um médico que indignado com essa decisão pôs-se contra a direção? Eu não estava lá para saber se teve ou não, mas pelo jeito... A placa estava lá (ou ainda está).

 

O que será que leva alguém a querer ser médico hoje? Amor à profissão ou glamour? Aquele médico que tem como princípios salvar vidas, acho que está ficando raro. Se é que ele existiu um dia. O que a maioria quer mesmo é o glamour, o status que a prática médica tem em nossa sociedade pós-moderna. Eles devem ter achado foi é bom, esse lance de não dar mais atestado. Eles vivem reclamando que ganham pouco. Se estão descontentes com o ordenado, então caiam fora! O médico que trabalha com má vontade prejudica muita gente.


Fora que não consigo entender como alguém que estuda tanto para ser médico pode ter uma letra tão, mais tão horrível. Deveria ser exigido do médico que ele escrevesse de forma legível. Geralmente ficamos sabendo qual remédio foi receitado somente na hora da compra, porque o farmacêutico é o único que consegue decifrar os garranchos. Deve ter um ou outro por ai que se preocupa em escrever de maneira legível, mas se for ver pela maioria...


Pensando bem, acho que o pior mesmo é saber que a população que paga imposto e usa o serviço público nem faz idéia de que aquela placa é um sinal, ou mais um sinal, do desrespeito com que os órgãos públicos tratam seus usuários. Se a população soubesse dos seus direitos, de que nós é que somos os “patrões” do estado, placas como essa não durariam muito.


A saúde brasileira segue entubada na UTI, seu estado é crítico e os médicos responsáveis pela sua recuperação estão mais preocupados em receberem o soldo e em exibirem seus diplomas, pendurados nas paredes de seus frios consultórios. Os populares que precisam desses serviços seguem ajoelhados, rezando para que tudo melhore em suas vidas. A fé ajuda, é fundamental em nossa existência, mas as coisas só vão mudar de verdade quando substituirmos as bíblias, livros de auto-ajuda ou qualquer outra coisa do tipo, pela constituição da república federativa do Brasil, que é o livro que rege nossa coletividade.
Minhas dores... Ah, minhas dores.

 

Hosp. São Luiz Gonzaga - SP/Capital - 25/09/09

 

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Segunda-feira, 28 de Setembro de 2009

Eterna brincadeira

Sentado na antiga poltrona da sala, observava saudoso a velha foto. Era ele, com o braço estendido segurando uma flor, e seu pai, agachado abraçando-o sorridente. Na época deveria ter entre cinco ou seis anos, não lembrava exatamente. De fundo, um enorme e vivo jardim colorido, que numa distante e quase esquecida infância foi seu universo de brincadeiras, um mundo de diversões. Não sabia mais quando foi à última vez que esteve ali. As poucas lembranças eram esfareladas, e no decorrer dos corridos anos a casa havia mudado muito, o que não o ajudava a trazer de volta alguns flashs do passado. O antigo e alegre jardim hoje é uma pavimentada e espaçosa garagem, toda coberta, e no lugar das flores e ervas cidreiras há um monte de ferramentas e outras bugigangas empoeiradas, todas esperando que um dia haja uma ocasião em que possam servir para alguma coisa. Debaixo do duro e insipto cimento repousam boas lembranças vespertinas de épocas há muito vividas.

 

Sua vida adulta era asfixiante: doze horas para mais de trabalho, trânsito, os filhos na escola, esposa, contas e mais contas... O lazer programado... Muitas prioridades, responsabilidade sobre responsabilidade. O tempo era escasso. Tê-lo “livre” era coisa rara, virou artigo de luxo. O gesto do garoto no retrato lhe ofereceu um momento nostálgico de íntima alegria infantil. Fechou o antigo álbum e guardou-o na parte baixa da estante, junto ao tricô disforme e inacabado.


Venha, vamos cantar parabéns - chamaram-no para junto da família reunida em volta da mesa. Olhou as velas no bolo, 9 e 1. Apesar de saber a idade que sua avó faria, ficou impressionado com o número. A aniversariante olhava para as pessoas em sua volta, mas não reconhecia mais quase ninguém. Ele achava aquilo curioso: apesar daqueles rostos para ela não serem mais familiares, sempre respeitava as ordens da filha mais velha, e quando era chamada de mãe sempre olhava de volta. Deveria ser o instinto materno, talvez ele nunca desapareça... Algo assim.

 

No começo foi duro para que entendessem o que estava acontecendo. Ela esquecia os nomes de todos, perguntava a mesma coisa uma série de vezes, guardava sapatos na geladeira, temperava o feijão com detergente... Foi um período complicado. Depois da confirmação as coisas ficaram mais claras, porem, não menos sofridas. A doença degenerativa era irreversível, e estava em estágio avançado. O mal genético estaria com ela até o fim. Mesmo acompanhando os acontecimentos de longe, erra difícil aceitar isso. Ele entendia agora o que significava ter medo da morte.


É estranho, sabemos que vamos morrer, todos morrem, mas quando a morte é uma realidade próxima, o medo vira uma presença constante. O que será que se passa na cabeça dela... Fica o dia todo com uma boneca na mão tratando-a como um filho. Banha-a, lava as roupas, fica horas conversando... Está presa num mundo só dela. É perturbador. Não lembro a última vez que ela falou comigo. Não sou visita freqüente, não tenho muito o que lembrar também... Pareço com ela: não me recordo de um monte de coisas que aconteceram dentro dessa casa. Esqueci. Passei aqui muitas tardes, correndo de um lado para o outro, só parava com os gritos de faça mesmos algazarra menino. Tempos que... Acho que troquei as lembranças que vivi aqui por um punhado de informações absorvidas num cotidiano burocrático, de tarefas consecutivas que precisam somente serem passadas à frente. Nesse ambiente caótico, os arquivos é que se encarregam das lembranças. Não me recordo dos gostos das comidas que ela preparava e que formaram meu paladar. Doces de sobremesa e bolos para comer com o café feito no coador de pano, aqueles sabores cuidadosamente feitos pelas matriarcais mãos dedicadas, nunca mais os sentirei. Os cheiros, que enchiam a casa durante o preparo... Aromas únicos de dar água na boca... Nunca mais. Gradativamente fui reeducado pela rapidez dos pratos semi-prontos, e hoje meu olfato se contenta em sentir o odor de cremes e loções. Olho para meus parentes, mas também não lembro da maioria. Quase todos, para ser quase exato. Fora um ou outro mais próximo que ainda converso, os demais trato-os como primos, e mais nada. Não existe proximidade, além disso. De quantas coisas ela já não tem mais consciência: crise mundial, política, aquecimento global... Ela nem faz idéia do que esteja acontecendo com o mundo, catástrofes... Deve ser bom não ter que se preocupar com isso. A morte... Ela também não tem conhecimento sobre o que esta por vir. A tão assustadora morte, de olhar frio, capuz preto e foice na mão, não é ninguém para ela. Nada. Parece irônico. Todos os medos e neuroses que sentimos, em seu mundo de brincadeiras, não existem. Assim como eu, ela também não lembra do jardim, mas diferente de mim ela não tem o desprazer de saber sobre os acontecimentos desumanos que ocorrem a toda hora, e que são jogados na nossa cara durantes os noticiários, narrados com ódio e em tom indigno, e que ressoam demagogo aos ouvidos. Segregações, fobias, intolerância, Hiroshima e Candelária... Nada disso mais... Nem céu nem inferno. O que para ela é real é sua eterna brincadeira. Está segura em seu solitário e rico mundo imaginativo. E eu, tenho que lembrar que não lembro de muitas coisas que um dia foi o meu mundo... Meu mundo de brincadeira feliz e real e que aos poucos foi sendo substituído e esquecido por algo que nem sei mais como chamar. Dizem que essa loucura diária é que é a realidade...


Ele logo voltou a si... Olhou para ela e sorriu. Ela o sorriu delicado de volta. Sentiu um alívio interior por saber que ela de certa forma está segura, longe dos problemas criados pelas megalomanias humanas. Voltou à atenção para a festa e tranqüilo juntou-se ao coro dos esquecidos:


- Paaarabéééns praaa vo-cê...

 

 

Baseado no conto Diagnóstico de Helga Belivacqua

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publicado por AB Poeta às 19:04
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Quarta-feira, 15 de Julho de 2009

Frio

Num salto olímpico levantei da cama, por volta das quatro da manhã. Acendi a luz, com pouco fôlego: coração disparado, corpo formigando, tremedeira, tom amarelado, boca seca... A sufocante sensação era horrível. Acordei o mais próximo, pedindo ajuda. Todos na casa acordaram. Rápido, levaram-me ao hospital. Levei comigo uma garrafinha d’água, para manter a garganta úmida. Fui quieto, suportando a pressão no peito. Chegamos pouco mais das cinco. Só havia eu de paciente (então não havia fila, nem público). O segurança orientou-me para que fizesse a ficha de atendimento. Acordei o funcionário do guichê, passei meu RG e outros dados. Fui até o Pronto Socorro, sentei-me num banco de madeira morta, esperei. Naquela madrugada fazia muito frio, fiquei encolhido bebericando minha água. Segurava a garrafa como se fosse à mão de alguém que me ajudava, que mantinha-me vivo. Não havia ninguém pronto em socorro para atender-me. O médico de plantão estava cuidando dum que chegou todo estropiado no carro do resgate. Pobre infeliz. Teve a “beira da morte” como vantagem.


O corredor em que eu aguardava estava limpissimo, um brinco. As paredes pintadas recentemente davam um ar de “novo” ao local. O silêncio, quase absoluto, foi quebrado pelos gritos duma senhora que chegou urrando de dor. Acomodaram-na perto de mim, mas ela não parava em nenhuma posição, só contorcia-se e chorava. Os gemidos dela entraram ríspidos pelos meus ouvidos, misturaram-se a minha agonia, e passaram a ser meus também. Compartilhávamos o sofrimento, pois no local não havia uma alma penada que escutasse nossas suplicas. Os poucos funcionários ali de plantão, passavam indiferentes ao que acontecia. De repente senti tudo frio: o glacial tempo, a luz refletida no fleumático brilhoso chão, colaboradores insípidos... O arrefecido Eu calou-se. Para cuidar da calorosa condição humana é preciso ser uma pessoa fria... Ser gélido. Não há espaço para a compaixão, ninguém recebe soldo para ser complacente. Bondade não é ofício. O descaso impera no templo do auxílio público. O estado é crítico; a massa é surrada; e a alma do servidor é de pedra. A senhora ao meu lado parece que ouviu meus pensamentos, e acabou vomitando de indignação. Expeliu queixume. Um balde velho, utilizado como cesto de lixo, amparou-a, servindo-lhe como amigo.


Nunca me senti tão só. Se eu fosse um saco de coisa qualquer jogado no chão, alguém viria me apanhar e colocar-me no lugar certo. Mas sou gente, e o frio me tornava invisível. Meu coração apertou mais, e num ato solitário de auto-socorro, derramei uma lágrima. Ela escorreu quente no meu tremulo rosto, até tocar em meus lábios. O sal quebrou a insipidez incomoda daquele começo de dia. Não quis mais estar ali, levantei-me e segui em direção a saída. Quando passei pela porta, o segurança olhou-me e perguntou se eu não iria aguardar mais um pouco; respondi-lhe que se só há defuntos no velório então não há velório. Segui em frente, voltei para casa. Queira descansar em paz, num lugar onde o frio fosse apenas uma sensação térmica.

 

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Quarta-feira, 27 de Maio de 2009

Doe Órgãos

De continuidade e vida...

 

 

 

www.saude.gov.br

 

Esta peça está no desenhell, clique aqui e vote, para que ela alcance o "desenheaven"!

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Segunda-feira, 30 de Março de 2009

Legalização do aborto

Um dos assuntos mais polêmicos, e que é pouco discutido pela sociedade, é a questão sobre a legalização do aborto no Brasil. Em países ditos desenvolvidos essa questão já está em outros patamares. Nos EUA, por exemplo, o aborto é uma prática legalizada, o que não deixa de ser polêmico também, já que seus fervorosos opositores, na sua maioria religiosos, não deixam o assunto dado como encerrado.


Essa questão deixa exposta a grande diferença que há entre liberdade e democracia. Essas duas palavras meio que são entendidas como derivadas, mas na realidade, quando aplicadas, seus efeitos são geralmente contrários. A mulher que estiver grávida e desejar fazer um aborto, no Brasil, ela não o pode, pois existem leis que a proíbem de tomar tal atitude. Entende-se então que essa mulher não tem total direito sobre seu próprio corpo, não é “livre” para tomar decisões que afetam diretamente seu estado físico, sua vida social e particular. E o que gerou essa proibição? Uma lei que foi elaborada partindo de princípios democráticos! Mas, espera ai: a democracia é o regime que garante liberdade para seus regidos, mas essa mulher que quer abortar não tem liberdade para agir sobre seu corpo. Contraditório não? Não! A democracia faz valer a “vontade da maioria”, e quando você vota, você abre mão de sua liberdade, de seu direito individual e privado, para fazer valer a vontade da maioria. E como a vontade do povão, que é a maioria (mas ainda não percebeu isso), é a não legalização do aborto, então... Liberdade e democracia são idéias quase antagônicas. São paralelas: só se cruzam num distante e inatingível infinito.


Um grande problema, e acredito que seja o mais grave e longinquamente insolúvel deles, é que nossa sociedade não tem base cultural, nem informação suficiente para discutir essa questão. A maioria da população é semi-alfabetizada (estou sendo otimista), mal conseguem entender um misero parágrafo e articular uma frase com sujeito e predicado. Somos uma nação semi-alfabetizada do Gari ao Presidente da República, o que torna ainda mais distante qualquer tipo de entendimento sobre essa ou qualquer outra questão.


Algumas semanas atrás a questão da legalização do aborto foi levantada em sala de aula, o que gerou certa discussão. Metade acha que o aborto não deve ser legalizado, outra metade acha que não, que tem que legalizar. No meio do sim e do não apareceu somente eu com esta opinião: acredito que o homem (sexo masculino) não tem o direito de opinar sobre a questão do aborto, acredito que seja um assunto que tem que ser resolvido totalmente pelas mulheres. Fui questionado, por acreditar que não tenho o direito de opinar. Disseram-me até que estava tirando o corpo fora, correndo do assunto. Mas não é nada disso. Vou tentar esclarecer o por que dessa minha visão não opinatória sobre o aborto.


Vamos imaginar a seguinte situação: um cara qualquer sai com três mulheres, uma de cada vezes, e acaba engravidando-as. Esse cara será pai de três filhos ao mesmo tempo, e a única coisa que a lei o obrigará a fazer é pagar uma pensão alimentícia para seus futuros filhos. Suponhamos que esse futuro pai ganhe dois salários mínimos por mês e colabore na criação dessas crianças com um terço do salário. Todo mês ta lá: sua contribuição esta depositadinha, certinha, e esse nosso amigo livre de qualquer obrigação além pensão, e bem longe de ser preso. A lei está feita, seguida e cumprida! Mas me respondam: com essa quantia que é paga como pensão dá para criar um filho? Claro que não. E todo o peso da criação, responsabilidade, vai ficar a cargo de quem? Da mãe, claro! A lei obriga o pai a pagar a pensão, mas não o obriga a criar o filho, a dar amor ao filho, a dar atenção ao filho. Não o obriga nem a sequer a olhar para o filho. E qual é o peso social, a estigma, que um homem desse carrega? Nenhuma! No máximo vão chamá-lo de pai ausente, e mais nada...


A mulher carrega toda a estigma de ser mãe solteira, carrega todo o peso da criação, da formação, da educação da criança. Além de, claro, ter que dar amor, atenção, carinho, afeto, estar presente, coisas que a legislação não a obriga fazer, mas que as invisíveis leis sociais, que são as piores, cobram-na de maneira desumana.


Existem casos de mães que entregam (abandonam) seus filhos em orfanatos, igrejas, associações, e outras acabam indo muito além disso (acho que não preciso entrar em detalhes). Não defendo isso, mas pensem na estigma que uma mulher dessa carrega. Uma mãe que toma essa atitude será marginalizada para o resto de sua vida. Mesmo se for atrás do filho depois, arrependida. A sociedade não absolve uma mãe dessa, ela esta para sempre condenada a ser uma “desgraçada”... Mas e o pai? Cadê ele? Ninguém o cobra de nada? Não! A sociedade é tão machista que joga toda a carga ruim nas costas da mulher. A mãe solteira, por mais amor que dê ao filho, sempre será vista pela sociedade como uma “mãe solteira”, no sentido mais pejorativo possível da palavra.


Partindo dessa visão, acredito que o homem não tem nenhum direito de opinar sobre a questão da legalização do aborto, esse assunto tem que ser discutido, de forma séria, única e total pelas mulheres. São elas que tem que tomar as rédeas dessa discussão.


Outro lado ruim dessa questão é que muitas mulheres, que não tem condições de pagar para fazer um aborto mais seguro, em clinicas clandestinas, morrem de complicações (hemorragias) após abortarem. Um estudo realizado pela Federação Internacional de Planejamento Familiar mostra que setenta mil mulheres morrem por ano decorrentes de complicações pós-aborto, e todas em paises onde a pratica não é legalizada. No Brasil 63,8% das mortes maternais são registradas no nordeste e 9,5% dessas são de complicações pós-aborto.


O jornalista Gilberto Dimenstein, no livro Cidadão de Papel, mostra o relato da advogada Ana Vasconcelos, que realizou um trabalho social junto a meninas prostitutas no nordeste. Segue abaixo o estarrecedor relato:

 

MENINAS PROSTITUTAS

 

Quando começou a cuidar de meninas prostitutas em Recife, a advogada Ana Vasconcelos ficou intrigada ao ouvir uma expressão desconhecida e usada como sinônimo de aborto. De fato, é uma palavra estranha: "pezada".


Ela acompanhava uma descontraída conversa entre duas meninas. Uma delas contou que há dias tinha feito um aborto e, enfim, estava livre da gravidez que lhe tirava clientes da rua:


- Como tirou? - quis saber a menina que ouvia o relato.
- Foi com "pezada" - respondeu.
Ana se aproximou, curiosa. E perguntou:
- O que é "pezada"?


A advogada ficou estarrecida com a explicação. "Pezada" era levar um chute forte na barriga. Era um meio, segundo a menina, fácil e certeiro de fazer aborto. E, ainda por cima, barato - não necessitava de médico. Bastava a ajuda de alguém que se dispusesse a dar uma "pezada", o que não era difícil.


- Passei algumas noites sem dormir direito quando me contaram essa história de "pezada" - relembra Ana Vasconcelos, que, em Recife, trabalha há vários anos com meninas prostitutas, tentando recuperá-las para o mercado de trabalho.


Ela fez pelo menos três descobertas sobre o aborto estilo "pezada". Com os médicos que atendem em prontos-socorros públicos, soube que uma grande quantidade de meninas que se submetia a chutes no estômago era internada com infecções e hemorragias. Soube também com outras meninas que esse método era difundido entre prostitutas do Recife por ser barato.


A descoberta que mais a espantou, entretanto, foi como muitas delas se submeteram á "pezada". Ela entrevistou prostitutas e acabou descobrindo que os policiais do Recife provocavam muitos abortos com "pezadas", quando, por acaso, brigavam com meninas prostitutas grávidas.

 

A guerra dos meninos, Gilberto Dimenstein


Depois de ler tudo isso, você (homem) ainda acha que tem o direito de opinar sobre a questão da legalização do aborto no Brasil?
Nem ciência nem religião, essa questão tem ser posta a mesa e resolvida por vocês mulheres. Diante de vocês, sinto-me na obrigação de agir da única maneira que acredito que seja útil: ficando de boca calada!

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publicado por AB Poeta às 19:05
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Quinta-feira, 28 de Agosto de 2008

De continuidade a vida... Doe Órgãos e tecidos

 

 

Banner refeito, com uma nova mensagem inscrita num túmulo: "aqui seus órgãos não tem serventia alguma". A diferença de cores entre as gramas é uma indicação do caminho que deve ser tomado: o da doação!

 

* Até onde eu sei, ainda não fizeram caixão com gaveta, então galera, vamos doar os órgãos, chega de ignorância sobre o assunto. Dessa vida não se leva nada!

 

Clique e entre em nossa comuinidade do Orkut

 

  

***FAZER O BEM SEM OLHAR A QUEM***

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publicado por AB Poeta às 19:55
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Doe órgãos e tecidos

 

 

Campanha governamental feita para propagar informações sobre a doação de órgãos e tecidos.

 

A imagem acima é um panfleto, frente e verso, contendo as informações principais sobre, e como, doar.

Com a imagem da esquerda seria feito um banner, distribuído em todos os órgãos públicos, juntamente com os panfletos. Essa distribuição seria feita, principalmente, em escolas de primeiro e segundo grau, para desmistificar o assunto junto as crianças, jovens e adolescentes. Com essa ação, esse assunto seria, consequentemente, levado por eles às suas famílias, abrindo assim uma discussão e propagando ainda mais as informações sobre doações de órgãos e tecidos.

 

Texto que apresentou a campanha ao nosso coordenador do curso de Publicidade & Propaganda:

 

A falta de informação sobre a doação de órgãos e tecidos faz com que a fila de espera, que já passa de 75.000 pessoas, aumente cada vez mais. Dependendo do órgão necessitado, a média de espera vai de 5,5 a 11 anos. Quase 2.000 pessoas morrem todo ano por não conseguirem um transplante. O número de transplantados chega a 11.000/ano, mas infelizmente é um número que não caminha a passos largos. A média de doadores é de 5,4 por milhão de habitantes, e pode aumentar com mais informações a respeito do assunto.
Esperamos, através dessas campanhas, levar o maior número possível de informações sobre o assunto, a fim de diminuir as dúvidas, mitos e preconceitos sobre a doação de órgãos e tecidos. Tomando essa atitude acreditamos que é possível elevar o número de doadores, encurtando assim o tempo de espera por um órgão, diminuindo o sofrimento dos necessitados e de suas famílias.

 

Esta foi uma outra proposta de imagem dentro do mesmo contexto:

 

 

Camiseta:

 

 

 

Agência idealizadora:

 

 

Pratiq Comunicação é:

 

Ana Carolina

André Alves

Bianca Petterman

Cinthia Pauli

Eliana Rodrigues

Leandro Altieri

Renato Eudes

 

 

 

 

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publicado por AB Poeta às 19:23
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