Manifestações consciente do inconsciente. Contos e poesia crônica.

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Sexta-feira, 18 de Novembro de 2011

MundoMundano e o seu novo mundo

 

Está à venda o 2º livro do MundoMundano. Nessa edição foram publicados dois textos meus!

 

Compre-o!

 Clique aqui e saiba como adquiri-lo.

 

publicado por AB Poeta às 18:55
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Terça-feira, 25 de Outubro de 2011

2º livro do MundoMundano

 

MundoMundano se prepara para lançar seu segundo livro de contos, crônicas, poesias e afins, e eu tenho a honra e felicidade participar dessa segunda edição.

 

Todos estão convidados para a festa de lançamento.

 

 

publicado por AB Poeta às 12:52
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Domingo, 24 de Outubro de 2010

Amor Estranho Amor

 

(fragmentos de divagações sobre o Amor)

 

O amor é um cão dos diabos, segundo Bukowski. Diria que o amor é um cão Do Diabo: um sorriso amigo, um abano de rabo, um latido que soa “seja bem vindo”, tudo isso ao portão depois de um dia dos diabos. Quem não acreditaria que isso é amor? O amor é isso: algo irracional: só um cãozinho é capaz de amar verdadeiramente. Apanha, é xingado, gritam com ele, colocam-lhe coleira e apesar de tudo ele ainda ama o seu dono. Quando procuramos alguém, procuramos um cão, ou pelo menos o olhar vidrado que o animal tem, sem preconceitos e sem receios. Olha com a língua de fora, baba e pula no colo... procuramos no outro o que ainda há de animal no humano. Mas quando você menos espera, o amor cão te morde, corre e vai mexer em outro lixo, te passa raiva e não há injeção que cure essa doença. O amor é um cão Do Diabo: indomesticável, imprevisível e que abana o rabo enquanto lhe interessa.

 

Dizem que o amor é cego, uns acham que sim, outros que não, mas acho que ele é os dois: quando se ama, nosso olhar se mistura aos desejos, às reações provocadas pelos toques na pele e as projeções de futuro parecem que se concretizam e abre-se um caminho novo que leva a algo sonhado; os olhos da cara se fecham e viram um olhar único, uma espécie de terceira visão com sexto sentido que lhe sopra ao ouvido: isso é amor... ame. E você ama porque não há nada a fazer a não ser amar. Aprendemos que o amor é uma jóia rara que poucos a têm e que temos que procurá-la durante a vida até o dia de encontrá-la e fincarmos nossa bandeira: conquistei! (é mais fácil subir o Everest do que amar). A visão única do amor cega e não enxergamos a sola quando ela se aproxima e nos rodeia de sombra. Só percebemos quando pisados: escutamos um estralo, a espinha dorsal se quebra, vemos nosso interior amarelo-pus exposto, mexemos as antenas a procura de sinais-resposta; vem a pá e nos joga no cesto, fecha-se a tampa, a barata morre, o amor gangrena e se vai com o tempo.

 

O amor é egoísta, e a conjugação do verbo nos diz isso desde o primário: Eu venho antes de Tu, que vem antes de Ele (a primeira pessoa é sempre singular); a segunda é Nós, que vem antes de Vós, ou seja: nos dois vem antes de você. Eles então... coitados, os últimos a conjugarem qualquer dos verbos.

 

Plantar: essa é a grande metáfora do amor: plantar hoje para colher o amanhã. Plantamos a rosa e ela nasce, vem com espinhos que tocamos com cuidado; até que ela murcha e morre. O amor morre, nos avisam isso por essa metáfora. Plantamos grãos num campo vasto e vazio que verdeja até colorir tudo, a colheita é feita e se não nos dá lucro, trocamos de semente: o amor é um agro-negócio!

 

O amor é uma utopia. Crer na utopia é o grande erro necessário de tudo. A utopia é necessária para seguir em frente, mas ela nunca poderá ser alcançada. No dia em que for, morre tudo: sonho, vontade, amanhã, utopia, amor (uma bela alegoria: monte num burrinho e pendure uma cenoura por uma linha em uma varinha, coloque à sua frente e o sentido da vida está pronto!: nasce mais uma utopia, mais uma amanhã, mais um amor).

 

O amor é um Ninho em um estranho, achamos esse estranho que deixa de ser estranho e vira Ninho... acaba o amor... viramos um estranho no ninho. O amor é um estranho que não conhecemos e projetamos esse amor nesse outro: somos um retro-projetor de imagens bonitas procurando um pano branco para torná-las visíveis e darmos movimentos a elas, até que a luz acaba e esvazia o pano novamente, fecham-se as portas e sobram somente as pipocas no chão: o coração metafórico é uma sala de cinema vazia que espera o amor projetar cenas na tela. Nada representa mais o amor do que o cinema.

 

O amor é um gostar ou um não-gostar: não interessa quem é, se você gostar vai amar e ponto. E quando esse amor acabar, vai passar a não-gostar e ponto também. Não existe prós ou contras que se coloque numa balança e evite o final do amor, ele finda e fim. Qualquer tentativa de prolongamento será como maquiar um cadáver: ele ficará lindo, porém frio... morto.

 

O amor é uma invenção pior do que a bomba atômica: existem japoneses que amam os americanos, e existem japoneses que não amam o Japão: vai entender. Entender para quê? E entender o quê? Amor é amor e dane-se, não é utopia e nem mais nada. O amor é algo hoje: só existe o Hoje, o resto é tempo que não vem e que já passou... O instante agora é onde o amor cria vida, e a vida nos cria, nos empurra, entre Amor Estranho Amor, até que a morte nos separe.

 

No fundo no fundo o amor é o grande “dane-se” da vida: nessa vida em que a gente só se dana, ame! E depois diga ao resto: dane-se!

 

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publicado por AB Poeta às 19:47
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Quinta-feira, 2 de Setembro de 2010

2 anos no ar

 

Nem parece, mas já faz dois anos que o Mundo ID está a deriva nesse mar caótico e (des)informacional que é a internet. A primeira postagem, uma brincadeira totalmente sem pretensão alguma com o nosso ex-vice-presidente Marco Maciel, que acabou indo parar no Desenblogue (mas isso é outra história) seria apenas o começo de algo que me levaria muito mais longe.

 

Este blog começou por incentivo de uma ex-professora de faculdade, que depois de ler um texto que fiz para a aula de filosofia, ficou encantada com a organização das minhas palavras e idéias. Publiquei mais alguns textos acadêmicos, e só depois de um tempo passei a escrever com mais “liberdade”. Algumas crônicas, contos, idéias sem pé nem cabeça... A poesia veio bem depois.

 

Depois de virar vício e paixão, as poesias contidas no blog viraram um livro: Poemas Errados (dias intranqüilos). Nunca em toda minha vida pensei que fosse publicar um livro, ou que teria algum conto ou poema publicado de forma física. Graças ao blog, hoje sou escritor. Além do meu livro, fui publicada em diversas seleções (acho que são dez no total) da Câmara Brasileira de Jovens Escritores e num livro de poemas do Instituto de Filosofia de MT.

 

Escuto muita gente falando que tem textos engavetados, que não tem coragem de mostrá-los a ninguém. Isso é um erro. Sugiro a todos que pensam assim que montem um blog e que publiquem esses textos. Muita gente vai ler e, com toda certeza, os incentivarão a escrever cada vez mais. Coloquei um contador de visitas no meu blog, a pouco mais de três meses, e para minha surpresa ele já passou das 10.000 visitas! Para mim esse número é simplesmente inacreditável! Façam um blog, recomendo!

 

Outra coisa que se diz muito sobre os blogs, e sobre a internet também, é que nela se produz muito conteúdo ruim, sem qualidade. E quando escuto isso eu me pergunto: e que meio de comunicação que não produz coisas ruins? A TV é o maior exemplo deles, ou não? As coisas ruins fazem parte de qualquer coisa. Pior do que ler um blog ruim é ler um livro ruim... Não dêem bola para os comentários negativos sobre a internet, não vale a pena.

 

Dois anos depois de um começo despretensioso, já tenho um livro lançado e vários textos espalhados na rede por ai... Até aonde será que este blog irá me levar?

 

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publicado por AB Poeta às 15:51
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Sexta-feira, 25 de Junho de 2010

A Poesia

            

            A arte de versar; despertar o sentimento belo... poesia. A definição a ela dada, trancafiada no dicionário, serve só para alimentar os leigos. Vinho envelhecido sem rótulo, ela, traçando paralelos, redefine, mas nunca define nada; nem ela mesma. Rediz o dito, desdiz o redito, edita, mas nunca dita. Dito isso, a poesia mais do que sentimentos, ou a arte de evocá-los, ela é um sentido que se soma aos outros sentidos, e que se manifesta em poucos; um híbrido nascido da percepção e da expressão. Entre Amor e Humor, a poesia é Rumor.

 

            Os Profetas, cartomantes, quiromantes, adivinhos, ou seja lá como forem denominados os que tentam prever o futuro, todos se dizem dotados de um sexto sentido. Invencionismos a parte, na poesia não existe charlatão, ou se é poeta ou não se é. Sem meio termo. O morno, na poesia, vomita-se. E quem afirma o poeta é a poesia, e não o inverso.

 

            Metrificada, rimada, versada, nascida da música, o que gera uma tremenda ironia: um poeta sempre será um músico, mas um músico pode nunca ser um poeta. O músico toca um instrumento e o poeta com a poesia simplesmente toca. Pensando bem, acho que a poesia nasceu antes da música... muito antes até. As pinturas rupestres, que aprendemos a chamar de “desenhos”, talvez sejam poemas, as primeiras epopéias grafadas da história. Quem é que vai saber se eram (são) ou não? Ninguém. A ciência apenas deduz que são desenhos que representam o cotidiano, dedução que não quer dizer nada. Apenas arquivam essas informações no “P” de pictóricos, e p(r)onto. O pior é que nós nunca saberemos se a “poesia rupestre” está em prosa ou verso. É, os “homens das cavernas” são os primeiros poetas da humanidade, e a sua poesia vem sobrevivendo ao tempo.

 

            A poesia marca o tempo em toda a sua dimensão.

 

            O médico e o monstro, é assim a relação do poeta com a palavra. Mumificada pelos acadêmicos, exaltada pelos fanáticos eruditos, subvertida pelo provincianismo, empanada pelas mídias de massa, a palavra sofre suas variações, mas é na mesa de cirurgia do poeta que ela cria vida. Mutilada, recortada, colada, costurada, repensada e reproduzida, a palavra se cria em meio aos choques e se ergue em forma de poesia, e se torna criatura maior do que o seu criador. Fernando Pessoa, um Dr. Frankenstein que produziu vários monstros, misturado com Dr. Jekyll, que não conseguia conter seus arquétipos e se transformava no gigantesco Dr. Hyde, Pessoa foi tão minimizado pelas suas crias que sua existência humana é praticamente nenhuma; Ricardo, Alberto, Álvaro, será que já não esbarramos com eles por ai?

            Nem as almas que suplicam por misericórdia vagam tanto atemporal pelo espaço quando a poesia.

 

            A poesia transcende.

 

            Nos gestos graciosos da dança, em pinceladas (a)simétricas, no equilíbrio da natureza, no marasmo do campo, no caos urbano, na carne, na guerra, a poesia caminha em silêncio pelos seus corredores sinuosos e mostra sua cara ao poeta em lampejos de inspiração, e utiliza-o como um caminho para tomar forma, criar imagem, som, sabor, saber. Sem saber, o poeta é só um instrumento que a poesia usa para se apresentar. A poesia é o mais poderoso arquétipo do inconsciente coletivo. O verbo é o princípio, a poesia um fim, e o poeta um meio.

 

            Quando a sensação de vazio lhe atacar, e a guerra você versus você começar, escreva, pois é só a poesia querendo um dedo prosa.

 

publicado por AB Poeta às 20:55
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Sexta-feira, 23 de Abril de 2010

Pão com manteiga

 

- Sai da frente, caramba! – apressado, pensou sobre uma senhora que atrapalhava a passagem na escada rolante. Sem paciência alguma, driblou a “vovó” e saiu da estação. Na Praça da Sé deu de cara com um senhor vendendo a sorte:

 

 – Vaca, galo, porco; vaca, galo, porco, olha o bilhete premiado! – o rapaz se aproximou e perguntou.

 

- É, por favor, aonde fica o Poupa Tempo?

 

- É logo ali, só atravessar a rua. – apontou com a mão.

 

- Obrigado. – Saiu com passos rápidos.

 

Chegando, ficou irritado ao ver o número enorme de pessoas no local, e com o excesso de informações sinalizadas nas placas, que mais atrapalhavam do que ajudavam. Foi ao balcão de informações:

 

- É, com licença, bom dia.

 

- Bom dia! O que posso estar fazendo para ajudar o senhor? – disse a moça.

 

- Como faço para renovar minha habilitação, para onde me dirijo aqui?

 

- É muito fácil – disse a garota com um sorriso maravilhoso nos lábios - o senhor segue pelo corredor A, vai ao posto B e retira a senha, preenche o formulário C, pega a guia D e paga no banco E, depois faz o exame médico no posto F, volta para o posto A e aguarda a sua senha ser chamada no painel G referente ao balcão H. É muito rápido e simples.

 

- Ok! Vou lá então. Muito obrigado. - respondeu pensando: puta que pariu, é hoje que não saio daqui. - Foi até o primeiro local indicado.

 

Depois de todo o procedimento feito, sua senha foi chamada, no balcão entregou o comprovante para a atendente:

 

- Hummm... o senhor fez o CFC?

 

- CFC? Não. O que é isso?

 

- É o curso de formação de condutores. Todas as habilitações emitidas de 1999 para trás terão que estar fazendo o CFC.

 

- Caramba... E como faço isso.

 

- O senhor vai até o Detran, no Ibirapuera, e pode fazer lá, depois volta até aqui e retira a habilitação.

 

- Ir até o Detran! Isso vai levar mais de um dia, não tenho todo esse tempo disponível!

 

- Ou então... o senhor pode estar fazendo numa auto-escola, que tem logo ali, do outro lado da rua.

 

- Certo. Obrigado.

 

Saindo do Poupa Tempo viu um cara de chinelo e bermudão falando sobre exames relacionados à carteira de motorista:

 

- Opa grande, aonde é que faço esses exames?

 

- Opa chefia, é logo ali, leva meu cartão aqui ó, é rapidinho lá.

 

- E quanto custa esse “exame”?

 

- Cem conto dotô, é o mais barato aqui da região.

 

- Certo! Obrigado. - foi até o local indicado no cartão.

 

Chegando, estranhou o local, era nitidamente uma garagem adaptada para escritório, feito com algumas divisórias. Haviam três “salas”: na primeira, falou com o proprietário do negócio e acertou o pagamento. A segunda estava vazia. Na terceira fez o teste:

 

- O senhor, por favor, desliga o celular, esvazia os bolsos e coloca tudo sobre esta mesa. Depois sente-se nesta cadeira, com as mãos sobre os joelhos. A câmera estará lhe filmando o tempo todo. – o rapaz ficou assustado com tamanhos cuidados tomados por parte do contratado.

 

Após todo o ritual feito, o contratado respondeu às questões da prova para o contratante e disse – aguarde aqui uns 20mim, eu já volto. O rapaz obedeceu apreensivo, já que estava só, numa sala esquisita e sendo filmado. Pensou tudo quanto era desgraça – vão me pegar aqui, estou ferrado! Vou aparecer no Fantástico, Datena, no Ratinho... – até que o cara voltou:

 

- Pronto! Aqui está seu certificado.

 

- Já! Que bom! Rápido né.

 

- Rapidinho!

 

Correndo voltou para retirar o documento:

 

- Aqui está o certificado – a atendente conferiu, anexou ao resto da papelada e entregou a habilitação.

 

- Obrigado! – respondeu.

 

Ao sair, correndo, para voltar ao trabalho, já no horário da tarde, olhou para o documento e pensou – caramba, deveria ter trocado essa foto.

 

Esse texto foi feito para a oficina Escrevivendo, e teve como tema "corrupção".

 

publicado por AB Poeta às 02:50
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Terça-feira, 6 de Abril de 2010

Submundo ID

 

O Submundo ID é o nome endereço dos texto que não terminei, ou não gostei, ou achei que faltasse algo... resolvi tirá-los do fundo do HD e colocá-los em outro sub. Quem sabe alguém pode me ajudar a terminar essas manifestações.

 

Confira e opine: Submundo ID

 

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publicado por AB Poeta às 22:51
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Quarta-feira, 24 de Março de 2010

Crônica de Rubem Alves

 

Este texto foi feito para a oficina Escrevivendo, como exercício de argumentação, baseado na crônica de Rubem Alves “Não vou ver as competições...” que fala sobre as competições olímpicas. A proposta era fazer uma carta para o autor dizendo o que achou do texto (a outra crônica apresentada no curso foi uma do Moacyr Scliar, sobre o mesmo assunto).

 

Segue texto:

 

Bom dia professor Rubem Alves, tudo bem? Espero que esteja.

 

Escrevo para comentar sobre sua crônica, referente às competições olímpicas. Essa tese de que atletas não são longevos achei muito interessante, porém acredito que seu texto a defende de maneira superficial, com argumentações vagas. Por exemplo: com quantos anos morreu a Florence? Eu não sei, e acredito que a maioria de seus leitores também não. Caso ela tenha morrido muito nova, o senhor deveria ter citado a idade, fortaleceria a tese. A comparação com os animais acho que não cabe. Os animais são irracionais, agem por instinto e equilibram-se naturalmente. Já o homem não, não tem função definida, age de acordo com o que acredita ser o melhor para ele, e como cada um acredita num “melhor”... Fica difícil julgar (a luta das nadadoras contra o cronômetro lembrou-me cronistas lutando contra fechamentos de edição).

 

O estresse que o corpo da maratonista suíça sofreu foi realmente chocante, mas será que foi maior do que a sensação gloriosa de cruzar a linha de chegada? No prazer também há dor (os masoquistas que o digam). O topo do pódio é mesmo a celebração do narcisismo, concordo; mas não conheço ser humano algum que não goste de receber elogios, e pódio é o máximo do elogio. Competir é de nossa natureza, todas as civilizações competiram entre si, e as olimpíadas foi uma brilhante invenção, pois se for ver a fundo, ela é a versão pacífica da guerra.

 

Gosto de suas crônicas e espero que escreva outra sobre esse mesmo assunto. Para terminar, também gosto das meninas do vôlei, já a ginástica não é muito minha praia, mas vale ver as meninas. E por falar em menina, Gabrielle Andersen-Scheiss ainda mora na suíça.

 

André Al.

 

publicado por AB Poeta às 10:03
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Quarta-feira, 10 de Fevereiro de 2010

Poesia X Realidade

A diferença entre poesia e realidade é que:


A realidade pensa que é verdade!


E a poesia é uma realidade que não se afirma


Confirma-se então que a muleta da realidade é a prepotência!


Ausente na poesia


Verdades poéticas

 


“Ter um livro e não ler”
“O sol nasce mesmo sem a literatura”
“Sou-me”

 


Realidades afirmadas, sem um pingo de verdade!

 


“Horário comercial”
“Primavera, verão, outono, inverno”
“Dois mil e nove D.C.”

 


Que terror:


Arrancaram as árvores e implantaram o urbano;


Apodreceram as pombas;


Catequizaram nativos (crucificaram almas);


Riscaram, desrriscaram, rerriscaram, arriscaram e rerrerriscaram novamente todo o chão;


Só me deixaram cáries de herança;


Meu natural cheiro foi marginalizado;


Andar virou exercício;


Se alimentar para que, se posso comer tudo;


Podre: o real estado do século XXI;


O homem bicho virou um bicho estranho para si

 

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publicado por AB Poeta às 16:11
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IV Estações

Como tudo hoje anda tão corrido... Não sobra mais tempo para nada. A vida virou uma agenda, e o que não estiver nela anotado vai passar sem ser notado. Até o que está ao nosso lado às vezes passa despercebido. As lembranças foram sintetizadas e rabiscadas em papeizinhos post-it, aqueles amarelinhos com cola que grudamos a nossa volta e depois amassamos e descartamos antes mesmo de seu conteúdo ser registrado em algum lugar de nossa memória. Tudo hoje é passageiro e, pior, descartável. E é incrível como Deus, em seu silêncio e eterna presença se mostra contrário a isso.


Tudo o que é bonito tem um tempo de gestação. Quando notamos maravilhados um campo florido, ignoramos o fato de que um dia aquilo tudo foi uma imensidão vazia, apenas terra. A semente, soterrada em silêncio, nos movimentos das estações anuais, vira broto, cria caule, folha, flor, fruto... Fruto que cai, renova a relva, renasce vivo, perdura o ciclo, encanta. A lagarta vista com asco, rasteja, se fecha em seu casulo, crisálida mutação, desperta borboleta de infinitas cores, voa disforme, pousa no pólen, revoa inata, repousa fecunda. Perpétua e harmônica, assim segue a beleza da natureza, soprada pela una divindade. Assim é também com o amor.


Na correria diária às vezes não enxergamos o que está a um palmo de nossos narizes, quem dirá o que está a alguns quarteirões. Nas voltas da vida, de tantas idas e vindas, uma hora o destino se alinha, direciona, redireciona os passos para o plano que Ele tem para nós. Nós que há tanto moramos perto, a poucos passos de distância um do outro, fomos nos encontrar longe de nossos lares, do cotidiano bairrista. Poderíamos ter nos encontrados na fila do pão, no mercadinho da esquina, distraídos, locando um filme... Mas não, foi mais do que um encontro casual, foi um encontro que nasceu de uma afinidade. Uma afinidade que nasceu de um destino. Destinos que verdejaram se cruzaram na maturidade, no melhor da vida.


Foram quatro anos de amizade. Assim como Deus demonstra com a natureza, conosco não foi diferente. Aos poucos, primeiro plantada, cuidadosamente regada, carinhosamente aquecida pelo sol, devagarzinho nossa semente foi brotando. Nossas mãos, antes distantes, foram unidas pela mão maior, formando um caule fortificado pelo desejo, pelo respeito mutuo, que fez florir nosso amor. Temos muito ainda pela frente e, assim como a natureza, quero rir com você no verão, planejar no outono, te abraçar no inverno, renascer na primavera, passar o passar das estações ao seu lado, plantando e cultivando as boas sementes, espalhar nossos frutos pelo campo, renovar a relva e perpetuar a beleza de nosso amor, que calmo como as flores, nasceu de um ciclo naturalmente divino, de um destino que a pressa não conseguiu separar.

 


Escrito para Marina e Moisés

 

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publicado por AB Poeta às 12:27
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Sexta-feira, 29 de Janeiro de 2010

Impressões de São Paulo - Liberdade

 

É difícil escolher e falar de um lugar de São Paulo, já que sou paulistano, sempre morei aqui e ando por toda a cidade, ou pelo menos por boa parte dela, desde sempre. Fica então mais fácil começar pelo começo da minha relação com Sampa.


Essa paixão, ou amor, ou dependência, não sei mais qual desses é que sinto, ou se sinto todos ao mesmo tempo... É, acho que é tudo ao mesmo tempo. Aqui tem que ser tudo ao mesmo tempo, senão não vai. Essa relação começou a ficar mais intensa quando entrei para o mercado de trabalho, em 89. Iniciei na vida corporativa como todo garoto da minha época e idade (14) começava, como Office-boy. Foi um ano de muitas mudanças: para mim, que a partir de então teria mais responsabilidades, para o Brasil, que depois de um período de ditadura estava prestes a realizar eleições diretas para presidente, e para o mundo, que assistia a bancarrota de boa parte dos camaradas vermelhos, iniciada com a queda do muro de Berlin.


Bem, mudanças geopolíticas a parte, uma alteração significativa na minha “georotina” era o fato de que eu concluiria o ensino médio num colégio próximo ao centro, mais exatamente na Av. Liberdade. Os amigos da escola de bairro ficariam para o final de semana. Nada mais de, ao término do expediente, correr e pegar o metrô lotado na República, baldear na Sé, ir enlatado até o Carandiru e depois ir pendurado no ônibus até o Jardim Brasil. Tudo isso para, tentar, chegar a tempo de assistir a primeira aula.


A minha rotina alterou-se. Saia do trabalho, um escritório que tratava de imóveis e seguros localizado na 24 de Maio, caminhava tranquilamente por toda extensão da rua sentido Conselheiro Crispiniano, o tempo agora sobrava. Às vezes parava na Galeria do Rock para admirar as capas de discos e estampas de camisetas, que em sua maioria retratava algum rockstar morto por overdose, ou algum outro motivo. As figuras que lá freqüentavam também eram bem curiosas. Punks, metaleiros, góticos e mais uma porção de outras tribos que eu não fazia idéia de como se chamavam ou se denominavam.


Passava pela Praça Ramos de Azevedo que era habitada por figuras quase que circenses: os homens-sanduíche, que divulgavam vagas de emprego, logo a sua frente ficava o mágico que entre tantos números o que melhor executava era tirar luz, feijão e morada de dentro da mínima cartola. Havia também os piratas negociadores de ouro e documentos falsificados... A mais interessante dessas personas era o malabarista: de um lado um aro 20 velho de bicicleta circundado de facas e do outro lado o grande protagonista, vestido com uma calça de capoeirista e sem camisa, exibindo seu físico parcialmente definido (definido mais pela fome do que pela prática de exercícios) e em sua volta a multidão de espectadores curiosos, ansiosos para vê-lo mergulhando através do arco da morte, o que nunca acontecia. Ele ensaiava um salto, recuava, contava uma lorota, ameaçava pular, recuava... E de repente oferecia ao público uma pomadinha milagrosa, feita sei lá do que, que curava de dor de cotovelo a reumatismo. Observando tudo isso, em cada lateral havia um gigante. Na esquerda o erudito e histórico Teatro Municipal, e na direita a impávida e colossal loja de departamentos Mappin, elefante que divertiu muita gente, mas virou zebra e acabou morrendo.


Passado à praça, atravessava a Xavier de Toledo, seguia pelo Viaduto do Chá, onde o show continuava. O homem-bala confesso que não era uma figura querida, era só surrupiar uma bolsa ou carteira para vê-lo voar, e caso precisasse usar o canhão, a experiência tornava-se mais desagradável ainda para o (in)voluntário da platéia. As ciganas, as coloridas cartomantes, com o seu sexto sentido apurado de charlatãs, eram capazes de ler o futuro até nas tampinhas de garrafa, uma maravilha. Os camelôs faziam o papel dos pipoqueiros, vendendo suas bugigangas paraguaias. Os macacos adestrados e de uniforme chegavam todos de carro, estacionavam, desciam e ficavam observando o movimento. Mas é melhor não trata-los como macacos, Virgulino perdeu a cabeça por causa disso. No final do viaduto a visão não era agradável. Pedintes exibindo suas pernas podres passavam o dia ali, com o braço esticado na esperança de um trocado. Era uma ferida sobre a outra: gangrena ou trombose tornando o mendigo enfermo a pior feriada produzida pela sociedade. Havia um que não tinha os olhos, seus braços e dedos eram ossudos, vivia sentado todo torto, era uma figura impactante. Olha-lo era uma mistura de dó, indignação e escárnio. Talvez fosse mais digno que o farrapo se jogasse no vale do diabo, se estatelasse tingindo o chão de sangue e desigualdade. Quem sabe até estrelasse as primeiras páginas do Notícias Populares e alguém sentisse apenas dó dele. Mas ele era tão magrelo que era capaz de nem sangrar muito e não ser percebido. As feridas expostas incomodam e, querendo ou não, nos deixam um pouco frios.


Saia do viaduto, atravessava a Praça do Patriarca, seguia pela Rua Direita e prestava atenção em outras pernas. Na passarela calças pretas apertadas, saias azul-marinho, saltos altos, pernas torneadas, tudo aquilo era um colírio para os meu olhos juvenis. Às vezes parava em alguma loja em que havia uma pilha de fitas K7 em promoção e entre uma fita e outra admirava uma modelo. Na pilha nunca havia algo que prestasse, mas era bom sempre dar uma conferida.


Subia a Quintino Bocaiúva, dava uma olhada nas lojas de instrumentos musicais, chegava no Largo São Francisco e parava no Sebo do Messias. Praticamente eu batia cartão lá, sempre conferindo os vinis. O único lugar onde o cheiro de mofo não atacava minha renite alérgica era no Sebo.


Saia e em fim chegava na Av. Liberdade, me deparando com as últimas personagens da minha jornada. No começo da avenida tem um trecho que apelidei de “paredão das putas”. No final do horário comercial as lojas de Cine & Foto baixavam suas portas, e as meninas iniciavam a profissão. Ficavam enfileiradas ali de 15 a 20 mulheres. A que mais chamava atenção era uma grávida, com o barrigão enorme, na maioria das vezes de vestidinho agarrado de cor azul bebê (Freud explica). Eu passava entre chamadas - psiu, ei gato, ta afim?; oi... vamô lá? - e pensava - mal sabem elas que meu misero salário fica quase todo com a instituição da família Álvares Penteado... o que sobra dá para, no máximo, um hot dog no final do dia.


Chegando ao colégio encontrava os novos amigos, às vezes comia o dito hot dog, às vezes não, às vezes era uma “canoa na chapa”, com catchup e guaraná, às vezes não...


No final da noite era pegar o metrô o ônibus voltar para casa e tentar dormir antes que o dia seguinte chegasse, para acordar pela manhã junto com o galo e me preparar para viver mais um dia de responsabilidades e impressões lúdicas dessa cidade, que apesar dos pesares, ainda muito me encanta.

 

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Quinta-feira, 24 de Dezembro de 2009

Feliz Natal

Que a alva pomba da paz voe da sombra, vinda distante e num mergulho rasante penetre profundo e modifique o mundo de todos vocês nesta virada que virá!

 

 

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Sábado, 12 de Dezembro de 2009

Delírios soturnos

Lá para umas três horas da manhã acordei com uma porção de sensações ruins. Primeiro a minha visão estava meio distorcida, as poucas luzes que permanecem acesas durante o escuro (da noite), como por exemplo, o ponto vermelho que fica aceso ao lado do botão (on/off) da televisão, parecia traçar um risco no ar, conforme eu movimentava a cabeça. Também senti uma sensação de tontura, mas o que mesmo me deixou apavorado foi à impressão de que algo ruim poderia me acontecer. Me senti perdido, transtornado, parecia que algo ia me acontecer, ou que eu faria algo ruim, sei lá, nunca me senti tão sufocado. Incessantemente repetia comigo mesmo “você está bem, você não tem nada”, alternava essas afirmações com a minha oração: “paz, harmonia e equilíbrio, governam minha mente em todas as ocasiões”. Senti uma desinteira, fui ao banheiro e resolvi essa necessidade fisiológica, mas durante o ato meu corpo começou a ficar gelado e trêmulo, fiquei apreensivo, terminei logo e voltei para o quarto, sentido meu corpo ainda frio e tendo as mesmas sensações ruins. Tentei me acalmar, sentei na cama respirando fundo e pensando em minhas pequenas orações. Li as passagens da bíblia sugeridas pelo meu amigo Fabio (Mateus Cap. 11 – 28,29 e 30), o fardo é leve, nossa cabeça é que fazem as coisas ficarem estranhas.

 
Nunca tive uma posição formada sobre Deus, e não acredito nessa formatação que deram-no, mas sempre acreditei que existe algo maior do que tudo isso, algo mais forte e bom, que rege toda essa coisa que chamamos de vida. A atual ordem social nos afastou do bem, nos distanciou de nós mesmos. Hoje tudo gira em torno do material, do acumulo sem fim... e sem nexo também, já que dessa vida nada se leva. Se Deus nos fez sua imagem e semelhança, talvez ler as palavras contidas na bíblia seja uma forma de olharmos para nós, para o bem que há dentro de nós.


Minhas dores são reações psicossomáticas originadas dos meus conflitos internos que se deram durante toda minha existência e que agora estão emergindo do subconsciente e me atrapalhando... ou talvez não (meus ouvidos estão zunindo agora) talvez essas reações sejam um aviso, um alerta (algo assim) de que é preciso seguir um caminho, é preciso ter um “norte”.


O homem é um animal simbólico, precisa dos signos para “sobreviver”. Acho que minhas leituras de filosofia, sociologia, psicologia... me fizeram entender demais como o mundo funciona. Fui aos poucos me desapegando dos símbolos e meu ceticismo, que já era grande, foi ficando maior. Compreender como as “coisas” funcionam é um perigo! Talvez essa seja a grande “maçã”, o verdadeiro fruto proibido, o conhecimento (uns dos passarinhos cantou agora – 04:55hs).


Esse é o grande simbolismo do mito do paraíso, o fruto proibido, o conhecimento é realmente um perigo, tem que saber lhe dar com ele. Adão e Eva após comerem o fruto, viram que estavam nus e sentiram vergonha (o passarinho cantou mais uma vez, só que agora foi mais longo – 05hs). O conhecimento nos mostra o quanto estamos nus.


Tentei chorar para aliviar a dor e as sensações ruins, mas não consegui derramar uma lágrima... Escrever ajudou a aliviar. Quero dormir, mas ainda tenho receio, não quero que essas sensações ruins voltem. Sei que elas talvez não voltem, mas essa sensação é totalmente nova para mim, e é horrível, a ponto de me deixar com medo de deitar.


O dia está nascendo (meu irmão chegou, que bom!). Kafka disse que a hora mais perigosa do dia é a hora de acordar, mas discordo dele, acho que a pior hora do dia é a hora de deitar-se, porque você nunca sabe o que pode te assombrar durante a noite.

 

OBS: Esse texto foi escrito sobre o efeito dos remédios Cloridato de Paroxetina 20mg e Apraz 0,5mg - prescritos pelo médico.

 

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publicado por AB Poeta às 17:35
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Terça-feira, 1 de Dezembro de 2009

Se eu acredito no Brasil?

"Não sei se acredito... Um povo que não se preocupa em educar-se, não se preocupa com política, vive vendo televisão e discutindo futebol, temos um governo que em sua maioria legisla em causa própria e vive encobrindo escândalos e trocando favores... O País do jeitinho... Do carnaval... Acreditar nisso? Não sei... Prefiro não desacreditar que um dia isso possa mudar. "

 

André Al. Braga, vendedor, São Paulo (SP)

 

Publicado na revista Brasileiros - Nº 28 Nov/2009

 

E você, acreita no Brasil? Clique aqui e dê sua opinião.

 

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Terça-feira, 10 de Novembro de 2009

O (des)Caso Uniban(do)

 

O corpo discente não achando decente
Para o ambiente o vestido ardente
Da adolescente atraente
Agiu bruscamente e brutalmente
Deixando a situação inconveniente
Incontrolável, caos aparente.
Antes que alguém a violente
Solicitaram a polícia: “por favor se apresente”
A diligência chegou rapidamente
Levando-a dali velozmente
“vamos sair, antes que alguém lhe arrebente.”


O corpo docente analisando o incidente
Achou melhor ser condescendente
Com a massa acrania e valente
Expulsando a menina apressadamente
Dizendo: “se vestes vulgarmente,
A culpa agora, você que agüente”


A Sra. imprensa, que não discute candidamente
E trata um assunto importante vãmente
Também tem culpa no ocorrente
Difundindo a notícia inadequadamente.


Nós da Universidade, apesar do antecedente
Somos um exemplo, falando moralmente
De instituição, e orgulhosamente
Tomamos a decisão, cuidadosamente
De expulsa-la, por se trajar visivelmente
Fora dos padrões, e estamos crentes
Que foi justa e tomada sabiamente
Porque buscamos um ensino, religiosamente
Correto, e agimos disciplinadamente
E temos que ser sempre complacentes

Pois quem tem que educar tanta gente
Sabe que a razão sempre será do cliente.

 

 

publicado por AB Poeta às 11:16
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Terça-feira, 13 de Outubro de 2009

Museu da Pessoa

 

O Museu da Pessoa foi fundado em 1991 com o intuito de construir uma rede internacional de histórias de vida capaz de contribuir para a mudança social. Esse museu é virtual e você também pode participar contando uma história de vida sua.


Algumas minhas foram publicadas, clique aqui e lei-as.

 

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publicado por AB Poeta às 16:20
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Sábado, 10 de Outubro de 2009

Estado crítico

Minhas dores... Ah, minhas dores. O que elas não me fazem passar. Fui novamente ao hospital público para mais uma vez tentar fazer minhas repentinas e aceleradas palpitações cardíacas decorrentes do stress (o mal do homem pós-moderno) diminuírem. Fui atendido até que rápido (e com direito a eletrocardiograma), fiquei aproximadamente 1h, o que para os padrões públicos e Standard de atendimento é pouco tempo.


Enquanto aguardava minha vez de ser atendido, uma pergunta me veio à cabeça: quem é que manda na saúde pública brasileira? Será que é o ministro da saúde? O governador? O prefeito, ou a sub-prefeitura? Senadores, deputados, vereadores...? O presidente? A população? Quem será, ou quem são esses indivíduos responsáveis pelo funcionamento do sistema de saúde? Nessa minha paciente espera pelo atendimento descobri quem é que manda, quem é que da as ordens, quem são os bam-bam-bans, os reis da cocada preta, responsáveis por esses órgãos: são os diretores dos hospitais, dos postos de saúde ou de qualquer outro tipo de repartição pública desse mesmo gênero (ou de qualquer outro também). Bem, você deve estar se perguntando: como esse cara chegou a essa conclusão? Vamos a ela, a explicação:


Sentado esperando no confortável banco de madeira, em meio aos outros sem convênio médico que pacientemente também esperavam sua vez, uma placa fixada numa das portas dentro do ambulatório me chamou a atenção, nela estava (ou está ainda) escrito – ATENÇÃO SR. USUÁRIO, NÃO FORNECEMOS ATESTADO MÉDICO, FAVOR NÃO INSISTIR, ATENCIOSAMENTE, A CHEFIA DO PRONTO SOCORRO ADULTO. De primeiro momento não dei muita bola, mas como nosso cérebro nunca para de processar as informações adquiridas, comecei a desconfiar que havia algo de errado naqueles dizeres. Segundo ela, a placa, o hospital não fornece atestado médico, e imagino que essa atitude foi tomada pelo número excessivo de pessoas que pedem o mesmo, o que não quer dizer nada também, já que é notório que todas as repartições de saúde públicas são lotadas, então todos os serviços solicitados nelas sofrerão uma demanda muito grande. Fotografei a placa utilizando meu ultra-moderno celular, sai de lá e segui a caminho de casa. Chegando fui direto perguntar ao oráculo do século XXI, o Google, sobre o fornecimento de atestado médico e averigüei o que já desconfiava: o hospital estava (ou ainda está) infringindo a lei. Segundo a resolução nº 1.658/2002 do CFM (Conselho Federal de Medicina),
“o atestado médico é parte integrante do ato médico, sendo seu fornecimento direito inalienável do paciente, não podendo importar em qualquer majoração de honorários.”


Fiquei me perguntando: para que são feitas as leis, já que cada um faz o que quer? Se você for analisar quem é que manda no Brasil, vai ver que são os chefes das repartições públicas, porque são eles quem fazem à máquina estatal “funcionar”. Hospitais, escolas e as demais repartições estão todas a mercê de seus diretores. As leis que as regem parecem que nem existem, que não tem utilidade.


O CFM se reuni e define que o fornecimento do atestado médico é obrigatório, é um direito do paciente, mas o chefe do departamento do pronto socorro, que é quem faz o serviço “andar”, acha que não, tem muita gente “pedindo” a toa, então não vamos mais fornece-lo. Isso é no mínimo absurdo. Se eles acham que tem muita gente “pedindo” sem ter nenhum tipo de enfermidade, que estão solicitando o atestado só para conseguir matar um dia de trabalho, que atestem somente as horas em que o indivíduo esteve no local, agora fazer uma placa dizendo que não vão mais fornecer a ninguém, e ainda pedem para não insistir! Ai é brincadeira! O pior não é só a direção do hospital tomar essa atitude, é também a omissão da classe médica que se auto-infringe. Será que não teve um médico que indignado com essa decisão pôs-se contra a direção? Eu não estava lá para saber se teve ou não, mas pelo jeito... A placa estava lá (ou ainda está).

 

O que será que leva alguém a querer ser médico hoje? Amor à profissão ou glamour? Aquele médico que tem como princípios salvar vidas, acho que está ficando raro. Se é que ele existiu um dia. O que a maioria quer mesmo é o glamour, o status que a prática médica tem em nossa sociedade pós-moderna. Eles devem ter achado foi é bom, esse lance de não dar mais atestado. Eles vivem reclamando que ganham pouco. Se estão descontentes com o ordenado, então caiam fora! O médico que trabalha com má vontade prejudica muita gente.


Fora que não consigo entender como alguém que estuda tanto para ser médico pode ter uma letra tão, mais tão horrível. Deveria ser exigido do médico que ele escrevesse de forma legível. Geralmente ficamos sabendo qual remédio foi receitado somente na hora da compra, porque o farmacêutico é o único que consegue decifrar os garranchos. Deve ter um ou outro por ai que se preocupa em escrever de maneira legível, mas se for ver pela maioria...


Pensando bem, acho que o pior mesmo é saber que a população que paga imposto e usa o serviço público nem faz idéia de que aquela placa é um sinal, ou mais um sinal, do desrespeito com que os órgãos públicos tratam seus usuários. Se a população soubesse dos seus direitos, de que nós é que somos os “patrões” do estado, placas como essa não durariam muito.


A saúde brasileira segue entubada na UTI, seu estado é crítico e os médicos responsáveis pela sua recuperação estão mais preocupados em receberem o soldo e em exibirem seus diplomas, pendurados nas paredes de seus frios consultórios. Os populares que precisam desses serviços seguem ajoelhados, rezando para que tudo melhore em suas vidas. A fé ajuda, é fundamental em nossa existência, mas as coisas só vão mudar de verdade quando substituirmos as bíblias, livros de auto-ajuda ou qualquer outra coisa do tipo, pela constituição da república federativa do Brasil, que é o livro que rege nossa coletividade.
Minhas dores... Ah, minhas dores.

 

Hosp. São Luiz Gonzaga - SP/Capital - 25/09/09

 

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Sábado, 18 de Julho de 2009

O show não pode parar!

I

 

Dia 25 de junho deste ano Michel Jackson faleceu aos 50 anos da idade, decorrente de uma parada cardíaca. Considerado o rei da música pop em todo o mundo, a notícia de sua morte tomou conta de todos os meios e veículos de comunicação. Prestes a realizar uma maratona de 50 shows pela Inglaterra, e já ensaiando as coreografias dessas apresentações, a morte do ídolo pegou todos de surpresa. As vendas de seus álbuns dispararam no reino unido, deixando 14 de seus trabalhos entre a lista dos 20 mais vendidos. As visualizações de seus vídeos no YOUTUBE bateram recordes. Michael Jackson se foi, mas deixou vivo o mito pop.

 

II

 

Michael Jackson sempre foi envolvido com causas beneficentes. Em janeiro de 1985 ele, junto com o cantor americano e amigo Lionel Richie, escreveram a canção We are the world, que foi gravada por uma reunião de artistas que ficou conhecida como Band Aid. Esse single arrecadou cerca de 55 milhões de dólares para o fundo USA for África, ajudando milhares de famílias no continente africano. A campanha desencadeou vários outras, nesse mesmo formato, pelo mundo todo. No Brasil, uma dessas campanhas ficou conhecida como Nordeste Já.


No Parque São José, bairro pobre de Fortaleza (CE), inspirado no ídolo pop, o cearense Gleidson Rodrigues, conhecido na região como Michael Jackson Cover, formou o grupo de dança Dangerous, que reuni jovens entre 12 e 22 anos. Dentro de um minúsculo apartamento eles ensaiam as coreografias dos vídeos de Michael. O que chama a atenção na liderança de Gleidson é a exigência que ele faz aos jovens, para que possam continuar participando desse grupo: freqüentar e tirar boas notas na escola; e deixa bem claro que o grupo não garante futuro a ninguém. Mais do que passos ensaiados, Glaidson mostra a esses jovens a importância que é educar-se, e ajuda o país a formar cidadãos. Michael Jackson influenciou pessoas não só com a música, mas também com suas atitudes filantrópicas; e Gladison, com a música e a dança de Jackson, ajuda o Brasil a dar passos na direção correta.

 

III

 

Dizem que é melhor ouvir “certas coisas” (merda) do que ser surdo. Mas ficar calado diante de certas “coisas” ditas, não dá. O congressista americano Peter King (rei só de sobrenome) fez um comentário, no mínimo infeliz, sobre a cobertura da morte de Michael. Disse que não entende o “por que” de tanta glorificação, já que, segundo sua opinião, o falecido era um “pervertido... molestador de crianças” – “ele tinha algum talento, era um bom cantor e fez algumas danças, mas você deixaria seu filho ou seu neto com ele?” – palavras de Peter King.


Bem, vamos a uma rápida história: A MTV (Music Television) foi pela primeira vez ao ar em 01 de agosto de 1981, e logo a emissora virou uma febre entre os adolescentes estadunidenses, o que viria revolucionar a indústria musical. Em 1983 um fato inédito aconteceria. Depois do lançamento do álbum Thriller, o videoclipe do single “Billie Jean” estourou na audiência da emissora, fazendo de Michael Jackson o primeiro artista negro a aparecer na MTV. O álbum além de firmar Michael como ícone pop, difundiu mais ainda a cultura negra no segregado país norte americano. Vinte e cinco anos depois dessa barreira cultural rompida, os americanos quebrariam uma barreira maior ainda, elegendo o primeiro presidente negro da maior potência econômica do mundo, Barack Obama.


O que Michael Jackson fez com seu moonwalker, Peter King não fez, e nunca fará, com seu cargo congressista. As palavras do político não passaram de um infeliz comentário de tom racista.

 

IV

 

Ver os vídeos dos Jackson Five, com Michael ainda criança, é uma satisfação plena aos olhos e ouvidos. Numa atitude contemplativa, eles fixam atenção sobre a alegria transmitida pelo menino, vendo-o cantar com tanta emoção e dançar com tanta energia.


É mais que notório que o Jackson pai obrigava os filhos a treinar exaustivamente, e a cada erro que acontecia, a surra já era algo esperado. Michael sempre falou que seu pai nunca deixava-o brincar com outras crianças... Talvez o sensível menino Michael tenha encontrado na arte (sua arte) uma forma de botar para fora toda a angústia contida dentro de seu ser. Ser que ao crescer não quis ser o que todos geralmente se tornam: adulto. Recusou-se.


Desfigurado pela paranóia, neuroticamente procurando reconhecer-se no espelho, mas nunca conseguindo, Michael se cortou e recortou fazendo dezenas de cirurgias plásticas. Em Neverland, o Michael de corpo adulto encontrava seu arquétipo dominante e, junto com outras crianças, fazia algazarras faraônicas, homéricas brincadeiras, tomou dionisíacos porres com coca-cola, transformava suas reprimidas vontades da sofrida e pobre não-infância em realidade, lá na terra do nunca, onde o patriarcal opressor “não” não existia. A mudança de tom da sua pele foi algo simplesmente fantástico! Ele foi o único ser humano na face, e na história, do planeta Terra que mudou de cor! Triste. Não obteve resultado algum. Agrediu o corpo, agrediu a raça, agrediu-se... Para nada. Continuou sendo o que não queria, e longe de ser o que desejava. Sua morte foi pré-matura, mas não por ter morrido aos 50 anos, e sim por que Michael já nasceu morto. Michael nunca foi criança... Nunca foi adulto... Nunca foi Michael Joseph Jackson. Michael sempre foi mito, sempre foi Michael Jackson!

 

V

 

Com o estádio lotado, e escoltado pelos irmãos, o caixão de bronze e ouro, ornado de flores entrou silenciando a todos. A tampa lacrada deixava uma dúvida no ar: será que o corpo está lá dentro? Essa certa dúvida logo se desfez quando a cerimônia começou, pois, mesmo o amortalhado corpo selado em urna fúnebre, Michael nunca foi corpo. Sempre foi alma. Seria impossível cantar daquele jeito, aos oito anos, sendo um corpo. Michael mito estava em todos os lugares, não caberia nunca dentro dum caixão.


VI

 

Através da TV o mundo atentava com lacrimosos olhares ao rito:
Como numa cerimônia nordestina, os pares formaram-se alvoroçados, o sanfoneiro entrou no palco, abriu a garrafa de caninha “da braba” com a boca, cuspiu a rolha, encheu o copo americano e, em homenagem ao defunto, virou sem engasgo. Bateu no púlpito, limpou os lábios na manga da camisa e disse:

 

- O show não pode parar!

 

E a sanfona comeu solto a noite toda.

 

 

Pra ver: 

IN MEMORIAN

 

Download - álbuns pra ouvir:

Jackson Five (melhores)

Off The Wall

Thriller

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Quarta-feira, 15 de Julho de 2009

Frio

Num salto olímpico levantei da cama, por volta das quatro da manhã. Acendi a luz, com pouco fôlego: coração disparado, corpo formigando, tremedeira, tom amarelado, boca seca... A sufocante sensação era horrível. Acordei o mais próximo, pedindo ajuda. Todos na casa acordaram. Rápido, levaram-me ao hospital. Levei comigo uma garrafinha d’água, para manter a garganta úmida. Fui quieto, suportando a pressão no peito. Chegamos pouco mais das cinco. Só havia eu de paciente (então não havia fila, nem público). O segurança orientou-me para que fizesse a ficha de atendimento. Acordei o funcionário do guichê, passei meu RG e outros dados. Fui até o Pronto Socorro, sentei-me num banco de madeira morta, esperei. Naquela madrugada fazia muito frio, fiquei encolhido bebericando minha água. Segurava a garrafa como se fosse à mão de alguém que me ajudava, que mantinha-me vivo. Não havia ninguém pronto em socorro para atender-me. O médico de plantão estava cuidando dum que chegou todo estropiado no carro do resgate. Pobre infeliz. Teve a “beira da morte” como vantagem.


O corredor em que eu aguardava estava limpissimo, um brinco. As paredes pintadas recentemente davam um ar de “novo” ao local. O silêncio, quase absoluto, foi quebrado pelos gritos duma senhora que chegou urrando de dor. Acomodaram-na perto de mim, mas ela não parava em nenhuma posição, só contorcia-se e chorava. Os gemidos dela entraram ríspidos pelos meus ouvidos, misturaram-se a minha agonia, e passaram a ser meus também. Compartilhávamos o sofrimento, pois no local não havia uma alma penada que escutasse nossas suplicas. Os poucos funcionários ali de plantão, passavam indiferentes ao que acontecia. De repente senti tudo frio: o glacial tempo, a luz refletida no fleumático brilhoso chão, colaboradores insípidos... O arrefecido Eu calou-se. Para cuidar da calorosa condição humana é preciso ser uma pessoa fria... Ser gélido. Não há espaço para a compaixão, ninguém recebe soldo para ser complacente. Bondade não é ofício. O descaso impera no templo do auxílio público. O estado é crítico; a massa é surrada; e a alma do servidor é de pedra. A senhora ao meu lado parece que ouviu meus pensamentos, e acabou vomitando de indignação. Expeliu queixume. Um balde velho, utilizado como cesto de lixo, amparou-a, servindo-lhe como amigo.


Nunca me senti tão só. Se eu fosse um saco de coisa qualquer jogado no chão, alguém viria me apanhar e colocar-me no lugar certo. Mas sou gente, e o frio me tornava invisível. Meu coração apertou mais, e num ato solitário de auto-socorro, derramei uma lágrima. Ela escorreu quente no meu tremulo rosto, até tocar em meus lábios. O sal quebrou a insipidez incomoda daquele começo de dia. Não quis mais estar ali, levantei-me e segui em direção a saída. Quando passei pela porta, o segurança olhou-me e perguntou se eu não iria aguardar mais um pouco; respondi-lhe que se só há defuntos no velório então não há velório. Segui em frente, voltei para casa. Queira descansar em paz, num lugar onde o frio fosse apenas uma sensação térmica.

 

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publicado por AB Poeta às 05:56
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Sexta-feira, 3 de Julho de 2009

Pirataria

Pirataria. Na época do “bolachão” (o saudoso vinil) esse termo tinha outro significado: quando uma banda realizava algum show, e o mesmo era gravado, às vezes esse era lançado como um disco “pirata”, um álbum “não oficial”, lançado, mas não através da gravadora que essa mesma banda era contratada.


Hoje o termo pirataria tem outra conotação: copiar, vender, distribuir qualquer produto sem pagar os direitos autorais de marca, propriedade intelectual e de indústria. E é uma prática criminosa, prevista na Lei 10.695 de 01 de Julho de 2003. Roupas, relógios, CDs, DVDs, tudo o que você possa imaginar, hoje é copiado. Na China, nome que é quase um sinônimo de produto pirata, até carros são copiados, como mostra uma matéria feita pelo Portal Exame.


O mercado musical começou a sofrer com essa prática ilegal a partir do final da década de 80. Os lançamentos em K7 foram simplesmente dizimados pelas falsificações. Quase 100% das fitas vendidas no Brasil eram cópias ilegais.


Antigamente para um “artista” ganhar um disco de ouro ele tinha que vender cem mil cópias de um álbum. Devido ao comercio ilegal, esse número de cópias caiu para cinqüenta mil.


As grandes gravadoras reclamam e pressionam muito para que a pirataria seja contida. Mas será que as campanhas anti-pirataria são feitas (direcionadas) de maneira correta? Por exemplo: se você alugar um filme em DVD, vai ver uma campanha onde aparece um camelô dando balas de revolver como troco, a uma pessoa que acaba de comprar um produto falsificado. A campanha associa a pirataria ao crime organizado, o que não está errado, mas tratar o camelô, que não passa de mais um brasileiro fudido, como um mafioso!? Bem, isso mostra como são as coisas no Brasil: o peixe grande nunca é, e nunca será, pescado. As mídias de CD e DVD, quem as fabrica? Como elas entram em nosso país? Assim como os grandes traficantes nunca são pegos, os grandes esquemas nunca são denunciados, e quando são as investigações acabam em pizza, os grandes pirateiros continuarão navegando, à vontade, nos mais diversos mares mercadológicos.


Toda revolução tecnologia traz facilidades a nossa vida cotidiana. Da revolução industrial para cá, o homem vem desenvolvendo cada vez mais tecnologia, o que sempre causa perdas e ganhos nos mercados e na economia. Um grande exemplo disso é a própria pirataria.


Empresas (multinacionais) como Olivetti ou Remington, fabricantes de maquinas de escrever, simplesmente sumiram da noite para o dia, depois que os PCs foram popularizados. Acredito que as grandes gravadoras estão seguindo no mesmo caminho. Além da pirataria, agora eles tem outro grande inimigo: o download; estão fazendo de tudo para que esse seja considerado uma prática ilegal. No reino unido o governo está preparando um projeto de lei para que, quando algum usuário baixar um arquivo de música ou filme, o provedor, como forma de penalizá-lo, desconecte-o da internet. Acredito que estão tentando frear um futuro que será inevitável: o fim das gravadoras.


Antigamente uma banda, para mostrar seu trabalho a um grande público, tinha que gravar uma fita demo, bater de porta em porta atrás de uma gravadora que o acolhesse e o lançasse. Caso essa banda fosse um produto fácil para se vender, a gravadora a contrataria na hora. Hoje o quadro é bem diferente. Qualquer um pode adquirir um programa de gravação, plugar seu instrumento ao PC e gravar uma música. Com uma simples câmera digital, e um programa de edição de vídeo, baixado de graça, é possível produzir um videoclipe e exibi-lo em diversos sites, como o YouTube. Atualmente essa independência proporcionada pela tecnologia, produziu um fenômeno pop: a garota prodígio Malu Magalhães. Imaginem se essa menina fosse pegar seu violão, mostrar sua folk music para as gravadoras a fim de lançar um álbum. Qual a resposta que ela receberia? Acredito que um sonoro NÃO. Sozinha ela consegui atingir um altíssimo público, e tudo através da net. Parabéns menina.


O download possibilitou que álbuns ou filmes já fora de catálogo pudessem ser facilmente adquiridos, garantindo assim a sobrevivência da vida musical de muitos, que há tempos caíram no esquecimento. Artistas que nunca seriam ouvidos por um grande público, agora tem como divulgar seu trabalho. E sem precisar do aval de um produtor ou, pior, de um diretor de gravadora.


Comparar o download com a pirataria é ridículo. Baixar um arquivo para uso próprio não pode ser considerado crime, assim como, antigamente, pegar um disco emprestado e gravá-lo em K7 nunca foi uma prática mal vista. A Inglaterra, que se diz ser um país desenvolvido, esta dando um passo para trás com essa nova lei.


Não adianta, o mercado fonográfico mudou graças ao advento tecnológico, e as gravadoras não estão acompanhando essa evolução e, pior, estão tentando frear algo que não tem como parar. O download veio para ficar.


Adeus, grandes gravadoras!

 

 

 

Clique e leia:

Manifesto Movimento Música para Baixar

 

http://musicaparabaixar.org.br/

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Sábado, 27 de Junho de 2009

Centésimo post

Numas das minhas tardes de desemprego, em meados do ano de 2008, escrevi, de maneira totalmente despretensiosa, um texto falando sobre fetichismo, hiper-realidade, alienação, reificação, e outros assuntos filosóficos que caminham nessa mesma linha, ao qual intitulei de Ligadas Pelo Desejo (de consumo). Esse foi entregue na faculdade como atividade para a disciplina de filosofia (claro!). Entreguei-o sem esperar nada além da nota necessária para ser aprovado.


Num posterior dia recebi um e-mail da professora dizendo que o texto estava extra-ordinário, e pedindo autorização para lê-lo em sala! Fiquei surpreso com o pedido, pois não via nada de mais em minhas palavras. Agradeci o lisonjeio e autorizei mais do que depressa a leitura.


Fui para a faculdade e quando adentrei a sala simplesmente todos os alunos (uns 60, acho) olharam para mim. Minha visão foi à seguinte: uma mulher linda, de pele clara e cachos dourados, lia, com um sorriso enorme e sincero no delicado rosto, meu texto para sala que, parte prestava atenção, parte ria, parte cagava e anda. Quando a leitura terminou fui meio que ovacionado. A professora mais uma vez elogiou, e disse que eu deveria escrever mais, pois (segundo seu entendimento) eu fazia isso muito bem. Também disse que o texto foi lido em outras salas do curso de comunicação social.


Passado algum tempo recebo outro e-mail dela, pedindo uma cópia do texto e perguntando quando que eu iria fazer um blog. Bem, isso nem me passava pela cabeça, nem sabia como fazê-lo. Resumindo: resolvi fazer um e comecei publicando algumas coisas que já estavam prontas e foram entregues como atividades acadêmicas. Algumas cartas que escrevi por ai também resolvi publicar. Depois que o estoque acabou decidi escrever algo sem ter nenhuma obrigação. Simplesmente sentar e escrever, qualquer coisa. É engraçado, às vezes precisamos de alguém próximo para dizer-nos que somos bons em coisas que não damos tanta importância. O que não era nada antes, hoje é um vício. Agora, depois de escrever contos, poemas, letras de música, crônicas e uma série de outras coisas, publico meu centésimo post em agradecimento a você Profª Tatiana. 

 

Quem sabe um dia eu escreva um livro...

 

Obrigado pelo incentivo.

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Quinta-feira, 18 de Junho de 2009

Um dia de fúria

Texto escrito em 14/03/08.

 

Ele era uma pessoa normal, de modos simples como a maioria, mas um dia... o trânsito, desemprego, a desigualdade social, fome, miséria, enchentes, credores, poluição, aquecimento global, animais em extinção, desmatamento da Amazônia, gripe do frango, doença da vaca louca, crise aérea, mensalão, dólar na cueca, assaltos, roubos, assassinatos, furtos, desaparecimentos, seqüestros, cartões corporativos, nacionalização da petrobras na Bolívia, tráfico de drogas, capitalistas insanos, chefes idiotas, metas impossíveis de serem alcançadas, montadoras e montadores, falta de educação, evasão escolar, evasão fiscal, analfabetismo, propinas, lobby, interesseiros, aproveitadores, clientes chatos, colaboradores mais chatos ainda, cólera, dengue, carie, tosses, virose, enfarto, stress, dores de cabeça, de coluna, frieiras, doenças diversas, guerra no Iraque, na palestina, guerra nuclear, guerra fria, quente, morna, requentada no banho-maria, jogo de interesses, futebol corrupto, política corrupta, geopolítica, pessoas corrompidas por nada, prostituidas, mentiras, falsidade, sonhos vendidos, desilusões, desamores, dissabores, desgasto físico, mental, loucura, MPB, new metal, funky carioca, axé, soda cáustica misturada no leite, metanol misturado na pinga, crise do caqui, acidentes de carro, de moto, de trabalho, de percurso, rádio, televisão, big brothers, programas dominicais, segundas, terças, quartas, quintas, sextas, sábados, carnavais, feriados, ônibus cheio, metrô cheio, lotação cheia, ruas cheias, saco cheio, impaciência, intolerância, imprudência, burocracia, overdose, overpoint, ovo podre, carne podre, comida vencida, remédio vencido, pão por kilo, gasolina, álcool, diesel, biodiesel, biotecnologia, nanotecnologia, transgênicos, frituras, gordura-trans, Windows, Apple, Linux, chineses, russos, indianos, migrantes, imigrantes, xenófobos, homofóbicos, anti-semitismo, orgulhosos, ideologias, democracia, aristocracia, monarquia, autoritarismo, governo militar, ditadura, dentadura, sem dente nenhum, sem comida pra usar os dentes, sem lenço, sem documento, sem lança, sem loló pra deixa lelé, tédio, rotina, tempo que passa rápido, tempo que demora a passar, mesmice, caretice, moderninhos, mauricinhos, patricinhas, promoções, aumentos, superávit, déficit, dívida pública, dívida privada, PPPs, privatização, estatização, sem terra, sem teto, sem faculdade, sem porra nenhuma, e mais uma série de coisas que não lembro... tudo isso ainda não o fez perder a cabeça.


Mas a gota d'água foi a cerveja quente servida no boteco! Ai ele não suportou!

 

 

 

Corra agora! Em breve num cinema bem perto de você.

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Quarta-feira, 17 de Junho de 2009

Valeu Charles!

Texto escrito em 11/03/08.

 

Charles gostaria de agradecê-lo publicamente pela chance que você e o Pedrão me deram quando me aprovaram no teste para embalador. Já faz um tempão né cara (final de 2002), mas sabe como é: não podemos esquecer das origens, nunca! Com certeza nessa época já começava sua tendência para a área em que vai atuar agora, RH. Sou muito grato por isso, um momento de decisão de vocês dois que mudou muita coisa em minha vida, meu caráter, minha visão profissional (essa mudou muito). E como as coisas são: depois de ter “lombado” muita caixa na expedição, e ter percorrido outros departamentos, viemos parar aqui em vendas. E de passagem, como é para tudo e todos na vida. É engraçado essa fama de chato, que pessoas questionadoras como você tem. É gente assim que muda alguma coisa em qualquer lugar. O ruim disso é que as pessoas omissas se beneficiam com essas mudanças, mas não são capazes de perceber quem mudou o que e por que foi mudado... E ainda pior, pensam: MUDAR PARA QUE?

É isso cara, quem cria raiz é planta e quem fica parado é poste!

Valeu brother, bom novo trabalho, já que quem precisa de sorte são os incompetentes, os preguiçosos e os invejosos!

Como você gosta de ler, segue um trecho do Livro do Desassossego - Fernando Pessoa - um livro para pessoas desassossegadas.

Releio passivamente, recebendo o que sinto como uma inspiração e um livramento, aquelas frases simples de Caeiro, na referência natural do que resulta do pequeno tamanho da sua aldeia. Dali, diz ele, porque é pequena, pode ver-se mais do mundo do que da cidade; e por isso a aldeia é maior que a cidade...

Porque eu sou do tamanho do que vejo e não do tamanho da minha altura.

Frases como estas, que parecem crescer sem vontade que as houvesse dito, limpam-me de toda a metafísica que espontaneamente acrescento à vida.

Depois de as ler, chego à minha janela sobre a rua estreita, olho o grande céu e os muitos astros, e sou livre com um esplendor alado cuja vibração me estremece no corpo todo.

"Sou do tamanho do que vejo!” Cada vez que penso esta frase com toda a atenção dos meus nervos, ela me parece mais destinada a reconstruir consteladamente o universo. “Sou do tamanho do que vejo!” Que grande posse mental vai desde o poço das emoções profundas até às altas estrelas que se refletem nele, e, assim, em certo modo, ali estão.

E já agora, consciente de saber ver, olho a vasta metafísica objetiva dos céus todos com uma segurança que me dá vontade de morrer cantando.


"Sou do tamanho do que vejo!" E o vago luar, inteiramente meu, começa a estragar de vago o azul meio-negro do horizonte.


Tenho vontade de erguer os braços e gritar coisas de uma selvajaria ignorada, de dizer palavras aos mistérios altos, de afirmar uma nova personalidade largal aos grandes espaços da matéria vazia.


Mas recolho-me e abrando. "Sou do tamanho do que vejo!” E a frase fica-me sendo a alma inteira, encosto a ela todas as emoções que sinto, e sobre mim, por dentro, como sobre a cidade por fora, cai a paz indecifrável do luar duro que começa largo com o anoitecer.

Fernando Pessoa

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Quinta-feira, 28 de Maio de 2009

E-mail: Hoje não haverá aula

Boa tarde pessoal!

Fiquei sabendo por uma doce boca que pairavam no ar rumores de que hoje não haveria aula, que a professora Elizabeth Casoy (irmã do Boris) não compareceria junto a instituição entitulada FMU, para cumprir com suas obrigações de educadora, frente a antitese professoriana chamada aluno.

Para desvendar esse mistério, proferido por doce boca, resolvi ligar para tal instuição e acabar, destroçar, esganar de vez essa dúvida, que aflige minha leve alma aprendiz.

Liguei lá e falei com a senhora (ou senhorita, não sei ao certo) Marlene, que trabalha na sala dos professores, adjunto a secretaria de nosso publicitário e propagandista curso. Ela confirmou esta informação: hoje, dia vinte e oito do quinto mês, dois mil e nove anos depois de Cristo, não haverá aula, a professora com nome de rainha inglesa, por motivos não revelados, não comparecerá à faculdade hoje. Os trabalhos (manual de identidade visual e esboços) terão que ser entregues na próxima quinta-feira, daqui a sete dias, contando a partir do dia de hoje.

Sobre os trabalhos que faltam finalizar, podemos nos comunicar por e-mail, como sempre, pois não irei comparecer à faculdade nos dias subsequentes ao de hoje.

Vejo vocês na segunda, com o coração cheio de saudades... saudades dessas pessoas que, assim como eu, pagam um determinado valor em moeda brasileira vigente, para fazer parte de um todo, de uma classe de futuros profissionais conhecedores da arte de comunicar!

Até.

 

Ass: André Al

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O teatro e a vida

"nós somos muito mais o que os outros acham que somos, do que aquilo que pensamos ser" 

Bruna Nehring

 

Dizem que a vida imita a arte... ou é a arte que imita a vida? Dizem... Ou será que vida e arte são coisas que se completam, contemplam-se e fundem-se, paralelas que passam a infinidade se cruzando, imitando-se? Vida, arte e teatro: sinônimos, não legalizados pela burocrática língua.

 

Acordo Eu, levanto filho, embarco passageiro, caminho transeunte, atravesso na faixa, sigo colaborador, atento estudante, pai, amigo, irmão, namorado, ator social que protagoniza e coadjuva ao mesmo tempo diversos papéis ao lado duma infinidade de outros. Genuflexório mudo atento me faz cristão. No carnaval, desfilando entre outros tantos outros, sou pierrô pagão. Tributo pago no balcão, duplicata em caixa, sou cidadão. Jungnianas personas que eclodem em meio a pensativos monólogos shakespearianos, sou pessoa, sou-me. Frente ao machadiano espelho, só, sou ninguém. Nada. Meu teatro é a vida encenada sem ensaio, sem roteiro, sem frases prontas e, pior, sem deixas, sem saber a hora certa de entrar em cena. Subjetivado réu, frente à platéia social, sou muitos, entre culpado e inocente.

 

O teatro é o oxigênio. É o oxigênio contido na água. É o oxigênio contido na água contida no aquário. É o oxigênio contido na água contida no aquário onde vive o peixe, que é dourado. É o oxigênio da água que mantém o dourado peixe vivo. O peixe vivo que vive no seu aquário-palco uma representação de ser: ser peixe dourado de estimação. O estimado peixe-ator, que desfila dourado em seu palco-aquário, repleto de pedrinhas coloridas e outros objetos de cena, representando para outro ser, enche de alegria e sentido a tola existência tediosa cotidiana de seu dono-platéia. Cercado de água contida de oxigênio-teatro, respira, alimenta-se, vive e representa o peixe-ator, dando sentido a feliz razão de ser ao seu dono-platéia, contemplando-o, com a arte de ser dourado.

 

O teatro é a mentira ensaiada. É a mentira que não fere. É a mentira gostosa de se ver e viver. E viver uma mentira que se gosta é viver uma verdade. O teatro é a verdade, que não passa de uma mentira ensaiada. Mentira que não fere. Que é gostosa de se ver e viver, porque ver e viver a verdade é bom, faz bem.


O teatro-vida é complicado. O choro sem ensaio dói. É um choro que punge verdadeiro, e que às vezes torcemos para que essa verdade seja uma mentira ensaiada. A mentira sem ensaio dói, fere. No teatro-vida, os aplausos são minguados, há mais apupos que tudo, decorrentes de sentimentos esmigalhados e poluídos no dia-a-dia pela ausência de amor... e ausência essa que, na maioria das vezes, erroneamente, é preenchida de matéria. As vezes é preciso deixar o teatro-vida de lado, descer do palco-mundo, despir-se do ator social que somos e sentar-se junto a platéia do teatro-arte, deixar o sonho fluir com a mentira ensaiada, cheia de calorosa verdade verdadeira, que transforma o choro-verdade que fere, em riso alegre que acolhe, meio a real sensação coletiva de felicidade. Na platéia do teatro-arte todos atuam com o papel de olhar e sentir. E eu, ator social destituído, quando desço do palco-mundo para ver atento o teatro-arte, que não só imita a vida, mas vai além dela, sinto uma alegria transcendente, que transborda o ser, e torço para que meu teatro-vida caminhe no mesmo sentido verdadeiro da representação que não fere. Vivendo esse coletivo momento feliz, farei de tudo para que no decorrer da minha peça, atuada no palco-mundo do teatro-vida, conquiste o doce beijo molhado infinito da suave e aveludada feminina boca desejada. E após o ato final, ao fecharem-se as cortinas e as luzes se acenderem, e ascenderem-me, eu receba e sinta os calorosos, acolhedores e recompensadores aplausos da platéia.

 

 

 

Texto publicado no blog Teatraria e no site do Itaú Cultural.

 

publicado por AB Poeta às 18:45
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Quinta-feira, 30 de Abril de 2009

Feriados

Corrupção, evasão fiscal, inadimplência, tributos excessivos, dólar na cueca, mensalão, mensalinho, anões do orçamento, informalidade, pirataria, tráfico de drogas, tráfico de influência, crimes políticos, vinte anos de ditadura, privatizações duvidosas, deputados, vereadores, senadores, todos prevaricadores, estatais que funcionam como cabide de emprego, baixo IDH, miséria, mortalidade infantil, crime, propina, lobby, bancadas políticas, jeitinho brasileiro, lei de Gerson, infra-estrutura péssima, logística mal aproveitada, falta de planejamento, doença da vaca louca, gripe aviária, agora a tal da gripe suína, turismo mal divulgado, prostituição infantil, filho de presidente ficando rico da noite pro dia, legislativo que não legisla, executivo que não executa, justiça que não é feita, desvios e mais desvios de dinheiro, deputados construindo castelos, licitações ilícitas, parentes de políticos viajando a nossas custas, nepotismo, quebra se sigilo, grampo, CPIs que não chegam em nada, pizzas e mais pizzas, escândalos, valerioduto, Opportunity, Banco Santos, Marcos Valério, sanguessugas, bispo e bispa, dossiês, crise aérea, aeroportos limitados, concessões, Sarneys, Malufs, Collor, Ranan Calheiros, MSI, cartões corporativos, metida de mão no BuNaDS, máfias, PAC que não sai do papel, metrô que desaba, operação furacão, falta de saneamento básico, saúde pública adoecida, planos de saúde obscuros, dinheiro enviado a paraísos fiscais, fiscais que não fiscalizam em troca de um faz-me-rir, funcionários públicos fantasmas, leis que mão pegam, falta de educação, desigualdade social...

 

Esses são só alguns dos problemas que lembrei.

 

E, depois de tudo isso, ainda tem gente que acha que são os feriados que atrapalham nossa economia!

 

 

Dança da Pizza

 

Ângela Guadagnin, deputada federal pelo PT, comemorando, em plena sessão da Assembléia, a absolvição de um colega político acusado de corrupção.

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publicado por AB Poeta às 15:26
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Quarta-feira, 22 de Abril de 2009

Feliz aniversário

Mais um aniversário. Hoje o gigante pela própria natureza, a pátria amada Brasil, faz 509 anos de existência. Graças ao fidalgo Pedro Álvares Cabral que, com suas dez naus e três caravelas (e mais de 1.500 homens), desembarcou por aqui, precisamente em Porto Seguro na Bahia, no começo do século XVI, graças a esse feito, hoje fazemos parte dessa atual concepção de mundo. Segundo conta a história, depois da não tão bem sucedida viajem de Vasco da Gama por mares revoltos, Cabral foi solicitado pelo Rei Dom Manuel I para comandar o que seria uma das maiores frotas já reunidas, a fim de encontrar o sonhado caminho para as Índias. Bem, é mais do que notório que o luso capitão não encontrou porra de caminho pra Índia nenhuma, mas em compensação encontrou uma terra habitada por pacíficos nativos que tinham suas vergonhas desnudas, e um solo fertilíssimo, onde tudo que se planta dá.


Fico imaginando como foi esse primeiro contato. Os portugueses ancorando os barcos a uma certa distância da praia, uma porção de nativos pelados em terra firme olhando e imaginando uma porção de coisas, tipo, quem são, donde vem... E o primeiro dialogo trocado, imagem só como não deve ter sido, gestos e mais gestos misturados a recíprocos grunhidos inteligíveis. Uma coisa trágica desse primeiro encontro, e que muitos dos livros de história, principalmente os de primeiro e segundo grau, não retratam, é o número de nativos que morreram só por entrar em contato com os cansados, barbudos, cabeludos, vestidos dos pés a cabeça, e, principalmente, famintos e imundos viajantes portugueses. Os corpos esguios dos habitantes locais, bem tratados, acostumados a uma alimentação saudável e uma vida de, quase, contemplação total a natureza, não suportaram o gigantesco número de vírus e bactérias trazidas encubadas da Europa. Resultado: estimasse que milhares de nativos morreram das mais variadas doenças após os primeiros contatos com o homem branco europeu. Falar em números exatos fica difícil, já que esse tipo de informação ficou perdida no tempo. E como quem registrou toda a história foi o branco da Europa, é mais do que normal que hoje não se saiba o tamanho da catástrofe. Sabe as caries que você hoje tem na boca? Pura herança.


O nosso primeiro nome foi Ilha de Vera Cruz, citado na primeira carta enviada para o Rei, redigida por Pero Vaz de Caminha. Nosso segundo nome foi Terra de Santa Cruz. Recebemos esse nome para demonstrar o interesse que Portugal tinha em propagar a fé cristã pelo novo mundo. No dia vinte e seis de abril desse mesmo ano, o frade Henrique de Coimbra realizou a primeira missa na nova terra. A partir desse dia deixamos de ser pagãos, os nativos que vivam em pecado (e nem faziam idéia do que era isso) agora estavam amparados pela igreja, tornaram-se filhos de Deus, dando-se assim o começo da hegemonia religiosa católica no hemisfério sul e o início do divino massacre étnico. Linguagem, costumes, danças, religião, cultura, talvez algum tipo de escrita, tudo simplesmente, ao longo dos séculos, desapareceu. Hoje, dos índios, fora a meia dúzia que ainda resiste ao tempo e ao dito progresso (amparados pelo obscuro INCRA) só sobraram nomes de logradouros.


O Brasil ficou muito conhecido pelo lucrativo comercio de escravos. Os portugueses e os holandeses dominavam o tráfico de escravos negros vindos do continente africano. Nativos, europeus, negros misturaram seus gametas gerando os cafuzos, mamelucos, mulatos... Começou assim a formação do povo brasileiro.


Sempre se diz que o Brasil é um país novo. Muitos rebatem essa idéia retrucando que não, já temos mais de quinhentos anos, e isso não é pouco tempo de existência para se dizer que somos um país novo. Mas até que concordo com essa idéia de “país novo”. Se pensarmos da seguinte maneira: desde que fomos “descobertos”, fomos usados apenas para a extração de riquezas e recursos. Até o ano de nossa independência (1889) éramos apenas mais uma colônia de exploração portuguesa. Após a proclamação da república, ai sim, viramos um país, um país independente... é, pelo menos no papel.


Nesses cento e vinte anos de história tivemos várias revoluções, ditaduras, conflitos, governos provisórios, estado novo, república nova, trinta e cinco presidentes, um processo de impeachment... não vou me estender pela história de nossa república, já ha centenas de sites sobre esse assunto e meu propósito aqui não é esse.

 

OBS: Texto ainda não finalizado.
 

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publicado por AB Poeta às 21:50
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Sexta-feira, 3 de Abril de 2009

Qual é o valor da educação?

Será que a educação tem preço? A educação acadêmica, essa tem, e não custa pouco. Hoje todos sabem que educar o filho numa escola do estado é uma tarefa dificílima. Descaso do governo, professores despreparados, infra-estrutura precária, algumas com merenda outras não, à distância de casa, violência, drogas lícitas e ilícitas... uma série de problemas sociais que depreciam o valor que é educar-se. Hoje não se valoriza mais o estudo em si, só tirar o diploma já ta valendo. Para nossos adolescentes, jovens, adultos jovens, o que vale mesmo é ter um calçado da moda, uma camisa descolada, uma “correntona” no pescoço, uma “caranga” potente, uma motoca, qualquer coisa que faça com que o outro enxergue nele um valor econômico (status), que mostre que ele tenha um potencial financeiro. Econômico e poder, poder e possibilidade... palavras que caminham juntas nessa distorção de valores da nossa atual sociedade capitalista.


A maioria das pessoas concordam com uma coisa: educação vem de berço, começa dentro de casa. Você pode ter dois jovens em situações financeiras bem diferentes, mas ambos bem educados; ou pode ter um pobre educado e um riquinho sem educação, ou um rico educado e um pobre não... O que conta mesmo são os valores morais ensinados pelos familiares. Meu pai me ensinou uma coisa que carrego comigo e procuro passar à frente, com muito orgulho: nunca faça um favor esperando outro em troca. Faça porque você quer fazer. Porque é bom fazer! Num mundo capitalista e interesseiro, como o nosso, esse pensamento hoje é quase que “coisa de monge”. A grande maioria faz um favor já pensando na possibilidade de pedir algo em troca. E esse ensinamento paterno que eu tive, tem um que de filosófico. Quando você faz um favor à alguém você pratica (acredito eu) uma boa ação junto ao próximo. E quando você o faz sem esperar nada em troca, nunca há a decepção da não retribuição. O primeiro passo para decepcionar-se com alguém é esperar, logo após lhe fazer um favor, que essa lhe retribua um outro. Favor e esperança podem resultar numa mistura amarga, desgosta. É preferível trata-las de forma heterogênea. (Dica de leitura: A Felicidade Desesperadamente – André Comte Sponville)


Transporte público é um lugar complicado. Hoje a intolerância das pessoas é algo visível. Ninguém tem mais paciência para nada. Qualquer esbarrão num coletivo já é motivo pra cara feia. Uma coisa que me irrita muito, são aquelas pessoas que colocam uma gigantesca mochila nas costas e ficam paradas no corredor como se fossem as únicas a habitarem a joça do ônibus! Tem uma galerinha que não tem noção nenhuma de espaço físico, de viver em coletividade. Isso é puro reflexo do padrão individualista que estamos vivendo, que estamos moldando e alimentando cada vez mais. Aconteceu uma coisa outro dia que, num primeiro momento, me deixou feliz, mas depois parei para pensar e vi que realmente os valores estão distorcidos. Estava eu dentro do bom, companheiro inseparável, e velho “bumba” (ônibus) – Pça João Mendes – dirigindo-me do trabalho para a faculdade. Sentei no melhor local que existe para se ir lendo: aquele banco de um lugar só, antes da catraca; ali ninguém me incomodaria com cotoveladas, bolsas enormes, som no último... Sentei e já saquei o livreto! Alguns pontos mais a frente subiu uma mulher puxando pela mão sua filhinha, deveria ter uns quatro ou cinco anos a menina, a mãe parou e fitou o fundo do ônibus tentando ver se havia algum lugar desocupado. Sem ter nenhum acento livre, ficou parada ao meu lado, segurando a pequenina pela mão. Eu, com o que acredito que seja o mínimo de educação, levantei e ofereci meu lugar para sentarem-se. Olhou mais uma vez a procura de uma vaga, e acabou aceitando a oferta. Fui em pé, na boa, ouvindo meu mp3 (perigo: sintoma individualista), viajando em meio aos meus devaneios psicopatológicos humanos cotidianos de sempre. E seguiu-se o destino. Chegou num determinado ponto do caminho, ela levantou-se, nitidamente havia chegado o local onde desceria, mas antes veio em minha direção e , de forma grata, disse – muito obrigada por me deixar sentar em seu lugar... olha, eu deixei sua passagem paga... muito obrigada! – fiquei meio sem entender, mas muito agradecido, falei que não era preciso e tudo mais. Logo à frente o coletivo parou e elas desceram. Agora vamos tentar entender o que aconteceu: uma mãe com sua filha sobe num ônibus e, vendo que não há lugares vagos, um rapaz sede o seu a elas. A mãe fica agradecida, e como forma de retribuir a gentileza, paga à passagem do cavalheiro. Com toda certeza ela ficou muito sensibilizada com aquele gesto, mas chegar a pagar a minha passagem... Da para perceber que gentileza, cavalheirismo e, principalmente, educação, estão virando práticas raras de se ver. Se todas as vezes que alguém agir com educação (ou com honestidade) tivermos que retribuir de maneira financeira, como se gentileza fosse um ato digno de premiação, putz, ai já era, os valores humanos foram para o brejo. Claro que aquela mulher tomou essa atitude de coração, fez por gratidão, mas ai é que mora o perigo: ela sentiu-se na obrigação de retribuir, e retribuir não é obrigação, obrigação é agir com compaixão, ser empático e, no mínimo, educado com o outro (acredito eu).


Depois disso tudo, continuei minha viagem durante a viagem, até que, eis que, surge a personagem final: o cobrador! Depois que a senhora desceu, o indivíduo olhou para mim com uma cara tipo “se deu bem nessa em”, respondi com um gesto qualquer com a cabeça e voltei minha atenção à paisagem lá fora, tomada audivelmente pela minha trilha sonora de bolso. Bem, chagava próxima a minha hora de desembarcar, então fui passar a catraca. O cobrador não olhava para mim, ou fingia que não me via, sei lá, se fez de loco... Falei para ele – por favor, passa o bilhete, a moça deixou minha passagem paga, não deixou? – ai veio o inesperado, responde ele – já sim, mas passa o seu ai, passa seu bilhete ai – caraca! Não acreditei na insinuação do cara. Ele queria se dar bem nessa! Queria ficar com os exorbitantes dois reais e trinta centavos que a mulher deixou. Ta certo que cada um tem a sua realidade, e que essa quantia tem um peso em cada bolso, mas pela cara dele... não era um necessitado, e sim um praticante inveterado da lei de Gerson.


Educar não custa caro: para educar alguém basta dar carinho, atenção, afeto, amor, dedicar tempo a esse, coisas assim, nessa linha, que não custam dinheiro, mas que também, nessa nossa sociedade capitalista, do jeitinho brasileiro, do se dar bem a qualquer custo, do ascender social, essas coisas não valem nada. Ta na hora de para pra pensar: Qual é o valor da educação?

 

"Você gosta de levar vantagem em tudo, certo?"

 

 

Gerson, o "canhotinha de ouro", jogador de futebol campeão do mundo com a fantástica seleção de 70. O atleta foi garoto propaganda dos Cigarros Vila Rica (1976), onde proferia a celebre frase acima, que se tornou pilar da Lei de Gerson.

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publicado por AB Poeta às 15:54
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Segunda-feira, 30 de Março de 2009

Legalização do aborto

Um dos assuntos mais polêmicos, e que é pouco discutido pela sociedade, é a questão sobre a legalização do aborto no Brasil. Em países ditos desenvolvidos essa questão já está em outros patamares. Nos EUA, por exemplo, o aborto é uma prática legalizada, o que não deixa de ser polêmico também, já que seus fervorosos opositores, na sua maioria religiosos, não deixam o assunto dado como encerrado.


Essa questão deixa exposta a grande diferença que há entre liberdade e democracia. Essas duas palavras meio que são entendidas como derivadas, mas na realidade, quando aplicadas, seus efeitos são geralmente contrários. A mulher que estiver grávida e desejar fazer um aborto, no Brasil, ela não o pode, pois existem leis que a proíbem de tomar tal atitude. Entende-se então que essa mulher não tem total direito sobre seu próprio corpo, não é “livre” para tomar decisões que afetam diretamente seu estado físico, sua vida social e particular. E o que gerou essa proibição? Uma lei que foi elaborada partindo de princípios democráticos! Mas, espera ai: a democracia é o regime que garante liberdade para seus regidos, mas essa mulher que quer abortar não tem liberdade para agir sobre seu corpo. Contraditório não? Não! A democracia faz valer a “vontade da maioria”, e quando você vota, você abre mão de sua liberdade, de seu direito individual e privado, para fazer valer a vontade da maioria. E como a vontade do povão, que é a maioria (mas ainda não percebeu isso), é a não legalização do aborto, então... Liberdade e democracia são idéias quase antagônicas. São paralelas: só se cruzam num distante e inatingível infinito.


Um grande problema, e acredito que seja o mais grave e longinquamente insolúvel deles, é que nossa sociedade não tem base cultural, nem informação suficiente para discutir essa questão. A maioria da população é semi-alfabetizada (estou sendo otimista), mal conseguem entender um misero parágrafo e articular uma frase com sujeito e predicado. Somos uma nação semi-alfabetizada do Gari ao Presidente da República, o que torna ainda mais distante qualquer tipo de entendimento sobre essa ou qualquer outra questão.


Algumas semanas atrás a questão da legalização do aborto foi levantada em sala de aula, o que gerou certa discussão. Metade acha que o aborto não deve ser legalizado, outra metade acha que não, que tem que legalizar. No meio do sim e do não apareceu somente eu com esta opinião: acredito que o homem (sexo masculino) não tem o direito de opinar sobre a questão do aborto, acredito que seja um assunto que tem que ser resolvido totalmente pelas mulheres. Fui questionado, por acreditar que não tenho o direito de opinar. Disseram-me até que estava tirando o corpo fora, correndo do assunto. Mas não é nada disso. Vou tentar esclarecer o por que dessa minha visão não opinatória sobre o aborto.


Vamos imaginar a seguinte situação: um cara qualquer sai com três mulheres, uma de cada vezes, e acaba engravidando-as. Esse cara será pai de três filhos ao mesmo tempo, e a única coisa que a lei o obrigará a fazer é pagar uma pensão alimentícia para seus futuros filhos. Suponhamos que esse futuro pai ganhe dois salários mínimos por mês e colabore na criação dessas crianças com um terço do salário. Todo mês ta lá: sua contribuição esta depositadinha, certinha, e esse nosso amigo livre de qualquer obrigação além pensão, e bem longe de ser preso. A lei está feita, seguida e cumprida! Mas me respondam: com essa quantia que é paga como pensão dá para criar um filho? Claro que não. E todo o peso da criação, responsabilidade, vai ficar a cargo de quem? Da mãe, claro! A lei obriga o pai a pagar a pensão, mas não o obriga a criar o filho, a dar amor ao filho, a dar atenção ao filho. Não o obriga nem a sequer a olhar para o filho. E qual é o peso social, a estigma, que um homem desse carrega? Nenhuma! No máximo vão chamá-lo de pai ausente, e mais nada...


A mulher carrega toda a estigma de ser mãe solteira, carrega todo o peso da criação, da formação, da educação da criança. Além de, claro, ter que dar amor, atenção, carinho, afeto, estar presente, coisas que a legislação não a obriga fazer, mas que as invisíveis leis sociais, que são as piores, cobram-na de maneira desumana.


Existem casos de mães que entregam (abandonam) seus filhos em orfanatos, igrejas, associações, e outras acabam indo muito além disso (acho que não preciso entrar em detalhes). Não defendo isso, mas pensem na estigma que uma mulher dessa carrega. Uma mãe que toma essa atitude será marginalizada para o resto de sua vida. Mesmo se for atrás do filho depois, arrependida. A sociedade não absolve uma mãe dessa, ela esta para sempre condenada a ser uma “desgraçada”... Mas e o pai? Cadê ele? Ninguém o cobra de nada? Não! A sociedade é tão machista que joga toda a carga ruim nas costas da mulher. A mãe solteira, por mais amor que dê ao filho, sempre será vista pela sociedade como uma “mãe solteira”, no sentido mais pejorativo possível da palavra.


Partindo dessa visão, acredito que o homem não tem nenhum direito de opinar sobre a questão da legalização do aborto, esse assunto tem que ser discutido, de forma séria, única e total pelas mulheres. São elas que tem que tomar as rédeas dessa discussão.


Outro lado ruim dessa questão é que muitas mulheres, que não tem condições de pagar para fazer um aborto mais seguro, em clinicas clandestinas, morrem de complicações (hemorragias) após abortarem. Um estudo realizado pela Federação Internacional de Planejamento Familiar mostra que setenta mil mulheres morrem por ano decorrentes de complicações pós-aborto, e todas em paises onde a pratica não é legalizada. No Brasil 63,8% das mortes maternais são registradas no nordeste e 9,5% dessas são de complicações pós-aborto.


O jornalista Gilberto Dimenstein, no livro Cidadão de Papel, mostra o relato da advogada Ana Vasconcelos, que realizou um trabalho social junto a meninas prostitutas no nordeste. Segue abaixo o estarrecedor relato:

 

MENINAS PROSTITUTAS

 

Quando começou a cuidar de meninas prostitutas em Recife, a advogada Ana Vasconcelos ficou intrigada ao ouvir uma expressão desconhecida e usada como sinônimo de aborto. De fato, é uma palavra estranha: "pezada".


Ela acompanhava uma descontraída conversa entre duas meninas. Uma delas contou que há dias tinha feito um aborto e, enfim, estava livre da gravidez que lhe tirava clientes da rua:


- Como tirou? - quis saber a menina que ouvia o relato.
- Foi com "pezada" - respondeu.
Ana se aproximou, curiosa. E perguntou:
- O que é "pezada"?


A advogada ficou estarrecida com a explicação. "Pezada" era levar um chute forte na barriga. Era um meio, segundo a menina, fácil e certeiro de fazer aborto. E, ainda por cima, barato - não necessitava de médico. Bastava a ajuda de alguém que se dispusesse a dar uma "pezada", o que não era difícil.


- Passei algumas noites sem dormir direito quando me contaram essa história de "pezada" - relembra Ana Vasconcelos, que, em Recife, trabalha há vários anos com meninas prostitutas, tentando recuperá-las para o mercado de trabalho.


Ela fez pelo menos três descobertas sobre o aborto estilo "pezada". Com os médicos que atendem em prontos-socorros públicos, soube que uma grande quantidade de meninas que se submetia a chutes no estômago era internada com infecções e hemorragias. Soube também com outras meninas que esse método era difundido entre prostitutas do Recife por ser barato.


A descoberta que mais a espantou, entretanto, foi como muitas delas se submeteram á "pezada". Ela entrevistou prostitutas e acabou descobrindo que os policiais do Recife provocavam muitos abortos com "pezadas", quando, por acaso, brigavam com meninas prostitutas grávidas.

 

A guerra dos meninos, Gilberto Dimenstein


Depois de ler tudo isso, você (homem) ainda acha que tem o direito de opinar sobre a questão da legalização do aborto no Brasil?
Nem ciência nem religião, essa questão tem ser posta a mesa e resolvida por vocês mulheres. Diante de vocês, sinto-me na obrigação de agir da única maneira que acredito que seja útil: ficando de boca calada!

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Poliglotas semi-alfabetizados

Qual será o primeiro idioma que aprendemos a falar? Bem, se a primeira palavra que grunhimos quando criança for “gugu-dádá”, então não falamos nenhum. A não ser que “gugu-dádá” seja uma palavra originária de algum país por ai. Caso a primeira palavra seja “papai” ou “mamãe”, já começamos proferindo o bom e velho português. Mas se você foi uma criança dessas que não saia da frente da TV, a chance de ter começado já falando alguma palavra estrangeira, tipo Mc Donald’s, Volkswagen..., é muito grande, já que somos bombardeados pelos mais variados veículos de comunicação com palavras provindas de todo o mundo. Isso pode ser um reflexo de nossa origem, um povo multi-étnico, um catadão do mundo inteiro ao qual deram o nome de Brasil... Ou não, simplesmente aceitamos essa invasão léxica na boa.


Quando ingressamos na vida colegial, a proximidade com outro idioma aumenta, por que as aulas de língua inglesa fazem parte da grade curricular de qualquer escola de segundo grau brasileira. Apesar de estarmos cercados de países que falam Espanhol, a distância cultural se mantém gigante, e o máximo que aprendemos do idioma de nossos hermanos é através das letras de músicas de artistas como Menudo, Julio Iglesisas, Rick Martin... Que merda né! Para piorar ainda mais tem alguns artistas latinos, tipo Cristina Aguilera, Shakira, que colaboram para aumentar a hegemonia da língua inglesa (americana, pois na verdade ninguém quer ser inglês). Ah! Já ia me esquecendo de colocar a banda tupiniquim Sepultura nessa lista dos colaboradores.


Hoje, neste nosso mundo globalizado, muitas empresas exigem de seus candidatos, no mínimo, que o indivíduo fale, nem que seja de forma intermediária (um pouquinho mais que meia-boca), a língua inglesa. Vi um caso uma vez de uma empresa que perguntava para o candidato se ele também sabia gírias em inglês... Acho que o indivíduo que formulou essa pergunta nunca ouviu falar em regionalidade, ou pensa que as gírias são comuns em qualquer parte do país.

 

Com as multinacionais se instalando por aqui, a procura por pessoas que falem outra língua, além do manjado Inglês, é muito grande. Cursos de Mandarim, Francês, Alemão, Italiano, Russo, e sei lá mais o que, pipocam por toda parte. E pessoas em busca deles aumentam de forma proporcional. Legal isto, ver que o pião-de-luxo demonstra interesse em melhorar seu currículo afim de arrumar uma boquinha numa multinacional. Mas e o português, nossa língua pátria, como fica? O interesse em aprender o próprio idioma é minúsculo, chega a ser ridículo o número de pessoas a procura por um curso de português. Fica com o que aprendeu no colégio e já era. E isso é um problema grave, porque reflete direto na vida profissional. Algumas empresas chegam a contratar consultorias para fazer reciclagem no “portuga” de seus funcionários, pois a escrita errada prejudica muito a comunicação interna. Entender um simples e-mail mal redigido está se tornado uma dura tarefa. 

 

Queixas de candidatos que apresentam um currículo impecável e na hora de fazer uma entrevista deslizam na linguagem e escrita são muito freqüentes. Universitários formados, e até pós-graduados, também têm grandes dificuldades em se comunicar de maneira correta.
O interessante (cômico se não fosse trágico) de tudo isso é que hoje a maioria dessas pessoas (candidatos, universitários, pós-graduados...) tem em seu currículo algum curso de língua estrangeira. Alguns até com mais de um. O pior disso é que, além do português limitado, também não falam de maneira correta o outro idioma que dizem que falam.


O Brasil está se tornando uma nação de poliglotas semi-alfabetizados. Terrível.

 

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Quarta-feira, 25 de Março de 2009

Viva lá crise!

Vi um e-mail esses dias onde um cara dizia - “devido à ‘crise’ blá, blá, blá... a luz no final do túnel está temporariamente desligada!”. Pessimismo dele? Talvez. De certo (talvez também) é que esse nosso camarada, autor da dita frase, assiste muito aos pessimistas telejornais da Rede Globo de televisão. Logo no começo de todo esse disse-me-disse sobre “crise”, exatamente no dia em que o ex-presidente americano W. Bush comprou (para melhor dizer, estatizou, mas falem baixinho, esse nome num mundo neoliberal é quase um palavrão) parte das ações de alguns bancos americanos, afim de evitar a quebra dos mesmos, o Jornal da Globo fez a seguinte chamada - “governo de W. Bush compra ações de bancos privados, mas especialistas dizem que não é o fim do capitalismo!”. Bem, claro que os adeptos ao socialismo, comunismo, ou qualquer outro “ismo” esquerdista, soltaram rojões adoidado, em virtude da atitude governista americana, mas “fim do capitalismo!”, isso é no mínimo uma piada.


É mais do que notório as notícias sobre empresas que estão demitindo a rodo, pelo mundo todo. A Microsoft, por exemplo, para cortar custos, devido ao decepcionante resultado obtido no último trimestre, irá cortar até 5.000 funcionários. A GM demitiu 2.000 devido à queda das vendas de veículos. A brasileiríssima (ex-estatal) Vale do Rio Doce demitiu 1.300, e 5.500 entrarão em férias coletivas escalonadas. Números atemorizantes não? Talvez.


Imagine a seguinte situação: em algum lugar, numa realidade, até então, muito distante da nossa, existia uma pessoa (chinês) que trabalhava na roça, plantando, cultivando e colhendo cereais, frutas, verduras... mas com um único propósito: garantir a subsistência sua e de seus familiares. Até que um dia alguém chega para ele e fala – olha, fiquei sabendo que na cidade grande estão empregando pessoas, talvez consigamos trabalho lá, ai não precisaremos mais labutar nos campos para tirar sustento. Achando essa idéia interessante, parte para a cidade grande mais próxima, na tentativa de empregar-se. Chegando nessa cidade ele se depara com filas gigantescas de outros iguais, em diversas fábricas dos mais varias produtos. Como para ele tanto faz, entra em qualquer uma, já que o intuito é arrumar trabalho. Nesse tiro proferido no escuro, até que ele se dá bem: arruma um emprego de, no mínimo, oito horas diárias para ganhar, quase, dois dólares por hora de labor. E quem antes não existia para o mundo capitalista, passa a ter certo valor, vira um operário assalariado, um futuro consumidor compulsivo, e, principalmente, um produtor de valia.


Pouco antes de tudo isso, do outro lado do globo, um empresário (num nome mais moderno: empreendedor), ouve falar que há várias empresas imigrando para o oriente. Mas por que isso... qual o motivo? - ele se pergunta. Então o instinto ideológico/capitalista emerge em seu ser, e produz vozes esclarecedoras em seus ouvidos que docemente lhe dizem – Reduzir custos... Reduzir custos... Reduzir... Fazendo uma conta muito simples, esse selvagem capitalista descobre que pode ganhar muito mais pagando menos de dois dólares a hora, para um chinês ou indiano, do que pagando os atuais trinta dólares a hora trabalhada para um nortista americano. Adivinha então o que ele faz? Faz as malas, pouco-a-pouco demite todos seus funcionários, abre uma fabrica num promissor país dito “socialista” chamado China e resolve todos os seus problemas de custos. Consegue assim produzir mais com menos gastos, o que reflete diretamente no valor final de seus produtos, conseqüentemente, aumentando suas vendas e derrubando concorrentes aos montes, por enquanto. Segue feliz.


No meio de todo esse processo tem um cara totalmente perdido, meio sem entender ainda o que aconteceu, esse cara é o operário nortista americano. Sem mais nem menos (alguns tentaram culpar o mercado imobiliário americano) esse cara vê-se desempregado e, pior ainda, assiste aos noticiários da TV que só falam em demissões e mais demissões em massa. Preocupado com tudo isso, sua primeira providência, mais do que urgente, é (assim como nosso amigo empreendedor fez) reduzir os custeios familiares. Daí começa o letal efeito dominó. Esse cidadão para de consumir, e o lojista que o tinha como cliente, para de vender e, conseqüentemente, para de comprar de seus fornecedores, que conseqüentemente... Mata toda a cadeia econômica do país. Mas esse efeito dominó não para por ai não. Os países que mantém algum tipo de relação comercial com o esse ai, afunda junto. Cada um afunda conforme seu grau de relacionamento. O efeito final é essa tal de “crise”. Enquanto trinta dólares pagavam somente um empregado americano do norte, agora pagam, no mínimo, quinze empregados. Negócio da china, não! A mão-de-obra que imigrou do ocidente para o oriente nunca mais, ou pelo menos por um bom período de tempo, ira voltar para seu país de origem.


Você deve estar se perguntando – onde esse indivíduo que perdeu seu precioso tempo escrevendo sobre isso quer chegar? – bem, vamos lá: acredito que estamos vivenciando não uma crise (apesar de um dos significados dessa palavra ser “mudança”), no sentido ruim que essa palavra envolve, mas sim estamos passando por uma reorganização capitalista, uma movimentação de capital. Todo o capital que regia a economia ocidental simplesmente foi embora para o oriente. Como a maioria dos países do ocidente apóiam-se em acordos comerciais, todos estão sofrendo com esse escoamento. E tudo originou-se a partir de um dos princípios básicos da produção capitalista: a redução de custos.


A produção excessiva também tem sua parcela de culpa, pois estoques abarrotados travam o processo produtivo. Mas como uma andorinha só não faz verão... O escoamento de capital divide a culpa com o estoque excessivo. Se é que existe culpado, ou culpa por alguma coisa.


Um outro fato engraçado, que acho que poucos perceberam, é que os tão falados Bric’s (Brasil, Rússia, Índia e China), que não saiam dos noticiários, simplesmente sumiram das pautas noticiarias. Os telejornais, hoje, só vendem o medo americano, o terror americano, só, mais nada. É nítido o desinteresse que há em falar sobre a ascensão econômica bricniana. Não que tudo isso não afete-os também, mas que esses últimos sofrerão muito menos, e isso é fato. Estamos assistindo ao começo do fim da hegemonia americana. O americam dream  está virando o american nightmare e o american way of life pode acabar virando o china way of life... quem sabe um dia. Já pensou, você indo até o Mc Donald’s e pedindo um suculento nuggets de escorpião, ou de gafanhoto! E a atendente ainda lhe sugere – por apenas mais um e cinquenta o Sr leva mais 100ml de um geladinho sangue de cobra natural, aceita? Você acha um lanche como esse nojento? Só lembrando que também comemos algumas coisas que outros países consideram, no mínimo, exótica: feijoada (pé de porco, orelha...), buchada de bode, sarapatel (que é feito de miúdos do porco), rins de boi, coração de galinha, carne de tatu, rã, siri, etc. Então, como não há nada com que o ser humano não se acostume, e a cultura muda no decorrer do tempo, não se impressione se chegar um dia em que seus filhos ou netos lhe implorarão de joelhos para que os leve a lanchonete mais próxima afins de saborearem um delicioso espetinho de escaravelho. E sem gordura trans em!


Mas também tem o outro lado da moeda: tradições indianas e chinesas podem estar também no principio do fim. O modelo de estratificação indiano (sistema de castas) provavelmente vai desmoronar com a invasão capitalista, e o livro vermelho do ditador Mao-Tse-Tung vai virar um empoeirado item de sebo.


Barak Obama, recém eleito presidente da, ainda, maior potência econômica mundial, está injetando dinheiro adoidado em instituições privadas, como bancos, mas mesmo estas tornando-se estatais (ou pelo menos parte delas), falar em fim do capitalismo é simplesmente desesperar-se. O capitalismo está florescendo ainda, e ainda não vivemos o seu ápice. Cuba e Coréia do Norte podem ser as próximas a sucumbir a esse sistema, quem sabe.


A queda do muro de Berlin, em 1989, inspirou o diretor alemão Wolfgang Becker a contar a estória de Alexander, um rapaz, filho de uma ativista socialista, que vivencia o final do regime esquerdista na Alemanha Oriental (Adeus Lênin! – 2003). Quem sabe, num futuro ainda distante, mas já a caminho, não veremos filmes parecidos como “Adeus Mao!”, “Adeus Fidel!”, ou quem sabe também uma das pré-estréias mais aguardadas de todos os tempos, do planeta: “Adeus Tio Sam!”

 

Tio, Che, Chong... quem diria!

 

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Quarta-feira, 4 de Março de 2009

Ter Estilo

Tribo: essa dissílaba, de origem latina (tribus: divisão política Romana), serve para designar grupos de povos primitivos, grupos pré-estado, indígenas, ou qualquer outra espécie de formação social que não seja ocidental. Num sentido mais contemporâneo, designa pequenos grupos urbanos que reúnem-se em torno dos mesmos interesses culturais: música, linguagens, vestes, idéias, etc... E dentro desta nossa solidariedade orgânica, várias tribos, dos mais variados estilos, convivem pacificamente... ou pelo menos a maioria. E dentro das tribos urbanas os adeptos reconhecem-se, aceitam-se, mutuamente. E saindo do macro organismo e inserindo-se num micro, esses seres tribais, de alguma forma, reconhecendo-se, descoisificam-se.


Ter um estilo: é o que hoje a maioria das pessoas procuram, em matéria de comportamento. Querem ter uma característica própria, algo que as destaquem em meio à multidão. E ter estilo é muito mais que estar na moda. Estar na moda é querer ser igual à maioria. É seguir uma tendência. E ter estilo não, ter estilo é querer ser diferente.


Ai é que vem a contradição: a maioria procura ter algum tipo de estilo, ter uma característica que a diferencie da massa, e quando ela tem isso, o que ela faz? Freqüenta os lugares, locais, onde todos seguem o mesmo estilo. O extremo desse tipo de comportamento estão nas chamadas tribos (no sentido contemporâneo). O individuo se veste diferente, faz um corte de cabelo diferente, usa roupas diferentes, consegue, ou pelo menos acha que consegue, ter seu estilo e, depois de tudo isso, junta-se aos seus iguais. Reifica-se na multidão e, sentido só, mas com estilo, desreifica-se junto à tribo.


Não adianta, punks, emos, metaleiros, pagodeiros, funkeiros, forroseiros, intelectuais, nerds, patricinhas, mauricinhos, todos querem ser diferentes, mas correm para os iguais para serem aceitos... mas, claro, sem perderem o estilo.


O que quero dizer, afinal, com tudo isso, é que, se você quer realmente ter estilo, não pareça com nada e não lembre ninguém!

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Quarta-feira, 25 de Fevereiro de 2009

Símbolos e Logotipos - Analise Subjetiva

Este trabalho tem por finalidade analisar os aspectos quantitativos e qualitativos de logotipos e símbolos das seguintes empresas:


• Das redes de TV: Record, Globo, Bandeirantes e SBT;
• Das bebidas fermentadas: Brahma, Antártica e Coca-Cola;
• Das automobilísticas: Ford, Chevrolet, Citroen, Ferrari e Volkswagen;
• Das petrolíferas: Shell, Esso, Ipiranga e Hudson;
• Das instituições financeiras: Bradesco, Santander, Itaú e Real (pertencente ao grupo Santander);
• Das telecomunicações: Telefônica, Vivo, Claro e Brasil Telecom.


A maioria desses símbolos e logotipos citados acima são constantemente vistos (para quem é observador) durante nosso dia-a-dia. Da casa para o trabalho, do trabalho para a faculdade, academia, igreja, happy hours, seja lá para onde for, dificilmente você não irá se deparar com algum deles.


Partindo dum ponto de vista subjetivo, confesso que não reparo muito em nenhum dos citados. Hoje quando não estou com o MP3 (Sony, esse eu vejo todos os dias) nos ouvidos, atentando aos riffs de guitarras clássicas do rock’n’roll, que me soam como doces sussurros (e a mente longe daquele pedacinho de realidade), estou com os olhos grudados em livros de literatura, filosofia, sociologia, psicologia... Nunca estou olhando pela janela. Mas, mesmo tentando fugir desse assédio visual, mantenho uma certa relação com alguns desses símbolos e logotipos.


As redes de televisão acredito que dispensam comentários. Somos educados a assistir a TV, então esses símbolos são mais que constantes em nossas vidas. E desde nossa infância. Destaco o da Rede Globo pela simplicidade e simbologia: um globo dentro de uma tela de TV dentro de outro globo; mas só simplicidade não ajuda muito, o do SBT é somente um circulo multicolorido com as iniciais da rede dentro, e é visualmente inexpressivo.


A Coca-cola tem o logotipo mais conhecido do mundo. E desde do início de suas atividades, manteve as chamativas cores (branco e vermelho), e o nome com letras sinuosas. Sinuosidade que migrou para a garrafa (300ml), que tem característica própria, reconhecia em qualquer lugar. É praticamente um símbolo. A Brahma e Antártica, que travam uma batalha mercadológica no segmento de bebidas fermentadas, estão no inconsciente dos brasileiros a anos. Além das duas terem em seus logos a cor vermelha, que remete ao calor, bombardeiam os consumidores com comerciais atrelados a outras paixões nacionais: futebol, churrasco e praia.


Os das indústrias automobilísticas são os mais simples. Os mais fáceis de serem lembrados. Alguns estão bem mais tempo presentes em nosso cotidiano (VW, GM, Ford), pois participam a muito mais tempo do mercado brasileiro. A Ferrari é praticamente um sonho de consumo. Além da cor característica (vermelha) acredito que a Ferrari é mais lembrando por ser, quase, uma utopia de consumo. Pelo menos para os simples mortais.


Das redes de combustível, caso você não tenha algum tipo de veículo que necessite de gasolina, álcool, etc., fica mais difícil de lembrar-se de algum. Esso e Hudson (não é a dupla sertaneja), que possuem as mesmas cores (vermelho, branco e azul), praticamente habitam somente a lembrança de pessoas acima dos trinta anos. Essas duas redes diminuíram tanto o número de seus postos que praticamente não são conhecidas pelas novas gerações. Shell e Ipiranga já são bem mais freqüentes.


O banco Bradesco, dentre as instituições financeiras, tem o símbolo mais conhecido. Além de ser a maior dentre as analisadas, é conhecido como banco popular; do povão! Como já dizia a velha piada: orelhão, puxa-saco e Bradesco, tem em qualquer esquina. O Itaú e Real tem em seus logos e símbolos cores mais discretas (azul e amarelo - verde e amarelo, respectivamente). Acredito que essas escolhas, discretamente cromáticas, seja devido as suas intenções de público alvo: uma gama mais elitizada da população. O Santander seguiu o estilo Bradesco: o bom e velho vermelho “berrante”.


As empresas de telecomunicações, depois dos processos de privatização, tornaram-se freqüentemente presentes. E a tendência é aumentar mais. Segundo a Anatel *(Agência Nacional das Telecomunicações) até 2018 existirá no Brasil um celular por habitante. O número de aparelhos saltará dos atuais 125 milhões para 250 milhões.


Hoje as ofertas, dos mais variados produtos e serviços, são totalmente agressivas. Nunca o consumidor foi tão ferosmente assediado e disputado pelos mais diversos tipos de empresas e seguimentos. Essa miríade de cores, letras e formas geométricas, que incentiva cada vez mais o consumo desenfreado, não enchem os olhos de ninguém... Alias, reparando bem, enchem sim. Enchem de um vermelho “berrante”. Quem nunca precisou ligar para uma central de telemarketing!

 

*Fonte: Info-Plantão

 

Para ler:

 

Texto - Logomarca? O que é isso?

Texto - Me falta etiqueta?

 

Trabalho acadêmico realizado em 20/02/09

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publicado por AB Poeta às 12:10
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Domingo, 25 de Janeiro de 2009

Me falta etiqueta?

 

Todos os dias, ou quase todos, me descubro do Parahyba, levanto do Probel, só de Dog, dirijo-me ao banheiro, às vezes sento na Loqasa, às vezes não nesse horário, mas quando sento, depois do serviço feito, passo o Carinhoso nas nádegas, ligo a Corona, me esfrego, parte com Dove parte com Colorama, enxáguo-me, desligo a ducha, e me emaranho na Sisa. Depois de seco, passo Dope nas axilas, Natura nos braços, com a Sorriso passo Colgate nos dentes, às vezes passo Bozano na face e retiro tudo com Gillette, e passo, logo após, O Boticário. Terminado tudo, saio. Vou para o quarto, coloco a Zorba, visto a Hering, boto a Lee, calço as Adidas, com Granado dentro, e o par de All-Star sobre. Coloco o Iron-Man no pulso e o Nokia no bolso. Dirijo-me à cozinha, tomo Pilão com Jussara requentados no Dako, como Pullman com Qualit, encho o Tupperware com Tio João e Carioquinha, e junto, coloco a mistura que estiver disponível. O que sobrou guardo na Brastemp. Depois de cheia e bem fechada, a Tupperware, coloco-a na Bagmax, junto com Crime e Castigo, jogo-a nas costas, coloco o Sony nos ouvidos e saio de casa. Vou para o ponto e pego o Mercedes, que não é mais Amélia, mas continua sendo de verdade. Chego ao trabalho, ligo o Dell, atendo o Ericson, às vezes o Motorola, vendo Bomber, Bravox, Selenium, Stetsom, Golden Cabo, American-Auto e mais um monte de outras coisas. Todos os dias, no mesmo horário, como o que estiver dentro do Tupperware, às vezes com Coca-Cola, outras com Dolly, algumas com Tang ou Frisco. Depois como um Nestlé, ou chupo uma Kids, ou tomo um Kibon. Passado uma hora, volto à rotina. Finda o dia de labor, pego o Mercedes, às vezes vou tomar uma Brahma, ou uma Skol, às vezes vou usar Olla, às vezes vou direto para casa. Chegando, esvazio a Bagmax, descalço o All-Star e as Adidas, tiro a Lee, a Hering, a Zorba, vou para o banheiro e refaço todo o procedimento matinal, saio e visto-me. Para passar o tempo às vezes ligo a LG, às vezes ligo o LG, às vezes escuto o Toshiba, às vezes toco a Eagle ou o Tagima e em dias quentes ligo o Walita para refrescar-me. Antes de dormir programo o Nokia para acordar-me no horário certo. Deito no Probel, jogo o Parahyba por sobre mim e repouso com a cabeça no Zelo. E assim vai...

 

Às vezes a rotina muda, inventam novas necessidades indispensáveis à nossa vida cotidiana e junto com essas invenções novas marcas vão sendo inclusas em minha história.

 

 

Para ler:

Eu etiqueta - Carlos Drummond de Andrade

Para ver:

A alma do negócio - Super Filmes - 1996

publicado por AB Poeta às 02:45
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Segunda-feira, 29 de Dezembro de 2008

Desejar o bem sem olhar a quem

Acho que todos nós aprendemos isto desde criança: nunca deseje aos outros o que você não quer que lhe aconteça. Ou, pelo menos, algo parecido com isso... Ou nessa mesma linha. Mas uma coisa é certa: o bem é algo a ser ensinado; a virtude é algo a ser ensinada. E muitas vezes quem nos ensina isso é a experiência.


Segundo psicanalistas (Jung é pai desta teoria), todos nós carregamos em nosso inconsciente um arquétipo chamado sombra, que é responsável pelos nossos atos (pensamentos) violentos e, socialmente, inaceitáveis. A sombra é o lado “primitivo” do homem, que foi gradativamente, durante todo seu processo de “evolução”, sendo reprimida no inconsciente através dum processo social de “educação” (adestramento) que sofremos durante todo o decorrer de nossa história. De vez em quando ela da às caras. Nos momentos em que explodimos numa fúria cega, é ela, nossa amiguinha, que bota lenha na fogueira. O Self, arquétipo responsável pelo “equilíbrio” do inconsciente, é quem da uma “segurada de onda”, canalizando essa violenta energia para outros arquétipos, aliviando-nos, e afundando no sub, cada vez mais, a sombra.


Somos naturalmente violentos, mas, ainda bem, que inventamos o Bem, que nunca é absoluto, mas que faz com que pensamos que há algo sublime a alcançar, e isso nos ajuda a esquecer que temos esse tipo “ruim” de natureza. Mas, tudo bem, não é para falar sobre isso que escrevi este, e sim para contar uma história que vivi e que tem tudo a ver com o título deste acima.


Amigo secreto, essa brincadeira (pé no saco) que se faz, geralmente, em final de ano, onde um grupo de pessoas escreve seus nomes em pedacinhos de papel e depois sorteiam os papelotes (no bom sentido) entre si, não participei de muitas, mas fiz parte de uma que me deu uma boa lição.


Participei duma dessas brincadeiras na época de colégio. O combinado foi que, ao invés de comprarmos presentes mais tradicionais, como roupas, discos (na época), essas coisas assim, presentear-nos-íamos com chocolate. Poderia ser em barra, caixa de bombom, etc.. Não me recordo do nome na menina que tirei no sorteio, mas lembro que beleza não era sua maior virtude... Para ela, comprei uma barra dessas grandonas, recheada com pedacinhos de amendoim. Não lembro o nome, nem marca, de tal guloseima, recordo somente que vinha numa embalagem de papel de cor amarela e tinha um nome curto escrito em vermelho. Cursava no horário vespertino, e entrava na aula próximo ás 13hs. Sai naquela tarde, visualmente corriqueira: ônibus passando, os botecos abertos, grupos de pré-adolescentes uniformizados com avental branco, seguindo em direção a instituição de ensino estatal... Tarde que era diferenciada somente por ter como data o final da brincadeira. Segui pela rua e, ao dobrar a esquina, encontrei com um amigo meu de sala (amigo próximo meu até hoje), e logo iniciamos uma conversa sobre o acontecimento que estava por vir. Perguntou-me se já havia comprado o presente para meu secreto amigo, respondi que sim, o que era, mas não revelei seu nome. Ele comentou que ainda não havia comprado seu presente, e que passaria, antes da aula, no mercadinho que ficava (ainda fica) na esquina posterior a do colégio. Fomos juntos. Chegando lá havia muitas opções de presente, o que gerou certa dúvida do que comprar. Pediu minha ajuda (opinião), e acabou decidindo por uma entre duas caixas de bombons. Uma das caixas continha um número maior de unidades, acho que trinta, ou algo perto disso, mas por isso tinha preço mais alto. A outra, a escolhida, tinha um número menor de unidades, dezesseis bombons, mas o principal atrativo, segundo meu ponto de vista, era que o preço acompanhava essa redução quantitativa.

 

Então perguntou para mim:

 

- E ai André, qual das duas você acha que devo comprar?


- A mais barata, claro! – Respondi “na lata”.

 

- Mas a outra não está tão mais cara assim. E, pela quantidade de bombons que vem na caixa, acho que o preço compensa. – Disse com visível empatia pelo amigo que seria futuramente presenteado.

 

- Tanto faz. O que importa é que você entregará o presente. E, melhor ainda, vai lhe sobrar uma grana! E o cara, esse, nem vai saber mesmo... – Respondi com total indiferença.

 

- Ah, então vai essa mesmo. – Seguimos para o colégio.

 

Chegamos à sala, todos já eufóricos para saber quem foi quem que tirou quem, quem que ganhou o que, quem ganhou o que de quem... E assim foi até a professora chegar e dar início ao final do jogo misterioso. No começo é sempre o mesmo suspense: um vai até a frente da sala e começa a descrever seu amigo secreto, até descobrirem quem é, e nesse espaço de tempo todo mundo fica, é fulano, é cicrano... E, quase nunca, ninguém acerta. Chegou à vez desse meu amigo, e minha ansiedade aumentou, pois como eu instantes antes havia ajudado a decidir na escolha do presente, queria saber quem era o indivíduo a ser contemplado. Ele começou a descrevê-lo, dando risada. Ai a classe ria junto, e eu ria junto com a classe. Descrevia... Dava risada... A classe ria... E eu, ria junto com a classe... Com a caixa na mão, chegada à hora de falar o nome do agraciado, olhou para mim e riu...
Adivinhem quem ele tirou!

 


 

Downloads:

 

IRA! - XV Anos

 

Álbum completo:

 

IRA! - Vivendo e não aprendendo

 

Para ler:

 

André Comte-Sponville - O pequeno tratado das grandes virtudes

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Domingo, 28 de Dezembro de 2008

Fim de Ano

Eai galerinha beleza!

 

Menos um ano em nossas vidas, não sei se vivido bem ou mau (ou mal, não sei), cada um com seu cada um, mas espero e torço (torci né, já foi) que tenha sido ótimo para todos! Toda experiência é valida, e nem em vidas desperdiçadas se desperdiça nem algo nem nada!

Desejo a todos, deste instante em diante, que tenham um ótimo fim de ano!

 

Beijos, abraços e otras cositas mas...

 

Até...

 

... que a felicidade seja algo desesperadamente desejado...

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Sexta-feira, 26 de Dezembro de 2008

Seis do um

Dia seis de janeiro, dia de santo-reis... Dia de reis! Dia do meu aniversário! Uns também chamam esse dia de reisado, folia de reis... A única coisa que eu sabia sobre tal data era que os três reis magos, depois de viajarem sei lá que distância, chegaram a Jerusalém afim de presentear o menino Jesus; e que também é o dia em que se desmonta todos os enfeites natalinos. Mas, pesquisando sobre, descobri que há grandes diferenças entre o dia de reis, reisado e folia de reis, e, o mais interessante, a “verdade” que há por de traz desse mito.


O dia de reis, dia seis de janeiro, marca a data em que os, supostos, “três reis magos”, guiados por uma estrela que apareceu no céu, na virada do dia vinte e quatro para o dia vinte e cinco de dezembro, anunciando a chegada do messias (ele mesmo, charaamm: Jesus Cristo!), iniciaram sua jornada rumo ao encontro da abençoada criança.


Não se sabe exatamente o local donde os reis principiaram sua peregrinação. O dia da partida é marcado, pelo mais que simbólico, nascimento do salvador; e depois de quatorze dias viajando, tomando chuva e sol sobre o lombo do camelo, os peregrinos chegaram ao seu destino no dia seis do primeiro mês (vale lembrar que a contagem de tempo, naquele tempo, era outra).


Não existe nenhuma referência histórica exata sobre o nome dos magos viajantes (Melchior, Baltazar e Gaspar), nem quantos eram e nem se eram mesmo reis. A única referência histórica que existe está na bíblia, no evangélio de Matheus, e faz referência a “magos” (na época a palavra mago tinha ou conotação, significava sábio, pessoa de conhecimento, etc., diferente do atual significado), e deduzi-se que são três pela quantidade de presentes deixados próximo da manjedoura, que foram: ouro, simbolizando toda a riqueza material; incenso, simbolizando a igreja, pois esse é utilizado nas missas católicas; mirra, planta que simboliza o corpo. O óleo que é extraído da mirra era utilizado pelos Egípcios em seus rituais de mumificação, por isso ela tem esse significado. Quantos aos reis, ou melhor, aos magos, foram denominados reis para mostrar que o messias está acima de qualquer reinado, seus governantes e valores (referência aos presentes deixados). Outro detalhe muito importante é quanto à questão da origem dos ditos reis: Melchior era o rei da Pérsia e era de cor branca; Baltazar era o rei a Arábia e era de cor negra; Gaspar era rei da Índia e a cor da sua pele tinha um tom amarelado. Os respectivos reinos e cores de pele simbolizavam todos os povos, que se tinha conhecimento, da época (concepção de “mundo”).


O reisado é o período que vai do dia vinte e cinco de dezembro até dia seis de janeiro (quatorze dias), e representa o período de viajem dos reis. E é durante esse período que os grupos de folia de reis saem pela cidade, batendo de porta em porta, contando, dançando, levando alegria, diversão e pedindo prendas as famílias moradoras.


Os grupos de folia de reis são formados da seguinte maneira:


Bandeireiro: Integrante responsável pelo estandarte do grupo; nunca pode ser ultrapassado. Ele pode ser substituído durante a caminhada, mas todo o grupo tem que ter um bandeireiro oficial.


Mestre e Contramestre: o mestre é o integrante que puxa as canções, e é seguido pelo contramestre.


Palhaços: são os responsáveis pela folia e pela arrecadação das prendas.


Gerente: o gerente é um elemento contemporâneo, uma espécie de tesoureiro do grupo, responsável pelas prendas. Alguns grupos agem com fins filantrópicos.


Foliões: populares que seguem o grupo; pode ser qualquer um que queira se juntar a folia.


Essa tradição católica teve origem na Europa do século VIII, quatrocentos anos depois da criação do cristianismo. Veio para o Brasil no século XVI, com a colonização, mas ganhou força somente no século XIX. Com a reforma protestante mais do que consolidada, a Companhia de Jesus não podia deixar barato, e, com certeza, eles tiveram total influência na propagação dessa tradição.


Hoje a tradição tem uma força muito grande nos estados de Minas Gerais e Espírito Santo, e nas cidades interioranas espalhadas por todo o país. Em Muqui (ES) acontece o maior encontro anual de folia de reis, que está na sua 58° edição. Esse encontro não é necessariamente realizado no dia seis, a data é aleatória.


A tradição também foi retratada em pictóricos. O mais conhecido deles é o quadro Reisado de Candido Portinari.


Na música popular brasileira uma bem conhecida é A Festa do Santo Reis de Tim Maia. Arno Rodrigues e Chico Anysio interpretavam os personagens Paulinho e Baiano, respectivamente, do trio Baiano e os Novos Caetanos, e gravaram Folia de Reis em seu primeiro disco. O outro que formava o trio era Renato Piauí.


A folia de reis segue firme e forte, como uma tradição cristã, e enche de alegria pagã os corações dos foliões cheios de fé que estão espalhados pelo Brasil afora.

 

Download:

 

Apresentação em PPS sobre a Folia de Reis

Baiano e os Novos Caetanos - Folia de Reis

Tim Maia - A Festa de Santo Reis

Almir Guineto - Folia de Reis

 

Álbum Completo:

 

 

Folia de Reis e do Divino - 1979

 

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Terça-feira, 16 de Dezembro de 2008

O Dia Que Tancredo Morreu

Foi em 1985, eu estava na quarta ou quinta série, nem lembro direito, mas me recordo perfeitamente o dia em que Tancredo morreu.


O Brasil, depois de passar vinte anos vivendo num regime ditatorial, e esse é considerado o período mais negro de toda a nossa história, o Colégio Eleitoral elegia presidente da república, numa votação mais do que histórica, já que foi aberta (cada integrante dirigia-se até um microfone e falava seu voto) e transmitida por, praticamente, todos os veículos de comunicação, o Sr. Tancredo de Almeida Neves, candidato do PMDB, que no embate político derrotou o biônico, e amiguinho dos militares, o Sr. Paulo Maluf, com 480 votos contra 180 desse último, e teve 26 abstenções (é, teve cara que num momento histórico dessa magnitude ficou calado! 26 bundões omissos!).


Na época não fazia idéia do que estava acontecendo, do momento que o país passava. Num muro dum ferro-velho, que ficava de frente a rua que eu moro (moro no mesmo lugar até hoje), havia pichado a frase “Diretas Já!”, lia-a mas não sabia do que se tratava tais palavras. Lembro de alguns detalhes da vida escolar que eram provenientes da influência dos militares. Todos os dias na escola tínhamos que traçar na página do caderno, de cima para baixo, da direita para a esquerda, dois riscos com lápis de cor, um verde outro amarelo, depois de fazer o cabeçalho com o nome da escola, local, data... Na entrada, na hora de formar as filas para que fossemos conduzidos, ordenadamente, as respectivas salas de aula, tínhamos que esticar o braço e encostar a mão no ombro do amigo da frente, isso determinava a distância que cada um deveria ficar do outro. Na educação física, na hora do professor fazer a chamada, formávamos quatro colunas, todos de uniforme branco, ficávamos com as mãos atrás do corpo, uma mão segurando o punho da outra, e com os pés naturalmente afastados. Essas duas posturas corporais são militares. Descobri isso, ou melhor, liguei o nome à pessoa, quando servi ao exército (obrigatoriamente) em 1994, no 2º Batalhão de Polícia do Exército (quando ainda era na Abílio Soares). Fora hastear a bandeira cantando o hino nacional, isso já era clichê. No quartel tínhamos que saber, na ponta da língua, todo o hino nacional. Tarefa difícil. Um dos tenentes dizia indignado “como pode, vocês saberem Faroeste Caboclo inteira, sem errar uma vírgula, e não decorarem o hino nacional! Bando de mocorongos!”.


Na escola, numa das vezes que ficamos sem professora na sala, aproveitamos da situação para fazer a boa e velha algazarra, como os alunos do primeiro grau geralmente fazem. O contingente da sala deveria ser entre trinta e cinco, quarenta alunos, não lembro exato. A porta da sala ficava no canto frontal direito. De repente a professora, uma mulher magra, rosto chupado com nariz fininho, lábios insossos, olhos furiosos, cabelos curtos, meio alaranjados, meio amarelados, nitidamente tingidos na tentativa de esconder o tempo, rompe aos berros, “parem já com esta anarquia!”... Era a primeira vez que ouvia a palavra anarquia. Nem sabia o seu significado. Mas associando essa nova palavra à situação, boa coisa ela não poderia significar.


Outra coisa bem interessante da época era uma propaganda que a TVS (hoje SBT) exibia. Sempre aos domingos, nos intervalos do programa do Silvio Santos, era exibido “A semana do presidente”, onde mostrava as atividades cotidianas do presidente militar em exercício. Era uma nítida puxada de saco, para tentar obter favores de concessão, já que os Marinhos sempre foram mais próximos dos generais verdejantes, e levaram muito mais vantagem do que os Abravanel, no campo das telecomunicações.


Voltando ao fatídico dia, tudo estava aparentemente normal. Os preparativos corriqueiros seguiam, tinha tomado café-da-manhã, e minha mãe ouvia um programa matinal de rádio, onde o locutor todo dia dizia “olha hora, olha hora. Acorda ele Dna. Maria. Joga água!”, e sonoplasticamente seguia-se o som de água espirrando. Coloquei o avental do colégio, branco com um passarinho desenhado no bolso superior esquerdo. Peguei minha mochila, sai pela porta da cozinha e segui pelo corredor. Passei pelo portão que vem antes da garagem, atravesei-a, saquei as chaves do bolso, e fui para abrir o portão principal, o que dá acesso à rua. Estava uma manhã ensolarada, lembro-me das sombras das barras do portão esparramadas pelo chão do quintal, provocadas pelos quentes e suaves raios solares. Quando fui abrir o portão ouvi um voz me chamando, “andré, andré”, olhei para o lado direito da rua e vi minha vizinha, que voltava do colégio. Ela veio em minha direção e disse:

 

- André, hoje não vai ter aula.

 

- Não? Por quê? - Perguntei espantado. Não via motivo para tal.

 

- O Tancredo Neves morreu! – Respondeu num tom seco.

 

Parei de frente ao portão, pensando na trágica e fúnebre afirmação que a menina acabara de proferir... E como todo bom garoto do primeiro grau, alienado politicamente, bradei:

 

EBAAA! HOJE NÃO TEM AULA!

 

 


Regime Militar - 1964/85

 

Revolucion Download's:

 

Zuenir Ventura

1968 - O ano que não terminou

Vozes do Golpe - Um Voluntário da Pátria

 

Karl Marx - O Manifesto do Partido Comunista

Zelia Gattai - Anarquistas Graças a Deus

Carlos Marighella - Manual de Guerilha 

Jean-Jaques Rousseau - O Contrato Social

George Orwell - 1984

 

Platão

A República Vol I

A República Vol II

 

Texto: Ser Governado - Pierre-Joseph Proudhon

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Domingo, 14 de Dezembro de 2008

Mais um ou menos um?

 

I

 

Contagem maluca. O tempo, o de vida, é contado progressivamente, mas o corpo, que é quem suporta (acumula) toda essa carga temporal, vive uma vida regressiva. Envelhecer é amadurecer gradativamente para a morte.
Todo velho é uma criança velha. Como para criança tudo é novo, tudo na velhice do velho é novo. A criança, esse ser puro, que os pais insistem em tratar como uma miniatura de adulto, aprende (chamam esse aprendizado de “educação”) a ser velho, e o velho, na sua velhice, tem que aprender a ser velho de novo. Mas o estranho é que, apesar de tudo isso, nunca aprendemos a envelhecer. Talvez por isso destratamos os dois, velhos e crianças. São iguais, precisam dos mesmos cuidados. Todo cuidado é pouco, e o pouco cuidado que se tem, não é nada.

 

II

 

Ao final de cada dia, na fila da chapeira para bater o cartão, sempre eu ouvia alguém dizer “é, mais um dia”, e eu sempre dizia “é, MENOS um dia”. Deste instante para traz, já era, não volta. Talvez esta frase “mais um dia” seja uma forma de aliviar o fardo diário dessa vida rotineira que aprendemos a chamar de cotidiano; proferir essa frase é uma forma de deixar a vida mais leve, fazer com que passe mais leve. Sutil.
Será que se todos tivessem a consciência de que cada dia vivido (ou sobrevivido) é “menos um” e não “mais um”, as coisas tomariam um rumo diferente? Essa contagem progressiva não passa de uma regra social. E essa regra nos ensina a tratar cada dia vivido, quando chegado ao seu final, como se fosse uma vitória... Vitória do que? Foi apenas mais um dia sucumbido as regras, sem muitos prazeres, realizações, sem muito de diferente. E ainda se agradece a Deus por isso. Mas ai, para aliviar ainda mais, vem o grande super-herói, o grande defensor de todos: o “sonho”. Ter um “sonho” é ter um objetivo, e, a cada “mais um dia” esse “sonho-objetivo” fica mais perto de ser realizado. É uma pena que a ilusória contagem progressiva é na verdade regressiva, e o tal “sonho” nasceu para nunca ser. Serve apenas de muleta.

 

III

 

Já ia me esquecendo: Feliz aniversário!

 

Downloads:

IRA! - Envelheço na cidade

Raul Seixas - Quando você crescer

Lulu Santos - Já é!

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Domingo, 7 de Dezembro de 2008

Os Almôndegas Selvagens

Em meados do ano de 1994, quatro rapazes (nenhum de Leverpool) que serviam à pátria no mesmo quartel – 2º Batalhão de Polícia do Exército, quando ainda era na Abílio Soares, SP/SP – formaram uma banda, os Almôndegas Selvagens, com o intuito de fazer um som extremamente punk, com letras de protesto, performances agressivas e visual podre. A banda, que supostamente seria conhecida em todo o circuito alternativo, nunca saiu do papel, mas habitou vivamente nossos pensamentos rebeldes e sonhos juvenis, ambos potencializados pela vida militar obrigatória indesejada.


Os Almôndegas Selvagens nunca subiram num palco, tocaram numa garagem, num quintal, nem mesmo se reuniram num bar, esquina... Mas foi intensamente vivo em nossas conversas, e essa rebeldia juvenil que queríamos expressar revive a cada palavrão, cada gesto de indignação que emerge diante de uma situação de injustiça, de descaso com a população. Um de nossos “fãs” escreveu uma letra – Falsa Sociedade – que nunca foi gravada, tocada, nem mesmo assobiada, não tem cifra, tablatura, muito menos uma partitura, mas tem o “espírito” da banda.

 

 

Segue letra:

Falsa Sociedade
Letra: Marco Amorim

Vivemos numa falsa sociedade
Somos enganados totalmente
Somos escravos da cidade
Sistema que aliena tanta gente
Por que é assim? Por que é assim?
Tanta exploração, até parece o fim!
A religião é só mentira
São estórias pra ninar criança
Pois falta uma coisa que perdemos
Ela se chama esperança
Enquanto alguns comem com fartura
Outros morrem de fome
Vivem jogados na sarjeta
E nem sabe o seu nome
Por que é assim? Por que é assim?
Tanta injustiça, até parece o fim!

 

A cada escarrada e cuspida disparada os Almôndegas Selvagens são relembrados, inconscientemente...

 


Cartaz para divulgação dos shows que nunca aconteceram - O número de telefone que aparece era o do orelhão que tinha no quartel.

 

 

Download pra ouvir:

Dead Kennedys - Holiday in Cambodia

Ratos de Porão - Crucificados pelo Sistema

Garotos Podres - Anarquia Oi!

Inocentes - Pátria Amada

Fogo Cruzado - Desemprego

Cólera - Suburbio Geral

 

Completos:

Ramones - Greatest Hits

O Começo do Fim do Mundo - Festival Punk 1982

Sub

Ataque Sonoro

 

 

Pra ler:

 

Coleção Primeiros Passos - O Que é Punk - Antonio Bivar

 

Mate-me, Por Favor - Legs McNiel e Gillian McCain

 

Pra Ver:

 

Botinada - A Origem do Punk no Brasil - Direção: Gastão Moreira

Clique aqui e veja trechos pelo YouTube

 

 

2ºBPE - 1994

 

Soldados: Riguengo, Moraes Gomes, Braga, Santos Pereira, Bicalho e os outros dois de macacão verde não me lembro o nome.

 

 

Cajamar/SP - 1º Acampamento

 

2º Acampamento - A volta para casa

 

 

PE é o guerreiro

Que mata guerrilheiro

Mata, esfola

Usando sempre seu fuzil

PE é o guerreiro

Mais valente do Brasil...

 

Canções - Letras:

Canção da Infantaria

Canção do Soldado

Canção do 2ºBPE

Hino Nacional Brasileiro

 

Canções - Downloads:

Canção da Infantaria

Hino Nacional Brasileiro

 

Comunidade Orkut: Sim, servi a PE em 94!

 

 

Sex Pistols - Anarchy in the UK

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Terça-feira, 2 de Dezembro de 2008

Lei Seca

Hoje a bebida foi proibida para todos os motoristas. Beber e dirigir agora é crime. Essa foi uma das medidas mais descaradas de demonstração do poder coercivo do Estado; não consegue educar, puni com mãos de ferro! A partir de hoje, qualquer cidadão de bem que beba uma misera latinha de cerveja, e logo após sair ao volante, se esse individuo for parado pela polícia, e obrigado a soprar o bafômetro, pode ser enquadrado como criminoso! Pode? Por que pode? Não é de certo que se tal individuo em eventual circunstância, aferida pelo aparelho, vá preso? Não, não é certeza. A lei é clara, mas ela fica sujeita a interpretação das autoridades competentes. Me diga então, para que serve uma lei que é sujeita a interpretação de alguém? O que vale então, a lei ou a interpretação da autoridade? Respondo: num país semi-alfabetizado, de leis dúbias e obscuras, como o Brasil, o que vale é a interpretação da autoridade! O pior disso tudo é que estamos sujeitos à interpretação de policiais que tem, no máximo, um diploma de segundo grau concluído pelo ensino público. Estamos fudidos...


Conheço muitos motoristas que bebem, e que, consequentemente a lei, se lamentam de não poderem mais dirigir após bebericar. Lamentam-se, não pela proibição em si, e sim por saberem que, talvez, nunca mais serão as pessoas que são quando estão alcoolizadas. A lei seca nos trancafiará dentro duma prisão inconsciente...


A Persona, essa sim ficou feliz, reinara plena pela consciência! Caminhara livre, negando-se e fingindo-se sempre ser o que lhe convém ser.
O casal Anima e Animus se manifestaram imperceptivelmente, sem dar muita bandeira. Como sempre.


A Sombra, essa, coitada, terá seus conteúdos manifestos em sonhos distorcidos, totalmente sem nexos, aliviando-se pouco-a-pouco, mas sempre insatisfatoriamente.


O Self... Aja força para equilibrar tanta vontade e desejo, dentro de um desequilíbrio atordoante.


A bebida, que depois de ingerida, liberava o conteúdo latente da mente, proibida agora, aprisiona os arquétipos, e condena todos a serem quem são.

 

Texto escrito em 22/06/08.

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Terça-feira, 23 de Setembro de 2008

Partido Cervejeiro Universal

O Trabalho

 

 

O trabalho, numa visão histórica, sempre foi ligado a algo ruim. Até mesmo na bíblia; quando Adão e Eva comeram do fruto proibido foram expulsos do paraíso e condenados a trabalhar. Eva se ferrou duas vezes, pois, além do trabalho manual, também coube a ela (mulher) o trabalho de parto.


A palavra trabalho vem da palavra, originária do vocábulo latino, tripalium, que era o nome de um aparelho de tortura, formado por três paus, utilizado para amarar os condenados. Como herança dessa origem, ela é sempre associada ao sofrimento, pena ou labuta.
Na Grécia antiga toda a atividade manual era desvalorizada, e feita pelos escravos. Somente as atividades teóricas (contemplação das idéias) eram consideras dignas.


São Tomás de Aquino, na idade média, tentou desvincular esse estigma do trabalho manual, dizendo que todos os trabalhos se equivalem, mas como sua filosofia tem como base a visão grega, tende a valorizar as atividades contemplativas. Alguns textos medievais consideravam a “arte mecânica” uma arte inferior.


A ascensão da burguesia, na idade moderna, muda totalmente à concepção do trabalho. Com o domínio sobre as “artes mecânicas” e as grandes navegações, e a exploração de ambas, a sociedade passa por grandes transformações econômicas, determinantes para a passagem do feudalismo para o capitalismo. Surgem os primeiros barracões manufatureiros (primeiras fabricas), e os trabalhadores, que antes produziam por conta própria em suas casas, agora, para sobreviver, são obrigados a venderem a única coisa que lhes sobraram: sua força de trabalho. O fruto provindo do trabalho já não pertence mais ao trabalhador. Toda a produção e lucro pertencem ao empresário. Com a produção crescendo rapidamente, a divisão do trabalho em horários pré-estabelecidos, e o desenvolvimentos dos grandes centros urbanos, surge uma nova classe social: (nós) o proletário.


A Reforma Protestante (século XVI), a Revolução Francesa e Revolução Industrial (século XVIII), contribuíram para fixar essa nova ordem social, e, principalmente, para mudar toda visão histórica que se tinha sobre o trabalho.
Até quando isso?

 

O Tempo

 

Já era! Não somos mais os donos do tempo. O Tempo, essa idéia “abstrata”, que antes era marcada apenas pelo nascer e o por do sol, ou pelas colheitas, agora é mensurado pelo relógio. Primeiro o pensador disse: “o tempo é o senhor da razão”; ai veio os revolucionários industriais burgueses, se apoderam do relógio, esse marcador de tempo, e disseram: “não não! Tempo é dinheiro”.

 

De quem é o tempo?

 

Romanos, Julio César, Augusto, gregorianos, Carlos IX, Papa Gregório XIII, era cristã. 365 dias, 6hs e alguns minutos.

 

De quem é o tempo?

 

- Corre o coelho, olhando o relógio: “to atrasado, to atrasado”, sempre.


- A rainha mandona manda: “que sirvam o chá... E cortem-lhe a cabeça!”, sempre, também.

 

Ninguém é decapitado, mas sempre se perde a cabeça.

 

De quem é o tempo?

 

Newton, Einstein... Tempo + Espaço = espaço-tempo. Quanto mais próximo de um objeto, maior será a distorção no espaço-tempo. Isso faz com que o tempo passe mais devagar, para quem está próximo desse objeto, pois a força da gravidade será maior nesse ponto do espaço-tempo. Mas se você for arremessado para longe, numa velocidade próxima a da luz, aí não, aí ele fica mais lento. Dilatação temporal... Isto é absoluto: o tempo não é mais absoluto!

 

De quem é o tempo?

 

Taylor, Fayol, Ford.

 

De quem é o tempo?

 

Acorda, café-da-manhã, ônibus, trabalho, almoço, trabalho (muitos copos de café nesse meio tempo), ônibus, escola, dorme, cinco dias (com alguns happy-hours e outras cositas mas  no meio) , acorda, feira, mercado, shopping, afazeres domésticos, estudos, filmes, baladas, dorme, acorda, missa, macarrão, frango, futebol, Faustão, fantástico, dorme...

 

De quem é o tempo?

 

O tempo, hoje, pertence as grandes indústrias, companhias, multinacionais, etc... E o seu relógio serve somente para lembrá-lo disso.

 

O Lazer

 

Sempre após o expediente um grupo de pessoas se reúnem num bar. Já que foram libertos das amarras empregatícias, aproveitavam seu tempo de lazer tomando uma gelada. Isso é absolutamente normal, numa sociedade industrializada como a de hoje; pessoas que tem coisas em comum se reunindo no mesmo local. Isso acontece, não porque existe uma força divina que os une, e sim porque existe um habito de consumo em comum. A sociedade industrial produziu um ser que se reconhece, se junta, se une através do consumo. O lazer alienado produz esses grupos. E, fala a verdade, depois de um dia inteiro entregue ao trabalho, tomar uma cerveja não é nada mais do que justo.


Ler um livro, aprender a tocar algum instrumento musical, plantar uma árvore, escrever, pintar um quadro, assistir a um filme em DVD, que não seja um blockbuster, caminhar, fazer um artesanato, cozinhar, etc., todas essas práticas foram, praticamente, erradicadas da vida (tempo livre) da maioria das pessoas.


Graças a grande indústria do lazer, se você não estiver consumindo, qualquer coisa, você acredita que não há mais nada para se fazer. O consumo, junto com o “tempo livre”, construiu algo mágico, algo que faz com que você tenha a sensação de que o seu tempo está sendo muito bem aproveitado. Ta ai, uma grande característica do homem do século XX: o lazer alienado.

 

O Partido

 

Essa alienação do lazer até que não é tão ruim. Em meados de 2006, um grupo de pessoas, de tanto se reunirem no mesmo local, para fazer a mesma coisa: discutir sobre os mais variados assuntos e apreciar a boa e velha cerveja, decidiram montar um partido, intitulado Partido Cervejeiro Universal, o famoso P.C.U.


A coisa ficou tão organizada que foram feitas camisetas com o logo do partido, foi escolhida uma sede (Toka’s Bar), feito um vídeo musical e um estatuto com os deveres, direitos e obrigações dos filiados. Também elegemos um presidente e seu vice.


A democracia dentro do partido foi exercida de forma sublime. Todo o estatuto foi escrito com todos os filiados dando sua opinião e sugestão, independente do cargo que ocupava na empresa ou o nível de amizade com qualquer integrante do partido. Foi de causar inveja até a ágora ateniense.

 

Segue estatuto:

 

PARTIDO CERVEJEIRO UNIVERSAL – ESTATUTO

 

Capítulo I - Do Partido e seus objetivos:

 

Artigo 1º) O P.C.U. tem como objetivo principal agregar apreciadores de : cerveja, samba e churrasco.

 

Capítulo II - Dos filiados:

 

Artigo 1º) Será admitido como membro do P.C.U. qualquer pessoa que compartilhe dos nossos ideais independente de ser funcionário da Universal;

 

Artigo 2º) Face ao exposto acima, fica proibida a entrada de : abstênicos, vegetarianos e outros malas;

 

Artigo 3º) Os afiliados a partir de 2007 terão direito a uma grande recepção na nossa sede (Toka´s), ocasião em que o novo integrante pagará 01 caixa de cerveja para entrar no Partido;

 

Artigo 4º) O P.C.U. repudia os Sanguessugas de boteco (aquelas pessoas que adoram beber mas são escorregadias na hora de pagar); qualquer ato neste sentido será punido severamente pelo Partido.


Capítulo III - Das obrigações:

 

Artigo 1º) Todo o filiado tem a obrigação de pagar 01 Caixa de Cerveja no mês do seu aniversário, ficando a seu critério a data de escolha da comemoração, desde que seja em uma sexta-feira;

 

Artigo 2º) Isso também se aplica as seguintes Comemorações : promoção, formatura, casamento, separação, férias, nascimento de filhos, prêmios de bingo, bicho, loterias, etc.;

 

Artigo 3º) Não serão aceitas desculpas quanto a situação financeira do filiado, pois para um membro do P.C.U. mais importante do que ter dinheiro é ter crédito.

 

Capítulo IV - Das reuniões:


Artigo 1º) Nossas reuniões serão realizadas todas as sextas feiras a partir das 17:45 na nossa sede social (Toka’s I) ou durante a semana se houver necessidade de alguma reunião extra-ordinária;

 

Artigo 2º) Uma vez por mês realizaremos na nossa quadra de esportes um churrasco de confraternização;

 

Artigo 3º) Quando da realização dos churrascos, o pagamento da contribuição deverá ser efetuado até as 15hs para melhor organização do evento;

 

Artigo 4º) Todo o conteúdo das conversas e acontecimentos das reuniões dizem respeito somente aos integrantes do Partido, sendo não permitido a sua proliferação fora da Sede;

 

Artigo 5º) É expressamente proibido falar de serviço nas reuniões por mais de 30 minutos;

 

Artigo 6º) Também fica proibido o consumo de sub-cervejas como : Kaiser, Bavária, Schin, etc. e no caso de cervejas sem teor alcoólico se faz necessário uma justificativa do integrante, sujeita á análise;

 

Artigo 7º) Em toda reunião do Partido será colocado um engradado vazio que irá sendo preenchido com as garrafas vazias. Cada integrante do Partido na sua saída deverá retirar as garrafas que julgar de acordo com o seu consumo;

 

Artigo 8º) Todo membro do Partido poderá convidar : parentes, amigos, namorados (as), filhos (as) , etc. desde que garantam a consumação dos mesmos.

 

São Paulo, 27 de Outubro de 2006.
 

Logos

 

Esse foi o primeiro, mas queriamos algo melhor, exclusivo.

 

 

Então o Fabinho (ex-partidário) desenhou esses dois.

 

 

Chegamos finalmente a esse, que está estampado em nossas camisetas.

 

Logo atual

 

 

Também foi feito um vídeo, totalmente no improviso, com duas de nossas partidárias (Juju e Dani, as duas vice do partido), numa festa da empresa. A letra, até onde sei, a da nossa saudosa vice Juju.

 

 

Também, claro, temos uma comunidade no Orkut. Clique aqui e participe.

 

A melhor coisa de tudo isso é o exemplo que fica de que quando um grupo de pessoas quer se organizar, se unir, elas conseguem e, algumas vezes, vão muito mais além. Não faltam grandes exemplos: Greenpeace, ATST-Faculdade (SP), ONG's, etc....


Até quando o consumo irá nos unir?

 


 

 

1º Encontro anual PCU - 28/11/2008

 

 

 

 

Baixe para ouvir:

Casa de Bamba - Martinho da Vila

Demônios da Garoa - Saudosa Maloca

 

Referência Bibliográfica:

 

Baixe para ler:

Filosofando - Introdução a filosofia

Uma breve história do tempo - Stephen Hawking

 

 

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publicado por AB Poeta às 19:46
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Sexta-feira, 12 de Setembro de 2008

29mim.

Acho que foi no final de 2002, na metade do segundo semestre, alguma coisa assim. Nessa época eu trabalhava de ajudante geral numa metalúrgica, pintando chave-fusível, acho que vocês nem fazem idéia do que seja isso, mas tudo bem. Fazia o turno da noite, e mais duas horas extras, todos os dias (noites). Entrava às vinte horas e saia às sete da manhã do outro dia. Trabalhar a noite é horrível. Alias, trabalhar já não é lá a coisa mais agradável do mundo, durante a noite então, é pior. Às vezes passamos por isso, aceitamos qualquer emprego só para não ficar em casa sem fazer nada... Fazer nada... Tão relativo.


Num dos finais de semana, havia combinado com um pessoal de irmos até um bar que tocava música ao vivo (rock’n’roll, claro) para fazer o que pessoas jovens fazem. Cheguei do trabalho no sábado de manhã, e como não conseguia nunca dormir de imediato (acho até que o período em que trabalhei nessa empresa foi o que menos dormi em toda minha vida) sentei na cadeira-de-balanço que havia no quintal de casa, com uma caneca de café quente e puro na mão, e acendi um cigarro (nessa época eu ainda tinha esse maldito vício). Fazia isso quase todos os dias. Ficava lá, pensando em nada, no vai-e-vem da cadeira, tragando e tomando, esperando a boa vontade do deus do sono (Hipnos) me contemplar com tal graça. Nesse dia, não sei o por que, não me esforcei muito para tentar dormir. Já eram quase onze da manhã, decidi ir para rua ver se encontrava alguém para bater um papo e, lógico, tomar uma cerveja. É, meus horários eram todos desregulados.


Voltei a tarde e, como já estava tudo combinado para a noite, fui tirar um cochilo. Lá prumas oito da noite minha mãe e minha irmã entram no meu quarto gritando “ganhamos!, ganhamos!”, acordei assustado, sem entender nada... Pela primeira vez em toda minha vida vi minha mãe pular! Mãe não pula, não faz essas coisas, fiquei espantado! E sem entender nada, ainda. Daí veio à notícia que todos os seres humanos (todos mesmo!) esperam ouvir um dia: ganhamos vinte e cinco milhões de reais na mega-sena! Claro que não acreditei, de primeira, mas para confirmar liguei num número de telefone que fornece o resultado do jogo e, para minha felicidade, era verdade! Nós estávamos milionários! E não foi só isso, fizemos à sena e a quina, primeiro e segundo prêmio, e tudo isso em apenas dois jogos. Pela primeira vez amei uma gravação de secretária-eletrônica. Liguei várias vezes. Ligamos a TV, na tentativa de ver o resultado para confirmar de vez que nós éramos os mais novos milionários do mundo, mas faltava 29mim para o jornal começar. Ficamos na espera. Nossas cabeças estavam a mil-por-hora. Imagine, você dorme um puta dum piãozinho duma porcaria de metalúrgica, e acorda um milionário! Começamos a fazer milhares de planos: casas, carros, viagens, montar um negócio... O que? Montar um negócio? Esse eu eliminei na hora! Trabalhei (ainda trabalho) a vida inteira, e quando ganho vinte e cinco milhões vou me encrencar montando uma empresa? Para que? A encheção de saco é a mesma, a única diferença é que você é o dono. Ta certo que é uma diferença considerável, mas, fala a verdade, você com uma grana dessas, podendo viver de renda, viajar o mundo todo, estudar o que quisesse, você abriria uma empresa? Deus me livre! Acho que fomos tão bem educados a trabalhar que, mesmo com a vida ganha, só pensamos nisso: trabalho, trabalho, trabalho... Nesse conflito de classes, empregado e patrão, todos se tornam escravos, e sem perceber, de um sistema capitalista que nos desumaniza e que nos ensina que o bom é ser das duas uma: ou empregado ou patrão; ou numa versão 2.0: empreendedor e colaborador; que merda, todos somos escravos do trabalho.


Trabalhar eu não iria “nem a pau”. Eu seria, no máximo, um artista plástico, um violonista excêntrico, poeta, filósofo, escritor meia-boca (tipo Paulo Coelho), seria qualquer coisa, mas desde que não fosse algo ligado a uma forma de trabalho mais trivial, dessas, que aprendemos a amar em quanto não a temos e nem a somos.


Meu pai foi o único que não gostou de ficar rico. Disse que os bancos passariam o dia atrás dele, tentando vender essas porcarias de serviços que custam muito e não ajudam em, quase, nada. O pior é que ele não deve ter percebido que isso já acontece, e já que isso já acontece, não é melhor que aconteça isso com nós na condição de milionários? Claro!


Bem, depois de muitas, mais muitas viagens milionárias, o jornal, em fim, começou. Todos fomos para frente da TV, até o cachorro. Parecia jogo do Brasil em final de copa do mundo. Por fim os números, e para desilusão geral da família, os números ditos não batiam com os nossos... Como não? Ficamos todos sem entender nada. Eu queria uma explicação, afinal, deixei de ser milionário mais rápido do que me tornei. Ligamos novamente para o telefone que fornece o resultado, e, para complicar ainda mais, os números batiam com os dos nossos jogos. Ai, para poder entender o que estava acontecendo, reconstitui toda a história. Minha mãe havia jogado o resultado do concurso anterior e, quando ligamos para conferir, ainda não haviam trocado a gravação... Então: ela fez o jogo, que era a repetição do resultado do último concurso, esperou durante a semana para obter o resultado do atual, ligou antes da gravação ser alterada, e ficamos todos achando que estávamos ricos! Perfeito! Mais real do que tudo isso só se realmente tivéssemos ganhado. Acho que nem preciso dizer que fiquei possesso.


Não fiquei rico, mas a sensação de estar, de ser, é indescritível. O pior é que havia recebido meu (misero) salário aquele dia e, como a noitada já estava confirmada, e eu pensando que estava milionário, eu ia detonar no rock’n’roll, ia torrar todo meu suado dinheirinho. Já estava até pensando como iria pedir demissão, assim do nada, sem dar bandeira de que fiquei milionário.


Imagine o seguinte: todas as possibilidades, desejos, realizações que o dinheiro pode proporcionar, eu tive em minhas mãos! Pelo menos por 29mim.

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publicado por AB Poeta às 19:29
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Terça-feira, 2 de Setembro de 2008

Marketing esportivo

Jornalista desde 1986, Ivan Zimmerman, há mais de 12 anos cobre a NBA (basquete), NFL (futebol americano), NHL (hockey) e MLB (baseball), além da Champions League (futebol) da UEFA. Cobriu as Copas do Mundo de 1994 pela Rádio Jovem Pan e de 2006 pela DirecTV. Participou da cobertura das Olimpíadas de 2004 pela Band Sports e continua no canal, agora narrando e comentando os jogos da NFL (o dito futebol americano).


Com a indignação a flor-da-pele, o jornalista faz uma comparação (se é que dá para comparar) do tratamento que é dado ao esporte (todos eles) nos Estados Unidos, e de como o mesmo assunto é tratado no Brasil. Os americanos fazem dele um grande negócio, não só empresarial, mas também social, e o usa como propaganda para promover o país. É só assistir a qualquer olimpíada para ver isso.
No Brasil o caso é bem diferente. A monocultura do futebol mostra como nós não sabemos valorizar as variadas modalidades esportivas. No futebol temos os melhores craques, mas todos jogando em outros países.


Outra modalidade brasuca que se destaca é o Volei de quadra Masculino. Tem uma seleção que, como poucas, em qualquer outro esporte, tem uma coleção de títulos invejável. Mesmo tendo todo esse destaque, segue o exemplo do futebol, que tem seus maiores jogadores atuando no exterior.


Os exemplos dados pelo jornalista mostra o quanto é importante fazer uma boa publicidade, qualquer que seja a modalidade esportiva, e de como o marketing, quando é bem feito, faz a diferença. 

 

**Texto referente à palestra ministrada pelo jornalista esportivo Ivan Zimmerman – 28/11/07.

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publicado por AB Poeta às 13:06
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Segunda-feira, 1 de Setembro de 2008

O por que MUNDO ID

 

Uma pequena explicação do “por que” que este blog chama-se MUNDO ID.

 

O fundador da psicanálise, Sigmund Freud (1856-1939), diplomado em medicina, iniciou sua carreira profissional como neurologista clínico em Viena. Mudou-se para a Fraça, onde iniciou seus estudos sobre as manifestações histéricas, com o médico clínico Jean-Martin Charcot. Voltou a Viena onde abriu uma clínica particular para cura de doenças nervosas, e elaborou sua teoria, hostilizada de início, mas depois reconhecida como válida. A psicanálise tornou-se um sistema para interpretar todos os aspectos da personalidade humana.


Segundo Freud, toda a ação humana tem sua origem de forma inconsciente. Lapsos de esquecimentos e incidentes nunca são casuais, são determinados por motivos inconscientes e fogem ao nosso controle racional (ato falho*). Nossa parte consciente pode ser comparada a ponta de um iceberg, e o inconsciente sua parte submersa, e essa última é constituída por pulsões sexuais (Eros) e agressivas (Thánatos). No início da vida predomina o princípio de prazer, pois a criança procura satisfazer todos os seus impulsos. Logo em seguida ela será influenciada pelo ambiente e pelos adultos genitores, que estabelecerão regras as quais ele deverá se adequar. Nasce ai o princípio de realidade. As normas (sociais) que determinam o que é certo e errado começarão a fazer parte do superego, fazendo a criança sentir-se culpada, quando desobedece alguma regra.


Freud dividiu a psique em:

 

Ego: parte consciente, que toma as decisões; parte racional.

 

Superego: parte dela é consciente e parte outra inconsciente; contém as normas e regras transmitidas na educação.

 

Inconsciente ou ID: é a parte desconhecida de cada um de nós; compreende os conteúdos sexuais, agressivos, emocionais e os sentimentos considerados negativos pela nossa cultura.

 

O inconsciente pode ser estudado, segundo Freud, pela análise dos sonhos**, por meio de associações livres. Alguém que, por exemplo, sonhou com uma montanha deve dizer tudo o que vem na mente sobre essa cena, sem exercer nenhum controle racional. Para ele o sonho é a expressão de uma necessidade, um desejo insatisfeito que emerge do nosso inconsciente, que tem seu conteúdo implícito, e o que recordamos é o conteúdo manifesto, nem sempre compreensível.

 

O MUNDO ID é uma manifestação consciente do inconsciente, através de palavras, imagens, músicas, livros, textos, filmes, vídeos, pictóricos, rascunhos, desenhos,  documentos e afins, e que tem a intenção de discutir os mais variados assuntos de maneira direta ou não.

 

Baixe para ler: 

*A psicopatologia da vida cotidiana – Sigmund Freud

**A interpretação dos sonhos – Sigmund Freud

 

 

Assista: Freud - Além da alma (EUA, 1962) Direção de John Huston

 

 

 

Referência Bibliográfica:


STROCCHI, Maria Cristina. Psicologia da Comunicação. Manual para o estudo da linguagem publicitária e das técnicas de vendas. Paulus. São Paulo. Cap 06. Pg 59-71.

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publicado por AB Poeta às 19:12
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Sábado, 30 de Agosto de 2008

Música brasileira: tem para todo mundo

Desde os anos 30 já havia uma preocupação, de parte da imprensa, com o volume excessivo no rádio de música estrangeira (boleros, tangos e jazz), limitando a música popular brasileira apenas a marchinhas de carnaval. Em 1954 é criada a Revista de Música Popular (Rio de Janeiro) com o propósito de exaltar a música nacional e seus criadores. Em sua coluna o jornalista Nestor de Holanda já fazia criticas ao aspecto comercial que o rádio vinha tomando. A revista estampava em sua primeira capa o músico e compositor Pixinguinha. (Napolitano; Wasserman, 2000: 173-174)


Na contra mão da opinião a jornalista Magdala da Gama de Oliveira (contemporânea à época), conhecida como Madame, faz duras criticas ao samba, tratando-o como música barata e sem nenhum valor, tentando descaracteriza-la como música brasileira. O samba pela sua origem popular sempre foi hostilizado pelos mais conservadores e eruditos, como a jornalista Madame. O governo de Getúlio Vargas, que tinha uma política populista, reconhecia junto ao Ministério da Educação, que sediava compositores eruditos como Villa-Lobos, os sambas e as marchinhas de carnaval como legítimos representantes da música brasileira. (Garcia; 2001)


Tempos depois, e depois de muitos movimentos musicais (Bossa Nova/1950, Jovem Guarda/1960, Tropicalismo/1970, Rock ’n’ Roll/1980, etc...) e principalmente com o fim da censura imposta pela ditadura militar, essa resistência conservadora e erudita foi rompida e a música feita no Brasil tornou-se preferência nacional. Uma reportagem feita pela revista Rolling Stone sobre as grandes gravadoras, mostra que, apesar da queda de quase 50% das vendas no mercado fonográfico brasileiro (entre 2000 e 2006), entre os cinco álbuns mais vendidos, quatro são de artistas nacionais. Alexandre Wesley diretor artístico da Warner declara que: Sempre a espaço para Maria Rita, O Rappa, Daniel, que são artistas populares e vendem discos. O publico que consome música internacional está migrando para o formato digital. Esse cenário de sucesso, apesar de bom, esconde o lado ruim da indústria fonográfica, o de apostar somente em nichos de mercado. Para Gustavo Ramos, diretor geral da Som Livre, os números colaboram para que os artistas vivam na mesmice, e declara: O chato disso é ver que o repertório brasileiro não está sendo renovado e cada vez mais as apostas são nas regravações. (Fuscaldo; 2007: 36-37) E não será fácil sair dessa mesmice, a Associação Brasileira de Produtores de Discos divulga uma estatística onde mostra que 76% das vendas de música (áudio e vídeo) no Brasil são de repertório nacional, sendo um dos mais altos índices do mundo de participação de repertório local. (ABPD, 2007)


Na contramão desse movimento mercadológico das grandes gravadoras, que tentam massificar a música, tratando-a como um produto na concepção mais pura que essa palavra possa ter, os artistas e as gravadoras independentes seguem firmes e fortes. Um grande exemplo disso é gravadora Trama, que publicou um manifesto divulgando suas intenções, crenças e propostas. O primeiro parágrafo demonstra bem essa aversão ao mercado pop pré-fabricado: A música é uma crônica de sua época. Os interesses comerciais não podem definir a música. A música é definida pelas pessoas e pelo seu tempo. (Bôscoli e Szajman, 2004)


Os movimentos musicais não se restringem ao eixo Rio X São Paulo. Paralelamente, em Fortaleza, surge no inicio dos anos 80 (mais ou menos 83) o movimento Hip Hop, com a idéia básica de, através da cultura e da arte, construir canais de aglutinação entre os jovens. (Diógenes, 1998: 121-123) Em Recife a cultura local é muito mais forte, e neste ano será comemorado 100 anos do Frevo. Uma cidade percursiva tendo como símbolo o tambor de Maracatu. Também tem um cenário independente muito variado, bandas como Devotos - Hard Core - e Faces do Subúrbio – RAP. (Guerra, 2007)


Conclusão:

 

Mesmo com as grandes gravadoras apostando sempre na mesma receita e descartando tudo o que não se encaixa em sua visão de mercado, os artistas independentes e as culturas locais sobrevivem a esse cenário. A super exposição de artistas pop cria a falsa impressão de que mais nada é produzido. Muito pelo contrario, as várias formas de mídias (fanzine e internet, por exemplo) faz com que todos tenham seu espaço, tenha seu público, ou seja, tenha sua independência.


Referências Bibliográficas:


ABPD – Associação Brasileira de Produtores de Discos – Estatísticas e Dados de Mercado. Disponível em: http://www.abpd.org.br/estatisticas_mercado_brasil.asp. Acesso em: 20 de setembro de 2007.


BOSCOLI, João Marcelo, SZAJMAN, André: Manifesto Trama. In: Trama Virtual. 2004. Disponível em: <http://trama.uol.com.br/portalv2/noticias/index.jsp?id=9385>. Acesso em 20 de setembro de 2007.


DIÓGENES, Gloria. Cartografias da cultura e da violência – ganges, galeras e o movimento Hip Hop. São Paulo: Annablume; 1998.


FUSCALDO, Christina. Metamorfose Ambulante. Rolling Stone, São Paulo, n° 12, p. 36 – 37, set. 2007.


GARCIA, Tânia da Costa. Madame Existe. Facom – Revista da Faculdade de Comunicação da Faap. São Paulo, n.9 – 2o semestre de 2001.


GUERRA, Flavia. A Nação Maracatu. O Estado de São Paulo, São Paulo, Suplementos, pág. C22, 18 de março de 2007. Disponível em <http://www.estado.com.br/suplementos/ali/2007/03/18/ali-1.93.19.20070318.15.1.xml>. Acesso em 20 de setembro de 2007.


NAPOLITANO, Marcos, WASSERMAN, Maria Clara. Desde que o samba é samba: a questão das origens no debate historiográfico sobre a música popular brasileira. Revista Brasileira de História. São Paulo, v. 20, n° 39, p. 173 – 174. 2000.

 

* Trabalho acadêmico realizado referente as aulas de metodologia cientifica.

 

Outubro/2007

 

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Jupter Maçã - Lugar du caralho

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publicado por AB Poeta às 21:13
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Carta pruma menina

Eu adoro você menina! Acho você linda, forte e inteligente, uma mulher incrível. Fui algumas vezes bem grosso com você, sei disso, me desculpe. É meu jeito. Sou meio que exagerado mesmo. Vejo em você uma energia muito grande, algo puro e belo... Infinito. Muito forte. Parece que eu absorvo isso, ai meu exagero acaba ficando maior ainda. Não sei por que, mas nossa amizade acabou ficando um pouco distante. Talvez a facul, a correria do dia-a-dia, cursos extras, sei lá. Ruim né.


Obrigado pelo bilhete. Muita gente foi carinhosa comigo na hora da despedia, mas essas palavras quando vindas de você é diferente. Eu te acho especial, então suas palavras também são especiais, e quando elas são direcionadas a mim, me sinto especial também. Acredito que você tenha esse dom.


Quanto ao cara que entrou no rio, não sei quem é nem quem disse isso. Só conheço aquele da música da Baby Consulelo, o Menino do Rio. Que merda né!


Sempre se deseja muito sucesso, realizações ou se tem muita esperança. O que realmente te desejo é FELICIDADE! Sucesso? Que sucesso que nada, seja feliz! Realizações? Que porra nenhuma de realizações, te desejo felicidade! Esperança? Esperança é a pratica da espera, e não há por que esperar, temos que ser desesperados (des-esperar = não prática da espera)! Desejo a ti toda a felicidade!


Agente ainda vai tomar muitas cervejas juntos, não quero perder sua amizade, alias, perder não, torna-la ainda mais distante...


Mil beijos menina, de uma pessoa que gosta de você!

 

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Tim Maia - Eu amo você

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publicado por AB Poeta às 20:15
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Proibido para menores

Quero deixar bem claro a todos que o texto postado aqui não foi escrito por mim, idealizador deste blog.

 

Uma breve explicação de como o texto chegou em minhas mãos:

 

Certo dia estava eu conversando com um grandissíssimo amigo sobre música, livros, filmes e mais uma porrada de coisas ligadas à cultura, quando comentei sobre o blog que estou desenvolvendo, e que ultimamente ando me dedicando a (tentar) escrever. Ele achou muito interessante tudo isso, e disse que também está escrevendo, ou melhor, psicografando.

 

Como? Psicografando! – disse eu espantado.

 

É, isso mesmo. Ultimamente ando psicografando alguns textos. – respondeu.

 

Mas como assim? Você recebe alguma entidade? – indaguei.

 

Sim recebo, ou melhor, incorporo: o Doutor Fritz! – respondeu com toda a tranqüilidade.

 

Cara, fiquei boquiaberto, pasmado!


Para quem não lembra, no final da década de 70 e em mais da metade dos anos 80, o médico ginecologista, o Dr. Edson Cavalcante Queiroz, ficou famoso por realizar operações espirituais que, segundo ele, eram guiadas por esta entidade, o Dr. Fritz. Também teve outros médicos, antes e depois do Dr. Edson, que incorporavam essa mesma entidade, mas isso não vem ao caso, já que a finalidade deste post não é lembrar dessas histórias.


Voltando ao assunto psicografia, esse meu amigo me apresentou alguns textos, li todos e achei um muito interessante, que falava duma palavra de nossa língua pátria, e que, segundo o idealizador do texto psicografado, é a palavra, de todas as línguas do mundo, mais gostosa de ser pronunciada. De primeira, achei totalmente estranho, por que, até onde eu sei, ou sabia, esse tal Dr. Fritz é alemão, então, pensei eu: como ele poderia saber o português? Ai sim, meu queixo caiu de vez! Numa dessas incorporações do meu amigo, a entidade escreveu como aprendeu a falar e escrever em português. Segundo ele, foi com o médico, escritor, dramaturgo e orador brasileiro Cláudio de Souza. Eles se conheceram numa convenção alemã de medicina, e o médico brasileiro contou-lhe sobre nosso país, costumes, clima tropical e tudo mais, o que, na época (começo do século XX, pré-primeira guerra mundial; nesse período a Alemanha não se encontrava numa situação econômica muito boa), deixou o doutor alemão fascinado, despertando assim seu interesse em aprender nossa língua.


Vocês já devem estar mais do que curiosos em saber que raio de texto é esse. Lembro mais uma vez: o idealizador deste blog não tem nada a ver com a autoria de tais palavras!

 

Vamos ao dito texto:

 

Estudando esta língua, a portuguesa, percebo, em minha face, que a pronuncia de certas palavras proporciona-me reverberações diferentes das palavras provindas da minha, queria e estimada, língua alemã. Passo dias a dizer as mais variadas palavras dessa nova língua, a qual dedico várias horas de estudo, a fim de conhecer cada vez mais o vocábulo lusitano, e tentando descobrir o que me faz aprofundar, cada vez mais, nessa busca por uma resposta sobre todo esse fascínio que tais novas palavras provocam em minha alma.


Depois de tanto pronuncia-las, nos mais variados tons de voz, cheguei à conclusão de qual, dentre todas elas, é mais prazerosa de ser dita. Tal palavra é: xoxota.


Vocês já perceberam como a palavra xoxota é gostosa de ser pronunciada? Se vocês prestarem atenção, toda as vezes que a palavra xoxota é dita, sua boca fica cheia d’água! Isso é um fato, você pode testar agora mesmo, se quiser, claro. Vamos lá, pronuncie em alto e bom som: XO-XO-TA! Inclusive eu, Dr. Fritz, desenvolvi uma teoria sobre essa relação fenomenológica que se da entre a pronuncia dessa palavra e a cavidade oral (boca).

 

Teoria fenomenológica:

 

A palavra xoxota é uma trissílaba, e duas delas, as primeiras, possuem a letra “X”, letra essa que é pronunciada de forma arrastada. Exemplo: “xis”. Todas as vezes que você pronuncia as sílabas que possuem a letra “X”, o ar quente que sai dos pulmões sofre uma pressão maior, pois geralmente, e imperceptivelmente, você faz essa pronuncia com os dentes cerrados e com a língua muito próxima ao céu-da-boca. E, especialmente, nessa palavra, você faz isso duas vezes seguidas (XO – XO), proporcionando um acumulo e pressão ainda maior de ar quente. Quando é pronunciada a sílaba “TA”, o ar frio que circunda o ambiente entra em sua cavidade oral (boca), chocando-se com o ar quente. Nesse conflito de ares acontece uma condensação, fazendo com que o ar vire água. Tudo isso faz com que sua boca fique cheia d’água!


Em homenagem a ela, essa fofurinha de palavra, vamos todos em une-sono, numa só voz, dizer em alto e bom som: XO – XO – TA!
Em pesquisas recentemente realizadas, foi descoberta a xoxota mais antiga do mundo, mas também foi uma pena, pois ela morreu e foi enterrada junto com a Dercy Gonçalves.


A xoxota é tão boa que há homens e mulheres que gostam dela! Tem homens que gostam tanto, tanto, tanto, que até querem ter uma no meio das pernas! Mas esse tipo de operação não realizo.


Vamos parar de hipocrisia e saudar, não somente a palavra, mas também o objeto apreciado, pois, como é de conhecimento de todos, sem ela nós não estaríamos vivos!


Muito obrigado, querida (objeto e palavra) xoxota!

 

Ass: Dr. Fritz

 

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publicado por AB Poeta às 04:34
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Quinta-feira, 28 de Agosto de 2008

Resposta para Jabor

Não sei se vocês já leram, ou receberam por e-mail, um texto que, dizem, foi feito por Arnaldo Jabor, falando que brasileiro é isso, que é aquilo... Esse mesmo texto foi aplicado em aula com a seguinte finalidade: ser contra-argumentado. 

 

Em entrevista exibida no Programa do Jô ele diz não ser o autor de tal texto, e, inclusive, diz que esse é de caráter fascista.

 

Clique e veja parte da entrevista em que ele faz esse comentário.

 

Abaixo o dito texto:

 

Arnaldo Jabor


-Brasileiro é um povo solidário. Mentira. -Brasileiro é babaca.
Eleger para o cargo mais importante do Estado um sujeito que não tem
escolaridade e preparo nem para ser gari, só porque tem uma história de vida
sofrida;
Pagar 40% de sua renda em tributos e ainda dar esmola para pobre na rua ao invés de cobrar do governo uma solução para pobreza;
Aceitar que ONG's de direitos humanos fiquem dando pitaco na forma como tratamos nossa criminalidade...
Não protestar cada vez que o governo compra colchões para presidiários que queimaram os deles de propósito, não é coisa de gente solidária. É coisa de gente otária.
-Brasileiro é um povo alegre. Mentira. Brasileiro é bobalhão.
-Fazer piadinha com as imundices que acompanhamos todo dia é o mesmo que tomar bofetada na cara e dar risada.
Depois de um massacre que durou quatro dias em São Paulo, ouvir o José Simão fazer piadinha a respeito e achar graça, é o mesmo que contar piada no enterro do pai. Brasileiro tem um sério problema. Quando surge um escândalo, ao invés de protestar e tomar providências como cidadão, ri feito bobo.
-Brasileiro é um povo trabalhador. Mentira.
Brasileiro é vagabundo por excelência. - O brasileiro tenta se enganar,
fingindo que os políticos que ocupam cargos públicos no país, surgiram de
Marte e pousaram em seus cargos, quando na verdade, são oriundos do povo.
O brasileiro, ao mesmo tempo em que fica indignado ao ver um deputado
receber 20 mil por mês, para trabalhar 3 dias e coçar o saco o resto da
semana, também sente inveja e sabe lá no fundo que se estivesse no lugar dele faria o mesmo.
Um povo que se conforma em receber uma esmola do governo de 90 reais mensais para não fazer nada e não aproveita isso para alavancar sua vida (realidade da brutal maioria dos beneficiários do bolsa família) não pode ser adjetivado de outra coisa que não de vagabundo.
Brasileiro é um povo honesto. Mentira. - Já foi; hoje é uma qualidade em
baixa. - Se você oferecer 50 Euros a um policial europeu para ele não te
autuar, provavelmente irá preso. Não por medo de ser pego, mas porque ele sabe ser errado aceitar propinas.
O brasileiro, ao mesmo tempo em que fica indignado com o mensalão, pensa intimamente o que faria se arrumasse uma boquinha dessas, quando na realidade isso sequer deveria passar por sua cabeça.
90% de quem vive na favela é gente honesta e trabalhadora. Mentira. - Já
foi. Historicamente, as favelas se iniciaram nos morros cariocas quando os
negros e mulatos retornando da Guerra do Paraguai ali se instalaram. Naquela época quem morava lá era gente honesta, que não tinha outra alternativa e não concordava com o crime.
Hoje a realidade é diferente. Muito pai de família sonha que o filho seja
aceito como "aviãozinho" do tráfico para ganhar uma grana legal. Se a
maioria da favela fosse honesta, já teriam existido condições de se tocar os bandidos de lá para fora, porque podem matar 2 ou 3 mas não milhares de pessoas.
Além disso, cooperariam com a polícia na identificação de criminosos,
inibindo-os de montar suas bases de operação nas favelas. O Brasil é um pais democrático. Mentira. Num país democrático a vontade da maioria é Lei. A maioria do povo acha que bandido bom é bandido morto, mas sucumbe a uma minoria barulhenta que se apressa em dizer que um bandido que foi morto numa troca de tiros, foi executado friamente.
Num país onde todos têm direitos mas ninguém tem obrigações, não existe democracia e sim, anarquia. Num país em que a maioria sucumbe bovinamente ante uma minoria barulhenta, não existe democracia, mas um simulacro hipócrita. Se tirarmos o pano do politicamente correto, veremos que vivemos numa sociedade feudal: um rei que detém o poder central (presidente e suas MPs), seguido de duques, condes, arquiduques e senhores feudais (ministros, senadores, deputados, prefeitos, vereadores). Todos sustentados pelo povo que paga tributos que têm como único fim, o pagamento dos privilégios do poder. E ainda somos obrigados a votar.
Democracia isso? Pense !
Se você não for votar o que acontece?, se não se alistar o que acontece?,
ser obrigado a ouvir propaganda eleitoral em canais abertos é justo?
Democracia é isso? Pense?
O famoso jeitinho brasileiro.
Na minha opinião um dos maiores responsáveis pelo caos que se tornou a
política brasileira. Brasileiro se acha malandro, muito esperto. Faz um
"gato" puxando a TV a cabo do vizinho e acha que está botando pra quebrar.
No outro dia o caixa da padaria erra no troco e devolve 6 reais a mais,
caramba, silenciosamente ele sai de lá com a felicidade de ter ganhado na
loto... malandrões, esquecem que pagam a maior taxa de juros do planeta e o retorno é zero. Zero saúde, zero emprego, zero educação, mas e daí? Afinal somos penta campeões do mundo né? Grande coisa...
O Brasil é o país do futuro. Caramba , meu avô dizia isso em 1950. Muitas
vezes cheguei a imaginar em como seria a indignação e revolta dos meus avôs se ainda estivessem vivos. Dessa vergonha eles se safaram... Brasil, o país do futuro !? Hoje o futuro chegou e tivemos uma das piores taxas de crescimento do mundo. Nenhuma reforma no congresso, (Fiscal,trabalhista, penal, Eleitoral), nenhuma punição para os mensaleiros, sangue-sugas, e inúmeros outros crimes contra a dignidade publica ainda sem apuração.....
Deus é brasileiro. Puxa, essa eu não vou nem comentar...pode ter nos dado uma terra abençoada, sem tufões, furacões e outras tragédias naturais, mas em compensação colocou um povinho de merda sobre a mesma......
O que me deixa mais triste e inconformado é ver todos os dias nos jornais a manchete da vitória do governo mais sujo já visto em toda a história
brasileira.
Para finalizar tiro minha conclusão:
O brasileiro merece! Como diz o ditado popular, é igual mulher de malandro, gosta de apanhar . Se você não é como o exemplo de brasileiro citado nesse e-mail, meus sentimentos amigo, continue fazendo sua parte, e que um dia pessoas de bem assumam o controle do país novamente. Aí sim, teremos todas as chances de ser a maior potência do planeta. Afinal aqui não tem terremoto, tsunami nem furacão.Temos petróleo, álcool, bio-diesel, e sem dúvida nenhuma o mais importante: Água doce!
Só falta boa vontade, será que é tão difícil assim?

 

Em reposta, segue a contra-argumentação:

 

Resposta para Jabor


Brasileiro é um povo solidário, alegre, trabalhador e honesto. Verdade!

Eleger para presidente um sujeito que não tem escolaridade é sinal de que a democracia existe. O fato dele não ter escolaridade não significa que não tenha preparo, ou o Jabor já esqueceu que Machado de Assis, que ele deve ter lido tanto nas escolas por onde passou, também não tinha formação acadêmica, era autodidata, e mesmo sem escolaridade fez o que fez.

O problema do tributo não é o seu tamanho e sim a má utilização. Dar esmolas a um pobre é sinal de solidariedade e não de babaquice.

Com essas ONG's de direitos humanos, dando pitaco, já somos massacrados! Imagine sem elas... O problema das rebeliões nos presídios são os presos? Se é assim vamos instituir a pena de morte aqui no Brasil! Só que nunca vi filho de rico em presídio. A criança que nasce na favela só vê miséria e sofrimento, e vamos exigir o que dela? Que ela se torne diretor de cinema. Ou será que Marx está errado em dizer que: “O homem, em sua essência, é produto do meio em que vive”. E ainda querem reduzir a maioridade para 16 anos. Isso é um sinal de regressão e não de progresso. Desse jeito vamos acabar instituindo a lei do “ventre preso”. É favelado, é! Então prende antes de nascer!

Se o brasileiro é alegre? Claro que é! Um povo que trabalha muito, recebe um salário que mal da para sobreviver, sustenta mulher e filhos, e ainda assim, se mantém honesto e feliz, não é um povo alegre? Ser alegre é, apesar de todas as dificuldades, ser feliz! Se o Sr. José Simão faz piada das desgraças, provavelmente é porque ele está fora dela, pois pimenta no olha alheio é refresco! Bobalhão não é o povo, e sim o seu amigo de profissão.

Brasileiro é vagabundo por excelência... Declaração infeliz essa. Sentir inveja de deputados e achar que se estivessemos no lugar deles faríamos o mesmo? Situação totalmente hipotética, vocês não acham! Quem anda de ônibus, metro ou trem, sabe o tanto que o brasileiro trabalha. Qualquer um desses meios de transporte coletivo está sempre lotado. Será de trabalhadores ou será que essas pessoas saem de suas casas todos os dias, viajam de ônibus, metro ou trem, algumas vezes os três, tanto para ir quanto para vir, tudo isso por puro esporte? Acho que não? E os que recebem o bolsa-família, que não alavancam suas vidas, também são vagabundos? Quando não se tem nada e se passa a ter 90 reais por mês, o máximo que muda é o cardápio, que passa a ter comida ao invés de nada. Com certeza, se o Jabor pensa assim é por que não sabe quanto vale, esses “infinitos”, 90 reais.

O Brasileiro é honesto sim! Em todos os setores há os bons profissionais e os péssimos, que aceitam propinas. Generalizar essas atitudes é medíocre. Sacrificar os bons porque existem os maus é um ato irresponsável.
Noventa por cento de quem vive na favela não é honesto? Como não! Uma favela, iniciada há 137 anos atrás, depois da gerra do Paraguai, claro que era diferente.
Sonhar com um filho “aviãozinho” é mais um ato desesperado do que desonesto. Antes de um pai desses pensar em “aviãozinho”, ele pensa em renda familiar, que não existe na casa dele.
Os moradores dos morros não entregam os traficantes, pois os mesmos estão dispostos a matar ou morrer. Quem vai se meter com uma gente dessa... Fique a vontade!
Anarquia no Brasil? Mais uma vez generalizando. Todos têm, e a maioria cumpre, obrigações. O escarcéu feito pela imprensa é sempre encima de uma minoria barulhenta. Muitos desses políticos lutaram contra o regime militar, nas “Diretas Já”, e com certeza, ao lado de quem mesmo? Não esqueça disso.
O Brasil é com certeza o país do futuro. O pior não é dizer que meu avô já dizia isso em 1950, o pior é fato de que nós vivemos o futuro que nossos avós construiram. O Brasil é um país novo. Fomos descobertos em 1500, mas só nos tornamos república em 1889, e pior, vivemos 20 anos de uma ditadura que fez com que nosso país regredisse. Só agora temos uma política econômica mais confiável, só agora caminhamos a passos sólidos para algum futuro. Nossas taxas de crescimento são as piores, perto de quem, China, Índia ou Rússia, falta muito para que algum desses países chegue ao nosso nível estrutural. O que eles têm é somente mão-de-obra barata, ou seja, exploração humana!

Quanto ao jeitinho brasileiro, às vezes parece que é necessário. O jeitinho brasileiro não nasceu pura e simplesmente da vontade de transgredir, nasceu devido ao grande processo burocrático (para não dizer buRRocrático) que enfrentamos no dia-a-dia. A morosidade do serviço público é pai e mãe desse jeitinho. Com a velocidade com que as coisas acontecem hoje, parece que estamos sempre atrasados, e essa impressão faz da burocracia uma grande inimiga do tempo, ou seja, nossa inimiga.

Não sigo a nenhuma doutrina religiosa, mas sei que Deus é onipresente, então ele está em todos os lugares. Isso faz Dele não só brasileiro, como também brasileiro!

Conclusão:

O brasileiro é sim solidário, alegre, trabalhador e honesto! A critica ao governo no texto do Jabor é muito clara. Ele usou como exemplo os hábitos de uma minoria da população brasileira, generalizou ao extremo, e atacou o governo, ou seja, usou um para falar mal do outro. Isso não é atitude de alguém solidário, alegre, trabalhador e honesto, e sim de alguém covarde!

 

Segundo semestre de 2007.

 

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Carta de despedida

Boa tarde a todos! 

 

Como é do conhecimento da maioria das pessoas dai, deixei de fazer parte do quadro de funcionários da empresa. Quero agradecer a todos por terem me ajudado durante o período em que fiz parte dessa grande família.
Desculpem-me se fui rude, grosso, briguento ou qualquer outra coisa do tipo. Sou assim mesmo, visceral! Visto a camisa do time em que estou jogando. Se alguma coisa atrapalha o andamento do meu trabalho, e o meu (nosso) trabalho é o que dá Vida a empresa, ai meu amigo, é melhor sair da frente. Ou você tem um ótimo discurso fudamentado e muito bem argumentado, ou... Não me atrapalhe! Pareço um pouco arrogante, mas se pararmos para pensar, não é o sistema, os métodos, os procedimentos, as máquinas que fazem com que a empresa ande, são as pessoas. O material humano (no maior sentido que a palavra humano possa ter). O intelecto. Um basta à burocracia . Viva o dinamismo, a agilidade! A empresa é somente: um nome que possui um número (CNPJ), que é reconhecido por toda a sociedade, perante a um contrato, e que tem uma localidade, vende produtos ou serviços, ou muitas vezes os dois, mas que sem as pessoas, esse ser chamado empresa, que foi inventado, não dá um passo a frente. Alias, não se move um fio de cabelo que seja!
Valeu pessoal da expedição! Flávio, que no começo ficou meio receoso para me contratar, mas graças ao Pedro e o Charles, que me avaliaram quando fiz o teste para embalador, e convenceram-no, as coisas (impressões) tomaram um rumo bem diferente. Obrigado Flávio pela confiança. Aos outros lideres, Lorival, Marques, David, Ronni, valeu pela força. O pessoal da antiga, Fabão, Baiano, Nivaldo, Zé Antonio, U2, Ronaldinho, Johannes (acho que é assim que se escreve) Geir, André (Príncipe), Jefferson, Hildebrando, Tião, Marcelino, Rafael, Mingalzinho, e mais outros que não me lembro agora, muito obrigado mesmo. Pessoal da garantia, Rose, Raimundo, Raimunda, Rinaldo, Leandro, o pessoal novo que está ai, mas não lembro o nome também, (os outros eu já citei) muito obrigado.
Cida, muito obrigado, você foi (é) uma pessoa que me ajudou muito ai dentro, acreditou muito no meu trabalho. Particularmente, você acreditou mais em mim do que eu mesmo. Sou muito grato!
Ao pessoal da cobrança (na época), Cris, Fabio, Luciana, Paulo, Oto, que me incentivaram todo o tempo em que estive trabalhando por lá.
Valeu todo o pessoal de Compras, SAC, Financeiro (ai Dudu tranqueira!), Política Comercial, Informática, Contabilidade, RH, muito obrigado a todos por me aturarem, porque, realmente, eu pesava na de vocês atrás de respostas para as minhas inquietudes profissionais.
Obrigado Cinthya, você também me ajudou muito.
As meninas do Restaurante, Marli, Solange, Mazé, Cida, Lurdes, o brigado pelo modo gentil e atencioso com que vocês me tratavam.
Pessoal da Exportação muito obrigado por me incentivarem a criar, a porem lenha nas minhas idéias. Maria José, Aline, Vannn, vocês são mulheres maravilhosas! Seu Jairo muito obrigado pela força (o Sr. também não é nada bobo, cercado de mulheres lindas!).
Obrigado Netto pela oportunidade na área comercial, Eduardo, Donizette, valeu, aprendi muito com vocês. Marilda, Viviane obrigado pelo carinho e atenção.
Galera do dominó, graças a vocês hoje eu me considero um atleta, e de peso, valeu!
Marcelo Molinari, Seu Jairo, Ronaldinho, Cristiano, Fabio Junio, Mauricio, Gerlucio, este ano o Peixe é TRI!!!!!
Oswaldinho e Davi, “demorô” para banda de vocês detonar! É só uma questão de tempo, e não a nada que ele não construa! Putz, lembra quando montamos a banda, eu vocês e a Raí... Então, a empresa não sabe a festa que perdeu.
Aos PCUenses, está no estatuto que demissão também é motivo para comemorar. Então Excelentíssimo Senhor Presidente Paulo, logo agendaremos uma caixinha. Valeu Paulão, acho que só de ter organizado o PCU, você já tem um lugar no Céu. E com OpenBar!
Edna, Idamar e Wagnão, muito obrigado, principalmente pelas risadas. Acho que a digitação é o dpto mais bem humorado da empresa. Pelo menos pra mim.
Pessoal de Ferragens (bando de tranqueiras) Milena, Cleiton (vulgo Cleitóris), Solange Maria, Janaina, Katita, Vanessão, Dani, Fabio Dábliu (W), Marcelo, O cara novo (não lembro o nome, pra variar), Jeremias, Solange Marchiotti, Mauricio, Angelica, Flávia, Paulo Galan, muito obrigado a todos pelos incentivos e, principalmente, por rirem das minhas piadas, estórias, histórias e mais um monte de maluquices que saíram da minha cabeça. Inclusive, tem um ditado que diz: Perco o amigo, mas não perco a piada. Acho que hoje ele foi reescrito: Perco o emprego, mas não perco a idéia! Sei que todos vocês sentirão saudades da minha torta, mas não fiquem tristes, mando uma de presente, para recordar os bons tempos. Valeu Willian, foi um ótimo aprendizado ter trabalho com você. Valeu pelas conversas sobre profissão, mercado, administração, sociologia, logística, marketing e mais uma infinidade de assuntos. Só as pessoas informadas estão à frente do tempo, parabéns você é um excelente profissional.
Muito obrigado aos meus companheiros (camaradas) amados do departamento, que aturaram a minha pessoa, minhas piadas, meus xingamentos, minhas crises nervosas e que adoravam a minha torta. E principalmente a de carne.
Valeu Nelsão pelos papos-furados, esses são os melhores de serem conversados. Você é um cara muito gente boa, não vale nada, mas é gente boa, continue assim.
Papito! O melhor vendedor da empresa! Roeu um osso “du inferno” no começo, mas no decorrer do tempo você mostrou o vendedor que é! Não tenho dúvida, da empresa você é o melhor. Depois de conhecê-lo passei até a acreditar que existe Uruguayo gente-fina. Fabiola.... (um suspiro) Ai ai... (Mais uma vez) Fabiola... A menina doce... Você é uma mulher inteligentíssima, uma profissional excelente e que sabe o que quer. Você não amarela diante de desafios, parabéns! Sentirei muitas saudades desse seu sorriso... Thatiana e Vanessa, trabalhamos pouco tempo juntos, mas foi muito bom, ri muito! Vocês estão chegando agora, mas não desanimem, tudo vai dar certo!
Leandro, sei que mudou de área, mas afinal, o tempo no dpto de vendas ainda é maior. Você é um cara extremante inteligente, uma excelente pessoa, alias, nunca conheci nenhum economista tão bom em língua portuguesa quanto você! Parabéns!
Saio daí sem medo e levando comigo a experiência, a gratidão e a amizade. Se esqueci de alguém, me desculpe, afinal foram cinco anos e quatro meses de empresa, e em diversas áreas. Vi muita gente passar...

 

10/04/08

 

...Sentindo que a violência
Não dobraria o operário
Um dia tentou o patrão
Dobra-lo de modo contrário
De sorte que o foi levando
Ao alto da construção
E num momento de tempo
Mostrou-lhe toda a região
E apontando-a ao operário
Fez-lhe esta declaração:
- Dar-te-ei todo esse poder
E a sua satisfação
Porque a mim me foi entregue
E dou-o a quem quiser.
Dou-te tempo de lazer
Dou-te tempo de mulher
Portanto, tudo o que ver
Será teu se me adorares
E, ainda mais, se abandonares
O que te faz dizer não.

Disse e fitou o operário
Que olhava e refletia
Mas o que via o operário
O patrão nunca veria
O operário via casas
E dentro das estruturas
Via coisas, objetos
Produtos, manufaturas.
Via tudo o que fazia
O lucro do seu patrão
E em cada coisa que via
Misteriosamente havia
A marca de sua mão.
E o operário disse: Não!

- Loucura! - gritou o patrão
Não vês o que te dou eu?
- Mentira! - disse o operário
Não podes dar-me o que é meu.

 

Trecho de “O operário em construção” – Vinícius de Moraes

 

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Ligadas pelo desejo (de consumo)

Coisa. Para mim a (ou o) Coisa sempre foi um super-herói, aquele, dos Quatro Fantásticos. Pelo menos era esse o nome deles, quando eu era criança. Hoje, acho, que os Quatro viraram Quarteto. E herói sempre foi para mim uma referência: Pai Herói, a novela da Rede Globo. André Cajarana, era o nome da personagem interpretada por Tony Ramos, que, segundo meus pais, foi a fonte de inspiração para a origem do meu nome. É ai que a coisa começa a ficar estranha. Bem, segundo os meus registros, nasci em São Paulo, bairro da Aclimação, no sexto dia do primeiro mês do ano de mil novecentos e setenta e cinco (século passado). A novela referida foi ao ar no ano de mil novecentos e setenta e nove! Nove? Isso mesmo, nove (Nº 9; para não ter dúvida). Caso meus pais não possuam uma máquina de viajar no tempo, não sei como explicar esse desencontro de datas. O pior é que nem eles sabem o por que desse desencontro. Talvez o tal Cajarana tenha provocado algum impacto na vida deles dois, sei lá... Também, mais de trinta anos vendo novelas é normal que já não saibam o que vem antes do que. Por falar em novela, faz tempo que não acompanho nada na televisão. Principalmente as novelas. Todas iguais.


Vendo TV outro dia, me chamou atenção uma reportagem sobre uma cantora brasileira radicada em Cuba, que não lembro o nome agora (e nem depois também), mas lembro que ela falava sobre música cubana, mostrou um DVD e fez um comentário. Quis adquiri-lo na hora, pois já tinha visto aquele num Sebo aqui próximo. Sabe come é, estou desempregado, tempo ocioso é farto (dinheiro + ócio = consumo), corri para loja. Procurei, mas não estava mais lá. Alguém já havia comprado. Mas ai, sabe como é, a besta-fera do consumo entra em cena! Não tinha o que eu queria, mas havia vários outros que eu queria, mas não sabia que estavam lá. O que era para ser uma compra de, no máximo, doze reais, virou uma de quarenta e cinco. Dois DVDs e dois livros. Cultura nunca é demais, segundo meu senso moral. Sem problemas também, logo estarei empregado, esse dinheiro não vai fazer falta agora.


Produto adquirido, mesmo não sendo o desejado, volto ansioso para ver algum dos filmes. Durante essa volta uma imagem me chamou atenção: um senhor, desses que aprendemos a chamar de catador-de-papelão, com roupas humildes, chinelos velhos e óculos escuros da... Coco Chanel!? Tudo bem, é falsificado, mas e daí! A sensação de beleza, importância, de fazer parte de algo não era falsa, era bem real. Quem diria em Gabrielle, que sua criação um dia estaria no rosto de um trabalhador negro como as lentes, de um dito país subdesenvolvido. A pirataria é a redemocratização da cultura, pois falso é o produto em si, não o sentimento com relação a ele, ou que ele proporciona.


Realidade. A realidade é só um recorte. Nem lembrava mais como a rua era movimentada assim. Também, só passava por aqui pela manhã, para chegar ao trabalho. Será que todo esse povo mora aqui? Ou só trabalham aqui? Ou estão passeando aqui? Eu moro, eles, não sei. Quantos ônibus lotados. Não sei se existe, na língua portuguesa, o coletivo de solidão, mas uma definição contemporânea de coletivo para esse substantivo seria: transporte público. Fico imaginando, milhões de pessoas indo e vindo, sem trocarem uma palavra! Quantos pensamentos passam por essas cabeças. Quantos sonhos, desejos, etc... Parecem zumbis; são apenas corpos, a mente, essa, ta longe... O Coletivo é uma espécie de mosaico de realidades, cada um com a sua. Arthur tem razão, a existência em si é um tédio, um vazio (chega logo ao seu destino ônibus...). Esse vazio justifica um outro pensamento filosófico (só não lembro o autor) que diz: o homem é o único animal que nega ser o que é; pretensiosamente completo: o homem é o único animal que nega ser o que é, e que só se reconhece no consumo, sua maior característica; anda, se alimenta, fala, pensa, etc., mas o que realmente o diferencia, até dos da mesma espécie, é o consumo, e é nesse último que ele se realiza.


A realidade não é em si a matéria, o trabalho e nem o outro, são as sensações que deles provem, entendida de forma subjetiva; como os padrões e entendimentos sociais se renovam, a realidade também é renovável. Como já dizia aquela letra do Raul: “que o mel é doce, é coisa que me nego afirmar, mas que parece doce, isso eu afirmo plenamente”.
Chega de observações do mundo exterior, vou ao que interessa, ver um dos filmes. O Escolhido foi um que mostra a vida do artista plástico estadunidense Jackson Pollock. O outro é um filme chamado Amnésia, muito interessante, mas como já havia visto, esse fica para outro dia.


Terminado o filme, vem a ansiedade. A ânsia de falá-lo a alguém é grande... Enquanto não encontro ninguém, fico com a angustia de ter consumido algo, mas como ninguém ainda esta sabendo disso, não considero ainda o consumo consumado.

 

 

Para entender melhor, algumas definições definidas por mim:

 

Desempregado: Estigma ruim; classificação dada à pessoa que não tem emprego.

Empregado: Estigma do Bem; classificação dada à pessoa que tem uma ocupação com registro em carteira de trabalho, e que dedica todo seu tempo à ascensão de outra da mesma espécie.
Catador-de-papelão: Estigma; classificação dada ao trabalhador que coleta materiais recicláveis pelas ruas, praças, avenidas, etc; filantropia.
Gabrielle Bonheur “Coco” Chanel (1883 – 1971), idealizadora.

Trabalhador: Estigma bom; classificação dada à pessoa que aplica sua ação (força) em algo, a fim de obter algum retorno financeiro; ocupação sem registro em carteira de trabalho; autônomo.
Pirataria: Ato de copiar e comercializar algum produto sem autorização de seus idealizadores; tendência neoliberal.
Redemocratização da cultura:Segundo Walter Benjamin e Siegfreid Kracauer (pensadores da escola de Frankfurt) as sociedades capitalistas avançadas criaram, sem querer, condições para uma democratização da cultura (processo de industrialização da cultura). A pirataria surge como renovação desse processo, pois mesmo com a cultura industrializada muitos ainda não tem acesso; acesso esse que é proporcionado através da pirataria.
Arthur Schopenhauer (1788 – 1860).
Faça, fuce, force– Raul Seixas.
Raul dos Santos Seixas (1945 – 1989).
Pollock(EUA, 2002).
Amnésia(EUA, 2000).

 

11/06/08 

 

Texto acadêmico que fala sobre reificação, fetichismo, realidade, hiper-realidade, alienação e outras cositas filosóficas mas.
 

Baixe para ler:

O vazio da existência - Arthur Schopenhauer

Filosofando. Introdução à filosofia - Maria Lucia de Arruda Aranha

 

Para ouvir:

Raul Seixas - Faça, Force, Fuce

publicado por AB Poeta às 18:49
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Entrevista - Manoel

São nove horas da manhã do dia vinte do quinto mês, dirijo-me até sua residência, conforme havíamos combinado no dia anterior, por telefone, eu poderia a qualquer hora entrevistá-lo. Preferi pela manhã, pois sabia que estava trabalhando em mais uma obra - sua obra - então nada mais justo do que não incomodá-lo muito e realizar logo este trabalho.
Manoel, um senhor de sessenta e cinco anos, casado, quatro filhos, um neto e em plena atividade profissional. Fui recebido em sua casa, que me mostrou com orgulho, pois trabalhava em sua mais nova obra: O Sobrado; os tetos dos seis cômodos estavam no chão, e logo receberão uma laje e mais cômodos sobre ela, e, quem sabe, mais uma laje. Um sobradinho de três lugares, no fundo da casa, acomoda a família, que atualmente são em quatro. A filha casada mudou-se para Salvador, por motivos profissionais do marido, e levou junto o irmão mais novo, recém saído da faculdade, e que estava desempregado. Os dois, irmão e marido, trabalham na mesma empresa, que é do ramo das telecomunicações.
Aos dezoito anos, em 1961, Manoel desembarca em São Paulo, vindo de Pernambuco, numa cansativa viagem de ônibus que durou onze dias. Um comentário seu dá uma idéia do que foi essa “odisséia”: “...só vim conhecer asfalto em São Paulo. Antes, estrada, só de terra”. Em sua terra natal trabalhava na roça, com a família, como a maioria dos migrantes. Chegou sem emprego, com a cara e a coragem saiu em busca, já que estava na “terra das oportunidades”. Seu primeiro emprego formal foi numa construtora civil (o que explica sua atual função), onde ficou por três anos. Trabalhou em mais duas construtoras, numa por dez meses e noutra por três. Não disse o motivo de sua saída, de nenhuma delas.

Iniciou a vida acadêmica em Pernambuco, mas veio terminar, o que chama de “primário antigo” (que, na época, durava quatro anos), em São Paulo, pelo SESI (Serviço Social da Industria), em 1965/66. Em 1967 trabalhou na prefeitura de São Paulo como segurança, mas, nessa época já com três filhas, o baixo salário o fez desistir do funcionalismo público; ”...não sobrava dinheiro para nada. Nem pra uma camisa. Ou cumia ou vistia.”, disse. Mesmo assim ficou nesse emprego até 1976. Ao sair, quando entregou sua carta de demissão, ninguém acreditou, disseram-no que estava ficando “louco”. Mesmo assim foi firme em sua decisão.

O funcionalismo público, no Brasil, sempre foi visto com “bons olhos” (acho que o mais cabível seria “olhos grandes”), já que ninguém nunca é demitido; situação que é muito cômoda.

Sem emprego, e já com mais um filho a caminho, abriu uma empresa – 1977 - tendo o cunhado como sócio. Trabalhavam no ramo da construção civil, mas não deu muito certo. Três anos depois a empresa foi fechada. Partiu então para a vida autônoma, junto com irmão. Começaram a trabalhar como “pedreiro” (nome dado ao trabalhador da construção civil), oferecendo seus serviços a pessoas conhecidas, o que deu mais que certo! Não tinha uma região especifica de trabalho, aceitava todos que dessem um bom retorno financeiro. Até em outra cidade, caso fosse rentável. O que mais me chamou a atenção foi a resposta dada quando questionado sobre a capitação dos clientes (sempre pessoa física): “...nunca bati em nenhuma porta. Sempre fui procurado pelas pessoas.”. Realmente a melhor publicidade ainda é o “boca-a-boca”.

Sua média salarial depende muito da quantidade e do “tamanho” do serviço que aparece, mas mesmo assim disse que é entre um a dois mil reais/mês.

Sempre trabalhou da seguinte forma: vai até o local e faz uma avaliação, dá o preço da mão-de-obra e um prazo mais ou menos de quando fica pronto, pois sempre há imprevistos, tipo: o tempo (chuvas), quando o material acaba, etc... Sempre indica os fornecedores, mas a escolha final fica a cargo do contratante. Nunca foi assediado por nenhum fornecedor, os indicados por ele são conhecidos de muito tempo.

A concorrência também é muito grande nesse segmento. Muitas vezes é questionado o “por que” do preço, e ainda tem que ouvir que “fulano de tal” faz mais barato. Não se incomoda muito, muitas vezes acaba sendo o contratado, por já ter uma certa notoriedade. Isso gera confiança.

Hoje, está aposentado, pagou o INSS (Instituto Nacional de Seguro Social) por conta própria , e recebe em torno de dois salários mínimos/mês. Com a aposentadoria garantida, e todos os filhos formados e empregados, não “pega” muitos serviços como antes. Inclusive dispensou muitos por causa da construção que está realizando em sua casa.

Perguntei se estava satisfeito, respondeu com um sorriso leve e de maneira modesta: “é... da pra levar”. Terminei a entrevista, que durou cerca de meia hora, e ouvi um “já!” que saiu com certo espanto. Talvez ele tenha gostado de olhar para traz e ver a construção de sua história. Mas há verdade era que eu não queria mais incomodar um “artista” ansioso em ver a sua grande obra concluída.

 

* Entrevista realizada para fins acadêmicos em 20/05/08. A finalidade desse trabalho era traçar um perfil socio-econômico dos trabalhadores informais, nesse caso, os da construção civil, mais conhecidos como "pedreiros".

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publicado por AB Poeta às 18:23
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