Manifestações consciente do inconsciente. Contos e poesia crônica.

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Sábado, 12 de Outubro de 2013

presente

 

no dia das crianças

ganhei um martelo

 

prego atrás de prego

prego meu destino

na cruz

 

mais um menino

Jesus

com presente

sem futuro

 

publicado por AB Poeta às 16:18
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Domingo, 24 de Fevereiro de 2013

Abandono

 

Criança sem casa

não cria asas

tem perna torta

e bate palmas

de porta em porta

 

 

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publicado por AB Poeta às 13:42
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Sábado, 12 de Janeiro de 2013

Abala

 

I

 

Quem não gostar
que atire
a primeira jujuba

 

E tiro sim
a atenção delas
com uma travessura

 

As crianças na janela
não querem mais balas...

 

 

II

 

Na janela
que (h)aja nela
esperança

 

 

 

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Segunda-feira, 27 de Agosto de 2012

Partida

 

A felicidade refletia impávida

nas crianças que

jogavam

bola na rua

 

Lá vai voa vai

a bola que voa

sobre o muro

sobre os portões

sobre as grades

sobre lanças e

cai

num quintal

fúnebre

 

Para a morte que florescia

no chão solitário

aquela queda era uma gota

incômoda

de alegria alheia

 

Desaforada fora a bola

que foi furada

rasgada

partida ao meio

no meio do quintal

meio aos olhares alheios

violentada como um meio

de se atingir a felicidade

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publicado por AB Poeta às 01:04
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Terça-feira, 11 de Outubro de 2011

Registro

 

Um sotaque guarda uma lembrança

que voa, como o cantar de um passarinho...

 

Em chão pavimentado

não se planta semente

porque nada natural pode nascer ali

 

Toda lembrança guarda uma morte

e a morte vive num tempo que não volta

 

Nunca mais seremos crianças

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publicado por AB Poeta às 14:21
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Quarta-feira, 13 de Outubro de 2010

Dia das crianças

 

No jardim do cemitério

As crianças mortas

Comem algodão doce

Nos narizes dos defuntos

E cavalgam nos anjos de mármore

Durante o recreio

 

Cercadas de uma paz estranha

Existem assim até o dia

Em que serão adultas

E terão suas almas

Sepultadas de vez

 

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publicado por AB Poeta às 01:45
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Quarta-feira, 22 de Setembro de 2010

Minha rua

 

Minha rua negra já foi de terra, pedras e diversões

Na época em que os carneiros eram coloridos

e podíamos montá-los e guardar essa lembrança

para o resto de nossas vidas

 

O Gigante é uma lembrança alegre

A casa da Flora nunca teve árvores

O homem da tapioca não tinha relógio

e sabia a hora certa. Acho que nos tapeava

As gêmeas, nunca achei elas parecidas, mas

agora estão ficando (que estranho...)

 

Alguns vizinhos detestavam os inofensivos

restos de couro que insistíamos em chutar

entre os chinelos que ficavam nas laterais da rua

 

Acho que éramos uma gangue de crianças

criminosas que com alegria pura e ilícita

perturbavam a moral adulta

 

O céu da minha rua sempre foi de nuvens e pipas

Poucos fios e postes ainda

Nas noites ele era mais celeste

Tinha mais e maiores pontos brancos

Salpicados, densos, formavam manchas

 

Hoje minha rua é silêncio

Que às vezes é quebrado por algum vendedor

Alguém pedindo um punhado

Leitores autárquicos...

 

Às vezes passa uma criança correndo

Dá um grito e some veloz rindo

Mas não sei se é menino do vizinho

Se é de outra rua

Ou se é uma impressão saudosa

Que ainda insiste em brincar

E pregar peças nesse adulto clandestino que me transformei

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publicado por AB Poeta às 01:28
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Sábado, 4 de Setembro de 2010

Pipa de papel

 

Lá vai longe lá em cima no céu

A pipa colorida de papel

Limitada pela branca linha

Que fica embolada numa latinha

 

Também chamada de Papagaio

Peixinho, Raia, Maranhão

Ou Quadrado, alimenta a ilusão

Do garoto pobre e esguio

 

Quantas coisas não voam junto com ela

Nem lembramos de Morros ou Favelas

Nesse momento infantil e alado

Todas as mazelas ficam de lado

 

Só existem a brisa e as cores

Das nuvens beija-flores

As pipas fazem seu papel voando

Desbicando, aparando e habitando

Um universo paralelo e infinito

Que torna o nosso pesado finito

Mais leve e um tanto mais bonito

 

Finda o dia com a pipa brincado

Volta a branca linha para a latinha

E o sonho que antes era alado

Num canto da casa pernoita quietinha

 

No outro canto da casa pequena

Depois de tornar a dor amena

Repousa feliz o garoto sonhador

Imaginando que algum dia na vida

Todos os homens deixem a lida

Desenrolem suas negras linhas

De suas surradas latinas

E pintem de colorido o azul do céu

Com suas pipas de papel...

 

(Até as negras linhas se confundirem com as nuvens)

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publicado por AB Poeta às 17:23
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Quinta-feira, 11 de Fevereiro de 2010

Cantiga do sapo

Tentativa de compor uma música infantil.

 

O sapo tinha uma canoa
Na canoa, ia pelo rio
O rio ia para o mar
Mar, que o sapo nunca viu


Chegando lá, logo se encantou
Na areia ele se acomodou
De óculos escuros
Deitado na esteira
Catava: Uêba! Uêba! Uêba!

 

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publicado por AB Poeta às 20:43
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Segunda-feira, 8 de Fevereiro de 2010

Passarinho

O passarinho preso canta
O canto preso na garganta
E preso a sua natureza


O passarinho preso
É a natureza presa
Presa fácil do progresso
Progresso sem regresso


O homem preso a terra
Com saudade de sua natureza
Que esperteza! Prendeu na cela
A pobre ave indefesa


O periquito verde
O canário amarelo
O colibri azul
A calopsita branca
Cores presas à saudade...


A cidade cobre a terra
Erra o homem sobre ela
E celando a ave cantante
Ele tem por um instante
A natureza esquecida
Decantada no lamento
Do passarinho, que por um momento
Alivia seu sofrimento

 

publicado por AB Poeta às 14:44
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Segunda-feira, 20 de Julho de 2009

Dia do Amigo

Hoje é dia do amigo
Como pude esquecer!
Vendo um álbum antigo
Lembrei-me de você


Quantos momentos divertidos
Festas, passeios, viagens
Esquinas, roles, camaradagens
Muitos instantes vividos


Alguns, em fotos guardados
Outros, boas lembranças
Agora, estamos separados
Mas juntos, somos crianças


Crianças alegres brincantes
Neste tempo maluco: perdidos
Nossos sonhos a muito esquecidos
Tornam-se em conjunto brilhantes


Mágoas sofridas de outrora
Risos alegres de agora
Pois briga de amigo vai embora
Não fica, passa na hora


Às vezes me sinto só
Precisando de abrigo
Meu estado chega dá dó
Por isso lhe antedigo:


Nesse mundo conturbado
Onde muito se aceita calado
É bom sempre estar contigo
Quero tê-lo sempre ao meu lado
Obrigado por existir, amigo!

 

Download - pra ouvir:

Balão Mágico - Amigos do peito

Roberto Carlos - Um milhão de amigos

publicado por AB Poeta às 19:09
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Terça-feira, 16 de Dezembro de 2008

O Dia Que Tancredo Morreu

Foi em 1985, eu estava na quarta ou quinta série, nem lembro direito, mas me recordo perfeitamente o dia em que Tancredo morreu.


O Brasil, depois de passar vinte anos vivendo num regime ditatorial, e esse é considerado o período mais negro de toda a nossa história, o Colégio Eleitoral elegia presidente da república, numa votação mais do que histórica, já que foi aberta (cada integrante dirigia-se até um microfone e falava seu voto) e transmitida por, praticamente, todos os veículos de comunicação, o Sr. Tancredo de Almeida Neves, candidato do PMDB, que no embate político derrotou o biônico, e amiguinho dos militares, o Sr. Paulo Maluf, com 480 votos contra 180 desse último, e teve 26 abstenções (é, teve cara que num momento histórico dessa magnitude ficou calado! 26 bundões omissos!).


Na época não fazia idéia do que estava acontecendo, do momento que o país passava. Num muro dum ferro-velho, que ficava de frente a rua que eu moro (moro no mesmo lugar até hoje), havia pichado a frase “Diretas Já!”, lia-a mas não sabia do que se tratava tais palavras. Lembro de alguns detalhes da vida escolar que eram provenientes da influência dos militares. Todos os dias na escola tínhamos que traçar na página do caderno, de cima para baixo, da direita para a esquerda, dois riscos com lápis de cor, um verde outro amarelo, depois de fazer o cabeçalho com o nome da escola, local, data... Na entrada, na hora de formar as filas para que fossemos conduzidos, ordenadamente, as respectivas salas de aula, tínhamos que esticar o braço e encostar a mão no ombro do amigo da frente, isso determinava a distância que cada um deveria ficar do outro. Na educação física, na hora do professor fazer a chamada, formávamos quatro colunas, todos de uniforme branco, ficávamos com as mãos atrás do corpo, uma mão segurando o punho da outra, e com os pés naturalmente afastados. Essas duas posturas corporais são militares. Descobri isso, ou melhor, liguei o nome à pessoa, quando servi ao exército (obrigatoriamente) em 1994, no 2º Batalhão de Polícia do Exército (quando ainda era na Abílio Soares). Fora hastear a bandeira cantando o hino nacional, isso já era clichê. No quartel tínhamos que saber, na ponta da língua, todo o hino nacional. Tarefa difícil. Um dos tenentes dizia indignado “como pode, vocês saberem Faroeste Caboclo inteira, sem errar uma vírgula, e não decorarem o hino nacional! Bando de mocorongos!”.


Na escola, numa das vezes que ficamos sem professora na sala, aproveitamos da situação para fazer a boa e velha algazarra, como os alunos do primeiro grau geralmente fazem. O contingente da sala deveria ser entre trinta e cinco, quarenta alunos, não lembro exato. A porta da sala ficava no canto frontal direito. De repente a professora, uma mulher magra, rosto chupado com nariz fininho, lábios insossos, olhos furiosos, cabelos curtos, meio alaranjados, meio amarelados, nitidamente tingidos na tentativa de esconder o tempo, rompe aos berros, “parem já com esta anarquia!”... Era a primeira vez que ouvia a palavra anarquia. Nem sabia o seu significado. Mas associando essa nova palavra à situação, boa coisa ela não poderia significar.


Outra coisa bem interessante da época era uma propaganda que a TVS (hoje SBT) exibia. Sempre aos domingos, nos intervalos do programa do Silvio Santos, era exibido “A semana do presidente”, onde mostrava as atividades cotidianas do presidente militar em exercício. Era uma nítida puxada de saco, para tentar obter favores de concessão, já que os Marinhos sempre foram mais próximos dos generais verdejantes, e levaram muito mais vantagem do que os Abravanel, no campo das telecomunicações.


Voltando ao fatídico dia, tudo estava aparentemente normal. Os preparativos corriqueiros seguiam, tinha tomado café-da-manhã, e minha mãe ouvia um programa matinal de rádio, onde o locutor todo dia dizia “olha hora, olha hora. Acorda ele Dna. Maria. Joga água!”, e sonoplasticamente seguia-se o som de água espirrando. Coloquei o avental do colégio, branco com um passarinho desenhado no bolso superior esquerdo. Peguei minha mochila, sai pela porta da cozinha e segui pelo corredor. Passei pelo portão que vem antes da garagem, atravesei-a, saquei as chaves do bolso, e fui para abrir o portão principal, o que dá acesso à rua. Estava uma manhã ensolarada, lembro-me das sombras das barras do portão esparramadas pelo chão do quintal, provocadas pelos quentes e suaves raios solares. Quando fui abrir o portão ouvi um voz me chamando, “andré, andré”, olhei para o lado direito da rua e vi minha vizinha, que voltava do colégio. Ela veio em minha direção e disse:

 

- André, hoje não vai ter aula.

 

- Não? Por quê? - Perguntei espantado. Não via motivo para tal.

 

- O Tancredo Neves morreu! – Respondeu num tom seco.

 

Parei de frente ao portão, pensando na trágica e fúnebre afirmação que a menina acabara de proferir... E como todo bom garoto do primeiro grau, alienado politicamente, bradei:

 

EBAAA! HOJE NÃO TEM AULA!

 

 


Regime Militar - 1964/85

 

Revolucion Download's:

 

Zuenir Ventura

1968 - O ano que não terminou

Vozes do Golpe - Um Voluntário da Pátria

 

Karl Marx - O Manifesto do Partido Comunista

Zelia Gattai - Anarquistas Graças a Deus

Carlos Marighella - Manual de Guerilha 

Jean-Jaques Rousseau - O Contrato Social

George Orwell - 1984

 

Platão

A República Vol I

A República Vol II

 

Texto: Ser Governado - Pierre-Joseph Proudhon

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Segunda-feira, 1 de Setembro de 2008

Ser e Ter (Documentário)

George Lopez é professor de uma pequena escola na região rural da França, na pequena cidade de Auvergne, onde leciona para uma turma de 13 alunos, de quatro a treze anos, escola de uma turma só. Muito parecida (guardadas suas devidas proporções, claro!) as escolas no interior da região norte/nordeste do Brasil.


Com a câmera parada e sem nenhuma interferência no dia-a-dia da escola, o diretor Nicolas Philibert capta toda a relação humana que se constrói durante o ano letivo. Aos cinqüenta e cinco anos, trinta e cinco deles de profissão, o professor George Lopez, que mantém certa rigidez na sala, conquista o respeito de seus alunos falando de uma forma direta e clara, e sempre sendo atencioso com sua turma.


O documentário levanta a questão do relacionamento na escola, dos professores com os alunos, e entre alunos. É uma realidade bem diferente, já que se trata de uma escola de uma cidade pequena, mas mesmo assim, deixando esse fato de lado, onde foi parar o relacionamento afetivo entre professor e aluno? Ser e Ter é calmo, tranquilo, bucólico e, às vezes, invejável. É um cotidiano simples, distante dos das grandes cidades. É um documentário que mostra que há sim possibilidade de algo melhor, com relação à forma de aplicação do ensino.


A curiosidade das crianças é uma atração a parte. Mesmo com a presença constante da câmera, o documentário não perde sua naturalidade.
Um outro valor apresentado foi à ajuda dos familiares nos deveres escolares. Hoje, devido a essa pressa constante (que nunca acaba e, pior, nunca chega a lugar algum) a família é cada vez mais uma unidade diluída. Todos trabalham, e quando chegam em casa, cada um tem seu canto. O dever-de-casa do filho não é mais feito com o auxílio dos pais, e sim somente com o dos professores. É pena, pois não há tantas (estou sendo otimista) escolas como a retratada no documentário.


Não consegui criar uma relação direta do nome com o filme. Talvez algo entre Ser aquilo e Ter aquilo? Não sei. Mas o olhar final do professor, quando chegou o final do período escolar, em que os alunos saem de férias, foi o que me chamou a atenção: se Sou professor, quando Tenho alunos, o que Sou, quando não os Tenho? Um olhar perdido...

 

Assista: Ser e Ter (França, 2007) – Direção de Nicolas Philibert

 

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publicado por AB Poeta às 21:32
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Quinta-feira, 28 de Agosto de 2008

Garoto de futuro

 

Garoto com talento, que mantém garoto com talento, que mantém garoto com talento, que mant...

 

Não tenho muito o que falar, acho que a imagem já diz muito.

 

 

Nova tentativa...

 

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publicado por AB Poeta às 20:37
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