Manifestações consciente do inconsciente. Contos e poesia crônica.

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Sexta-feira, 26 de Dezembro de 2008

Seis do um

Dia seis de janeiro, dia de santo-reis... Dia de reis! Dia do meu aniversário! Uns também chamam esse dia de reisado, folia de reis... A única coisa que eu sabia sobre tal data era que os três reis magos, depois de viajarem sei lá que distância, chegaram a Jerusalém afim de presentear o menino Jesus; e que também é o dia em que se desmonta todos os enfeites natalinos. Mas, pesquisando sobre, descobri que há grandes diferenças entre o dia de reis, reisado e folia de reis, e, o mais interessante, a “verdade” que há por de traz desse mito.


O dia de reis, dia seis de janeiro, marca a data em que os, supostos, “três reis magos”, guiados por uma estrela que apareceu no céu, na virada do dia vinte e quatro para o dia vinte e cinco de dezembro, anunciando a chegada do messias (ele mesmo, charaamm: Jesus Cristo!), iniciaram sua jornada rumo ao encontro da abençoada criança.


Não se sabe exatamente o local donde os reis principiaram sua peregrinação. O dia da partida é marcado, pelo mais que simbólico, nascimento do salvador; e depois de quatorze dias viajando, tomando chuva e sol sobre o lombo do camelo, os peregrinos chegaram ao seu destino no dia seis do primeiro mês (vale lembrar que a contagem de tempo, naquele tempo, era outra).


Não existe nenhuma referência histórica exata sobre o nome dos magos viajantes (Melchior, Baltazar e Gaspar), nem quantos eram e nem se eram mesmo reis. A única referência histórica que existe está na bíblia, no evangélio de Matheus, e faz referência a “magos” (na época a palavra mago tinha ou conotação, significava sábio, pessoa de conhecimento, etc., diferente do atual significado), e deduzi-se que são três pela quantidade de presentes deixados próximo da manjedoura, que foram: ouro, simbolizando toda a riqueza material; incenso, simbolizando a igreja, pois esse é utilizado nas missas católicas; mirra, planta que simboliza o corpo. O óleo que é extraído da mirra era utilizado pelos Egípcios em seus rituais de mumificação, por isso ela tem esse significado. Quantos aos reis, ou melhor, aos magos, foram denominados reis para mostrar que o messias está acima de qualquer reinado, seus governantes e valores (referência aos presentes deixados). Outro detalhe muito importante é quanto à questão da origem dos ditos reis: Melchior era o rei da Pérsia e era de cor branca; Baltazar era o rei a Arábia e era de cor negra; Gaspar era rei da Índia e a cor da sua pele tinha um tom amarelado. Os respectivos reinos e cores de pele simbolizavam todos os povos, que se tinha conhecimento, da época (concepção de “mundo”).


O reisado é o período que vai do dia vinte e cinco de dezembro até dia seis de janeiro (quatorze dias), e representa o período de viajem dos reis. E é durante esse período que os grupos de folia de reis saem pela cidade, batendo de porta em porta, contando, dançando, levando alegria, diversão e pedindo prendas as famílias moradoras.


Os grupos de folia de reis são formados da seguinte maneira:


Bandeireiro: Integrante responsável pelo estandarte do grupo; nunca pode ser ultrapassado. Ele pode ser substituído durante a caminhada, mas todo o grupo tem que ter um bandeireiro oficial.


Mestre e Contramestre: o mestre é o integrante que puxa as canções, e é seguido pelo contramestre.


Palhaços: são os responsáveis pela folia e pela arrecadação das prendas.


Gerente: o gerente é um elemento contemporâneo, uma espécie de tesoureiro do grupo, responsável pelas prendas. Alguns grupos agem com fins filantrópicos.


Foliões: populares que seguem o grupo; pode ser qualquer um que queira se juntar a folia.


Essa tradição católica teve origem na Europa do século VIII, quatrocentos anos depois da criação do cristianismo. Veio para o Brasil no século XVI, com a colonização, mas ganhou força somente no século XIX. Com a reforma protestante mais do que consolidada, a Companhia de Jesus não podia deixar barato, e, com certeza, eles tiveram total influência na propagação dessa tradição.


Hoje a tradição tem uma força muito grande nos estados de Minas Gerais e Espírito Santo, e nas cidades interioranas espalhadas por todo o país. Em Muqui (ES) acontece o maior encontro anual de folia de reis, que está na sua 58° edição. Esse encontro não é necessariamente realizado no dia seis, a data é aleatória.


A tradição também foi retratada em pictóricos. O mais conhecido deles é o quadro Reisado de Candido Portinari.


Na música popular brasileira uma bem conhecida é A Festa do Santo Reis de Tim Maia. Arno Rodrigues e Chico Anysio interpretavam os personagens Paulinho e Baiano, respectivamente, do trio Baiano e os Novos Caetanos, e gravaram Folia de Reis em seu primeiro disco. O outro que formava o trio era Renato Piauí.


A folia de reis segue firme e forte, como uma tradição cristã, e enche de alegria pagã os corações dos foliões cheios de fé que estão espalhados pelo Brasil afora.

 

Download:

 

Apresentação em PPS sobre a Folia de Reis

Baiano e os Novos Caetanos - Folia de Reis

Tim Maia - A Festa de Santo Reis

Almir Guineto - Folia de Reis

 

Álbum Completo:

 

 

Folia de Reis e do Divino - 1979

 

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publicado por AB Poeta às 18:09
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