Manifestações consciente do inconsciente. Contos e poesia crônica.

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Segunda-feira, 8 de Maio de 2017

Banquete

 

Observo na calçada o mendigo

que come feito um cão;

mas hoje o cão como feito um rei;

rei que ainda come feito um porco;

porco que come feito um mendigo

 

Em meio a esse banquete indigno

cheio de defeitos

perco a fome

 

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publicado por AB Poeta às 01:37
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Terça-feira, 27 de Outubro de 2015

Marcados

 

O tempo marcado

no pulso

marca meu rosto

move o mercado

Impulso

 

Mercador do destino

corre parado

Injusto

 

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publicado por AB Poeta às 01:34
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Sábado, 25 de Abril de 2015

fossa

 

nessa ressaca nada me adoça

a substância negra é que me consome

e tento afogar a minha fossa

em latas de coca sem teu nome

 

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publicado por AB Poeta às 17:18
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Terça-feira, 24 de Março de 2015

ossos do ofício

 

atrás da mesa

do canil hospitaleiro

o cão cego guiado pelo dono

perdigueiro colabora

com a rotina adestradora

e sempre em guarda defende

carimbos que abrem portas

formulários infindáveis

assinaturas que materializam

computadores coisificadores

cargos redentores

sorrisos que afagam e afogam

a matilha subordinada

 

no final da lida

volta à sua casinha

e rói o que lhe sobra

os ossos do ofício

 

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Domingo, 8 de Março de 2015

a rua e o rio

 

a rua ria do rio que ia

do curso que ele seguia

pois sabia não conseguiria

progredir conforme ela progredia

 

cobrir a Terra ela poderia

ser mais útil ela seria

servir sempre ela serviria

só crescer era o que fazia

e isso ela nunca pararia

 

até que percebeu um dia

que o rio é que da rua ria

porque parada ela não saía

e apesar de crescer à revelia 

para nenhum lugar a via ia

 

quando entendeu a diferença que havia

a rua imponente que antes ria

parada no lugar pôs-se a chorar

porque diferente do rio que ia

seu curso seguia para algum lugar

e a rua que antes não via

viu que nunca encontraria

o mar

 

agora é tarde demais para desaguar

 

publicado por AB Poeta às 15:02
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Quinta-feira, 26 de Fevereiro de 2015

repartido

 

se o partido não toma

partido por você

por que você toma

partido pelo partido?

 

partido por

partido

melhor nós não

estarmos repartidos

 

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publicado por AB Poeta às 23:57
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Quarta-feira, 25 de Fevereiro de 2015

Black SP

 

algo irá acontecer

na cidade intensidade

o céu ficará negro

e o dia irá escurecer

 

a água irá cair

as ruas irão encher

a noite será escura

não haverá amanhecer

 

a torneira irá secar

só sobrará o Tietê

o trânsito irá parar

não haverá pra onde correr

 

o estresse se espalhará

e atingirá você

seu coração explodirá

e você irá morrer

 

no meio da multidão

ninguém irá querer saber

de mais um corpo pelo chão

atrapalhando o entardecer

 

você irá apodrecer

a enxurrada o levará

ratos irão te roer

não há nada o que fazer

 

porque aqui é a Black SP!

 

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publicado por AB Poeta às 23:31
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Segunda-feira, 9 de Fevereiro de 2015

momento moderno

 

pega no meu pau

de #selfie e

vamos juntos

eternizar nossos sorrisos

 

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publicado por AB Poeta às 00:08
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Sábado, 7 de Fevereiro de 2015

metralhadora

 

na era do

computador

sou uma

máquina de escrever

 

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publicado por AB Poeta às 16:56
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Terça-feira, 30 de Dezembro de 2014

pet shopping

 

os seres humanos amam mais

os cachorros

do que os humanos

porque como humanos

desejam ser amados assim como

os cachorros são

 

o mundo cão não é nada fácil

 

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publicado por AB Poeta às 22:54
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Sábado, 27 de Dezembro de 2014

obsoletar

 

o que hoje é

amanhã não

será

 

obsoleto e lento

o tempo

me fará

 

o que hoje me serve

amanhã não

servirá

 

e o que nos salvará?

a nostalgia.

 

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publicado por AB Poeta às 13:12
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Quinta-feira, 25 de Dezembro de 2014

...

 

acho que um dia a

ideologia

acaba porque o

tempo passa...

a gente cresce e...

ah, a vida é assim mesmo.

 

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publicado por AB Poeta às 00:25
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Sábado, 6 de Dezembro de 2014

dessigno

 

pelos signos da cidade

perdido errante

o ser social segue

insignificante

 

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publicado por AB Poeta às 13:43
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Sábado, 2 de Agosto de 2014

presente passado futuro

 

pensei  tanto no futuro

que me arrependo do passado

 

meu presente embrulhado

fita e laço

espera ser aberto

e abraçado

hoje

 

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publicado por AB Poeta às 16:35
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Sr Consumo

 

pessoas vazias

enchem

meus bolsos

 

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publicado por AB Poeta às 03:24
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Terça-feira, 29 de Julho de 2014

cida de

 

viver cidade

violenta velocidade

 

ver a cidade aparente

ser o vírus e a semente

fugaz ser

a serpente

gás do caos corrente

 

lentamente

trânsito em transe

carros tragados

transeuntes

cigarros lábios lentes

 

lenta mente ácida

árida

fragmenta mente

 

cor rente

de mente

fuga cidade

lá tente

 

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publicado por AB Poeta às 03:44
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Sábado, 19 de Julho de 2014

papo nada chat

 

on line

misturando línguas

in love

mesmo quando amor

off

 

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publicado por AB Poeta às 20:16
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Sábado, 5 de Abril de 2014

amizade universitária

amizade de faculdade

entidade

Unisant’anna

 

o tempo passa, zuni

e a afinidade mantem-se imune

espírito, nirvana

pois algo ainda nos uni

em bares de Santana

 

para Eli, Bia, Betão e VB

 

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publicado por AB Poeta às 01:46
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Quinta-feira, 6 de Março de 2014

forma

 

a norma

deforma

 

de forma alguma

a gente se conforma

 

de alguma forma

a mente

reforma

e o olhar transforma

 

 

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publicado por AB Poeta às 22:18
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Terça-feira, 25 de Fevereiro de 2014

danceteria

 

danceteria

quem não queria

breves momentos

em passos lentos

rosto no rosto

mão na cintura

corpos em movimento

 

danceteria

quase nem lembro

isso foi em 1900 e lá vai tempo

 

 

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publicado por AB Poeta às 02:54
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Segunda-feira, 25 de Novembro de 2013

Hai-Ca(ss)i(a)

 

Cássia é atriz

tem o beijo no nome

o que sempre Kiss

 

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publicado por AB Poeta às 23:19
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Quinta-feira, 31 de Outubro de 2013

Nu espelho

 

no espelho ela

espera

ver refletido

no vidro vazio

o corpo macio

contido narciso

que se espelha

 

no espelho ela

se espalha

 

 

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publicado por AB Poeta às 17:41
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Sábado, 12 de Outubro de 2013

presente

 

no dia das crianças

ganhei um martelo

 

prego atrás de prego

prego meu destino

na cruz

 

mais um menino

Jesus

com presente

sem futuro

 

publicado por AB Poeta às 16:18
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Terça-feira, 1 de Outubro de 2013

Poesia fútil

 

dia após dia útil

não posso o ócio

negócio bom e sem sócio

quero mesmo é ser inútil

 

 

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publicado por AB Poeta às 01:28
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Sábado, 21 de Setembro de 2013

P de Vingança

 

mais dia menos dia

toda a poesia

vingará

mesmo que tardia

 

quem sobre

        viver verá

 

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publicado por AB Poeta às 02:27
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Rato-Cola é isso aí!

 

rato na coca

essa não cola

disse a boca

no comunicado

 

puro descaso

esse é o fato

do rato que rola

engarrafado

 

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publicado por AB Poeta às 02:25
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Quarta-feira, 18 de Setembro de 2013

Cruz credo

 

cansei de ser o cristo nessa

estória de cruz

 

credo, não creio no crucifixo

não fixo minha fé nisso

e disso tudo tenho dito

os fanáticos é que se pregam a isso

 

 

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publicado por AB Poeta às 02:41
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Horário de verão

 

todos verão:

 

o galo não cantará

às duas manhãs

 

o lobo não uivará

às duas meias-noites

 

será que só eu é que sinto

que com o tempo brinco?

 

 

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publicado por AB Poeta às 02:36
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Sábado, 7 de Setembro de 2013

Orbes

 

minha casa é um mundo:

o quintal um éden

o banheiro um reino

a cozinha um pasto

a sala um Coliseu

o quarto um porto

o teto um céu

 

minha família é minha pátria

só assim sou ufanista

 

lá fora

outros orbes

 

universos

 

 

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publicado por AB Poeta às 14:25
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Sexta-feira, 6 de Setembro de 2013

prédio e praça

 

entre um prédio e

outro um tédio e

outro prédio e

outro tédio e

um outro

rumo

 

entre uma praça e

outra uma graça e

outra praça e

outra graça e

uma outra

rima

 

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publicado por AB Poeta às 02:59
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Sábado, 20 de Julho de 2013

Livrar-se

 

lerdo ler um livro

livre na livraria

leve a gente se livra

 

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publicado por AB Poeta às 04:55
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Sexta-feira, 19 de Julho de 2013

Corcovado

 

Cristo anão

com os pés sobre o pão

num Rio que não

é nada doce

 

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publicado por AB Poeta às 04:28
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Segunda-feira, 10 de Junho de 2013

Errar é humano

 

Quantas portas se fecharam

em caminhos que trilhei?

Quantas delas eu não quis

fui eu que as fechei?

 

Quantos caminhos ainda virão

que não traçarei?

Quantas portas se abrirão

que não escolherei?

 

 

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publicado por AB Poeta às 12:11
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Quarta-feira, 1 de Maio de 2013

Na Luz não há luz

 

Constelação faminta

Há de luzir

de lá as estrelas

todas

 

A deusa nua

banha-se amoral

em pleno esgoto a céu

aberto chafariz sem anjos

 

Um punhado maltrapilho

come um punhado dado

graças à graça

do olhar de desgraça

sob o desgraçado

 

A estação é sempre

a mesma

seca fria suja

sem luz

sem esperança

 

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publicado por AB Poeta às 17:07
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Segunda-feira, 8 de Abril de 2013

Quadra

 

O trabalho espreme o tempo

que não cabe uma quadrinha

de todos o pior contratempo

sufoca toda a minha poesia

 

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publicado por AB Poeta às 01:52
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Terça-feira, 27 de Novembro de 2012

Tatu caminha no buraco da copa

 

Tá tudo errado!

 

Nome fuleiro tem o tatu

Fuleco

 

É mascote dum time

marreco

 

Jogador boneco

tá tudo rico!

timeco-sem-bola

futebol em extinção

cacareco

 

Tá tudo armado:

o concreto em obra

dinheiro de sobra

disseco:

desvio de verba

desconfio, voou

no teco-teco

 

Tá tudo bem

qualquer coisa, hipoteco

 

Tá tudo normal

noticia o jornaleco

 

Tá tudo em casa

carnaval

tamborim e reco-reco

 

Tá tudo em pizza

difícil será ficar sem

o caneco

 

Mas e pro povo?

Pro povo, peteleco!

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Sábado, 17 de Novembro de 2012

Educação

 

I

 

Prove que isso prova!

Dê uma prova de que a prova

prova alguma coisa

 

A prova

ano após ano

prova após prova

prova o que não me aprova

como ser humano

 

II

 

O pátio está cheio

e uma bandeira foi hasteada

 

Famintas crianças correm

perdidas

atrás das grades

curriculares 

 

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Domingo, 11 de Novembro de 2012

Mercado

 

Concorrentes

entes presos

ao mercado

 

Marcados

nessa prisão

só os sem correntes

vencerão!

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publicado por AB Poeta às 14:34
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Domingo, 21 de Outubro de 2012

O mendigo-gato

 

Do lixo ao luxo

o mendigo-gato

não é negro

Traz sorte

 

Olhos de céu solitário

cabelos de campos de trigo

o pequeno príncipe

de um planeta podre

 

Entre tantos esquecidos

foi o escolhido:

o mendigo-gato-borralheiro

é tão belo

que a miséria

não o merece

 

 

Clique e leia sobre o "mendigo-gato"

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Quinta-feira, 4 de Outubro de 2012

Acostuma

 

I

 

Assuma que a ação

se consuma

na consumação

em suma

 

 

II

 

Em suma

a ação se consuma

na consumação

assuma

 

 

III

 

A ação se consuma

assuma

em suma

na consumação

 

 

IV

 

Consumação

consuma

ação

assuma

suma

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Terça-feira, 17 de Julho de 2012

Falo

 

I

 

A sociedade civil

machista sucumbiu ao

feminismo

isso é fato

e a mutação que a redefiniu

transformou clitóris

em falos!

 

 

II

 

Falo, fera, fuzil

a falocêntrica sociedade civil

brochou de vez 

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Sábado, 17 de Dezembro de 2011

Vila das Belezas

 

De cada lado um monte:

cada casa uma janela

cada janela uma visão

cada visão um horizonte

cada horizonte uma ilusão

 

Nas cores dos varais

a ilusão escala

em notas musicais

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Quinta-feira, 1 de Dezembro de 2011

Canibalismo capital

 

A mulher-homem

devora entre as engrenagens

o macho-alpha

que delira na dúvida

enquanto as crias

embriagadas no chiqueiro

criam asas de anjo

decaído

 

Na selva dos símbolos

pagãos

crias, caças e caçadores

confundem-se

e todos morrem

famintos

 

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Sexta-feira, 25 de Novembro de 2011

Anunciação

 

No céu de São Paulo

nuvens chumbo prenunciam

a queda

que arrasta tudo alaga:

esgotos gastos

coletivos esgotados

casas ocas poços

restos fossas pastos

fossos poças

paços largos

logradouros

lugares comuns

 

Lago imenso lodo

onde Tristeza e Tragédia nadam nuas

sincronizadas

entre ratos-golfinhos

dejetos restos

e rostos

 

O trovão grita

rasga o ar:

Corre! A água é suja

imunda inunda

tua hora vai chegar

 

A sinfonia continua

no mesmo (des)compasso

até que a última gota

caia

 

 

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Sábado, 22 de Outubro de 2011

Propriedade e produto

 

Nas esquinas da minha pátria

camelôs vendem

o dropes da amargura

por uma módica quantia:

a vida

 

O doce

produto

que se dissolve

na boca

limitasse a

um fechar de olhos

um pacote a prestação

um auto

um instante

 

E o sabor

extra-forte

da bala

não abala

a estrutura

 

Adquirir a própria vida

custa

(meu) caro

 

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Sexta-feira, 7 de Outubro de 2011

Ópio

 

Bebo para ver

o mundo pelo fundo

do copo

 

Telescópio

 

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Sexta-feira, 19 de Agosto de 2011

A família morta

 

A papa pronta no pote prático

O prato alvo no armário

O fogo e o fósforo já não se tocam mais

A geladeira gela conservantes

 

Mamãe está morta

pede silêncio

e tem pressa

 

O chão espelho

A diarista eterna

O bicho-enfeite

Crias em suas obrigações

 

Papai foi enforcado

e balança feliz

acima da multidão

 

Os carros

As paredes

A tecnologia

As portas fechadas

 

A família morta

vive

feliz

na imensidão da aparência

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Domingo, 10 de Julho de 2011

Noturnos

 

Na pulsação dos sons

no sangue que se espalha por veias de luzes

minha vida corre

entre teus movimentos e

deságua

em teus beijos de nicotina

publicado por AB Poeta às 18:22
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Domingo, 3 de Julho de 2011

Maria, Maria...

 

À Betânia

 

Maria, Maria
o que ela queria
eu já sabia
que era só dinheiro
pra dizer poesia.

 

A alma fria
não vale um verso
quem diria
de todo universo
logo você
Maria...

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publicado por AB Poeta às 16:14
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Sábado, 16 de Abril de 2011

Resgate

 

Um vagão sem trem

e vazio

 

Chão baldio

 

Fora dos trilhos

janelas abertas e esquecidas

sem horizonte

terminam no tempo

 

Só a arte salva

 


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Domingo, 3 de Abril de 2011

A comida

 

A comida que como não é comida que é

nem o que aparenta ou parece.

A comida é o que penso dela

eu que um dia serei da terra a.

 

O que há sobre a mesa?

 

Um prato sobre a mesa

Um pato sobre a mesa

Um pote sobremesa

 

Sobre a mesa tudo é comida?

Fora da mesa toda comida é a mesma que é sobre?

 

Um corte sobra à mesa

Só sobras sobre a mesa

Só sobrou a mesa

 

A mesa é a mesma sem comida?

 

A comida dita.

O que há sobre a mesa

reflete o que há a sua volta.

 

Vira volta não há nada

Vira e mexe vira mousse

Volta e meia sobra sopa

 

Sobra à mesa um dito alimentado

Ali matada a fome finda

Mesma morte repetida todo dia

Da comida que é pensada

Do que se come sem pensar em nada

(a fome é mais real do que aquilo que se come)

 

Do que realmente sinto fome?

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Sexta-feira, 25 de Março de 2011

Sinal vermelho

 

Atenção!

Amarelo fome

 

O sinal fecha e abrem-se as cortinas

 

Equilibrado num corpo seco sujo

malabarisa-se

come pouco e cospe fogo

a atração que nunca foi a principal.

 

O homem bala (de hortelã)

voa por entre o aço industrializado

Todos olham, acompanham e fingem indiferença

carregando no íntimo espanto, medo e pessimismo.

Correndo, na velocidade estridente dos sons

ele volta à posição inicial

alçando mais alto um próximo vôo

 

Flores espirram água

pedintes rodam as rodas ralas entre as rodas negras

O picadeiro urbano fervilha

enquanto a tristeza do palhaço transita

na orla pavimentada.

 

Um sinal verdeja

a platéia sem graça segue sagaz

em passo apressado

Acelera a carroça e sopra fumaça na moça insossa que passa

enquanto feroz

a fera faminta fenece no asfalto

frio

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publicado por AB Poeta às 21:24
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Domingo, 13 de Março de 2011

Domingo

 

Um dia de nada

Em que tudo foi feito.

 

Família marasmo auditório

Marasmo churrasco marasmo

Cerveja marasmo missa

Marasmo futebol marasmo

bate-papo marasmo marasmo

Marasmo...

 

Seria um dia de descanso

Mas é o dia da criação

Em o que amorfo vazio

Tenta se fazer luz.

 

A tradição luta com a origem

E faz do Domingo um dia neutro

Que passa sem ser percebido

 

Despercebido

Pela face das águas

Despercebido

Pela face do abismo.

 

Se o Começo e o Fim

São faces da mesma moeda

Aproveite a Tarde

O mundo acabará num

Domingo.

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Quarta-feira, 15 de Dezembro de 2010

Caminham

 

Roda a roda que roda o chão

Caminhão

 

Ilusão

Gira o mundo e o faz girar

Globo (via) terrestre

 

Paisagem

Ora urbana ora campestre

Viagem

 

Estrada à margem

À margem do mar

Amar à margem do rio

Pé na ramagem

Estar à margem da vida

Não estar em lugar algum

Paradeiro nenhum

Só lá e cá

 

Só entrega

E volta

Aonde?

À outra entrega

 

Só entrega

E se entrega ao mundo

Não se entrega a um

Desintegra do todo

 

Em algum lugar mora o sorrio

Que espera o fim

Dessa viagem

 

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Quinta-feira, 9 de Dezembro de 2010

Itinerário

 

Uma música adoça pelo ouvido

Um corpo morto que viaja contra o tempo

 

Um filme passa em seus olhos

Fechados ou abertos

(ou até sem olhos)

 

Um mesmo mesmo

Passa pela mesma situação

Acomodado igual na poltrona igual

No lado oposto

 

São vários mesmos

Talvez não iguais

Mas parecidos

Que correm

Para aonde? Não sei.

Não faz diferença

 

Um sonho nasce a cada sonho

E o que se sonha neles é realizar

Pelo menos um que seja

 

No itinerário diário

Todos os caminhos levam

Do sonho à morte

 

Estrela polar no norte

Cruzeiro do sul no sul

Uma terrestre é necessária

Já que ninguém enxerga mais o céu

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publicado por AB Poeta às 15:24
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Domingo, 5 de Dezembro de 2010

Fuga

 

Quanto tempo ainda tenho

Para perder jogando meu olhar

Pela janela coletiva e percebê-lo

Freado no cinza-sujo?

 

Quanto de mim ainda perderei

Na multidão só e petrificada

Que se preocupa apenas em morrer bem?

 

Quanto ainda irá crescer

Cidades, procissões, artérias podres

E vias duras que não chega a lugar nenhum?

 

O relógio rege rígido o rumor rancoroso

E rupestre da ror romântica e ridícula

 

O nada produzido às máquinas

Enche as nada-vidas em dias de nada

 

Acho no chão um metal

Levo-o ao ouvido

Escuto o mar que há em mim...

Ondas quebram

Sinto a areia sob meus pés nus

Um sol eterno me faz rir

Envolto a um calor de satisfação

 

Passa uma garota que não me olha

Porque não tem mais olhos

Mas sinto seus olhos negros

Infinitos de ternura

Que fogem de uma espécie de burca

 

Sinto sua pulsação de samba

Sua seda, mesmo perdida em trapos mentirosos

Sinto-a leve

 

Um beijo quer escapar, sinto...

Quente seu desejo quente, sinto...

 

Ela passa e o homem morto no bar

Estirado sobre vidros

Sente-a também

Acho

 

Ela se vai...

 

Leio gritos nas pedras

Que estão tatuadas no chão do cotidiano

Que está tatuado no tempo agora

Que não está tatuado em lugar algum

Mas foi marcado a ferro

Em minha lembrança

 

Um cachorro semi-vivo rasga meus restos

Na esquina dos heróis

Jogo a ele mais um pedaço meu

Ele cheira e vai embora, não quer

 

Crianças semi-mortas entoam

Cantigas de roleta-russa

Já brinquei com elas assim

E perdi...

Faz tempo, só não lembro quanto

 

O tempo faz tempo que passa

E de tempos em tempos

Me pergunto: quanto tempo já isso?

 

Não me vem respostas

Porque não quero mais respostas

Elas são nada mais que a morte

E preciso da dúvida, que é vida

Que impulsiona

 

Sou cercado de platonismos

Que me sepultam

Em mármore grego sagrado

E mitos mais humanos

Que os próprios humanos

 

Entre as verdades

Idealismos e utopias doentes

Sou só fuga

Desse horizonte cinza-sujo

Que freia meu olhar

De esperança

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publicado por AB Poeta às 15:48
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Segunda-feira, 1 de Novembro de 2010

Álbum

 

Sou um álbum de figurinhas

Que é preenchido de signos

 

Não há a figurinha carimbada

Isso nunca terá fim

 

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publicado por AB Poeta às 15:28
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Quinta-feira, 28 de Outubro de 2010

Esmola

 

Pelo ar voa o cobre

Nobre cuia aguarda o metal

Fatal a fome do pobre

Morre no tilintar final

 

Sorri-me banguelo

Magrelo

O flagelo

Sobrevivendo a farelo

 

O resto que me resta

Jogo ao resto que resta

Rastejando nas ruas

 

A dó me faz ser caridoso

Torna meu dolo culposo

E meu coração bondoso

Seus nós desaperta

Acreditando ter feito a coisa certa

Para que a paz seja alcançada

 

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publicado por AB Poeta às 13:52
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Domingo, 17 de Outubro de 2010

Nomofobia

 

Quanto da melancolia

que a nova tecnologia

me traz

jogo fora

em olhares pela janela?

 

Acho que nem um grama...

 

A caixa de cartas

vazia

me diz que ninguém passou pela rua

 

Nem ninguém

rompeu o branco do papel

pensando em mim

 

Não há recados com vizinhos

Nem corações flechados em árvores

 

A maçã do amor

estraga na bandeja

Uma cabeça doce que apodrece

e cospe varejeiras

em uma droga de brisa

 

Em meu bolso

o mudo balbucia:

“tu, tu, tu, tu...”

 

Quem sabe ele volte a falar...

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publicado por AB Poeta às 03:59
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Quarta-feira, 13 de Outubro de 2010

Dia das crianças

 

No jardim do cemitério

As crianças mortas

Comem algodão doce

Nos narizes dos defuntos

E cavalgam nos anjos de mármore

Durante o recreio

 

Cercadas de uma paz estranha

Existem assim até o dia

Em que serão adultas

E terão suas almas

Sepultadas de vez

 

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publicado por AB Poeta às 01:45
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