Manifestações consciente do inconsciente. Contos e poesia crônica.

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Domingo, 5 de Dezembro de 2010

Fuga

 

Quanto tempo ainda tenho

Para perder jogando meu olhar

Pela janela coletiva e percebê-lo

Freado no cinza-sujo?

 

Quanto de mim ainda perderei

Na multidão só e petrificada

Que se preocupa apenas em morrer bem?

 

Quanto ainda irá crescer

Cidades, procissões, artérias podres

E vias duras que não chega a lugar nenhum?

 

O relógio rege rígido o rumor rancoroso

E rupestre da ror romântica e ridícula

 

O nada produzido às máquinas

Enche as nada-vidas em dias de nada

 

Acho no chão um metal

Levo-o ao ouvido

Escuto o mar que há em mim...

Ondas quebram

Sinto a areia sob meus pés nus

Um sol eterno me faz rir

Envolto a um calor de satisfação

 

Passa uma garota que não me olha

Porque não tem mais olhos

Mas sinto seus olhos negros

Infinitos de ternura

Que fogem de uma espécie de burca

 

Sinto sua pulsação de samba

Sua seda, mesmo perdida em trapos mentirosos

Sinto-a leve

 

Um beijo quer escapar, sinto...

Quente seu desejo quente, sinto...

 

Ela passa e o homem morto no bar

Estirado sobre vidros

Sente-a também

Acho

 

Ela se vai...

 

Leio gritos nas pedras

Que estão tatuadas no chão do cotidiano

Que está tatuado no tempo agora

Que não está tatuado em lugar algum

Mas foi marcado a ferro

Em minha lembrança

 

Um cachorro semi-vivo rasga meus restos

Na esquina dos heróis

Jogo a ele mais um pedaço meu

Ele cheira e vai embora, não quer

 

Crianças semi-mortas entoam

Cantigas de roleta-russa

Já brinquei com elas assim

E perdi...

Faz tempo, só não lembro quanto

 

O tempo faz tempo que passa

E de tempos em tempos

Me pergunto: quanto tempo já isso?

 

Não me vem respostas

Porque não quero mais respostas

Elas são nada mais que a morte

E preciso da dúvida, que é vida

Que impulsiona

 

Sou cercado de platonismos

Que me sepultam

Em mármore grego sagrado

E mitos mais humanos

Que os próprios humanos

 

Entre as verdades

Idealismos e utopias doentes

Sou só fuga

Desse horizonte cinza-sujo

Que freia meu olhar

De esperança

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publicado por AB Poeta às 15:48
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