Manifestações consciente do inconsciente. Contos e poesia crônica.

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Segunda-feira, 28 de Agosto de 2017

Moluscos

 

O corpo sem casa, sem casca

de movimento lento...

E vida veloz!

 

O risco que deixa por onde passa:

brilho que fica pelo caminho

 

Num breve choro, se acaba

Sal lacrimal que a liquida

 

A lesma, de vida besta

consegue ser ela mesma

 

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Segunda-feira, 8 de Maio de 2017

Banquete

 

Observo na calçada o mendigo

que come feito um cão;

mas hoje o cão como feito um rei;

rei que ainda come feito um porco;

porco que come feito um mendigo

 

Em meio a esse banquete indigno

cheio de defeitos

perco a fome

 

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Segunda-feira, 23 de Janeiro de 2017

PEC(ados)

 

Dentro do pecado

há uma PEC

Dentre os deputados

há vários pecados

 

Abaixo dos pecadores

tem o povo, no calvário

que nunca aprendeu

e que pagará pelos pecados

que ele mesmo elegeu

 

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Quarta-feira, 9 de Novembro de 2016

Lavrador

 

Eu, sem teto

sem terra para plantação

com foice, marmelo e verso

invadi seu coração

totalmente abandonado

 

Nele fiz aceiro, fiz cercado

Arei terra , ergui barraco

Plantei semente, contente

e colhi um bocado

de coisas boas

 

Improdutivo, antes, em luto

agora ele pulsa, dá fruto

E meu alicerce cravado

na carne, legaliza minha condição

de invasor a namorado

 

Sem ter quem peça reintegração

de posse, desse loteado

criemos nossas crias, que brotam

e crescem livres, abençoados

Que aproveitem nosso legado

 

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Terça-feira, 25 de Outubro de 2016

Declaração

 

Não te amo perdidamente

Isso é coisa de novela

Gostar é algo que se revela

no ato de quem preserva

algo bom que se sente

 

Entre a maçã e a serpente

prefiro preservar o respeito

porque sou amante ciente

daquilo que guardo no peito

 

Esse amor barato, que se jura

da boca pra fora, eloquente

não tem corpo, ternura

não tem nada que o sustente

 

Gosto como quem cuida

Semeio o bem, sem disfarce

É assim que a relação perdura

Semente que nasce e renasce

 

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Sábado, 8 de Outubro de 2016

Modelo

 

O mendigo fotografado

ficou bonito

 

Homem oriundo do descarte

no fotograma agora é arte

 

Da rua à galeria de fotolitos

o mendigo virou mito

 

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Quinta-feira, 6 de Outubro de 2016

Encalço

 

Signos seguidos

persigo na cidade

Acidade sanguínea

fluxo, rotatividade

 

A rapidez do tempo

age no aço, edificante

E eu lento, nesse espaço

agonizo, insignificante

 

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Quarta-feira, 14 de Setembro de 2016

Haicai V

 

I

 

Quarto de inverno

O calor está na cama

Roupas pelo chão

 

II

 

Noite de verão

Lua no espelho d’àgua

Mar de estrelas

 

III

 

Estações do ano

Na feira colorida

Florescem frutíferas

 

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Quinta-feira, 28 de Julho de 2016

Viagem

 

Não há mar

e nem há monte

Nessa estrada

longa e sinuosa

a barreira é superada

Travessia pela ponte

 

Não há mar

e nem há monte

Mas há amar

que nessa viagem

onde estamos de passagem

é o melhor horizonte

 

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publicado por AB Poeta às 00:42
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Sábado, 11 de Junho de 2016

Numa fria

 

O frio da noite

gela menos

do que o frio do olhar

 

A colher de sopa dada

não vale tanto quanto

uma colher de chá

 

Sem chance na rua

quem sabe nessa

madrugada Ela

não o levará?

 

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Terça-feira, 7 de Junho de 2016

Poema antigo

 

Ontem reli um poema meu antigo

desses aplaudidos

Ambíguo

ele hoje, percebi que não faz

mais sentido

 

Contumaz

o que fiz, tudo aquilo

que nele era dito

era reflexo

do que até ali havia lido

 

Hoje leio outros livros

Novos assuntos

novos temas

E procuro novos sentidos

para escrever outros poemas

 

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Quinta-feira, 2 de Junho de 2016

Encontros

 

Um encontro aceito

de um com o outro

E foi tudo feito fora

das zonas de conforto

 

O que parecia não ter jeito

aconteceu de peito aberto

e um com outro deu certo

Virou belo concerto

 

Naquele leito vazio

hoje já não deito

E o mundo que era torto

agora é o nosso porto

 

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Sexta-feira, 29 de Abril de 2016

Ombrax

 

O choro solitário

esmagado pela noite escura

Para aquela dor que adoece

há o amor que depura

 

Para as lágrimas salgadas

como um tipo de cura

ofereço muitas doses

do meu ombro doce

 

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Sábado, 16 de Janeiro de 2016

Sós

 

Infeliz é quem não entende

que a solidão é só sua

 

Algo tão pessoal

nunca será dividido

 

Aproveite

 

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Quarta-feira, 13 de Janeiro de 2016

Coração violento

 

Dentro do meu

peito tem um

negócio que é

teu

 

E ele bate em

mim

porque está afim

de você

 

Violento

coração querendo

nossa relação

tem essa reação

 

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Quinta-feira, 12 de Novembro de 2015

O que não passa?

 

Eu passo o dia contando

Ela passa o dia cosendo

O tempo que passa correndo

justo hoje, passa lento...

 

Caminho a passos largos

Passo a praça do pássaro

que passa voando

assim como a massa

que atravessa na faixa

e os carros em marcha

que passam por cima de tudo

 

Daí eu paro, mudo

Observo o mundo

que passa assim

passando apressado

e vira passado

 

E apesar de tudo passando

como coisa que não se protela

percebo que algo não passa:

a vontade de vê-la

 

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Quinta-feira, 5 de Novembro de 2015

Qual será a senha?

 

Cadastre-se na Rede

e acesse o mundo

a imensidão

 

O nome do pai

do filho

o nome do cão

Datas de nascimentos

letras e elementos

que servem à ocasião

 

Fique socialmente conectado

Atado a tantos amigos

que nunca se verão

 

E guarde a senha

a sete chaves

das portas e das janelas

que apontam à solidão

 

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publicado por AB Poeta às 22:34
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Terça-feira, 27 de Outubro de 2015

Marcados

 

O tempo marcado

no pulso

marca meu rosto

move o mercado

Impulso

 

Mercador do destino

corre parado

Injusto

 

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Quinta-feira, 22 de Outubro de 2015

Cada casa

 

Cada casa

é um caso

 

O tempo magro

O caco fundo

A casca rasa

O vaso chulo

O ócio mudo

O cio vago

O acaso nulo

 

Cada casa

é um casulo

 

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Quarta-feira, 16 de Setembro de 2015

A desmetamorfose

 

Numa certa manhã

ao despertar de sonhos intranquilos

Gregório da Silva

acordou

e encontrou-se

metamorfoseado

em um... Ser humano

sem ter nada de especial

 

Lento

levantou-se

Tomou banho, café

saiu de casa

ao trabalho

de coletivos

com saudades do tempo em que

era um

monstruoso e temido

inseto

 

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Quinta-feira, 10 de Setembro de 2015

Paraíso

 

Olhos se fecham, outros se abrem

Uma folha cai, a outra cresce

Na troca da vida, nossos corações batem

juntos. Jardim do Éden que floresce

 

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Noites de Verão

 

Tão bom o cheiro da minha amada

seu gosto doce, na pele salgada

O suor... Corpos quentes sobre a cama

Chama que aquece a noite gelada

 

Nas madrugas de Inverno

nossos abraços de Verão

De estação em estação

que esse calor se mantenha eterno

 

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Sexta-feira, 28 de Agosto de 2015

O relógio da vovó

 

Ah, se o mundo fosse

como o relógio da vovó

seria bem melhor:

acordar e não dar corda

ao que acontece lá fora

e do seu lado

ver o tempo parado

 

Não existiria o tempo passando

nem o tempo passado

nem os dias corridos

Só o instante sendo

eternamente vivido

 

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Sábado, 8 de Agosto de 2015

Conto de Fadas

 

Acordei a Bela Dorminhoca

com um beijo na boca

profundo e envenenado

Entorpecidos, na cama

comemos a maçã do pecado

 

Amanheceu, ela foi embora

e me deixou um recado:

esqueceu os chinelos dourados

pra dizer que ainda volta

 

Espero que volte, para pegá-los

Vou me ajoelhar e calça-los

em seus pés; percorrer as pernas

até o meio delas; atingir os pelos

 

Entre meus lábios, os seus, tê-los

e novamente enlouquecidos

fazer a estória acontecer

Reescrevê-la, com prazer

 

Eu, gato sem botas

e você, nas maravilhas

fazendo um conto de fadas

virar um conto de fodas

 

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Quarta-feira, 29 de Julho de 2015

A fonte

 

O meu passarinho

bebe em sua fonte

 

Mergulha a cabeça

até o fundo

na nascente

Molha as assas

em água corrente

Cisca a terra

planta a semente

pra colher o fruto

 

Mira o horizonte

canta ao poente

esperando a noite

que vem

para se aninhar

entre a maçã e a serpente

e pecar

 

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publicado por AB Poeta às 01:29
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Segunda-feira, 1 de Junho de 2015

Um par

 

O abraço apertado, ofegante

sobre a cama

estrangulando o tempo

 

As marcas pelo corpo

evidências de um crime lícito

e perfeito

 

Um par

são dois

que são um

 

No separar das mãos

a dilatação da saudade

que já tem hora marcada para morrer

 

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Quinta-feira, 21 de Maio de 2015

contratempo

 

tempo de solidão

presente sem laço

você me dá a mão

e eu quero abraço

 

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a bunda dela

 

tão linda

círculo robusto

que torna a ideia lúdica

e faz a bunda dela

merecer um busto

para ser exibido

em praça pública

 

tão perfeita

que enfeita

toda rua

 

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ambidestro

 

entre certo e errado

escolhas que detesto

porque nasci canhoto

num mundo dito destro

 

é tanta postura reta

desse povo torto

que me endireito

pelas indiretas

 

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Domingo, 10 de Maio de 2015

mãe dos sem mães

 

a biologia não a constrói

só carregar o feto não é afeto

porque ser mãe não é ser mala

duas coisas que não se igualam

 

há tantos desafetos nas ruas

crianças que só foram carregadas

concebidas pela indiferença

são tratadas como malcriadas

 

mas o olhar materno as enxerga

e isso transcende a fisiologia

mãe é uma divindade que caminha

sempre atenta a todas as crias

 

e a ternura da mãe se espalha:

nas roupas que são doadas

nas refeições que são distribuídas

em cobertores que abrandam o frio

em doces nos feriados sem alegria

 

a mãe instintiva lhes dá abrigo

tenta consertar essa realidade

cruel, invisível à sociedade

pois essa é órfã da empatia

 

novos ou velhos os filhos

pessoas de muitas necessidades

sob o olhar da mãe dos sem mães

recebem um pouco de dignidade

 

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publicado por AB Poeta às 16:06
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Quinta-feira, 7 de Maio de 2015

advérbio

 

já fui substantivo

tive alguns adjetivos

tentei ser verbo

sujeito oculto

sem predicados

só existo em versos

 

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publicado por AB Poeta às 23:52
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Domingo, 3 de Maio de 2015

quando fomos nuvens

 

quando fomos nuvens

viajamos por céus e cumes

passando mares e tormentos

cardume solto ao vento

somos o lume

do tempo

 

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publicado por AB Poeta às 18:34
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Sábado, 25 de Abril de 2015

fossa

 

nessa ressaca nada me adoça

a substância negra é que me consome

e tento afogar a minha fossa

em latas de coca sem teu nome

 

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Sexta-feira, 24 de Abril de 2015

prateando

 

o tempo alazão em disparada

me ultrapassa na estrada

tanto curva quanto reta

prateando minha crina preta

 

que desbota a cada jarda

na descida ou na subida

não importando a minha fé

de puro sangue a pangaré

não vencerei essa corrida

 

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Terça-feira, 14 de Abril de 2015

banquete

 

a faca

o queijo

o desejo

a fome

tudo em tuas mãos

 

corta essa

de solidão

e divide comigo

essa refeição

 

 

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Sábado, 11 de Abril de 2015

renda-se

 

fios brancos transados

enroscados em pelos pretos

dueto que se acende

 

trama que surpreende

e me prende

os olhos

e me ajoelho

me rendendo

a tua renda

e caio em tua rede

 

a natureza que nos rende

bichos da seda em

bichos de sede

 

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Quinta-feira, 9 de Abril de 2015

pecado

 

o pecado consome

quem não o consome

 

comida a fruta

saciada a fome

o pecado some

 

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Quarta-feira, 8 de Abril de 2015

translação

 

mesmo que o mundo não pare
e não vença o tempo
que pelo menos nesse mento
ele gire mais lento

 

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Domingo, 29 de Março de 2015

o fio vermelho

 

Akai Ito

um fio a nos unir

dois sangues numa só veia

misturados pelo destino

poético seu sentido

pois nunca irá se partir

 

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Quarta-feira, 25 de Março de 2015

arte final

 

lábio arquetípico

vivo

no inconsciente

coletivo

 

para maioria

o ideal

forma feita

artesanal

 

enquanto as outras são

um rabisco

que não arrisco

dizer ser igual

a boca dela

o sorrio

é a arte final

 

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Terça-feira, 24 de Março de 2015

ossos do ofício

 

atrás da mesa

do canil hospitaleiro

o cão cego guiado pelo dono

perdigueiro colabora

com a rotina adestradora

e sempre em guarda defende

carimbos que abrem portas

formulários infindáveis

assinaturas que materializam

computadores coisificadores

cargos redentores

sorrisos que afagam e afogam

a matilha subordinada

 

no final da lida

volta à sua casinha

e rói o que lhe sobra

os ossos do ofício

 

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Segunda-feira, 23 de Março de 2015

delinear

 

esboço inato

retrato do desejo

delineado lábio perfeito

 

feita à mão livre

fantasia, doce tracejo

impossível de ver defeito

 

arquétipo vivo

a boca dela é aquela

que quero grafada no peito

 

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Domingo, 15 de Março de 2015

sinfonia

 

sinfonia que o ato produz

notas corporais

em toques musicais

o som que nos seduz

 

fá de ré pra mi

sentidos em atritos

lá em si sem dó

 

suspiros sustenidos

pudor em bemol

pautas noturnas

até virarem sol

 

 

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Sábado, 14 de Março de 2015

passarinha

 

voa passarinha voa

bate tuas assas

pra longe da agonia

e alça à alegria

volta pro teu recanto

 

rompe a gaiola velha

motivo de desencanto

e voa feito pluma livre

pruma nova vida leve

 

autoalforria

voa e volta entoando teu canto

melodia que tanto encanta

breve decanto que nos abranda

 

giganta

passarinha voa

traz das alturas

toda a esperança

e pousa na minha varanda

 

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Quinta-feira, 12 de Março de 2015

fotogenia

 

graça que produz luz

feminina silhueta

encanto por natureza

 

pose sem ênfase

gestos sublimes, leveza

nobreza e harmonia

 

em cada ângulo seu

que retrato na memória

vejo uma nova beleza

 

simetria e pureza

que se multiplicam

caleidoscópio de delicadezas

 

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Terça-feira, 10 de Março de 2015

Instagram

 

a felicidade infinita

retratada, embutida

no sorrio que falseio

 

é melhor ser fake

do que ser feio

 

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Domingo, 8 de Março de 2015

a rua e o rio

 

a rua ria do rio que ia

do curso que ele seguia

pois sabia não conseguiria

progredir conforme ela progredia

 

cobrir a Terra ela poderia

ser mais útil ela seria

servir sempre ela serviria

só crescer era o que fazia

e isso ela nunca pararia

 

até que percebeu um dia

que o rio é que da rua ria

porque parada ela não saía

e apesar de crescer à revelia 

para nenhum lugar a via ia

 

quando entendeu a diferença que havia

a rua imponente que antes ria

parada no lugar pôs-se a chorar

porque diferente do rio que ia

seu curso seguia para algum lugar

e a rua que antes não via

viu que nunca encontraria

o mar

 

agora é tarde demais para desaguar

 

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Sexta-feira, 6 de Março de 2015

viva voz

 

som que rompe a barreira

distância que se encurta no tempo

voz da mulher que não vejo

 

som que me traz o beijo

seus lábios molhados percebo

voz da mulher que festejo

 

som que me invade os ouvidos

pela noite, madrugada adentro

voz da mulher que desejo

 

som, voz viva, lindo arpejo

que num instante, um lampejo

me dá aquilo que almejo

 

sua presença

 

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Quinta-feira, 5 de Março de 2015

anseio

 

acertei a flecha

na epiderme dela

tiro certeiro no seio

 

coração riscado na pele

com meu nome dentro

chancela que sela

nossos anseios

 

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Quarta-feira, 4 de Março de 2015

o mar dentro da concha

 

na conversa calorosa

na rede fria

entre muitas palavras

e poucas imagens

surge parte nua

do corpo alvo

felino e longo

e aos poucos outras:

o colo cálice

a coisa lisa e brilhosa

o seio simétrico

a boca estática em forma de beijo

o olhar vivo que sugere o sorriso

 

e o universo que nos cerca

que ainda está em expansão

de repente se contrai

a coerciva distância geográfica acaba

na equidistância do desejo

e a ideia de espaço some

 

é como a mágica que acontece

nas trocas de cartas entre amantes

que aproxima suas mãos através do papel perfumado

como a foto que vive na carteira

ícone que ameniza a ausência

como a pequena concha jogada na areia

que ao pé do ouvido ruge

porque dentro carrega o mar

 

a troca virtual

desvirtua o impossível

sinto sua presença

e tudo se torna atemporal

 

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Segunda-feira, 2 de Março de 2015

escultura

 

olho em teus olhos

luz de intenso brilho

e tento achar os meus

 

organizo uma imagem

monto uma colagem

com cada pedacinho que me deu

 

entre fragmentos

recortes de momentos

surge o corpo teu

 

no final a estrutura

forma bela escultura

que meu olhar concebeu

 

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Quinta-feira, 26 de Fevereiro de 2015

repartido

 

se o partido não toma

partido por você

por que você toma

partido pelo partido?

 

partido por

partido

melhor nós não

estarmos repartidos

 

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a boca da moça

 

tanta coisa boa é pouca

diante da beleza de sua boca

 

lábio que provoca

tanta coisa louca

carne farta que invoca

minha alma lassa

 

moça

coloca a sua na minha

e desloca

essa minha vida oca

que não mereço

 

a boca da moça é o começo

 

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Quarta-feira, 25 de Fevereiro de 2015

Black SP

 

algo irá acontecer

na cidade intensidade

o céu ficará negro

e o dia irá escurecer

 

a água irá cair

as ruas irão encher

a noite será escura

não haverá amanhecer

 

a torneira irá secar

só sobrará o Tietê

o trânsito irá parar

não haverá pra onde correr

 

o estresse se espalhará

e atingirá você

seu coração explodirá

e você irá morrer

 

no meio da multidão

ninguém irá querer saber

de mais um corpo pelo chão

atrapalhando o entardecer

 

você irá apodrecer

a enxurrada o levará

ratos irão te roer

não há nada o que fazer

 

porque aqui é a Black SP!

 

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publicado por AB Poeta às 23:31
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Domingo, 22 de Fevereiro de 2015

saudade quando bate

 

quando bate a saudade

dá aquela vontade

de te pegar e ficar

jogados na tarde

beijar e sentir

a vida que arde

 

quando bate a saudade

morre a vaidade

o orgulho chora, late

deixa de ser covarde

baixa os punhos

acaba o combate

 

saudade quando bate

bate forte

e tudo mais

fica pra trás

 

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publicado por AB Poeta às 15:29
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sem contraindicações

 

o sorriso é

um sintoma da

felicidade

 

adoeça sem

moderação

 

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publicado por AB Poeta às 14:59
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Sexta-feira, 20 de Fevereiro de 2015

feia feito Sophia

 

tem nome de titia

dessas que ninguém elogia

ela é feia feito Sophia

 

tem olhos de esfinge

e longas pernas esguias

ela é feia feito Sophia

 

arredia com todos

é estúpida e fria

ela é feia feito Sophia

 

de sex appeal tem fobia

por isso fez até terapia

ela é feia feito Sophia

 

quando lhe chamam de “linda”

retribui com rebeldia

ela é feia feito Sophia

 

um dia lhe fiz poesia

que achou uma porcaria

ela é feia feito Sophia

 

mas meus olhos a contraria

quando vejo sua fisionomia

porque acho ela feia

feito Sophia

Loren

 

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publicado por AB Poeta às 16:49
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Segunda-feira, 9 de Fevereiro de 2015

versos ao vento

 

o vulto do verso

visto ao vento

reverso reveste

pólen na relva

palavras ao relento

 

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publicado por AB Poeta às 21:57
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momento moderno

 

pega no meu pau

de #selfie e

vamos juntos

eternizar nossos sorrisos

 

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publicado por AB Poeta às 00:08
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Sábado, 7 de Fevereiro de 2015

metralhadora

 

na era do

computador

sou uma

máquina de escrever

 

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publicado por AB Poeta às 16:56
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