Manifestações consciente do inconsciente. Contos e poesia crônica.

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Terça-feira, 23 de Setembro de 2008

Partido Cervejeiro Universal

O Trabalho

 

 

O trabalho, numa visão histórica, sempre foi ligado a algo ruim. Até mesmo na bíblia; quando Adão e Eva comeram do fruto proibido foram expulsos do paraíso e condenados a trabalhar. Eva se ferrou duas vezes, pois, além do trabalho manual, também coube a ela (mulher) o trabalho de parto.


A palavra trabalho vem da palavra, originária do vocábulo latino, tripalium, que era o nome de um aparelho de tortura, formado por três paus, utilizado para amarar os condenados. Como herança dessa origem, ela é sempre associada ao sofrimento, pena ou labuta.
Na Grécia antiga toda a atividade manual era desvalorizada, e feita pelos escravos. Somente as atividades teóricas (contemplação das idéias) eram consideras dignas.


São Tomás de Aquino, na idade média, tentou desvincular esse estigma do trabalho manual, dizendo que todos os trabalhos se equivalem, mas como sua filosofia tem como base a visão grega, tende a valorizar as atividades contemplativas. Alguns textos medievais consideravam a “arte mecânica” uma arte inferior.


A ascensão da burguesia, na idade moderna, muda totalmente à concepção do trabalho. Com o domínio sobre as “artes mecânicas” e as grandes navegações, e a exploração de ambas, a sociedade passa por grandes transformações econômicas, determinantes para a passagem do feudalismo para o capitalismo. Surgem os primeiros barracões manufatureiros (primeiras fabricas), e os trabalhadores, que antes produziam por conta própria em suas casas, agora, para sobreviver, são obrigados a venderem a única coisa que lhes sobraram: sua força de trabalho. O fruto provindo do trabalho já não pertence mais ao trabalhador. Toda a produção e lucro pertencem ao empresário. Com a produção crescendo rapidamente, a divisão do trabalho em horários pré-estabelecidos, e o desenvolvimentos dos grandes centros urbanos, surge uma nova classe social: (nós) o proletário.


A Reforma Protestante (século XVI), a Revolução Francesa e Revolução Industrial (século XVIII), contribuíram para fixar essa nova ordem social, e, principalmente, para mudar toda visão histórica que se tinha sobre o trabalho.
Até quando isso?

 

O Tempo

 

Já era! Não somos mais os donos do tempo. O Tempo, essa idéia “abstrata”, que antes era marcada apenas pelo nascer e o por do sol, ou pelas colheitas, agora é mensurado pelo relógio. Primeiro o pensador disse: “o tempo é o senhor da razão”; ai veio os revolucionários industriais burgueses, se apoderam do relógio, esse marcador de tempo, e disseram: “não não! Tempo é dinheiro”.

 

De quem é o tempo?

 

Romanos, Julio César, Augusto, gregorianos, Carlos IX, Papa Gregório XIII, era cristã. 365 dias, 6hs e alguns minutos.

 

De quem é o tempo?

 

- Corre o coelho, olhando o relógio: “to atrasado, to atrasado”, sempre.


- A rainha mandona manda: “que sirvam o chá... E cortem-lhe a cabeça!”, sempre, também.

 

Ninguém é decapitado, mas sempre se perde a cabeça.

 

De quem é o tempo?

 

Newton, Einstein... Tempo + Espaço = espaço-tempo. Quanto mais próximo de um objeto, maior será a distorção no espaço-tempo. Isso faz com que o tempo passe mais devagar, para quem está próximo desse objeto, pois a força da gravidade será maior nesse ponto do espaço-tempo. Mas se você for arremessado para longe, numa velocidade próxima a da luz, aí não, aí ele fica mais lento. Dilatação temporal... Isto é absoluto: o tempo não é mais absoluto!

 

De quem é o tempo?

 

Taylor, Fayol, Ford.

 

De quem é o tempo?

 

Acorda, café-da-manhã, ônibus, trabalho, almoço, trabalho (muitos copos de café nesse meio tempo), ônibus, escola, dorme, cinco dias (com alguns happy-hours e outras cositas mas  no meio) , acorda, feira, mercado, shopping, afazeres domésticos, estudos, filmes, baladas, dorme, acorda, missa, macarrão, frango, futebol, Faustão, fantástico, dorme...

 

De quem é o tempo?

 

O tempo, hoje, pertence as grandes indústrias, companhias, multinacionais, etc... E o seu relógio serve somente para lembrá-lo disso.

 

O Lazer

 

Sempre após o expediente um grupo de pessoas se reúnem num bar. Já que foram libertos das amarras empregatícias, aproveitavam seu tempo de lazer tomando uma gelada. Isso é absolutamente normal, numa sociedade industrializada como a de hoje; pessoas que tem coisas em comum se reunindo no mesmo local. Isso acontece, não porque existe uma força divina que os une, e sim porque existe um habito de consumo em comum. A sociedade industrial produziu um ser que se reconhece, se junta, se une através do consumo. O lazer alienado produz esses grupos. E, fala a verdade, depois de um dia inteiro entregue ao trabalho, tomar uma cerveja não é nada mais do que justo.


Ler um livro, aprender a tocar algum instrumento musical, plantar uma árvore, escrever, pintar um quadro, assistir a um filme em DVD, que não seja um blockbuster, caminhar, fazer um artesanato, cozinhar, etc., todas essas práticas foram, praticamente, erradicadas da vida (tempo livre) da maioria das pessoas.


Graças a grande indústria do lazer, se você não estiver consumindo, qualquer coisa, você acredita que não há mais nada para se fazer. O consumo, junto com o “tempo livre”, construiu algo mágico, algo que faz com que você tenha a sensação de que o seu tempo está sendo muito bem aproveitado. Ta ai, uma grande característica do homem do século XX: o lazer alienado.

 

O Partido

 

Essa alienação do lazer até que não é tão ruim. Em meados de 2006, um grupo de pessoas, de tanto se reunirem no mesmo local, para fazer a mesma coisa: discutir sobre os mais variados assuntos e apreciar a boa e velha cerveja, decidiram montar um partido, intitulado Partido Cervejeiro Universal, o famoso P.C.U.


A coisa ficou tão organizada que foram feitas camisetas com o logo do partido, foi escolhida uma sede (Toka’s Bar), feito um vídeo musical e um estatuto com os deveres, direitos e obrigações dos filiados. Também elegemos um presidente e seu vice.


A democracia dentro do partido foi exercida de forma sublime. Todo o estatuto foi escrito com todos os filiados dando sua opinião e sugestão, independente do cargo que ocupava na empresa ou o nível de amizade com qualquer integrante do partido. Foi de causar inveja até a ágora ateniense.

 

Segue estatuto:

 

PARTIDO CERVEJEIRO UNIVERSAL – ESTATUTO

 

Capítulo I - Do Partido e seus objetivos:

 

Artigo 1º) O P.C.U. tem como objetivo principal agregar apreciadores de : cerveja, samba e churrasco.

 

Capítulo II - Dos filiados:

 

Artigo 1º) Será admitido como membro do P.C.U. qualquer pessoa que compartilhe dos nossos ideais independente de ser funcionário da Universal;

 

Artigo 2º) Face ao exposto acima, fica proibida a entrada de : abstênicos, vegetarianos e outros malas;

 

Artigo 3º) Os afiliados a partir de 2007 terão direito a uma grande recepção na nossa sede (Toka´s), ocasião em que o novo integrante pagará 01 caixa de cerveja para entrar no Partido;

 

Artigo 4º) O P.C.U. repudia os Sanguessugas de boteco (aquelas pessoas que adoram beber mas são escorregadias na hora de pagar); qualquer ato neste sentido será punido severamente pelo Partido.


Capítulo III - Das obrigações:

 

Artigo 1º) Todo o filiado tem a obrigação de pagar 01 Caixa de Cerveja no mês do seu aniversário, ficando a seu critério a data de escolha da comemoração, desde que seja em uma sexta-feira;

 

Artigo 2º) Isso também se aplica as seguintes Comemorações : promoção, formatura, casamento, separação, férias, nascimento de filhos, prêmios de bingo, bicho, loterias, etc.;

 

Artigo 3º) Não serão aceitas desculpas quanto a situação financeira do filiado, pois para um membro do P.C.U. mais importante do que ter dinheiro é ter crédito.

 

Capítulo IV - Das reuniões:


Artigo 1º) Nossas reuniões serão realizadas todas as sextas feiras a partir das 17:45 na nossa sede social (Toka’s I) ou durante a semana se houver necessidade de alguma reunião extra-ordinária;

 

Artigo 2º) Uma vez por mês realizaremos na nossa quadra de esportes um churrasco de confraternização;

 

Artigo 3º) Quando da realização dos churrascos, o pagamento da contribuição deverá ser efetuado até as 15hs para melhor organização do evento;

 

Artigo 4º) Todo o conteúdo das conversas e acontecimentos das reuniões dizem respeito somente aos integrantes do Partido, sendo não permitido a sua proliferação fora da Sede;

 

Artigo 5º) É expressamente proibido falar de serviço nas reuniões por mais de 30 minutos;

 

Artigo 6º) Também fica proibido o consumo de sub-cervejas como : Kaiser, Bavária, Schin, etc. e no caso de cervejas sem teor alcoólico se faz necessário uma justificativa do integrante, sujeita á análise;

 

Artigo 7º) Em toda reunião do Partido será colocado um engradado vazio que irá sendo preenchido com as garrafas vazias. Cada integrante do Partido na sua saída deverá retirar as garrafas que julgar de acordo com o seu consumo;

 

Artigo 8º) Todo membro do Partido poderá convidar : parentes, amigos, namorados (as), filhos (as) , etc. desde que garantam a consumação dos mesmos.

 

São Paulo, 27 de Outubro de 2006.
 

Logos

 

Esse foi o primeiro, mas queriamos algo melhor, exclusivo.

 

 

Então o Fabinho (ex-partidário) desenhou esses dois.

 

 

Chegamos finalmente a esse, que está estampado em nossas camisetas.

 

Logo atual

 

 

Também foi feito um vídeo, totalmente no improviso, com duas de nossas partidárias (Juju e Dani, as duas vice do partido), numa festa da empresa. A letra, até onde sei, a da nossa saudosa vice Juju.

 

 

Também, claro, temos uma comunidade no Orkut. Clique aqui e participe.

 

A melhor coisa de tudo isso é o exemplo que fica de que quando um grupo de pessoas quer se organizar, se unir, elas conseguem e, algumas vezes, vão muito mais além. Não faltam grandes exemplos: Greenpeace, ATST-Faculdade (SP), ONG's, etc....


Até quando o consumo irá nos unir?

 


 

 

1º Encontro anual PCU - 28/11/2008

 

 

 

 

Baixe para ouvir:

Casa de Bamba - Martinho da Vila

Demônios da Garoa - Saudosa Maloca

 

Referência Bibliográfica:

 

Baixe para ler:

Filosofando - Introdução a filosofia

Uma breve história do tempo - Stephen Hawking

 

 

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publicado por AB Poeta às 19:46
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