Manifestações consciente do inconsciente. Contos e poesia crônica.

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Segunda-feira, 23 de Janeiro de 2017

PEC(ados)

 

Dentro do pecado

há uma PEC

Dentre os deputados

há vários pecados

 

Abaixo dos pecadores

tem o povo, no calvário

que nunca aprendeu

e que pagará pelos pecados

que ele mesmo elegeu

 

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publicado por AB Poeta às 23:48
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Quinta-feira, 26 de Fevereiro de 2015

repartido

 

se o partido não toma

partido por você

por que você toma

partido pelo partido?

 

partido por

partido

melhor nós não

estarmos repartidos

 

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publicado por AB Poeta às 23:57
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Quinta-feira, 25 de Dezembro de 2014

...

 

acho que um dia a

ideologia

acaba porque o

tempo passa...

a gente cresce e...

ah, a vida é assim mesmo.

 

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publicado por AB Poeta às 00:25
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Domingo, 14 de Setembro de 2014

belicismo

 

entre

o bucólico

e o bélico

a guerra

que queima napalm

da mão de

poucos

 

aflito

nada belo conflito

no (w)ar

 

 

 

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publicado por AB Poeta às 17:48
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Segunda-feira, 10 de Fevereiro de 2014

mais do mesmo

 

difícil hoje olhar os políticos

e ver algo no governo bom adiante

em seus negócios e atos recíprocos

todos são farinha do mesmo traficante

 

 

(quando se culpa um

se inocenta o outro)

 

 

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publicado por AB Poeta às 00:34
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Domingo, 19 de Janeiro de 2014

levante

 

ódio raiva rancor

toda dor da humanidade

 

a infelicidade faz o corpo

social se mexer

mover-se com indignidade

 

a favor da igualdade? talvez

mas de vez pela mudança

no mundinho pobre da esperança

não espere nada da felicidade

 

a raiva é que vai nos salvar

(levante ante o Leviatã)

 

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publicado por AB Poeta às 22:07
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Sábado, 12 de Outubro de 2013

presente

 

no dia das crianças

ganhei um martelo

 

prego atrás de prego

prego meu destino

na cruz

 

mais um menino

Jesus

com presente

sem futuro

 

publicado por AB Poeta às 16:18
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Sexta-feira, 21 de Junho de 2013

Ao Joseph Blatter

 

Aê Blatter, sabe o que é

sabemos como fazer

manifesto, agora acontece!

 

Aqui Joseph se chama José

na zabumba é que se usa o "Z"

e Brasil se escreve é com "S"!

 

 

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publicado por AB Poeta às 05:22
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Sexta-feira, 14 de Junho de 2013

Estorinha

 

o verbo

o déspota

o filósofo

o mártir

o rei

o desbravador

o burguês

o clérigo

o amor

o alienado

o intelectual

o sonho...

 

a utopia criou ideais e

em seu nome

mataram pessoas

 

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publicado por AB Poeta às 02:46
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Sexta-feira, 12 de Abril de 2013

Feliciano

 

Infeliz esse ano

que humanos ditos direitos

ditam direitos ditos humanos

 

Infeliz esse ano

Infeliz humano

Infeliciano

 

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publicado por AB Poeta às 02:16
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Sábado, 12 de Janeiro de 2013

Abala

 

I

 

Quem não gostar
que atire
a primeira jujuba

 

E tiro sim
a atenção delas
com uma travessura

 

As crianças na janela
não querem mais balas...

 

 

II

 

Na janela
que (h)aja nela
esperança

 

 

 

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publicado por AB Poeta às 00:11
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Domingo, 27 de Maio de 2012

Mídia imunda

 

Mídia imunda

inunda a vida com qualquer notícia

com malícia enrustida a muitos informa

trafica, rubrica, fuxica, degola  

mas na verdade forma o tolo e o deforma

 

Mídia imunda

velha corcunda que tudo fabrica

de segunda a segunda diz que explica

mas só complica e nunca aprofunda

glorifica aquele que a ajuda

 

Mídia imunda

exalta aquele de seu interesse

diverge de outro e o afunda

com papo-furado e sempre rotunda

tudo publica pra sua benesse

 

Mídia imunda

ao que me parece o povo padece

de sabedoria, maioria carece

no texto a inverdade se multiplica

de mentira em mentira a trama se tece

 

Mídia imunda

não falta palavra que a qualifica:

rica, vadia, profana, nauseabunda

de todas que existe a que mais combina

é: midiazinha vagabunda!

 

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publicado por AB Poeta às 05:02
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Sexta-feira, 30 de Março de 2012

Nada é limpo no Olimpo

 

Odin, Deus da guerra, Deus da morte

Edificou seu trono, com sorte

Comprou fundos e mundos

inclusive o terceiro

tornou o céu imundo

é o maior dos bucaneiros

 

Thor, filho de Odin

brinca no jardim

corre e diverte-se

de dia, de noite, a tardinha

pisando em formiguinha

 

A família mitológica

mostra nossa lógica:

quem tem posses tudo pode

pela estrada galopa alado

quem não tem, mendiga vintém

morre só e atropelado

 

O martelo da justiça está na mão do justiceiro

trono feito com ouro de garimpo

Nada é limpo no Olimpo

 

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publicado por AB Poeta às 14:01
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Sábado, 25 de Fevereiro de 2012

Veto voto

 

Em meu veto vive um feto

gerado pelo desafeto

do atual ato político

 

Crítico critico porque

meu veto feto

do bem devoto

quer vivar voto!

 

Mas nesse cenário escroto

meu veto feto

futuro voto

continuará aborto

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publicado por AB Poeta às 19:07
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Sexta-feira, 25 de Novembro de 2011

Patriotismo

 

Por que deita-se em tantas camas

e a mim se mostra tão hostil?

 

De quem te explora, é eterna mucama

e ainda canta “longe vá temor servil”

 

Eu que levo a bandeira com flama

sucumbo à vontade do covil

 

Tem que mudar esse panorama

porque ser patriota no Brasil

é amar a quem não te ama

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publicado por AB Poeta às 21:08
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Terça-feira, 6 de Setembro de 2011

Tapa na cara

 

Um milhão virou troco de bala

parece que nada abala a nação

que vê sua plantação encher a mala

da galinha que, de milhão em milhão

não se engasga, papa um bilhão!

 

Descaso pleno no plenário

da câmara que perdoou a ladra

que ladrou: “todos aqui são como eu!”

deputados, fariseu por fariseu

todos de rabo preso, pelo voto secreto

garantido imoralmente por decreto

a ave de rapina absolveu

 

Um horror que nos diz:

é culpada, é!

E chora, a atriz

afia a navalha

degola o país

ganha a batalha

sorri, a meretriz

invencível, Jaqueline Roriz

 

Será que um dia isso pára?

Corrupção, mensalão, absolvição

acho que já se acostumou a nação

a tomar tapa na cara

e ficar quieta, olhando pela televisão...

 

(E agora, José?)

 

 

 

 

 

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publicado por AB Poeta às 14:21
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Quarta-feira, 13 de Abril de 2011

Siameses antagônicos

 

Comunismo

Consumismo

 

Como isso?

Anagrama.

 

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publicado por AB Poeta às 20:33
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Quinta-feira, 2 de Setembro de 2010

Tiriricando

 

Tiririca: pior do que está não fica?

Claro que fica! Isso não se aplica

Na vida real de quem não tem um real

 

Quem vota em Tiririca

Abdica da mudança

Depositando a esperança

No que nada frutifica

 

Se continuar assim, logo mais

Aparece aquele rapaz

Do Adocica, meu amor, Adocica...

Rebolando em nome da paz

 

Política é coisa séria

E seria melhor sem essa cantoria

Prejudicial e sem graça

Que promete tudo de graça

A quem tem pouco na vida...

 

Tiririca, sem essa

Não vote em promessa

Senão ai sim complica

Fica aqui a dica!

 

PS: A Mulher Pêra, caso eleita, se transformará num Abacaxi que levará 4 anos para ser digerido...

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publicado por AB Poeta às 16:29
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Sexta-feira, 23 de Abril de 2010

Pão com manteiga

 

- Sai da frente, caramba! – apressado, pensou sobre uma senhora que atrapalhava a passagem na escada rolante. Sem paciência alguma, driblou a “vovó” e saiu da estação. Na Praça da Sé deu de cara com um senhor vendendo a sorte:

 

 – Vaca, galo, porco; vaca, galo, porco, olha o bilhete premiado! – o rapaz se aproximou e perguntou.

 

- É, por favor, aonde fica o Poupa Tempo?

 

- É logo ali, só atravessar a rua. – apontou com a mão.

 

- Obrigado. – Saiu com passos rápidos.

 

Chegando, ficou irritado ao ver o número enorme de pessoas no local, e com o excesso de informações sinalizadas nas placas, que mais atrapalhavam do que ajudavam. Foi ao balcão de informações:

 

- É, com licença, bom dia.

 

- Bom dia! O que posso estar fazendo para ajudar o senhor? – disse a moça.

 

- Como faço para renovar minha habilitação, para onde me dirijo aqui?

 

- É muito fácil – disse a garota com um sorriso maravilhoso nos lábios - o senhor segue pelo corredor A, vai ao posto B e retira a senha, preenche o formulário C, pega a guia D e paga no banco E, depois faz o exame médico no posto F, volta para o posto A e aguarda a sua senha ser chamada no painel G referente ao balcão H. É muito rápido e simples.

 

- Ok! Vou lá então. Muito obrigado. - respondeu pensando: puta que pariu, é hoje que não saio daqui. - Foi até o primeiro local indicado.

 

Depois de todo o procedimento feito, sua senha foi chamada, no balcão entregou o comprovante para a atendente:

 

- Hummm... o senhor fez o CFC?

 

- CFC? Não. O que é isso?

 

- É o curso de formação de condutores. Todas as habilitações emitidas de 1999 para trás terão que estar fazendo o CFC.

 

- Caramba... E como faço isso.

 

- O senhor vai até o Detran, no Ibirapuera, e pode fazer lá, depois volta até aqui e retira a habilitação.

 

- Ir até o Detran! Isso vai levar mais de um dia, não tenho todo esse tempo disponível!

 

- Ou então... o senhor pode estar fazendo numa auto-escola, que tem logo ali, do outro lado da rua.

 

- Certo. Obrigado.

 

Saindo do Poupa Tempo viu um cara de chinelo e bermudão falando sobre exames relacionados à carteira de motorista:

 

- Opa grande, aonde é que faço esses exames?

 

- Opa chefia, é logo ali, leva meu cartão aqui ó, é rapidinho lá.

 

- E quanto custa esse “exame”?

 

- Cem conto dotô, é o mais barato aqui da região.

 

- Certo! Obrigado. - foi até o local indicado no cartão.

 

Chegando, estranhou o local, era nitidamente uma garagem adaptada para escritório, feito com algumas divisórias. Haviam três “salas”: na primeira, falou com o proprietário do negócio e acertou o pagamento. A segunda estava vazia. Na terceira fez o teste:

 

- O senhor, por favor, desliga o celular, esvazia os bolsos e coloca tudo sobre esta mesa. Depois sente-se nesta cadeira, com as mãos sobre os joelhos. A câmera estará lhe filmando o tempo todo. – o rapaz ficou assustado com tamanhos cuidados tomados por parte do contratado.

 

Após todo o ritual feito, o contratado respondeu às questões da prova para o contratante e disse – aguarde aqui uns 20mim, eu já volto. O rapaz obedeceu apreensivo, já que estava só, numa sala esquisita e sendo filmado. Pensou tudo quanto era desgraça – vão me pegar aqui, estou ferrado! Vou aparecer no Fantástico, Datena, no Ratinho... – até que o cara voltou:

 

- Pronto! Aqui está seu certificado.

 

- Já! Que bom! Rápido né.

 

- Rapidinho!

 

Correndo voltou para retirar o documento:

 

- Aqui está o certificado – a atendente conferiu, anexou ao resto da papelada e entregou a habilitação.

 

- Obrigado! – respondeu.

 

Ao sair, correndo, para voltar ao trabalho, já no horário da tarde, olhou para o documento e pensou – caramba, deveria ter trocado essa foto.

 

Esse texto foi feito para a oficina Escrevivendo, e teve como tema "corrupção".

 

publicado por AB Poeta às 02:50
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Segunda-feira, 19 de Abril de 2010

Puta parteira

 

A puta que pariu

O filho da puta

Era mãe solteira

Neta de avó solteira

E filha de terra solteira

 

Nesse puta país

Sem pais

Os filhos que brotam

Nascem órfãos

Pela própria natureza

 

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publicado por AB Poeta às 14:26
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Domingo, 11 de Abril de 2010

Patriotismo sazonal

 

Corre, corre, correee

Toca, toca, toca

Vai, vai, vaaai

Chuta, chuta, chuta

Goooooooooooooool

 

É campeããão

É campeããão

É campeããão

 

Fome verde

Sorriso amarelo

 

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Sábado, 3 de Abril de 2010

Navalha na carne

 

Minha carne navalhada

Cirurgicamente fatiada

Brilha vermelho vivo

Depois dos golpes

 

Bruta peca

Quando penetra

A rosa

 

Exposta

Dilacerada

Minha carne navalhada

Já não sangra mais como antes

 

O levante subcutâneo

Reformulou minha massa

Desnavalhou minha carne

Rejuntou meu ser

 

A navalha que atinge a maioria

Corta rente meu olho que

Sangra lágrimas raivosas e

Insiste, encarando olho no olho

 

A navalha que nunca cega

Do cirurgião de

594 cabeças

1.188 mãos

5.346 bolsos (sem contar cuecas e meias)

Tem que ser controlada

 

O corte

Precisa ser estancado

Urgente

Antes que o gigante

Morra

Hemorrágico

 

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publicado por AB Poeta às 14:52
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Domingo, 21 de Fevereiro de 2010

Zélia

Zélia
Zeladora
Zelai por nós


Zélia zelou
Zape!
Zélia zerou


Mas Zélia!
Zangaram-se
Zambos e zargos


Zélia és zebra
Zébrula!
Zombaram
Ainda zonzos


Zélia ziguezagueou
Zinzilulou
Mas não agüentou a zoada
O zunzunzum


Zurzida
Zélia zarpou
Zummm...
Antes da zorra.


Não deixou saudades
Zélia zeladora
Deixou mazelas


Nessa piada
Só mesmo Chico
Para ver graça

 

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publicado por AB Poeta às 17:45
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Domingo, 31 de Janeiro de 2010

Campo

- Quem eram as pessoas no trem?


- Não sei... negociantes de ouro, pequenas felicidades, rezas sem amém, talvez...


- Era o trem sem janelas, apenas com um recorte. Vi nele um rosto, com expressão de morte.


- Então eram futuras cinzas que repousarão leve sobre a neve, e que o tempo não conseguirá congelar...


Final da linha
Listras sem alegria
Começo da história

 

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Sexta-feira, 29 de Janeiro de 2010

Impressões de São Paulo - Liberdade

 

É difícil escolher e falar de um lugar de São Paulo, já que sou paulistano, sempre morei aqui e ando por toda a cidade, ou pelo menos por boa parte dela, desde sempre. Fica então mais fácil começar pelo começo da minha relação com Sampa.


Essa paixão, ou amor, ou dependência, não sei mais qual desses é que sinto, ou se sinto todos ao mesmo tempo... É, acho que é tudo ao mesmo tempo. Aqui tem que ser tudo ao mesmo tempo, senão não vai. Essa relação começou a ficar mais intensa quando entrei para o mercado de trabalho, em 89. Iniciei na vida corporativa como todo garoto da minha época e idade (14) começava, como Office-boy. Foi um ano de muitas mudanças: para mim, que a partir de então teria mais responsabilidades, para o Brasil, que depois de um período de ditadura estava prestes a realizar eleições diretas para presidente, e para o mundo, que assistia a bancarrota de boa parte dos camaradas vermelhos, iniciada com a queda do muro de Berlin.


Bem, mudanças geopolíticas a parte, uma alteração significativa na minha “georotina” era o fato de que eu concluiria o ensino médio num colégio próximo ao centro, mais exatamente na Av. Liberdade. Os amigos da escola de bairro ficariam para o final de semana. Nada mais de, ao término do expediente, correr e pegar o metrô lotado na República, baldear na Sé, ir enlatado até o Carandiru e depois ir pendurado no ônibus até o Jardim Brasil. Tudo isso para, tentar, chegar a tempo de assistir a primeira aula.


A minha rotina alterou-se. Saia do trabalho, um escritório que tratava de imóveis e seguros localizado na 24 de Maio, caminhava tranquilamente por toda extensão da rua sentido Conselheiro Crispiniano, o tempo agora sobrava. Às vezes parava na Galeria do Rock para admirar as capas de discos e estampas de camisetas, que em sua maioria retratava algum rockstar morto por overdose, ou algum outro motivo. As figuras que lá freqüentavam também eram bem curiosas. Punks, metaleiros, góticos e mais uma porção de outras tribos que eu não fazia idéia de como se chamavam ou se denominavam.


Passava pela Praça Ramos de Azevedo que era habitada por figuras quase que circenses: os homens-sanduíche, que divulgavam vagas de emprego, logo a sua frente ficava o mágico que entre tantos números o que melhor executava era tirar luz, feijão e morada de dentro da mínima cartola. Havia também os piratas negociadores de ouro e documentos falsificados... A mais interessante dessas personas era o malabarista: de um lado um aro 20 velho de bicicleta circundado de facas e do outro lado o grande protagonista, vestido com uma calça de capoeirista e sem camisa, exibindo seu físico parcialmente definido (definido mais pela fome do que pela prática de exercícios) e em sua volta a multidão de espectadores curiosos, ansiosos para vê-lo mergulhando através do arco da morte, o que nunca acontecia. Ele ensaiava um salto, recuava, contava uma lorota, ameaçava pular, recuava... E de repente oferecia ao público uma pomadinha milagrosa, feita sei lá do que, que curava de dor de cotovelo a reumatismo. Observando tudo isso, em cada lateral havia um gigante. Na esquerda o erudito e histórico Teatro Municipal, e na direita a impávida e colossal loja de departamentos Mappin, elefante que divertiu muita gente, mas virou zebra e acabou morrendo.


Passado à praça, atravessava a Xavier de Toledo, seguia pelo Viaduto do Chá, onde o show continuava. O homem-bala confesso que não era uma figura querida, era só surrupiar uma bolsa ou carteira para vê-lo voar, e caso precisasse usar o canhão, a experiência tornava-se mais desagradável ainda para o (in)voluntário da platéia. As ciganas, as coloridas cartomantes, com o seu sexto sentido apurado de charlatãs, eram capazes de ler o futuro até nas tampinhas de garrafa, uma maravilha. Os camelôs faziam o papel dos pipoqueiros, vendendo suas bugigangas paraguaias. Os macacos adestrados e de uniforme chegavam todos de carro, estacionavam, desciam e ficavam observando o movimento. Mas é melhor não trata-los como macacos, Virgulino perdeu a cabeça por causa disso. No final do viaduto a visão não era agradável. Pedintes exibindo suas pernas podres passavam o dia ali, com o braço esticado na esperança de um trocado. Era uma ferida sobre a outra: gangrena ou trombose tornando o mendigo enfermo a pior feriada produzida pela sociedade. Havia um que não tinha os olhos, seus braços e dedos eram ossudos, vivia sentado todo torto, era uma figura impactante. Olha-lo era uma mistura de dó, indignação e escárnio. Talvez fosse mais digno que o farrapo se jogasse no vale do diabo, se estatelasse tingindo o chão de sangue e desigualdade. Quem sabe até estrelasse as primeiras páginas do Notícias Populares e alguém sentisse apenas dó dele. Mas ele era tão magrelo que era capaz de nem sangrar muito e não ser percebido. As feridas expostas incomodam e, querendo ou não, nos deixam um pouco frios.


Saia do viaduto, atravessava a Praça do Patriarca, seguia pela Rua Direita e prestava atenção em outras pernas. Na passarela calças pretas apertadas, saias azul-marinho, saltos altos, pernas torneadas, tudo aquilo era um colírio para os meu olhos juvenis. Às vezes parava em alguma loja em que havia uma pilha de fitas K7 em promoção e entre uma fita e outra admirava uma modelo. Na pilha nunca havia algo que prestasse, mas era bom sempre dar uma conferida.


Subia a Quintino Bocaiúva, dava uma olhada nas lojas de instrumentos musicais, chegava no Largo São Francisco e parava no Sebo do Messias. Praticamente eu batia cartão lá, sempre conferindo os vinis. O único lugar onde o cheiro de mofo não atacava minha renite alérgica era no Sebo.


Saia e em fim chegava na Av. Liberdade, me deparando com as últimas personagens da minha jornada. No começo da avenida tem um trecho que apelidei de “paredão das putas”. No final do horário comercial as lojas de Cine & Foto baixavam suas portas, e as meninas iniciavam a profissão. Ficavam enfileiradas ali de 15 a 20 mulheres. A que mais chamava atenção era uma grávida, com o barrigão enorme, na maioria das vezes de vestidinho agarrado de cor azul bebê (Freud explica). Eu passava entre chamadas - psiu, ei gato, ta afim?; oi... vamô lá? - e pensava - mal sabem elas que meu misero salário fica quase todo com a instituição da família Álvares Penteado... o que sobra dá para, no máximo, um hot dog no final do dia.


Chegando ao colégio encontrava os novos amigos, às vezes comia o dito hot dog, às vezes não, às vezes era uma “canoa na chapa”, com catchup e guaraná, às vezes não...


No final da noite era pegar o metrô o ônibus voltar para casa e tentar dormir antes que o dia seguinte chegasse, para acordar pela manhã junto com o galo e me preparar para viver mais um dia de responsabilidades e impressões lúdicas dessa cidade, que apesar dos pesares, ainda muito me encanta.

 

publicado por AB Poeta às 14:51
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Terça-feira, 1 de Dezembro de 2009

Se eu acredito no Brasil?

"Não sei se acredito... Um povo que não se preocupa em educar-se, não se preocupa com política, vive vendo televisão e discutindo futebol, temos um governo que em sua maioria legisla em causa própria e vive encobrindo escândalos e trocando favores... O País do jeitinho... Do carnaval... Acreditar nisso? Não sei... Prefiro não desacreditar que um dia isso possa mudar. "

 

André Al. Braga, vendedor, São Paulo (SP)

 

Publicado na revista Brasileiros - Nº 28 Nov/2009

 

E você, acreita no Brasil? Clique aqui e dê sua opinião.

 

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publicado por AB Poeta às 13:41
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Quinta-feira, 29 de Outubro de 2009

Clamor

Quando alguém reclama
É porque a alma clama

Levante, grite, saia da cama!

 

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publicado por AB Poeta às 17:11
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Domingo, 25 de Outubro de 2009

O Soldado

Cambaleante alvejado
Mais a frente cai o soldado
Ofegante, ensangüentado
Vendo a morte ao seu lado


Pensando, encurralado
“Só tenho a Deus como aliado”
O pobre rapaz, agoniado
Findou ali, deitado


Seu corpo, nunca encontrado
Deve ter sido amontoado
Junto com outros, e queimado
Ou apodreceu jogado


Seu enterro aconteceu
Mesmo sem o corpo teu
Honrarias, salvas, apogeu
Para o bravo que combateu


Depois o dia alvoreceu
E a história assim se deu
Do garoto que à guerra compareceu
E nunca soube por que morreu...
Só sua mãe não o esqueceu.

 

publicado por AB Poeta às 02:58
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Terça-feira, 20 de Outubro de 2009

Levante

Luto só, nunca de luto
Caboclo, mameluco ou cafuzo
Brasileiro no Brasil: intruso
Sempre arguto e resoluto


Político é corrupto, enquanto labuto
Mas um dia esse astuto, por enquanto soluto
Chorará pelo indulto e não fará mais usufruto
Do nosso tributo. Maldito dissoluto!


Chega de ser prostituto
A todos incuto, sejam ausculto
Sem tumulto e nem estulto
Nosso produto será dissolúvel
Em todo reduto em absoluto
Pois nosso perscruto será o percurso
Para o desfruto de nosso fruto

 

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publicado por AB Poeta às 14:15
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Sábado, 17 de Outubro de 2009

Mito

Ai de endurecer sem perder a ternura

Ai de acreditar com fervor e bravura

Ai de agradecer o guerrilheiro linha dura

Ai de anoitecer e descansar a armadura

Ai de amanhecer a noite taciturna

Ai de alvorecer sem perder a brancura

Ai de prevalecer no povo à mistura

Ai de erradicar toda incultura

Ai de esquecer os métodos de tortura

Ai de morrer a idéia obscura

Ai de encontrar para os males a cura

Ai de nascer esplendor e fulgura

Ai de romper o silêncio e censura

Ai de falecer a maldita ditadura


 

Foto de Eric Neumann - Clique fotolog

 

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publicado por AB Poeta às 02:27
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Sábado, 10 de Outubro de 2009

Estado crítico

Minhas dores... Ah, minhas dores. O que elas não me fazem passar. Fui novamente ao hospital público para mais uma vez tentar fazer minhas repentinas e aceleradas palpitações cardíacas decorrentes do stress (o mal do homem pós-moderno) diminuírem. Fui atendido até que rápido (e com direito a eletrocardiograma), fiquei aproximadamente 1h, o que para os padrões públicos e Standard de atendimento é pouco tempo.


Enquanto aguardava minha vez de ser atendido, uma pergunta me veio à cabeça: quem é que manda na saúde pública brasileira? Será que é o ministro da saúde? O governador? O prefeito, ou a sub-prefeitura? Senadores, deputados, vereadores...? O presidente? A população? Quem será, ou quem são esses indivíduos responsáveis pelo funcionamento do sistema de saúde? Nessa minha paciente espera pelo atendimento descobri quem é que manda, quem é que da as ordens, quem são os bam-bam-bans, os reis da cocada preta, responsáveis por esses órgãos: são os diretores dos hospitais, dos postos de saúde ou de qualquer outro tipo de repartição pública desse mesmo gênero (ou de qualquer outro também). Bem, você deve estar se perguntando: como esse cara chegou a essa conclusão? Vamos a ela, a explicação:


Sentado esperando no confortável banco de madeira, em meio aos outros sem convênio médico que pacientemente também esperavam sua vez, uma placa fixada numa das portas dentro do ambulatório me chamou a atenção, nela estava (ou está ainda) escrito – ATENÇÃO SR. USUÁRIO, NÃO FORNECEMOS ATESTADO MÉDICO, FAVOR NÃO INSISTIR, ATENCIOSAMENTE, A CHEFIA DO PRONTO SOCORRO ADULTO. De primeiro momento não dei muita bola, mas como nosso cérebro nunca para de processar as informações adquiridas, comecei a desconfiar que havia algo de errado naqueles dizeres. Segundo ela, a placa, o hospital não fornece atestado médico, e imagino que essa atitude foi tomada pelo número excessivo de pessoas que pedem o mesmo, o que não quer dizer nada também, já que é notório que todas as repartições de saúde públicas são lotadas, então todos os serviços solicitados nelas sofrerão uma demanda muito grande. Fotografei a placa utilizando meu ultra-moderno celular, sai de lá e segui a caminho de casa. Chegando fui direto perguntar ao oráculo do século XXI, o Google, sobre o fornecimento de atestado médico e averigüei o que já desconfiava: o hospital estava (ou ainda está) infringindo a lei. Segundo a resolução nº 1.658/2002 do CFM (Conselho Federal de Medicina),
“o atestado médico é parte integrante do ato médico, sendo seu fornecimento direito inalienável do paciente, não podendo importar em qualquer majoração de honorários.”


Fiquei me perguntando: para que são feitas as leis, já que cada um faz o que quer? Se você for analisar quem é que manda no Brasil, vai ver que são os chefes das repartições públicas, porque são eles quem fazem à máquina estatal “funcionar”. Hospitais, escolas e as demais repartições estão todas a mercê de seus diretores. As leis que as regem parecem que nem existem, que não tem utilidade.


O CFM se reuni e define que o fornecimento do atestado médico é obrigatório, é um direito do paciente, mas o chefe do departamento do pronto socorro, que é quem faz o serviço “andar”, acha que não, tem muita gente “pedindo” a toa, então não vamos mais fornece-lo. Isso é no mínimo absurdo. Se eles acham que tem muita gente “pedindo” sem ter nenhum tipo de enfermidade, que estão solicitando o atestado só para conseguir matar um dia de trabalho, que atestem somente as horas em que o indivíduo esteve no local, agora fazer uma placa dizendo que não vão mais fornecer a ninguém, e ainda pedem para não insistir! Ai é brincadeira! O pior não é só a direção do hospital tomar essa atitude, é também a omissão da classe médica que se auto-infringe. Será que não teve um médico que indignado com essa decisão pôs-se contra a direção? Eu não estava lá para saber se teve ou não, mas pelo jeito... A placa estava lá (ou ainda está).

 

O que será que leva alguém a querer ser médico hoje? Amor à profissão ou glamour? Aquele médico que tem como princípios salvar vidas, acho que está ficando raro. Se é que ele existiu um dia. O que a maioria quer mesmo é o glamour, o status que a prática médica tem em nossa sociedade pós-moderna. Eles devem ter achado foi é bom, esse lance de não dar mais atestado. Eles vivem reclamando que ganham pouco. Se estão descontentes com o ordenado, então caiam fora! O médico que trabalha com má vontade prejudica muita gente.


Fora que não consigo entender como alguém que estuda tanto para ser médico pode ter uma letra tão, mais tão horrível. Deveria ser exigido do médico que ele escrevesse de forma legível. Geralmente ficamos sabendo qual remédio foi receitado somente na hora da compra, porque o farmacêutico é o único que consegue decifrar os garranchos. Deve ter um ou outro por ai que se preocupa em escrever de maneira legível, mas se for ver pela maioria...


Pensando bem, acho que o pior mesmo é saber que a população que paga imposto e usa o serviço público nem faz idéia de que aquela placa é um sinal, ou mais um sinal, do desrespeito com que os órgãos públicos tratam seus usuários. Se a população soubesse dos seus direitos, de que nós é que somos os “patrões” do estado, placas como essa não durariam muito.


A saúde brasileira segue entubada na UTI, seu estado é crítico e os médicos responsáveis pela sua recuperação estão mais preocupados em receberem o soldo e em exibirem seus diplomas, pendurados nas paredes de seus frios consultórios. Os populares que precisam desses serviços seguem ajoelhados, rezando para que tudo melhore em suas vidas. A fé ajuda, é fundamental em nossa existência, mas as coisas só vão mudar de verdade quando substituirmos as bíblias, livros de auto-ajuda ou qualquer outra coisa do tipo, pela constituição da república federativa do Brasil, que é o livro que rege nossa coletividade.
Minhas dores... Ah, minhas dores.

 

Hosp. São Luiz Gonzaga - SP/Capital - 25/09/09

 

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Sexta-feira, 3 de Julho de 2009

Pirataria

Pirataria. Na época do “bolachão” (o saudoso vinil) esse termo tinha outro significado: quando uma banda realizava algum show, e o mesmo era gravado, às vezes esse era lançado como um disco “pirata”, um álbum “não oficial”, lançado, mas não através da gravadora que essa mesma banda era contratada.


Hoje o termo pirataria tem outra conotação: copiar, vender, distribuir qualquer produto sem pagar os direitos autorais de marca, propriedade intelectual e de indústria. E é uma prática criminosa, prevista na Lei 10.695 de 01 de Julho de 2003. Roupas, relógios, CDs, DVDs, tudo o que você possa imaginar, hoje é copiado. Na China, nome que é quase um sinônimo de produto pirata, até carros são copiados, como mostra uma matéria feita pelo Portal Exame.


O mercado musical começou a sofrer com essa prática ilegal a partir do final da década de 80. Os lançamentos em K7 foram simplesmente dizimados pelas falsificações. Quase 100% das fitas vendidas no Brasil eram cópias ilegais.


Antigamente para um “artista” ganhar um disco de ouro ele tinha que vender cem mil cópias de um álbum. Devido ao comercio ilegal, esse número de cópias caiu para cinqüenta mil.


As grandes gravadoras reclamam e pressionam muito para que a pirataria seja contida. Mas será que as campanhas anti-pirataria são feitas (direcionadas) de maneira correta? Por exemplo: se você alugar um filme em DVD, vai ver uma campanha onde aparece um camelô dando balas de revolver como troco, a uma pessoa que acaba de comprar um produto falsificado. A campanha associa a pirataria ao crime organizado, o que não está errado, mas tratar o camelô, que não passa de mais um brasileiro fudido, como um mafioso!? Bem, isso mostra como são as coisas no Brasil: o peixe grande nunca é, e nunca será, pescado. As mídias de CD e DVD, quem as fabrica? Como elas entram em nosso país? Assim como os grandes traficantes nunca são pegos, os grandes esquemas nunca são denunciados, e quando são as investigações acabam em pizza, os grandes pirateiros continuarão navegando, à vontade, nos mais diversos mares mercadológicos.


Toda revolução tecnologia traz facilidades a nossa vida cotidiana. Da revolução industrial para cá, o homem vem desenvolvendo cada vez mais tecnologia, o que sempre causa perdas e ganhos nos mercados e na economia. Um grande exemplo disso é a própria pirataria.


Empresas (multinacionais) como Olivetti ou Remington, fabricantes de maquinas de escrever, simplesmente sumiram da noite para o dia, depois que os PCs foram popularizados. Acredito que as grandes gravadoras estão seguindo no mesmo caminho. Além da pirataria, agora eles tem outro grande inimigo: o download; estão fazendo de tudo para que esse seja considerado uma prática ilegal. No reino unido o governo está preparando um projeto de lei para que, quando algum usuário baixar um arquivo de música ou filme, o provedor, como forma de penalizá-lo, desconecte-o da internet. Acredito que estão tentando frear um futuro que será inevitável: o fim das gravadoras.


Antigamente uma banda, para mostrar seu trabalho a um grande público, tinha que gravar uma fita demo, bater de porta em porta atrás de uma gravadora que o acolhesse e o lançasse. Caso essa banda fosse um produto fácil para se vender, a gravadora a contrataria na hora. Hoje o quadro é bem diferente. Qualquer um pode adquirir um programa de gravação, plugar seu instrumento ao PC e gravar uma música. Com uma simples câmera digital, e um programa de edição de vídeo, baixado de graça, é possível produzir um videoclipe e exibi-lo em diversos sites, como o YouTube. Atualmente essa independência proporcionada pela tecnologia, produziu um fenômeno pop: a garota prodígio Malu Magalhães. Imaginem se essa menina fosse pegar seu violão, mostrar sua folk music para as gravadoras a fim de lançar um álbum. Qual a resposta que ela receberia? Acredito que um sonoro NÃO. Sozinha ela consegui atingir um altíssimo público, e tudo através da net. Parabéns menina.


O download possibilitou que álbuns ou filmes já fora de catálogo pudessem ser facilmente adquiridos, garantindo assim a sobrevivência da vida musical de muitos, que há tempos caíram no esquecimento. Artistas que nunca seriam ouvidos por um grande público, agora tem como divulgar seu trabalho. E sem precisar do aval de um produtor ou, pior, de um diretor de gravadora.


Comparar o download com a pirataria é ridículo. Baixar um arquivo para uso próprio não pode ser considerado crime, assim como, antigamente, pegar um disco emprestado e gravá-lo em K7 nunca foi uma prática mal vista. A Inglaterra, que se diz ser um país desenvolvido, esta dando um passo para trás com essa nova lei.


Não adianta, o mercado fonográfico mudou graças ao advento tecnológico, e as gravadoras não estão acompanhando essa evolução e, pior, estão tentando frear algo que não tem como parar. O download veio para ficar.


Adeus, grandes gravadoras!

 

 

 

Clique e leia:

Manifesto Movimento Música para Baixar

 

http://musicaparabaixar.org.br/

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Quinta-feira, 30 de Abril de 2009

Feriados

Corrupção, evasão fiscal, inadimplência, tributos excessivos, dólar na cueca, mensalão, mensalinho, anões do orçamento, informalidade, pirataria, tráfico de drogas, tráfico de influência, crimes políticos, vinte anos de ditadura, privatizações duvidosas, deputados, vereadores, senadores, todos prevaricadores, estatais que funcionam como cabide de emprego, baixo IDH, miséria, mortalidade infantil, crime, propina, lobby, bancadas políticas, jeitinho brasileiro, lei de Gerson, infra-estrutura péssima, logística mal aproveitada, falta de planejamento, doença da vaca louca, gripe aviária, agora a tal da gripe suína, turismo mal divulgado, prostituição infantil, filho de presidente ficando rico da noite pro dia, legislativo que não legisla, executivo que não executa, justiça que não é feita, desvios e mais desvios de dinheiro, deputados construindo castelos, licitações ilícitas, parentes de políticos viajando a nossas custas, nepotismo, quebra se sigilo, grampo, CPIs que não chegam em nada, pizzas e mais pizzas, escândalos, valerioduto, Opportunity, Banco Santos, Marcos Valério, sanguessugas, bispo e bispa, dossiês, crise aérea, aeroportos limitados, concessões, Sarneys, Malufs, Collor, Ranan Calheiros, MSI, cartões corporativos, metida de mão no BuNaDS, máfias, PAC que não sai do papel, metrô que desaba, operação furacão, falta de saneamento básico, saúde pública adoecida, planos de saúde obscuros, dinheiro enviado a paraísos fiscais, fiscais que não fiscalizam em troca de um faz-me-rir, funcionários públicos fantasmas, leis que mão pegam, falta de educação, desigualdade social...

 

Esses são só alguns dos problemas que lembrei.

 

E, depois de tudo isso, ainda tem gente que acha que são os feriados que atrapalham nossa economia!

 

 

Dança da Pizza

 

Ângela Guadagnin, deputada federal pelo PT, comemorando, em plena sessão da Assembléia, a absolvição de um colega político acusado de corrupção.

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Quarta-feira, 22 de Abril de 2009

Feliz aniversário

Mais um aniversário. Hoje o gigante pela própria natureza, a pátria amada Brasil, faz 509 anos de existência. Graças ao fidalgo Pedro Álvares Cabral que, com suas dez naus e três caravelas (e mais de 1.500 homens), desembarcou por aqui, precisamente em Porto Seguro na Bahia, no começo do século XVI, graças a esse feito, hoje fazemos parte dessa atual concepção de mundo. Segundo conta a história, depois da não tão bem sucedida viajem de Vasco da Gama por mares revoltos, Cabral foi solicitado pelo Rei Dom Manuel I para comandar o que seria uma das maiores frotas já reunidas, a fim de encontrar o sonhado caminho para as Índias. Bem, é mais do que notório que o luso capitão não encontrou porra de caminho pra Índia nenhuma, mas em compensação encontrou uma terra habitada por pacíficos nativos que tinham suas vergonhas desnudas, e um solo fertilíssimo, onde tudo que se planta dá.


Fico imaginando como foi esse primeiro contato. Os portugueses ancorando os barcos a uma certa distância da praia, uma porção de nativos pelados em terra firme olhando e imaginando uma porção de coisas, tipo, quem são, donde vem... E o primeiro dialogo trocado, imagem só como não deve ter sido, gestos e mais gestos misturados a recíprocos grunhidos inteligíveis. Uma coisa trágica desse primeiro encontro, e que muitos dos livros de história, principalmente os de primeiro e segundo grau, não retratam, é o número de nativos que morreram só por entrar em contato com os cansados, barbudos, cabeludos, vestidos dos pés a cabeça, e, principalmente, famintos e imundos viajantes portugueses. Os corpos esguios dos habitantes locais, bem tratados, acostumados a uma alimentação saudável e uma vida de, quase, contemplação total a natureza, não suportaram o gigantesco número de vírus e bactérias trazidas encubadas da Europa. Resultado: estimasse que milhares de nativos morreram das mais variadas doenças após os primeiros contatos com o homem branco europeu. Falar em números exatos fica difícil, já que esse tipo de informação ficou perdida no tempo. E como quem registrou toda a história foi o branco da Europa, é mais do que normal que hoje não se saiba o tamanho da catástrofe. Sabe as caries que você hoje tem na boca? Pura herança.


O nosso primeiro nome foi Ilha de Vera Cruz, citado na primeira carta enviada para o Rei, redigida por Pero Vaz de Caminha. Nosso segundo nome foi Terra de Santa Cruz. Recebemos esse nome para demonstrar o interesse que Portugal tinha em propagar a fé cristã pelo novo mundo. No dia vinte e seis de abril desse mesmo ano, o frade Henrique de Coimbra realizou a primeira missa na nova terra. A partir desse dia deixamos de ser pagãos, os nativos que vivam em pecado (e nem faziam idéia do que era isso) agora estavam amparados pela igreja, tornaram-se filhos de Deus, dando-se assim o começo da hegemonia religiosa católica no hemisfério sul e o início do divino massacre étnico. Linguagem, costumes, danças, religião, cultura, talvez algum tipo de escrita, tudo simplesmente, ao longo dos séculos, desapareceu. Hoje, dos índios, fora a meia dúzia que ainda resiste ao tempo e ao dito progresso (amparados pelo obscuro INCRA) só sobraram nomes de logradouros.


O Brasil ficou muito conhecido pelo lucrativo comercio de escravos. Os portugueses e os holandeses dominavam o tráfico de escravos negros vindos do continente africano. Nativos, europeus, negros misturaram seus gametas gerando os cafuzos, mamelucos, mulatos... Começou assim a formação do povo brasileiro.


Sempre se diz que o Brasil é um país novo. Muitos rebatem essa idéia retrucando que não, já temos mais de quinhentos anos, e isso não é pouco tempo de existência para se dizer que somos um país novo. Mas até que concordo com essa idéia de “país novo”. Se pensarmos da seguinte maneira: desde que fomos “descobertos”, fomos usados apenas para a extração de riquezas e recursos. Até o ano de nossa independência (1889) éramos apenas mais uma colônia de exploração portuguesa. Após a proclamação da república, ai sim, viramos um país, um país independente... é, pelo menos no papel.


Nesses cento e vinte anos de história tivemos várias revoluções, ditaduras, conflitos, governos provisórios, estado novo, república nova, trinta e cinco presidentes, um processo de impeachment... não vou me estender pela história de nossa república, já ha centenas de sites sobre esse assunto e meu propósito aqui não é esse.

 

OBS: Texto ainda não finalizado.
 

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Quinta-feira, 16 de Abril de 2009

Samba da crise

Samba da crise

Letra: André Al

 

Inventaram essa tal de crise
Ninguém sabe como aconteceu
O Obama veio salvar o mundo
Mas quem vai pagar conta sou eu!

 

Me disseram que no primeiro mundo
O emprego se vendeu num leilão
O refrão que por lá se escuta
Demissão, demissão, demissão

 

O Obama viu que a coisa tá preta
Disse - a solução me revelaram num sonho:
Pro banqueiro eu empresto dinheiro
E do povo eu cobro o tributo

 

Inventaram essa tal de crise
Ninguém sabe como aconteceu
O Obama veio salvar o mundo
Mas quem vai pagar conta sou eu!

 

O capital virou negócio da China
A produção em escala se barateou
Nós vamos nos tornar os maiores!
Que maná que mané Mao

 

O dinheiro escoou pelo ralo
O social vai virar capital
O comunismo esqueceram num livro
E as estrelas vão brilhar no natal

 

Inventaram essa tal de crise
Ninguém sabe como aconteceu
O Obama veio salvar o mundo
Mas quem vai pagar conta sou eu!

 

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Segunda-feira, 30 de Março de 2009

Legalização do aborto

Um dos assuntos mais polêmicos, e que é pouco discutido pela sociedade, é a questão sobre a legalização do aborto no Brasil. Em países ditos desenvolvidos essa questão já está em outros patamares. Nos EUA, por exemplo, o aborto é uma prática legalizada, o que não deixa de ser polêmico também, já que seus fervorosos opositores, na sua maioria religiosos, não deixam o assunto dado como encerrado.


Essa questão deixa exposta a grande diferença que há entre liberdade e democracia. Essas duas palavras meio que são entendidas como derivadas, mas na realidade, quando aplicadas, seus efeitos são geralmente contrários. A mulher que estiver grávida e desejar fazer um aborto, no Brasil, ela não o pode, pois existem leis que a proíbem de tomar tal atitude. Entende-se então que essa mulher não tem total direito sobre seu próprio corpo, não é “livre” para tomar decisões que afetam diretamente seu estado físico, sua vida social e particular. E o que gerou essa proibição? Uma lei que foi elaborada partindo de princípios democráticos! Mas, espera ai: a democracia é o regime que garante liberdade para seus regidos, mas essa mulher que quer abortar não tem liberdade para agir sobre seu corpo. Contraditório não? Não! A democracia faz valer a “vontade da maioria”, e quando você vota, você abre mão de sua liberdade, de seu direito individual e privado, para fazer valer a vontade da maioria. E como a vontade do povão, que é a maioria (mas ainda não percebeu isso), é a não legalização do aborto, então... Liberdade e democracia são idéias quase antagônicas. São paralelas: só se cruzam num distante e inatingível infinito.


Um grande problema, e acredito que seja o mais grave e longinquamente insolúvel deles, é que nossa sociedade não tem base cultural, nem informação suficiente para discutir essa questão. A maioria da população é semi-alfabetizada (estou sendo otimista), mal conseguem entender um misero parágrafo e articular uma frase com sujeito e predicado. Somos uma nação semi-alfabetizada do Gari ao Presidente da República, o que torna ainda mais distante qualquer tipo de entendimento sobre essa ou qualquer outra questão.


Algumas semanas atrás a questão da legalização do aborto foi levantada em sala de aula, o que gerou certa discussão. Metade acha que o aborto não deve ser legalizado, outra metade acha que não, que tem que legalizar. No meio do sim e do não apareceu somente eu com esta opinião: acredito que o homem (sexo masculino) não tem o direito de opinar sobre a questão do aborto, acredito que seja um assunto que tem que ser resolvido totalmente pelas mulheres. Fui questionado, por acreditar que não tenho o direito de opinar. Disseram-me até que estava tirando o corpo fora, correndo do assunto. Mas não é nada disso. Vou tentar esclarecer o por que dessa minha visão não opinatória sobre o aborto.


Vamos imaginar a seguinte situação: um cara qualquer sai com três mulheres, uma de cada vezes, e acaba engravidando-as. Esse cara será pai de três filhos ao mesmo tempo, e a única coisa que a lei o obrigará a fazer é pagar uma pensão alimentícia para seus futuros filhos. Suponhamos que esse futuro pai ganhe dois salários mínimos por mês e colabore na criação dessas crianças com um terço do salário. Todo mês ta lá: sua contribuição esta depositadinha, certinha, e esse nosso amigo livre de qualquer obrigação além pensão, e bem longe de ser preso. A lei está feita, seguida e cumprida! Mas me respondam: com essa quantia que é paga como pensão dá para criar um filho? Claro que não. E todo o peso da criação, responsabilidade, vai ficar a cargo de quem? Da mãe, claro! A lei obriga o pai a pagar a pensão, mas não o obriga a criar o filho, a dar amor ao filho, a dar atenção ao filho. Não o obriga nem a sequer a olhar para o filho. E qual é o peso social, a estigma, que um homem desse carrega? Nenhuma! No máximo vão chamá-lo de pai ausente, e mais nada...


A mulher carrega toda a estigma de ser mãe solteira, carrega todo o peso da criação, da formação, da educação da criança. Além de, claro, ter que dar amor, atenção, carinho, afeto, estar presente, coisas que a legislação não a obriga fazer, mas que as invisíveis leis sociais, que são as piores, cobram-na de maneira desumana.


Existem casos de mães que entregam (abandonam) seus filhos em orfanatos, igrejas, associações, e outras acabam indo muito além disso (acho que não preciso entrar em detalhes). Não defendo isso, mas pensem na estigma que uma mulher dessa carrega. Uma mãe que toma essa atitude será marginalizada para o resto de sua vida. Mesmo se for atrás do filho depois, arrependida. A sociedade não absolve uma mãe dessa, ela esta para sempre condenada a ser uma “desgraçada”... Mas e o pai? Cadê ele? Ninguém o cobra de nada? Não! A sociedade é tão machista que joga toda a carga ruim nas costas da mulher. A mãe solteira, por mais amor que dê ao filho, sempre será vista pela sociedade como uma “mãe solteira”, no sentido mais pejorativo possível da palavra.


Partindo dessa visão, acredito que o homem não tem nenhum direito de opinar sobre a questão da legalização do aborto, esse assunto tem que ser discutido, de forma séria, única e total pelas mulheres. São elas que tem que tomar as rédeas dessa discussão.


Outro lado ruim dessa questão é que muitas mulheres, que não tem condições de pagar para fazer um aborto mais seguro, em clinicas clandestinas, morrem de complicações (hemorragias) após abortarem. Um estudo realizado pela Federação Internacional de Planejamento Familiar mostra que setenta mil mulheres morrem por ano decorrentes de complicações pós-aborto, e todas em paises onde a pratica não é legalizada. No Brasil 63,8% das mortes maternais são registradas no nordeste e 9,5% dessas são de complicações pós-aborto.


O jornalista Gilberto Dimenstein, no livro Cidadão de Papel, mostra o relato da advogada Ana Vasconcelos, que realizou um trabalho social junto a meninas prostitutas no nordeste. Segue abaixo o estarrecedor relato:

 

MENINAS PROSTITUTAS

 

Quando começou a cuidar de meninas prostitutas em Recife, a advogada Ana Vasconcelos ficou intrigada ao ouvir uma expressão desconhecida e usada como sinônimo de aborto. De fato, é uma palavra estranha: "pezada".


Ela acompanhava uma descontraída conversa entre duas meninas. Uma delas contou que há dias tinha feito um aborto e, enfim, estava livre da gravidez que lhe tirava clientes da rua:


- Como tirou? - quis saber a menina que ouvia o relato.
- Foi com "pezada" - respondeu.
Ana se aproximou, curiosa. E perguntou:
- O que é "pezada"?


A advogada ficou estarrecida com a explicação. "Pezada" era levar um chute forte na barriga. Era um meio, segundo a menina, fácil e certeiro de fazer aborto. E, ainda por cima, barato - não necessitava de médico. Bastava a ajuda de alguém que se dispusesse a dar uma "pezada", o que não era difícil.


- Passei algumas noites sem dormir direito quando me contaram essa história de "pezada" - relembra Ana Vasconcelos, que, em Recife, trabalha há vários anos com meninas prostitutas, tentando recuperá-las para o mercado de trabalho.


Ela fez pelo menos três descobertas sobre o aborto estilo "pezada". Com os médicos que atendem em prontos-socorros públicos, soube que uma grande quantidade de meninas que se submetia a chutes no estômago era internada com infecções e hemorragias. Soube também com outras meninas que esse método era difundido entre prostitutas do Recife por ser barato.


A descoberta que mais a espantou, entretanto, foi como muitas delas se submeteram á "pezada". Ela entrevistou prostitutas e acabou descobrindo que os policiais do Recife provocavam muitos abortos com "pezadas", quando, por acaso, brigavam com meninas prostitutas grávidas.

 

A guerra dos meninos, Gilberto Dimenstein


Depois de ler tudo isso, você (homem) ainda acha que tem o direito de opinar sobre a questão da legalização do aborto no Brasil?
Nem ciência nem religião, essa questão tem ser posta a mesa e resolvida por vocês mulheres. Diante de vocês, sinto-me na obrigação de agir da única maneira que acredito que seja útil: ficando de boca calada!

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publicado por AB Poeta às 19:05
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Quarta-feira, 25 de Março de 2009

Viva lá crise!

Vi um e-mail esses dias onde um cara dizia - “devido à ‘crise’ blá, blá, blá... a luz no final do túnel está temporariamente desligada!”. Pessimismo dele? Talvez. De certo (talvez também) é que esse nosso camarada, autor da dita frase, assiste muito aos pessimistas telejornais da Rede Globo de televisão. Logo no começo de todo esse disse-me-disse sobre “crise”, exatamente no dia em que o ex-presidente americano W. Bush comprou (para melhor dizer, estatizou, mas falem baixinho, esse nome num mundo neoliberal é quase um palavrão) parte das ações de alguns bancos americanos, afim de evitar a quebra dos mesmos, o Jornal da Globo fez a seguinte chamada - “governo de W. Bush compra ações de bancos privados, mas especialistas dizem que não é o fim do capitalismo!”. Bem, claro que os adeptos ao socialismo, comunismo, ou qualquer outro “ismo” esquerdista, soltaram rojões adoidado, em virtude da atitude governista americana, mas “fim do capitalismo!”, isso é no mínimo uma piada.


É mais do que notório as notícias sobre empresas que estão demitindo a rodo, pelo mundo todo. A Microsoft, por exemplo, para cortar custos, devido ao decepcionante resultado obtido no último trimestre, irá cortar até 5.000 funcionários. A GM demitiu 2.000 devido à queda das vendas de veículos. A brasileiríssima (ex-estatal) Vale do Rio Doce demitiu 1.300, e 5.500 entrarão em férias coletivas escalonadas. Números atemorizantes não? Talvez.


Imagine a seguinte situação: em algum lugar, numa realidade, até então, muito distante da nossa, existia uma pessoa (chinês) que trabalhava na roça, plantando, cultivando e colhendo cereais, frutas, verduras... mas com um único propósito: garantir a subsistência sua e de seus familiares. Até que um dia alguém chega para ele e fala – olha, fiquei sabendo que na cidade grande estão empregando pessoas, talvez consigamos trabalho lá, ai não precisaremos mais labutar nos campos para tirar sustento. Achando essa idéia interessante, parte para a cidade grande mais próxima, na tentativa de empregar-se. Chegando nessa cidade ele se depara com filas gigantescas de outros iguais, em diversas fábricas dos mais varias produtos. Como para ele tanto faz, entra em qualquer uma, já que o intuito é arrumar trabalho. Nesse tiro proferido no escuro, até que ele se dá bem: arruma um emprego de, no mínimo, oito horas diárias para ganhar, quase, dois dólares por hora de labor. E quem antes não existia para o mundo capitalista, passa a ter certo valor, vira um operário assalariado, um futuro consumidor compulsivo, e, principalmente, um produtor de valia.


Pouco antes de tudo isso, do outro lado do globo, um empresário (num nome mais moderno: empreendedor), ouve falar que há várias empresas imigrando para o oriente. Mas por que isso... qual o motivo? - ele se pergunta. Então o instinto ideológico/capitalista emerge em seu ser, e produz vozes esclarecedoras em seus ouvidos que docemente lhe dizem – Reduzir custos... Reduzir custos... Reduzir... Fazendo uma conta muito simples, esse selvagem capitalista descobre que pode ganhar muito mais pagando menos de dois dólares a hora, para um chinês ou indiano, do que pagando os atuais trinta dólares a hora trabalhada para um nortista americano. Adivinha então o que ele faz? Faz as malas, pouco-a-pouco demite todos seus funcionários, abre uma fabrica num promissor país dito “socialista” chamado China e resolve todos os seus problemas de custos. Consegue assim produzir mais com menos gastos, o que reflete diretamente no valor final de seus produtos, conseqüentemente, aumentando suas vendas e derrubando concorrentes aos montes, por enquanto. Segue feliz.


No meio de todo esse processo tem um cara totalmente perdido, meio sem entender ainda o que aconteceu, esse cara é o operário nortista americano. Sem mais nem menos (alguns tentaram culpar o mercado imobiliário americano) esse cara vê-se desempregado e, pior ainda, assiste aos noticiários da TV que só falam em demissões e mais demissões em massa. Preocupado com tudo isso, sua primeira providência, mais do que urgente, é (assim como nosso amigo empreendedor fez) reduzir os custeios familiares. Daí começa o letal efeito dominó. Esse cidadão para de consumir, e o lojista que o tinha como cliente, para de vender e, conseqüentemente, para de comprar de seus fornecedores, que conseqüentemente... Mata toda a cadeia econômica do país. Mas esse efeito dominó não para por ai não. Os países que mantém algum tipo de relação comercial com o esse ai, afunda junto. Cada um afunda conforme seu grau de relacionamento. O efeito final é essa tal de “crise”. Enquanto trinta dólares pagavam somente um empregado americano do norte, agora pagam, no mínimo, quinze empregados. Negócio da china, não! A mão-de-obra que imigrou do ocidente para o oriente nunca mais, ou pelo menos por um bom período de tempo, ira voltar para seu país de origem.


Você deve estar se perguntando – onde esse indivíduo que perdeu seu precioso tempo escrevendo sobre isso quer chegar? – bem, vamos lá: acredito que estamos vivenciando não uma crise (apesar de um dos significados dessa palavra ser “mudança”), no sentido ruim que essa palavra envolve, mas sim estamos passando por uma reorganização capitalista, uma movimentação de capital. Todo o capital que regia a economia ocidental simplesmente foi embora para o oriente. Como a maioria dos países do ocidente apóiam-se em acordos comerciais, todos estão sofrendo com esse escoamento. E tudo originou-se a partir de um dos princípios básicos da produção capitalista: a redução de custos.


A produção excessiva também tem sua parcela de culpa, pois estoques abarrotados travam o processo produtivo. Mas como uma andorinha só não faz verão... O escoamento de capital divide a culpa com o estoque excessivo. Se é que existe culpado, ou culpa por alguma coisa.


Um outro fato engraçado, que acho que poucos perceberam, é que os tão falados Bric’s (Brasil, Rússia, Índia e China), que não saiam dos noticiários, simplesmente sumiram das pautas noticiarias. Os telejornais, hoje, só vendem o medo americano, o terror americano, só, mais nada. É nítido o desinteresse que há em falar sobre a ascensão econômica bricniana. Não que tudo isso não afete-os também, mas que esses últimos sofrerão muito menos, e isso é fato. Estamos assistindo ao começo do fim da hegemonia americana. O americam dream  está virando o american nightmare e o american way of life pode acabar virando o china way of life... quem sabe um dia. Já pensou, você indo até o Mc Donald’s e pedindo um suculento nuggets de escorpião, ou de gafanhoto! E a atendente ainda lhe sugere – por apenas mais um e cinquenta o Sr leva mais 100ml de um geladinho sangue de cobra natural, aceita? Você acha um lanche como esse nojento? Só lembrando que também comemos algumas coisas que outros países consideram, no mínimo, exótica: feijoada (pé de porco, orelha...), buchada de bode, sarapatel (que é feito de miúdos do porco), rins de boi, coração de galinha, carne de tatu, rã, siri, etc. Então, como não há nada com que o ser humano não se acostume, e a cultura muda no decorrer do tempo, não se impressione se chegar um dia em que seus filhos ou netos lhe implorarão de joelhos para que os leve a lanchonete mais próxima afins de saborearem um delicioso espetinho de escaravelho. E sem gordura trans em!


Mas também tem o outro lado da moeda: tradições indianas e chinesas podem estar também no principio do fim. O modelo de estratificação indiano (sistema de castas) provavelmente vai desmoronar com a invasão capitalista, e o livro vermelho do ditador Mao-Tse-Tung vai virar um empoeirado item de sebo.


Barak Obama, recém eleito presidente da, ainda, maior potência econômica mundial, está injetando dinheiro adoidado em instituições privadas, como bancos, mas mesmo estas tornando-se estatais (ou pelo menos parte delas), falar em fim do capitalismo é simplesmente desesperar-se. O capitalismo está florescendo ainda, e ainda não vivemos o seu ápice. Cuba e Coréia do Norte podem ser as próximas a sucumbir a esse sistema, quem sabe.


A queda do muro de Berlin, em 1989, inspirou o diretor alemão Wolfgang Becker a contar a estória de Alexander, um rapaz, filho de uma ativista socialista, que vivencia o final do regime esquerdista na Alemanha Oriental (Adeus Lênin! – 2003). Quem sabe, num futuro ainda distante, mas já a caminho, não veremos filmes parecidos como “Adeus Mao!”, “Adeus Fidel!”, ou quem sabe também uma das pré-estréias mais aguardadas de todos os tempos, do planeta: “Adeus Tio Sam!”

 

Tio, Che, Chong... quem diria!

 

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Terça-feira, 20 de Janeiro de 2009

A Posse

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Terça-feira, 13 de Janeiro de 2009

A pena mágica

 

Num mundo não tão distante, e nem tão ficcional, onde quem tem menos nas mãos pode vir a ser Rei, os conduzidos levavam suas existências guiando-se pelas luzes. A divina, essa sim iluminadora, não ajudava a populaça, pois ela era vista somente pelos virtuosos. As luzes utilizadas para conduzi-los eram as dos letreiros de lojas, de bares, dos cinemas, das propagandas, luz da TV... Mas no decorrer dos últimos anos um problema surgira: durante o dia a luz do Sol, que sempre causou problemas ao senado real, e que de uns tempos para cá vem ficando cada vez mais intensa, ofuscava as luzes dos letreiros e afins, atrapalhando, e muito, a condução das coisas. Sem essa luz para pautarem seus caminhos, os conduzidos logo ficariam a mercê das palavras contidas nas fachadas, e assim aprenderiam seus significados simbólicos, semânticos e elucidativos, e essa possibilidade de raciocínio sem controle produziu certo desespero na corte. A averiguação de falta de tal referência condutora durante a vigília deixou os autocratas preocupadíssimos, pois entenderam isso como uma ameaça à vida farta e luxuriosa dos cortesãos. Sem demora reuniram-se à procura de uma solução rápida e, de preferência, não tão custosa para o erário:


- Os luminosos durante a luz do dia não iluminam mais nada! E assim não guiam ninguém. Então como conduzir a plebe durante o dia, já que eles se guiam por estas luzes, as dos letreiros? Será que não é melhor recorrermos às...


- NÃO! Às palavras não! Para essas nem pensar! Elas, essas malditas, juntam-se e formam coisas terríveis... Formam FRASES!


- FRASES! ELAS FORMAM FRASES! Nossa, então o que faremos? Como evitar tal catástrofe! Não podemos deixar os conduzidos zumbizando por ai, sem luz guia e muito menos deixá-los expostos às frases formadas pelas palavras!


- Concordo plenamente. Temos que fazer algo a respeito. E de preferência sem recorrer às... Às... Não tenho nem coragem de repetir esse repugnante nome.

- Concordo, mas vamos fazer o que então?


- Já sei! Vamos utilizar a luz do fogo! Utilizá-la-emos porque, mesmo à luz do dia, elas, as chamas, são visíveis. E podemos apagá-las durante a noite, pois a luz da TV já os guia nesse período, e particularmente acho que ela faz isso muitíssimo bem.


- É uma boa idéia, mas já utilizamos as chamas para assar os pedaços de cadáveres de animais que caçamos, para alimentarmo-nos. Pode haver confusão. Os conduzidos podem não entender essa mudança e confundir as utilidades. Podem não distinguir os contextos...

 

- É verdade. Se isso ocorresse seria o caos do caos.

 

- Desgraçados são estes tais de conduzidos! Não fazem nada se não tiverem alguém que os mandem fazer! Que os ensinem a fazer! Não limpam nem o próprio cú direito se não forem corretamente adestrados.

 

- Concordo!

 

- Também concordo!

 

- Bom mesmo são os animais, que já nascem sabendo o que tem que ser feito. Já sabem para que vieram ao mundo. Equilibram-se coletivamente, cada qual com sua pré-determinada função existencial, de maneira perfeita.

 

- Concordo plenamente! Por exemplo: o João-de-barro: já nasce sabendo que tem que edificar a própria casa, e faz isso muito bem, com técnica e sem a ajuda de ninguém em... Sem dar um “piu” se quer.

 

- E insetos como as abelhas: constroem, dentro das colméias, milhares de hexágonos, simetricamente perfeitos, depois vomitam mel dentro, e tudo isso é comandado simbolicamente apenas por uma rainha; são mais de oitenta mil súditos operando ao mesmo tempo... Fascinante!

 

- É uma pena que não podemos transformar os conduzidos em animais, seria bem mais fácil, e útil, para nós.

 

- Já imaginaram que maravilha seria: não precisar mandar mais nenhum conduzido à Cia. Alfabetizadora... Economizaríamos milhares de moedas.

 

- É, mas pelo jeito a solução será gastar mais moedas com a Cia. Alfabetizadora, para letra-los e, conseqüentemente, guiar os conduzidos com a ajuda das... É, dessas ai mesmo que vocês estão pensando. Também não tenho coragem de dizer esse maléfico nome.

 

- É, não há outra solução... Acho que vamos ter que letra-los...

 

- É... Então vamos comunicar ao Rei, para que o decreto solucionador seja logo assinado, e livrarmo-nos rapidamente desse problema.

 

Naquela calorosa tarde o Rei já havia assinado uma série de vários outros decretos, o que o deixara com a mente cansada, exausto de tanto pensar, e sabendo a corte disso, caminharam todos receosos, com medo de alguma reação ríspida da parte de vossa majestade. Como não encontraram nenhuma outra solução, e o problema teria que ser resolvido o mais rápido possível, seguiram temerosos ao derradeiro encontro.


Quando adentraram na sala do Rei, ele estava sentado pensativo, com o olhar fixo no nada, imóvel e com um semblante não tão amistoso, apoiando o cotovelo esquerdo no respectivo braço do trono, com o punho cerrado e mantendo o queixo sobre, e a outra mão estava espalmada sobre a coxa direita...

 

- Com licença vossa majestade. – Disseram todos com a voz um tanto tremula. O Rei não esboçou nenhuma reação.

 

- É... Com licença, vossa majestade. – repetiram – se for incomodo voltamos outra hora...

Lentamente o Rei recostou-se, com a coluna ereta e o queixo erguido, repousou seus braços nos braços do trono, passando um ar de soberania e prepotência para com os nobres da corte, e disse:

 

- Sim. O que querem... O que os trazem aqui?

 

- É, desculpe-nos, vossa majestade, pelo incomodo...

 

- E por um acaso vocês sabem fazer outra COISA! Além de me causarem incomodo.

 

- É que... Que... Temos um problema e... Não conseguimos resolve-lo... - O Rei pôs-se a rir, levemente sarcástico...

 

- Grande novidade! Digam logo o que querem! Qual é o problema?

 

- É que... - Um outro palaciano interveio e disparou a dizer sem pausa...

 

- São as luzes que guiam os conduzidos durante a luz do dia por causa do sol rei astro os letreiros não iluminam nada consequentemente assim não guiam os conduzidos deixando essa tarefa apenas para a TV à noite e a luz do fogo não pode ser utilizada por que os conduzidos podem não entender e será o caos do caos e...

 

- CALE-SE! - urrou o Rei - Você é louco ou o que? Perdeu as estribeiras! Quer apodrecer na masmorra! Eu já sei o que está acontecendo!

 

- Sabes?! – Alguns murmuraram.

 

- Claro que sei! Tenho diversos informantes. Ou achas que deixaria a ordem do meu reino nas mãos de vocês! Áulicos idiotas!

 

- Se vossa majestade já sabe, então, por favor, diga-nos o que fazer.

 

- Sim, claro. Já pensei, pensei, pensei, e tive uma grande idéia. Vamos utilizar as palavras!

 

- Oh! – Disseram todos os cortesões, em uníssono – às palavras! Mas não é custoso e, pior, perigoso, recorrer às palavras? E se elas dominarem os conduzidos? Se isso ocorrer, podem eles virarem-se contra nós! E a Cia. Alfabetizadora? Teremos que erguer aos montes, e isso será muito custoso. Gastaremos muitas moedas!

 

- Vejo que letrar-se é mesmo privilégio de poucos. Eu não disse “recorrer às” e sim “utiliza-las”.

 

- Mas, como assim utiliza-las, vossa majestade. Perdoe nossa singela ignorância.

 

- É muito simples: precisamos somente simplifica-las. Torna-las menos complexas e mais práticas... Para nós, claro! – Quase todos riram a meio tom de maneira maliciosa.

 

- Ah! Entendi, e só mudarmos as regras do jogo! Oh, meu Rei, sua idéia é simplesmente genial. Mas... Vamos mudar isso como?

 

- Simples: assinarei um decreto mudando as regras, removendo sinais e acrescentando símbolos. Reordenarei tudo. Fazendo isso todos entenderão, pelo menos um pouco, as palavras, e assim esses ai, os conduzidos, podem guiar-se “sozinhos”, sem custo algum para os cofres e, melhor, não representarão nenhum tipo de ameaça a nós. – Todos riram em tons diferentes de satisfação.

 

- Viram como é fácil de resolver nossos problemas! Tragam-me agora papiro e pena tinteira. - Sentaram-se todos a távola, com a majestade na cabeceira, e foi assinado o decreto.

 

- Obrigado vossa majestade! Sem vossa inteligência não sei o que seria de nós.

 

- Eu sei disso! Agora, mandem chamar o poeta. Mandem-no registrar em poesia todo esse acontecimento histórico, que ficará para a eternidade...

 

- Sim, vossa alteza, seu desejo é mais que uma ordem.

 

- É... E vocês queriam investir na Cia. de Alfabetizadora... São uns dementes mesmo! – Após proferir, o Rei sentou-se soberano ao trono.

 

Rapidamente chamaram o poeta, que ao saber do ocorrido sentiu-se ferido, pois sua paixão, além de já ter virado um ofício, havia sido lesada. O que ele levou tanto tempo para aprender, debruçado dias e noites sobre sábias escrituras, já não valia mais de nada. Transcreveu o fato em poema, como era de vontade do Rei.

 

- A vontade do Rei é a nossa vontade também... E triste, de pé sobre o púlpito da ágora, recitou poeta:

 

A luz que guiava-nos, um dia
Sumira, sem dar explicação
Deixando conduzidos a deriva
Perdidos, atrás de solução

 

A chama acesa ilumina
Mas não com precisão
A TV, só à noite essa
Ajuda na condução

 

De dia o Sol brilha muito
Ofuscando a visão
E deixa as palavras expostas
Ameaçando cortesãos

 

O Rei, vendo aquilo
Agiu com precaução
E disse: Tragam-me papiro e pena
Vou acabar com a sofreguidão:

 

 

Assinar um decreto irei
Mudando a legislação
E as palavras, que antes ninguém lia
Não trarão mais aversão!

 

E assim foi feito
O Rei, que tem bom coração
Com uma simples assinatura
Alfabetizou toda a nação!

 

- Vida longa ao Rei!

 

- VIVA!

 

Após a leitura, o Rei foi aplaudido.
 

 

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Guia da reforma ortografica (2009)

Cartilha - Caminho Suave

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Terça-feira, 16 de Dezembro de 2008

O Dia Que Tancredo Morreu

Foi em 1985, eu estava na quarta ou quinta série, nem lembro direito, mas me recordo perfeitamente o dia em que Tancredo morreu.


O Brasil, depois de passar vinte anos vivendo num regime ditatorial, e esse é considerado o período mais negro de toda a nossa história, o Colégio Eleitoral elegia presidente da república, numa votação mais do que histórica, já que foi aberta (cada integrante dirigia-se até um microfone e falava seu voto) e transmitida por, praticamente, todos os veículos de comunicação, o Sr. Tancredo de Almeida Neves, candidato do PMDB, que no embate político derrotou o biônico, e amiguinho dos militares, o Sr. Paulo Maluf, com 480 votos contra 180 desse último, e teve 26 abstenções (é, teve cara que num momento histórico dessa magnitude ficou calado! 26 bundões omissos!).


Na época não fazia idéia do que estava acontecendo, do momento que o país passava. Num muro dum ferro-velho, que ficava de frente a rua que eu moro (moro no mesmo lugar até hoje), havia pichado a frase “Diretas Já!”, lia-a mas não sabia do que se tratava tais palavras. Lembro de alguns detalhes da vida escolar que eram provenientes da influência dos militares. Todos os dias na escola tínhamos que traçar na página do caderno, de cima para baixo, da direita para a esquerda, dois riscos com lápis de cor, um verde outro amarelo, depois de fazer o cabeçalho com o nome da escola, local, data... Na entrada, na hora de formar as filas para que fossemos conduzidos, ordenadamente, as respectivas salas de aula, tínhamos que esticar o braço e encostar a mão no ombro do amigo da frente, isso determinava a distância que cada um deveria ficar do outro. Na educação física, na hora do professor fazer a chamada, formávamos quatro colunas, todos de uniforme branco, ficávamos com as mãos atrás do corpo, uma mão segurando o punho da outra, e com os pés naturalmente afastados. Essas duas posturas corporais são militares. Descobri isso, ou melhor, liguei o nome à pessoa, quando servi ao exército (obrigatoriamente) em 1994, no 2º Batalhão de Polícia do Exército (quando ainda era na Abílio Soares). Fora hastear a bandeira cantando o hino nacional, isso já era clichê. No quartel tínhamos que saber, na ponta da língua, todo o hino nacional. Tarefa difícil. Um dos tenentes dizia indignado “como pode, vocês saberem Faroeste Caboclo inteira, sem errar uma vírgula, e não decorarem o hino nacional! Bando de mocorongos!”.


Na escola, numa das vezes que ficamos sem professora na sala, aproveitamos da situação para fazer a boa e velha algazarra, como os alunos do primeiro grau geralmente fazem. O contingente da sala deveria ser entre trinta e cinco, quarenta alunos, não lembro exato. A porta da sala ficava no canto frontal direito. De repente a professora, uma mulher magra, rosto chupado com nariz fininho, lábios insossos, olhos furiosos, cabelos curtos, meio alaranjados, meio amarelados, nitidamente tingidos na tentativa de esconder o tempo, rompe aos berros, “parem já com esta anarquia!”... Era a primeira vez que ouvia a palavra anarquia. Nem sabia o seu significado. Mas associando essa nova palavra à situação, boa coisa ela não poderia significar.


Outra coisa bem interessante da época era uma propaganda que a TVS (hoje SBT) exibia. Sempre aos domingos, nos intervalos do programa do Silvio Santos, era exibido “A semana do presidente”, onde mostrava as atividades cotidianas do presidente militar em exercício. Era uma nítida puxada de saco, para tentar obter favores de concessão, já que os Marinhos sempre foram mais próximos dos generais verdejantes, e levaram muito mais vantagem do que os Abravanel, no campo das telecomunicações.


Voltando ao fatídico dia, tudo estava aparentemente normal. Os preparativos corriqueiros seguiam, tinha tomado café-da-manhã, e minha mãe ouvia um programa matinal de rádio, onde o locutor todo dia dizia “olha hora, olha hora. Acorda ele Dna. Maria. Joga água!”, e sonoplasticamente seguia-se o som de água espirrando. Coloquei o avental do colégio, branco com um passarinho desenhado no bolso superior esquerdo. Peguei minha mochila, sai pela porta da cozinha e segui pelo corredor. Passei pelo portão que vem antes da garagem, atravesei-a, saquei as chaves do bolso, e fui para abrir o portão principal, o que dá acesso à rua. Estava uma manhã ensolarada, lembro-me das sombras das barras do portão esparramadas pelo chão do quintal, provocadas pelos quentes e suaves raios solares. Quando fui abrir o portão ouvi um voz me chamando, “andré, andré”, olhei para o lado direito da rua e vi minha vizinha, que voltava do colégio. Ela veio em minha direção e disse:

 

- André, hoje não vai ter aula.

 

- Não? Por quê? - Perguntei espantado. Não via motivo para tal.

 

- O Tancredo Neves morreu! – Respondeu num tom seco.

 

Parei de frente ao portão, pensando na trágica e fúnebre afirmação que a menina acabara de proferir... E como todo bom garoto do primeiro grau, alienado politicamente, bradei:

 

EBAAA! HOJE NÃO TEM AULA!

 

 


Regime Militar - 1964/85

 

Revolucion Download's:

 

Zuenir Ventura

1968 - O ano que não terminou

Vozes do Golpe - Um Voluntário da Pátria

 

Karl Marx - O Manifesto do Partido Comunista

Zelia Gattai - Anarquistas Graças a Deus

Carlos Marighella - Manual de Guerilha 

Jean-Jaques Rousseau - O Contrato Social

George Orwell - 1984

 

Platão

A República Vol I

A República Vol II

 

Texto: Ser Governado - Pierre-Joseph Proudhon

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Quinta-feira, 4 de Dezembro de 2008

Tipos de Propaganda Política

 

 

 

Veja vídeo:

 

 

 

 

 

Faça o download da apresentação: Trabalho  Teoria Política - Tipos de Propaganda

 

Trabalho realizado no primeiro semestre de 2008.

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Sábado, 8 de Novembro de 2008

Barack Obama - Garoto propaganda

 

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Sábado, 25 de Outubro de 2008

Lei da cidade limpa

A poluição visual já foi removida das ruas, praças e avenidas da cidade de São Paulo, mas o grosso da sujeira ainda polui, e muito. Chega de varer o lixo para debaixo do tapete.

 

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Sábado, 13 de Setembro de 2008

Se o gás acabar, faço churrasco!

Esse papo do presidente boliviano Evo Morales de nacionalização das riquezas naturais foi o argumento usado para, simplesmente, mandar o exército de “seu país” invadir a Petrobras e "toma-la de volta". Essa atitude lastimável do primeiro presidente índio deixou de "cabelo em pé” o governo do primeiro presidente metalúrgico. Acho que o Sr Evo não levou muito em consideração o investimento que o Brasil fez em "seu país", e que consumimos, aproximadamente, 75% da produção de gás, provindas das reservas de hidrocarbonetos.
Bem, esse singelo post foi feito para avisar ao Sr Evo Imorales que:

 

SE O GÁS ACABAR EU FAÇO CHURRASCO!

 

 

20/08/06

 

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Sábado, 30 de Agosto de 2008

O resgate de Ulysses

Em 1992, no estado do Rio de Janeiro, mais precisamente em Angra dos Reis, o Sr. Ulysses Guimarães, recém candidato derrotado (PMDB) nas eleições presidenciais de 1989, sofreu um acidente aéreo, de helicóptero, com mais três tripulantes. Seus restos mortais nunca foram encontrados. Mas claro! Não foram encontrados porque ele está vivo! Você acreditaria seu eu lhe dissesse que um cara que ajudou a por fim a mais de vinte anos de ditadura, que em 1988 promulgou a Constituição da República Federativa do Brasil, morreu num acidente?  Você acha que um cara desses se abateria diante de tão pequeno imprevisto? Claro que não!

Ulysses manteve sua fé inabalável durante todos esses anos. Por fim, a ajuda chegou...

 

 

 

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Quinta-feira, 28 de Agosto de 2008

Magro Maciel

 

Piadinha política.

 

Para quem não sabe, ou melhor, não se lembra, esse carinha ai da foto é o (atualmente) Senador Marco Maciel. De 1995 a 2003 ele foi, simplesmente, vice-presidente da república, do governo FHC (Fernando Henrique Cardoso, para quem também não se lembra o que significa FHC).

Acredito que o aspecto magro, peso e notoriedade política justifica a peça!

 

 

Essa também foi publicada no Desenblog.

 

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publicado por AB Poeta às 14:11
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