Manifestações consciente do inconsciente. Contos e poesia crônica.

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Quarta-feira, 25 de Março de 2009

Viva lá crise!

Vi um e-mail esses dias onde um cara dizia - “devido à ‘crise’ blá, blá, blá... a luz no final do túnel está temporariamente desligada!”. Pessimismo dele? Talvez. De certo (talvez também) é que esse nosso camarada, autor da dita frase, assiste muito aos pessimistas telejornais da Rede Globo de televisão. Logo no começo de todo esse disse-me-disse sobre “crise”, exatamente no dia em que o ex-presidente americano W. Bush comprou (para melhor dizer, estatizou, mas falem baixinho, esse nome num mundo neoliberal é quase um palavrão) parte das ações de alguns bancos americanos, afim de evitar a quebra dos mesmos, o Jornal da Globo fez a seguinte chamada - “governo de W. Bush compra ações de bancos privados, mas especialistas dizem que não é o fim do capitalismo!”. Bem, claro que os adeptos ao socialismo, comunismo, ou qualquer outro “ismo” esquerdista, soltaram rojões adoidado, em virtude da atitude governista americana, mas “fim do capitalismo!”, isso é no mínimo uma piada.


É mais do que notório as notícias sobre empresas que estão demitindo a rodo, pelo mundo todo. A Microsoft, por exemplo, para cortar custos, devido ao decepcionante resultado obtido no último trimestre, irá cortar até 5.000 funcionários. A GM demitiu 2.000 devido à queda das vendas de veículos. A brasileiríssima (ex-estatal) Vale do Rio Doce demitiu 1.300, e 5.500 entrarão em férias coletivas escalonadas. Números atemorizantes não? Talvez.


Imagine a seguinte situação: em algum lugar, numa realidade, até então, muito distante da nossa, existia uma pessoa (chinês) que trabalhava na roça, plantando, cultivando e colhendo cereais, frutas, verduras... mas com um único propósito: garantir a subsistência sua e de seus familiares. Até que um dia alguém chega para ele e fala – olha, fiquei sabendo que na cidade grande estão empregando pessoas, talvez consigamos trabalho lá, ai não precisaremos mais labutar nos campos para tirar sustento. Achando essa idéia interessante, parte para a cidade grande mais próxima, na tentativa de empregar-se. Chegando nessa cidade ele se depara com filas gigantescas de outros iguais, em diversas fábricas dos mais varias produtos. Como para ele tanto faz, entra em qualquer uma, já que o intuito é arrumar trabalho. Nesse tiro proferido no escuro, até que ele se dá bem: arruma um emprego de, no mínimo, oito horas diárias para ganhar, quase, dois dólares por hora de labor. E quem antes não existia para o mundo capitalista, passa a ter certo valor, vira um operário assalariado, um futuro consumidor compulsivo, e, principalmente, um produtor de valia.


Pouco antes de tudo isso, do outro lado do globo, um empresário (num nome mais moderno: empreendedor), ouve falar que há várias empresas imigrando para o oriente. Mas por que isso... qual o motivo? - ele se pergunta. Então o instinto ideológico/capitalista emerge em seu ser, e produz vozes esclarecedoras em seus ouvidos que docemente lhe dizem – Reduzir custos... Reduzir custos... Reduzir... Fazendo uma conta muito simples, esse selvagem capitalista descobre que pode ganhar muito mais pagando menos de dois dólares a hora, para um chinês ou indiano, do que pagando os atuais trinta dólares a hora trabalhada para um nortista americano. Adivinha então o que ele faz? Faz as malas, pouco-a-pouco demite todos seus funcionários, abre uma fabrica num promissor país dito “socialista” chamado China e resolve todos os seus problemas de custos. Consegue assim produzir mais com menos gastos, o que reflete diretamente no valor final de seus produtos, conseqüentemente, aumentando suas vendas e derrubando concorrentes aos montes, por enquanto. Segue feliz.


No meio de todo esse processo tem um cara totalmente perdido, meio sem entender ainda o que aconteceu, esse cara é o operário nortista americano. Sem mais nem menos (alguns tentaram culpar o mercado imobiliário americano) esse cara vê-se desempregado e, pior ainda, assiste aos noticiários da TV que só falam em demissões e mais demissões em massa. Preocupado com tudo isso, sua primeira providência, mais do que urgente, é (assim como nosso amigo empreendedor fez) reduzir os custeios familiares. Daí começa o letal efeito dominó. Esse cidadão para de consumir, e o lojista que o tinha como cliente, para de vender e, conseqüentemente, para de comprar de seus fornecedores, que conseqüentemente... Mata toda a cadeia econômica do país. Mas esse efeito dominó não para por ai não. Os países que mantém algum tipo de relação comercial com o esse ai, afunda junto. Cada um afunda conforme seu grau de relacionamento. O efeito final é essa tal de “crise”. Enquanto trinta dólares pagavam somente um empregado americano do norte, agora pagam, no mínimo, quinze empregados. Negócio da china, não! A mão-de-obra que imigrou do ocidente para o oriente nunca mais, ou pelo menos por um bom período de tempo, ira voltar para seu país de origem.


Você deve estar se perguntando – onde esse indivíduo que perdeu seu precioso tempo escrevendo sobre isso quer chegar? – bem, vamos lá: acredito que estamos vivenciando não uma crise (apesar de um dos significados dessa palavra ser “mudança”), no sentido ruim que essa palavra envolve, mas sim estamos passando por uma reorganização capitalista, uma movimentação de capital. Todo o capital que regia a economia ocidental simplesmente foi embora para o oriente. Como a maioria dos países do ocidente apóiam-se em acordos comerciais, todos estão sofrendo com esse escoamento. E tudo originou-se a partir de um dos princípios básicos da produção capitalista: a redução de custos.


A produção excessiva também tem sua parcela de culpa, pois estoques abarrotados travam o processo produtivo. Mas como uma andorinha só não faz verão... O escoamento de capital divide a culpa com o estoque excessivo. Se é que existe culpado, ou culpa por alguma coisa.


Um outro fato engraçado, que acho que poucos perceberam, é que os tão falados Bric’s (Brasil, Rússia, Índia e China), que não saiam dos noticiários, simplesmente sumiram das pautas noticiarias. Os telejornais, hoje, só vendem o medo americano, o terror americano, só, mais nada. É nítido o desinteresse que há em falar sobre a ascensão econômica bricniana. Não que tudo isso não afete-os também, mas que esses últimos sofrerão muito menos, e isso é fato. Estamos assistindo ao começo do fim da hegemonia americana. O americam dream  está virando o american nightmare e o american way of life pode acabar virando o china way of life... quem sabe um dia. Já pensou, você indo até o Mc Donald’s e pedindo um suculento nuggets de escorpião, ou de gafanhoto! E a atendente ainda lhe sugere – por apenas mais um e cinquenta o Sr leva mais 100ml de um geladinho sangue de cobra natural, aceita? Você acha um lanche como esse nojento? Só lembrando que também comemos algumas coisas que outros países consideram, no mínimo, exótica: feijoada (pé de porco, orelha...), buchada de bode, sarapatel (que é feito de miúdos do porco), rins de boi, coração de galinha, carne de tatu, rã, siri, etc. Então, como não há nada com que o ser humano não se acostume, e a cultura muda no decorrer do tempo, não se impressione se chegar um dia em que seus filhos ou netos lhe implorarão de joelhos para que os leve a lanchonete mais próxima afins de saborearem um delicioso espetinho de escaravelho. E sem gordura trans em!


Mas também tem o outro lado da moeda: tradições indianas e chinesas podem estar também no principio do fim. O modelo de estratificação indiano (sistema de castas) provavelmente vai desmoronar com a invasão capitalista, e o livro vermelho do ditador Mao-Tse-Tung vai virar um empoeirado item de sebo.


Barak Obama, recém eleito presidente da, ainda, maior potência econômica mundial, está injetando dinheiro adoidado em instituições privadas, como bancos, mas mesmo estas tornando-se estatais (ou pelo menos parte delas), falar em fim do capitalismo é simplesmente desesperar-se. O capitalismo está florescendo ainda, e ainda não vivemos o seu ápice. Cuba e Coréia do Norte podem ser as próximas a sucumbir a esse sistema, quem sabe.


A queda do muro de Berlin, em 1989, inspirou o diretor alemão Wolfgang Becker a contar a estória de Alexander, um rapaz, filho de uma ativista socialista, que vivencia o final do regime esquerdista na Alemanha Oriental (Adeus Lênin! – 2003). Quem sabe, num futuro ainda distante, mas já a caminho, não veremos filmes parecidos como “Adeus Mao!”, “Adeus Fidel!”, ou quem sabe também uma das pré-estréias mais aguardadas de todos os tempos, do planeta: “Adeus Tio Sam!”

 

Tio, Che, Chong... quem diria!

 

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publicado por AB Poeta às 15:28
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